ONAY FONKSİYONUNA İLİŞKİN ARAŞTIRMA GÖREVLİSİ GÖRÜŞLERİ
4.16 DANIŞMANLIĞIN FAYDALI YÖNLERİNE İLİŞKİN ARAŞTIRMA GÖREVLİSİ GÖRÜŞLERİ
Fodor introduziu a noção de processos psicológicos verticais e modulares, como base para comportamentos biológicos coerentes, a partir de uma compreensão de que a organização do comportamento é um fator derivado da estrutura mental e não o contrário.
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A argumentação do parágrafo é inspirada em LAND, 2001, p. 146. 110
Fodor assume os processos mentais como computacionais, além de cognitivos, ou seja, todo processo cognitivo é um processo computacional, com base na premissa de que uma função típica dos mecanismos cognitivos é realizar a transformação de representações mentais. Para esse autor, há “sistemas cognitivos distintos funcionalmente, cujas operações cruzam domínios de conteúdo” (FODOR, 1996, p. 13) que seriam faculdades mentais horizontais (ie memória, julgamento). E haveria faculdades verticais111, domínio-específicas, determinadas geneticamente, associadas à estruturas neurais distintas e computacionalmente autônomas. O fato das faculdades verticais serem domínio-específicas faz com que sua aplicação seja restrita a um determinado tipo de situação. O ser geneticamente determinadas significa que as faculdades verticais são independentes de um processo de aprendizado. São hardwired, associando-se diretamente a circuitos neurais específicos, localizados e estruturalmente elaborados. E são computacionalmente autônomas112.
Os principais candidatos a módulos (como Fodor viria a batizar as faculdades verticais) são os sistemas perceptuais. As células da retina que transformam a luz que as atravessa não computam, por si mesmas, a freqüência espacial ou a imagem resultante. Mas há um processo causal cujas entradas (luz) e saídas (imagem resultante) podem ser caracterizadas formalmente (em termos de freqüência espacial). As células retinóides são mecanismos causais mediadores que contribuem para o processo cognitivo superior de representação de um objeto no mundo.
Uma visão do mental que contemple a questão dos módulos, na perspectiva apresentada por Fodor, assemelha-se a visão de um canivete suíço, com o cérebro apresentando lâminas específicas para tarefas diversas, cada uma das lâminas sendo um resultado do processo evolutivo específico da espécie. Curiosamente, há uma grande sintonia entre a proposição de modularidade de Fodor e as propostas de um pioneiro da computação, Alan Turing:
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Fodor indica e dá o devido crédito ao trabalho de Franz Joseph Gall, como fonte inspiradora de seu conceito de faculdades verticais. Gall foi o fundador da frenologia e acabou sendo desacreditado quando a própria frenologia caiu em descrédito. Hoje se reconhecer que, apesar de suas imperfeições, o trabalho de Gall foi importante por ter mudado a abordagem às questões do cérebro.
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Pesquisas neurocientíficas da topologia neuronal de fato identificaram dois espaços computacionais no cérebro: processadores especializados, modulares, encapsulados e automáticos; e espaços globais, com neurônios dotados de axônios muito compridos, que difundem sinais para múltiplas áreas, fomentando a experiência subjetiva.
muitas partes de um cérebro humano são circuitos neurais definidos, necessários para propósitos bem específicos. Exemplos desses circuitos são os ‘centros’ que controlam a respiração, espirros, seguir objetos em movimento com os olhos, etc.: todos os reflexos nativos (não condicionados) são devidos a atividades dessas estruturas definidas no cérebro (TURING, 1948/2004, p. 423)113.
Como implicação, temos que a cognição pode ser modelada por meio de agentes discretos e autônomos, rodando um programa escrito para a realização de uma tarefa específica e operando de forma relativamente independente. Os processos cognitivos gerados por esses módulos, que se apresentam no plano consciente como seqüenciados e centralizados, são a resultante das interações paralelas e descentralizadas dessas unidades básicas e bem definidas. Essa base, inata segundo Fodor, seria o alicerce de nossa capacidade universal de exercer funções cognitivas.
Fodor propõe que nosso modo de conceber estados psicológicos como atitudes proposicionais encontra um substrato real na forma como o cérebro opera as manipulações das representações codificadas em linguagem do pensamento, por meio do mecanismo computacional. A ação ocorre como resultante de uma operação computacional sobre as representações de conteúdos proposicionais codificados e encapsulados em algum circuito cerebral. Nos dizeres de Land, “Fodor acredita que exista uma linguagem do pensamento cerebral, através de cujos termos nos é permitido pensar e, ocasionalmente, expor publicamente através de palavras e ações os resultados dos processos computacionais sobre esta linguagem” (LAND, 2001, p. 49).
A mente é um computador neural, dotado de algoritmos combinatórios para o raciocínio causal e probabilístico, gerados pelo processo evolutivo. A metáfora computacional, aqui, direciona para uma possível independência entre processos cognitivos e bases materiais, o que deixa espaço para se conceber a existência de módulos (faculdades verticais) exteriores – os agentes inteligentes. Essa perspectiva está em consonância com pensamento de Lévy (LÉVY, 1993, p. 173), quando esse afirma que
As tecnologias intelectuais não se conectam sobre a mente ou o pensamento em geral, mas sobre certos segmentos do sistema cognitivo humano. Elas formam, com estes módulos, agenciamentos transpessoais, transversais, cuja coerência pode ser mais forte do que algumas conexões intrapessoais.
