ARAŞTIRMANIN KURAMSAL ÇERÇEVESİ VE İLGİLİ ARAŞTIRMALAR
4.7 MENTORLUĞUN KARİYER FONKSİYONLARINDAN DESTEKLEME FONKSİYONUNA İLİŞKİN ARAŞTIRMA GÖREVLİSİ GÖRÜŞLERİ
As reflexões sobre a possibilidade de extrusão do mental e processamento cerebral distribuído nos remetem à perspectiva de um modelo não antropomórfico de racionalidade, mais relacionado ao componente procedural dos processos cognitivos, ou seja, ganha preeminência o como se dá a razão em vez do o que é a razão. Percebe-se, nesse tipo de
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then some creatures began to refine that part of the environment that was easiest to control, putting marks
both inside and outside – off-loading problems into the world and just into other parts of their brains. They began making and using representations, but they didn’t know they were doing so, tradução do autor.
abordagem, uma clara inspiração funcionalista. A partir desse ponto de vista, o complexo corpo-cérebro é visto como uma espécie de hardware, que imprime alguns constrangimentos aos processos cognitivos humanos – como, por exemplo, a ausência de eletroreceptores e magnetoreceptores – os quais, portanto, são restritos pelas configurações arbitrárias resultantes da evolução.
As interfaces orgânicas – órgãos dos sentidos – fornecem informação que é utilizada pelos sistemas sensório-motores para articulação e percepção. Áreas especializadas no complexo cerebral processam informações que são utilizadas pelos sistemas conceituais- intencionais para permitir que o agente se acople ao mundo de diferentes maneiras. Essa capacidade plástica de engajamento diversificado no mundo é definidora da competência tipicamente humana de lidar com as “sempre novas, mas nunca inteiramente novas, situações que flutuam incessantemente até nós de um futuro sem fim” (CHURCHLAND, 2000, p. 163). O sistema cognitivo que se defronta com esse universo aberto é um sistema híbrido, que mescla os elementos do biológico ao maquínico e do mental ao software. O código-fonte externo contribui tanto quanto as computações e cogitações internas para produzir comportamento adaptativo. Essa mescla parece ser facilitada por características ontológicas do sistema nervoso humano, como já alertava Turing:
nós devemos nos preocupar principalmente com máquinas de controle discreto. Como mencionamos, os cérebros se aproximam muito dessa classe, e parece haver todas as razões para se acreditar que eles podem ter sido feitos para de fato serem desse tipo sem nenhuma mudança em suas propriedades essenciais (TURING, 1948/2004, p. 413)86.
A integração com a máquina se dá de forma intuitiva, em agenciamentos imbricados aos sistemas de sensibilidade e cognição humana. Na visão de Ascott,
uma vez que a interface se move para dentro do cérebro, uma vez que os sensores eletrônicos utilizam rotineiramente elementos biológicos, uma vez que os aparelhos semicondutores usam microorganismos vivos, as redes neurais artificiais irão se unir com as nossas próprias redes neurais biológicas em um total cognitivo sem emendas (ASCOTT, 1997, p. 341).
A máquina não é somente um apêndice, mas um ambiente, um espaço a ser explorado, uma percepção que remonta às propostas de Douglas Engelbart, que já em 1968 falava em
augmentation. Na obra de Engelbart (1962), augmentation é aumentar a capacidade humana
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we shall mainly be concerned with discrete controlling machinery. As we have mentioned, brains very nearly
fall into this class, and there seems every reason to believe that they could have been made to fall genuinely into it without any change in their essential properties, tradução do autor.
de abordar problemas complexos, adquirir compreensão que se ajuste às suas necessidades particulares e, a partir dessa competência ampliada, derivar soluções para novos problemas. Ou, como afirmaria Kurzweil, “os computadores começaram como extensões de nossas mentes e vão acabar estendendo nossas mentes” (KURZWEIL, 2000, p. 130)87.
Uma nova configuração do real, na qual os sistemas cognitivos híbridos se tornam a unidade-agente específica, por meio de sua gênese artificial e orgânica autopoiética. Esses agentes parabióticos editam o ambiente e, retroativamente, editam a si mesmos, em um fluxo contínuo de exposição e acoplamento a um campo sensório-perceptual profundamente alterado. Ao virtualizar uma função cognitiva, o software reorganiza a ecologia intelectual como um todo e, assim, acaba por modificar a função cognitiva que supostamente apenas reforçaria. Desfazendo e refazendo as ecologias cognitivas, o software contribui para fazer derivar as fundações culturais que determinam nossa apreensão do real. Nos dizeres de Hayles,
o circuito implica uma união mais reflexiva e transformativa. Quando o corpo é integrado em um circuito cibernético, modificações no circuito vão necessariamente mudar também a consciência. Conectada por múltiplos canais de feedback aos objetos que projeta (design), a mente é também um objeto de design (HAYLES, 1999, p. 15).
