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Miktar İtibariyle Hz. Peygamber’in (s.a.s.) Tefsiri

por uma mistura de formatos televisuais, destacando-se: o documentário, o telejornalismo e o videoclipe e na sua estrutura apresentam inserções de jingles, slogans e vinhetas. É com base na mistura na combinação desses formatos que a campanha eleitoral de televisão dos três candidatos é construída com recursos e dispositivos próprios da linguagem audiovisual desde a sua concepção, procedimentos de produção e recursos de divulgação para os telespectadores comprovando a ideia de que a televisão possui uma “extraordinária força multiplicadora, transmitindo o olhar, o sorriso, a emoção do candidato direto às mentes e aos corações dos espectadores. Neste sentido a televisão é uma grande alavanca, um fator positivo inigualável” (KUNTZ, 1996:20).

Referindo-se à adaptação da política à lógica da televisão, Weber (2000:39) aponta que “é possível assistir a um programa político como se fosse um telejornal; à imitação dos programas de entrevistas; à reprodução das gravações ‘externa’ (quando cidadãos são entrevistados sobre qualquer assunto)”. A autora explica ainda que o HGPE de televisão é construído para valorizar a voz, o gesto carismático, o jogo de cores e sons, pessoas conhecidas e desconhecidas que, em um papel testemunhal, apresentam-se para contribuir no aspecto da persuasão e nos comícios, apresentados em forma de espetáculo.

Segundo Manhanelli (1988), as estratégias utilizadas em marketing político constituem a arte de impetrar ações com o intuito de destacar um nome e suas qualidades junto aos eleitores da forma mais clara e definitiva possível, levando, nestas ações, informações de conteúdo que façam o eleitorado assimilá-las com o objetivo de no primeiro instante, eleger o dono do nome a um cargo eletivo, e posteriormente alimentar este conceito e defendê-lo. (MANHANELLI, 1988: 15).

Para produzir uma visualidade mais atraente, os vídeos são produzidos privilegiando imagens do cenário moçambicano, de fácil reconhecimento pelos eleitores, além de personagens diversas em que cada uma exerce o seu papel distinto na propaganda. Muitos dos personagens que aparecem são figuras da política nacional e outros são cidadãos comuns do meio urbano e rural que dão seus testemunhos sobre os benefícios adquiridos através do trabalho dos candidatos e partidos a quem defendem como ideais para governar o país. Outros personagens aparecem para desqualificar os candidatos da oposição, aliando-se dessa forma a outros atores políticos.

Os vídeos são construídos a partir da linguagem do documentário, e essa característica é mais forte na propaganda de Guebuza, que valorizou mais o caráter informativo, buscando enfatizar as suas realizações no primeiro mandato. As escolhas de planos de enquadramentos, de iluminação e de alguns efeitos especiais de fusão de imagens e de cenas visam presentificar tais realizações para o eleitor.

Além dessas características, nos videoclipes, entram em jogo diversos recursos tais como: o uso ou não da figura do narrador (on ou off); a possibilidade de construí-lo apenas com depoimentos de personagens; o recurso da reconstituição para contar a história; a criação de personagens para dar maior dramaticidade à narrativa, além de apresentar documentos históricos, entre outros que se afigurem como fundamentais para contar a história que se pretende dar a conhecer ao público telespectador.

Uma particularidade da hibridação de gêneros televisuais na propaganda eleitoral é que nestes formatos predomina a subjetividade (formas de perceber e de interpretar o mundo), que é a que evidencia uma maneira particular do autor/diretor de contar a história do candidato e seu partido. A linguagem do documentário é muito marcada pelo “olhar” do diretor sobre seu objeto. Nessa

ótica, o documentarista não precisa camuflar a sua própria subjetividade ao narrar um fato. Ele tem a liberdade de imprimir a sua ideologia, as suas crenças, tomar partido, se expor, deixando claro para o espectador o ponto de vista que defende.

Com a linguagem parecida com a do documentário, a propaganda também simula uma relação de proximidade entre enunciador e enunciatário e, ao mesmo tempo, procura produzir o efeito de sentido de atualidade, ou seja, a edição é feita com o intuito de reproduzir o “aqui e agora” como se aquele acontecimento narrado estivesse a decorrer naquele instante para o telespectador.

Além dessa estratégia de produção, a parcialidade é outro aspecto que predomina neste formato em que a subjetividade aparece em evidência de forma que o enunciador imprime a sua marca nas entrelinhas da história sobre o candidato e seu partido direcionando o olhar do enunciatário. Nesse sentido, ganham terreno as opiniões, os pontos de vista, as visões de mundo, os engajamentos políticos e ideológicos do destinador.

Nos três programas que estamos a analisar, para imprimir um tom mais alegre à propaganda, os idealizadores optaram por fundir o formato documentário com o de videoclipe político. Estes são caracterizados como “segmentos que articulam imagens em torno de um tema musical e cujo objetivo fundamental é veicular os jingles da campanha dos candidatos” (ALBUQUERQUE, 1999:93).

De acordo com Albuquerque (1999:93), “os videoclipes políticos são adotados na disputa eleitoral por serem formatos privilegiados para a mobilização emocional do eleitorado, freqüentemente visando construir uma comunidade imaginária em torno do candidato”. Pensamos que esta foi a razão fundamental que levou os idealizadores das campanhas dos três candidatos a optarem pela mistura de documentário com videoclipe na construção de seus programas eleitorais de televisão para capturar a atenção do telespectador/eleitor.

Do ponto de vista da técnica e da operacionalidade, ao escolher a hibridação de formatos, os enunciadores dos programas dos três concorrentes tinham como objetivo incorporar a linguagem televisual para realçar algumas características de construção do discurso deste veículo de comunicação tais como: brevidade, ritmo, sequências rápidas de fragmentos de imagens (do país e de figuras públicas e anônimas) e sons, entre outros, cuja finalidade última é atrair a atenção do telespectador. Outro objetivo fundamental era enfatizar a identidade

política, levando em consideração a sua condição de candidato da situação para o caso de Guebuza, que concorria à sua própria reeleição e da oposição para os candidatos Dhlakama e Simango e, este último, tinha o privilégio de se apresentar como a novidade do momento e, pois pela primeira vez, um jovem concorria ao cargo de presidente do país.

É a partir dessas identidades que os três programas se distanciam, sobretudo, nas questões relacionadas à produção da subjetividade e também de ideologia, enquanto pontos de vista a partir dos quais vêm e percebem a política moçambicana e esse momento singular da campanha.

A identidade dos partidos é formada pelos seus ideários políticos e propostas que fazem com que mais adeptos sejam atraídos e convencendo o eleitor que, votando no partido, estará votando nesses projetos de governo e ideologias. Ademais, outros elementos como símbolos, cores, slogans, jingles, entre outros, também são importantes porque ajudam os eleitores a identificar com maior facilidade as diferenças e semelhanças entre os partidos políticos concorrentes.

É nesse prisma que Penafria (1999) defende que a escolha de um ponto de vista (sempre ideológico) reflete-se numa escolha estética e implica, necessariamente, determinadas escolhas e opções cinematográficas em detrimento de outras: determinados tipos de plano, determinadas técnicas de montagem, entre outras. Para a autora, esses recursos possibilitam a interpretação do discurso ali constituído pela narrativa do documentário, oferecendo representações em forma de textos verbais, imagens e sons, ou seja, tudo “costurado” sincreticamente para produzir efeitos de sentido. Esses formatos audiovisuais predominantes nos programas dos três concorrentes influenciaram na projeção da imagem dos candidatos como discutiremos a seguir.

4.1.8. Construção e projeção da imagem pública do candidato