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many parts of a man’s brain are definite nerve circuits required for quite definite purposes. Examples of these are the ‘centres’ which control respiration, sneezing, following moving objects with the eyes, etc.: all the reflexes proper (not ‘conditioned’) are due to the activities of these definite structures in the brain, tradução
O Quadro 1 traz uma tentativa sintética de comparação entre os conceitos de módulos e os de agentes inteligentes.
Quadro 1. Agentes Inteligentes x Módulos
Agentes Inteligentes Módulos
Situados
Sensíveis a variações no ambiente Colaborativos
Autônomos Encapsulados
Programação orientada a objeto Orientados para tarefas (task-driven)
Localizados Respondem a estímulos Colaborativos Autônomos Geneticamente determinados Domínio-específicos
Orientados para tarefas (task-driven)
Quando um homem inclui um agente inteligente no computador, está, na verdade, incluindo a máquina computadora em si, no seu pensamento. O fato de o agente inteligente ser fisicamente exterior ao homem constitui uma diferenciação desejada, prevista e calculada: o
smart agent vai elaborar tecnicamente a tarefa que o pensamento não precisará mais fazer:
o computador tornou possível que a saturação da hipercomplexidade simbólica estourasse na irrupção do ícone. Tradução intersemiótica instantânea do inteligível (equações numéricas) em sensível (dinâmica da forma multiluzcor na sua mais pura nudez qualitativa). Conexão imediata da abstração inteligente com as turbulências sensórias na percepção (SANTAELLA, 1996, p. 251).
Não coincidentemente, Fodor apontou os sistemas perceptuais como candidatos naturais a módulos – são justamente os sentidos que crescem mais rapidamente para fora do corpo. Alterações nos processos mentais e sensório-perceptivo-corporais causam a formação de um novo tipo de sensibilidade. Para compreendê-lo, não se trata mais de olhar para o que está no cérebro, mas para em que o cérebro está. Essa predisposição cerebral à incorporação de módulos (internos ou externos) pode estar na base da afirmação de Clark: “finalmente, você se dá conta de usar os agentes inteligentes apenas da mesma forma, atenuada e paradoxal, com que você se dá conta de usar seu córtex parietal posterior” (CLARK, 2003, p. 31)114.
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you finally count as ‘using’ the software agents only in the same attenuated and ultimately paradoxical way,
Os processos cognitivos superiores (faculdades horizontais) seriam uma propriedade emergente das interações entre elementos naturais e artificiais, das informações ambientais e da estrutura cerebral, herdada da evolução. A fusão entre agentes inteligentes e o organismo biológico rompe a distinção homem-máquina, tanto quanto a explicação do comportamento por meio de teorias cibernéticas (feedback), estruturas hierárquicas e controle dissipa a distância entre animado e inanimado.
A fraqueza da abordagem de Fodor está no momento em que o autor passa a tratar das faculdades horizontais. Essas seriam não-modulares, desencapsuladas informacionalmente e representariam o local de interface das representações oriundas dos diversos módulos. No argumento de Fodor, a existência desses processos cognitivos desencapsulados é importante por que
a domínio-especificidade tem a ver com o leque de questões para as quais um dispositivo fornece respostas (o leque de entradas para os quais ele computa análises), enquanto que o encapsulamento tem a ver com o leque de informações que o dispositivo consulta ao decidir quais respostas fornecer (FODOR, 1996, p. 103)115.
Isso seria um explicador para a infinita variabilidade de respostas que o ser humano é capaz de dar às variações contingenciais.
As faculdades horizontais (chamadas por Fodor de sistemas centrais) analisam os dados dos módulos, comparam com o que existe na memória, e então usam essa informação para restringir a computação às melhores hipóteses sobre a realidade. Na verdade, as explicações de Fodor para os sistemas centrais permanecem inconclusivas e lembram o teatro cartesiano. Fodor assume explicitamente essa fraqueza: “quanto mais global um processo cognitivo é, menos se consegue entendê-lo. Processos muito globais, como o raciocínio analógico, não são compreensíveis de nenhuma maneira” (FODOR, 1996, p. 107)116.
Contudo, esse autor prevê progressos na compreensão científica das faculdades verticais (módulos, sistemas subsidiários), inclusive com a possibilidade de identificação de correlatos neurais a essas funções (token-identity). Nas palavras de Fodor, “o fantasma foi
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domain specificity has to do with the range of questions for which a device provides answers (the range of
questions for which it computes analyses); whereas encapsulation has to do with the range of information that the device consults in deciding what answers to provide, tradução do autor.
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It goes like this: the more global (e.g., the more isotropic) a cognitive process is, the less anybody
caçado mais para o fundo da máquina, mas ainda não foi exorcizado” (FODOR, 1996, p. 127)117.