Tentar entender a mente isolada, sem estar imersa em um sistema de indivíduos, artefatos e cultura, é tanto atribuir às mentes um processo que elas não têm, quanto falhar em entender quais são os processo mentais que necessariamente precisam existir, de modo que o agente humano possa manipular artefatos. Além disso, a capacidade de estender a unidade cognitiva para além dos limites cranianos nos permite descrever as propriedades cognitivas de sistemas sóciotécnicos culturalmente construídos. Esses sistemas, por sua vez, são tanto genuinamente cognitivos por seus próprios méritos, quanto contextos nos quais se dá a cognição das pessoas que neles participam. Talvez esse seja o segundo erro de Descartes: mente-corpo-ambiente precisam ser entendidos como um complexo sistema recursivo. O problema da dicotomia corpo-ambiente não faz sentido.
Fundamento da relação entre os processos computacionais e a cognição humana, os agentes parabióticos são a infra-estrutura de uma nova e dinâmica consciência, impulsionada pelo pensamento associativo, participando e co-gerando a realidade que vai se estendendo no viver cotidiano. Esse tipo de compreensão leva a afirmações como a de Dyens: “a psique, o eu, o ego humano estão há muito tempo escondidos tanto nas máquinas e na
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tecnologia quanto nos corpos, nos órgãos e nos genes” (DYENS, 2003, p. 269). Nossos desejos, vontades e percepções são fatiados em um sistema cognitivo híbrido e distribuído, no qual as representações de nossos corpos são unidas à corpos engajados, por meio de interfaces mutantes e flexíveis.
Podemos remeter o fundamento teórico dessas novas concepções ao paradigma da cibernética, que reuniu uma teoria da informação (Shannon), um modelo de funcionamento neural que revelava como os neurônios podiam ser descritos como processadores de informação (McCulloch), computadores digitais processando código binário (von Neumann), por meio da articulação, em nível mais amplo, de Norbert Wiener. A partir do paradigma da cibernética, os seres humanos passaram a ser vistos como entidades processadoras de informação. Em uma abordagem de cunho funcionalista, isso os torna essencialmente similares às máquinas inteligentes. A cibernética proporcionou a arena comum para a interação entre a subjetividade do humano e as objetividades do artificial.
Segundo Lemos,
esta nova qualidade da interatividade (eletrônico-digital) com os computadores e o ciberespaço, vai afetar de forma radical a relação entre o sujeito e o objeto na contemporaneidade (...) o objeto físico transforma-se em um ‘objeto-quase-sujeito’, uma forma de interlocutor virtual (LEMOS, 2002, p. 122).
Nesse circuito integrado, a subjetividade é dispersa, a vocalização é não-localizada, os corpos são adicionados a próteses e as fronteiras de todos os tipos ficam desestabilizadas. Entender a relação mente e máquina como uma transcendência das fronteiras tradicionais é superar a dicotomia entre a solidez da vida real, por um lado, e a ilusão da realidade virtual, por outro, a qual obscurece o real alcance das mudanças iniciadas pelo desenvolvimento das tecnologias de comunicação e informação. Somos, nos termos de Hutchins, “bricoleurs cognitivos – montagens oportunistas de sistemas funcionais compostos de estruturas internas e externas” (HUTCHINS, 1999, p. 172)88.
A subjetivação da exterioridade é o indício e o operador de uma imitação antropológica de grande amplitude. Dispositivos tecnológicos semióticos e sociais são implicados ao funcionamento psíquico e somático do agente. Circuitos híbridos, coletivos e de complexidade crescente, acionam porções cada vez mais vastas do universo. Segundo Lévy,
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we are all cognitive bricoleurs – opportunistic assemblers of functional systems composed of internal and
as tecnologias intelectuais, ainda que pertençam ao mundo sensível exterior, também participam de forma fundamental no processo cognitivo. Encarnam uma das dimensões objetais da subjetividade cognoscente. Os processos intelectuais não envolvem apenas a mente, colocam em jogo coisas e objetos técnicos, complexões de função representativa e os automatismos operatórios que os acompanham (LÉVY, 1993, p. 160).