5. GENEL DEĞERLENDİRME VE EĞİTİM SEKTÖRÜ İÇİN POLİTİKA
5.2. Makro Düzeyde Eğitim Politika Önerileri
Escrito na década de 1980, o livro de Yazbek, Sposati e Bonetti intitulado Assistência na trajetória das políticas sociais brasileiras se tornou uma referência importante na defesa e argumentação a favor da Assistência Social como política pública. Para isso, as autoras se propõem a compreender a importância do que foi chamado de o assistencial para uma política
de Assistência social.
O assistencial está presente em todo o percurso do Serviço Social no Brasil e se baseia na ajuda material emergencial. Em vez de fazer uma crítica a este tipo de relação83, as autoras do livro defendem que é a partir dela que se chega a uma aproximação com as necessidades reais da população. Portanto, para elas, é preciso reconhecer que o assistencial tem importância para aqueles que dele dependem, contendo inclusive a possibilidade de reivindicação de direitos perante o Estado. O que se propõe, finalmente, é que haja uma política de Assistência Social que compreenda o assistencial mas que vá além dele, e que seja capaz de atuar nas causas das necessidades.
Nessa perspectiva normativa, diante da relação conflituosa entre capital e classes subalternas, a Política de Assistência Social (PAS) teria papel de abrir uma brecha na relação Estado e sociedade a fim de se garantir a participação dos pobres. A PAS é vista, então, como tal espaço de participação, onde as necessidades dos pobres seriam levadas em consideração e atendidas, sem que isso os inferiorizasse, ao contrário, os fizesse cidadãos.
As décadas de 1970 e 1980 foram marcadas por transformações sociais e resistência à ditadura e luta por direitos, o que se refletiu na Constituição de 1988. Esse período contou, por exemplo, com o movimento operário e as greves de 1978 e 1980, o movimento feminista, os movimentos urbanos, as Comissões Eclesiais de Base, Pastoral da Terra e Pastoral do Menor, além de organizações de Direitos Humanos, dentre outros. (SADER, 1987). Vários autores apontam esse período como um momento de mudança para as concepções de movimentos sociais e cidadania, apontando contradições entre o processo democrático no nível das instituições e a experiência da cidadania no cotidiano (PAOLI, 1991, SADER, 1988, GOHN, 2000, DAGNINO, 2004, TELLES, 2004, CARDOSO, 2004)84.
83 Em sua Tese, Mendonsa (2012) deixa claro que ao longo da formulação da Lei Orgânica da Assistência Social de 1993, Sposati debate com Potyara Pereira, pesquisadora da Unb que, tanto quanto aquela, também esteve atuando na formulação desta Política. A crítica que Pereira faz ao assistencial é por este servir aos interesses do capital e não garantir a superação das desigualdades sociais, ou ainda, critica o uso do assistencial para o clientelismo político.
84 Cardoso (2004) aponta duas fases dos movimentos sociais. Entre a década de 1970 e início da de 1980, há a emergência dos movimentos. Nesse período, as interpretações dos cientistas sociais tendiam a enfatizar o espontaneísmo dos movimentos, vendo neles um fato novo e uma mudança na cultura política. Já a segunda fase, que começa nos anos 1980 é marcada pela institucionalização dos movimentos sociais e sua aproximação com o Estado. Dagnino (2004) e Telles (2004) também se dedicam a discutir as contradições presentes nos anos 1990 (ou seja, após a Constituição de 1988) no que se refere ao campo da cidadania. Ambas situam a cidadania como no âmbito da sociabilidade, a qual traz inscritas historicamente relações autoritárias, clientelistas. Para Telles, o Brasil se modernizou sem alcançar níveis mínimos de igualdade. Os direitos aparecem como prática, linguagem e representação. Para Dagnino, há a emergência de uma nova noção de cidadania que tem significado mais amplo do que a luta por direitos.
Nesse período, a categoria de assistentes sociais esteve presente85 nas reivindicações dos movimentos86. Mendonsa menciona (ao citar Boschetti) que entre 1985 a 1989 já se debatia o papel da Previdência e da separação entre benefícios por contribuição individual e aqueles por compensação pela pobreza. Estas questões estiveram presentes na Assembleia Constituinte, de modo que o resultado está no fato de que a Constituição de 1988 abarcar a Assistência Social ao âmbito da Seguridade Social - juntamente à Saúde e à Previdência Social87.
Não sendo universal como a política de Saúde, nem contributiva como a Previdência, a Assistência tem foco sobre a parcela de pessoas que apresentam uma necessidade a ser suprida88.
Os objetivos primordiais da Assistência Social, conforme definido em Constituição, são: a proteção à família, infância, adolescência e velhice, assim como a integração ao mercado de trabalho, habilitação e reabilitação de pessoas portadoras de deficiência. Portanto, a
Essa nova cidadania se baseia no direito a ter direito, o que inclui também o reconhecimento à diferença. Gohn (2000) aponta que nos anos 1990, há novas formas associativas com a ampliação das ONGs e do chamado “terceiro setor”. Mas o que marca essa mudança é a alteração do foco na lutar contra a exclusão - clamando cidadania e direitos sociais - para a lutar pela integração dos excluídos ao sistema. Ainda na década de 1980, há a entrada de novos atores em cena (SADER, 1988). O argumento central é que há uma crise das tradicionais matrizes discursivas que pautavam os movimentos dos anos anteriores - sendo elas a matriz da Igreja, do sindicalismo e a esquerda marxista. É no cotidiano que essas matrizes dão significação e são reconfiguradas nas experiências coletivas dos movimentos populares, sindicatos, comunidades eclesiais de base e nos clubes de mães. Paoli (1991) identifica na passagem dos anos 1980 para os anos 1990 uma nova cultura política, ao mesmo tempo em que a temática da cidadania se enraíza no cotidiano da população. Por outro lado, a autora identifica que há um descrédito quanto às instituições democráticas e ao futuro do país. Sua tese é de que há uma crise do Estado e também das sociabilidades cotidianas.
85 E Abreu (2011) afirma que “[...] o significativo avanço da organização dos assistentes sociais a partir dos anos 80, com a criação de novas entidades sindicais nos estados e de âmbito nacional (Associação Nacional de Assistentes Sociais), reestruturação das já existentes (Associação Brasileira de Ensino de Serviço social, Conselho Federal de Assistentes Sociais e o Conselho Regional de Assistentes Sociais) e o esforço à articulação entre elas em âmbito nacional e internacional. Além disso, o incentivo, apoio e articulação dessas entidades com o movimento estudantil, organizações e movimentos das classes subaltenas e demais expressões da sociedade civil” (ABREU, 2011, p. 160).
86 M. Glória Gohn (2000) demonstra que lutas e movimentos estiveram presentes em vários momentos da história do Brasil desde o período colonial, passando por revoltas urbanas e camponesas dos primeiros anos da República, greves operárias do século XX e lutas pela democratização do Estado. Segundo a autora, a análise dos movimentos sociais não deve seguir apenas o modelo classista (enfatizando as estruturas econômicas e a luta de classes e conflitos sociais) ou o culturalista (enfatizando os movimentos em si), mas sim, deve-se destacar os aspectos culturais da identidade de um movimento social dentro de um contexto marcado por divisões de classe e suas contradições e conflitos.
87 Pela Constituição Federal, a Saúde é considerada direito universal, estendido a todos; já a Previdência é um sistema de seguridade social dependente da contribuição monetária e focada no trabalhador e seus dependentes, e a Assistência Social, por sua vez, não se destina unicamente aos que a ela contribui mas não é universal, portanto, necessita de critérios para definir quem a ela terá acesso.
88 Cf. o Artigo 203 da Constituição Federal de 1988: “A assistência social será prestada a quem dela necessitar, independentemente de contribuição à seguridade social” (BRASIL, 1988). Segundo Boschetti (2011) está inscrita na Constituição seu caráter reformista conciliando de um lado universalidade das políticas sociais e seletividade das mesmas.
Assistência Social se define basicamente pela população que será atendida89, e pela necessidade que ela apresenta.
Mestriner (2011) interpreta que a partir da década de 1990 há uma filantropia democrática, o que demonstra que não houve uma ruptura entre a Assistência Social e as antigas formas de filantropia. Embora a CF de 1988 seja um avanço em termos de reconhecimento de direitos sociais, no entanto, não cria rupturas com o passado e com a estrutura assistencial já montada historicamente, baseada na relação do aparato público com entidades privadas fragmentadas e focalizadas em diversos públicos-alvo (BEHRING, BOSCHETTI, 2011; MESTRINER, 2011).
Já na década de 1990, os governos Collor e FHC desenvolveram políticas voltadas ao mercado, o que repercutiu em uma implantação mais lenta da Política de Assistência Social, assim como, na sua articulação com entidades privadas. Em 1995, por exemplo, foi elaborado um Plano Diretivo de Reforma do Estado (DRAIBE, 2003). Privatizações de empresas estatais e criação de agências regulatórias marcaram o período. No que diz respeito a políticas sociais houve a implementação de diversos Programas sociais sob os princípios de focalização do público-alvo e de descentralização institucional na execução.
Na década seguinte, sob os mandatos presidenciais de Luiz Inácio “Lula” da Silva, houve continuidades em relação à política econômica anterior, porém, em relação às políticas sociais houve uma combinação entre a execução de Programas focalizados e a criação do aparato do Sistema Único de Assistência Social (SUAS) cujo objetivo era fortalecer a proposta da proteção social presente desde a Constituição e LOAS.
Tomando como inspiração o termo cunhado por Mestriner, podemos dizer que na filantropia democrática houve uma gradativa captura dos antigos mecanismos da filantropia combinados com movimentos sociais pelo Estado, enovelando-os em linhas de poder de modo a fortalecer-se e a suas formas de governos sobre os indivíduos e suas carências, mas cada vez mais, também sobre a população nacional.
89 Contudo, percebe-se que os grupos prioritários para serem atendidos continuam sendo aqueles já selecionados pelas práticas assistenciais existentes, o que permite continuidade em relação às práticas assistenciais anteriores.