2 3 ÖĞRETMEN YETİŞTİREN KURUMLAR
2.3.1. Konya Darülmuallimin Mekteb
Um outro campo importante de questões afetas à negociação coletiva, diz respeito às alterações propostas pelos participantes do FNT às “disposições gerais” definidas para o Capítulo VII do Artigo 37 da Constituição Federal. Neste caso, o centro das atenções passava a ser os requisitos básicos da Administração Pública, especificamente do direito de greve dos
servidores. A alteração proposta pela PEC 369 refere-se ao Inciso VII, o qual se acrescenta à
redação original que “a negociação coletiva e o direito de greve serão exercidos nos termos e nos limites definidos em lei específica”.52 (grifos nossos). A novidade estaria em regulamentar a negociação coletiva como um direito trabalhista extensivo aos servidores públicos.
Compreende-se que a extensão da Negociação Coletiva ao funcionalismo apenas confirma de
direito o que já era de fato. No entanto, tal formalização passa a garantir segurança jurídica ao
seu exercício. Na sua ausência, o que se pode verificar na atualidade é que a greve tem-se tornado, numa variedade de casos, um recurso para se abrir negociações, ao invés de ser o último instrumento. Tal constatação permite perceber que a ausência do diálogo negocial tem marcado boa parte das relações trabalhistas no Brasil. Neste sentido, a negociação coletiva, tida como uma via necessariamente anterior ao ato grevista, no roteiro de campanha salarial, funcionaria como um recurso a mais quanto ao equilíbrio da correlação de forças no serviço público.
Por fim, as proposições de nova redação para o Artigo 114 da Constituição Federal tratam do exercício da Justiça do Trabalho. Neste campo, os atores do FNT mantiveram os incentivos ao exercício da negociação coletiva, procurando preservar a autocomposição dos conflitos como
52 A legislação específica que delimita o direito de greve, disposta no Título VII do Anteprojeto que abriga 10 (dez) artigos – 178 a 187 -, não logrou nenhum consenso entre o governo e os atores trabalhistas. Em sua essência, as insatisfações voltaram-se para a manutenção do poder de tutela sobre os atos grevistas. No entendimento destes, tal legislação atenuava um importante poder de pressão sindical.
pressuposto normativo básico da liberdade e da autonomia sindical. No entanto, o que se pode observar é que as conclusões do Anteprojeto não apontaram o fim do poder normativo deste órgão do Judiciário. Na verdade, as alterações do referido artigo buscam, por estranho que pareça, ampliar o escopo de atuação arbitral da Justiça Trabalhista no que diz respeito a outras instâncias da estrutura sindical. Enquanto a redação original definia a competência da Justiça em processar e julgar “as ações (…) entre sindicatos, entre sindicatos e trabalhadores, e entre sindicatos e empregadores”, o texto novo, resolve que a mesma prerrogativa do referido órgão se estenderá às ações das “entidades sindicais”, ou seja, em todos os âmbitos que estas atuarem como contrantes coletivos.53
Em contrapartida, o governo cria uma serie de canais alternativos à resolução de conflitos como forma de reduzir o elevado número de processos impetrados na Justiça do trabalho. Procedendo desta forma, o governo fazia coro a uma preocupação que vem sendo salientada por diversos estudos que abordam o sindicalismo no Brasil.
Alvo de críticas contumazes, a Justiça do Trabalho tem representado para muitos analistas a personificação do atraso a que o corporativismo tem relegado as entidades sindicais no Brasil (French, 2001). De acordo com o diagnóstico apresentado pelo Ministério do Trabalho, uma das razões pelas quais o Brasil teria se tornado um “recordista mundial” em volume de reclamações trabalhistas deve-se à “falta de um sistema eficiente de proteção coletiva do trabalho.” Tomando por base os dados fornecidos pelo TST, seriam “mais de 2 milhões de processos trabalhistas” encaminhados à JT por ano. A conclusão é que boa parte das ações que ganham a via judicial como forma de resolução dos conflitos, tem origem na persistência de “impasses que poderiam ser resolvidos por meio de composição voluntária, com segurança jurídica e sem prejuízo do acesso [a esta instância] do Poder Judiciário” (Diagnóstico das Relações de Trabalho no Brasil, 2005).
Ante tal preocupação, os representantes do FNT buscaram mecanismos para a adaptação de garantias processuais à defesa coletiva de direitos individuais por parte das entidades sindicais. A reorganização da substituição processual, conforme previsto nos artigos 141 e 144 do Anteprojeto, busca disciplinar os casos em que os sindicatos podem atuar em juízo dos representados, seja quanto a pendências de direitos coletivos, individuais e individuais
53 Por entidades sindicais o documento elaborado pelo FNT, estabelece: os Sindicatos, as Federações, as Confederações e as Centrais Sindicais, seja de Empregados ou de Empregadores.
homogêneos. Tal mecanismo, já previsto no Inciso III do Artigo 8º da Constituição, foi adaptado, o qual se buscou capacitar os sindicatos a atuarem em nome de seus representados junto à Justiça do Trabalho. De acordo com o texto da Reforma, o novo arranjo jurídico não anularia a defesa individual junto a este órgão do Poder Judiciário, devendo apenas organizar questões trabalhistas comuns, conferindo-lhes tratamento coletivo, que até então eram tratadas individualmente (Anteprojeto de Reforma Trabalhista, Artigo 141, 2005).54
A resistência patronal quanto à substituição processual foi massiva. Como resultado do evento “A Indústria e a Reforma Sindical”, realizado em março de 2005, o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Monteiro Neto, referiu-se à substituição processual como “nociva à harmonia das relações de trabalho”. O centro do problema, afirmava, residiria na permissão “às entidades sindicais dos empregados acionarem as empresas sem autorização ou procuração de seus representados”. Apesar de regulamentada desde a Constituição de 88, “na prática forense muitos juizes acabam estabelecendo exigências que restringem a atuação do sindicato em juízo” do trabalhador. A rigor, o que estaria sendo disputado é a exposição ou não do trabalhador nos processos que, um vez identificado, sofreria individualmente as consequências da ação coletiva.
Outro ponto que ensejou controvérsias no FNT, desta feita oriunda no campo das preocupações trabalhistas, diz respeito às inovações que condicionam os meios pelos quais o dissídio coletivo poderá ser acionado na JT. Previsto na PEC, e reiterado no § 3º do artigo 105,55
os atores coletivos só poderão requerer a JT ou qualquer outro órgão arbitral desde que haja “comum acordo entre as partes”. Tomado este caminho, o temor era de que as negociações se prolonguem indefinidamente, trazendo claras dificuldades para manutenção da coesão organizacional de um movimento trabalhista.
Como pode ser percebido, a resistência patronal e trabalhista quanto ao novo enquadramento
54 Por direitos individuais homogêneos entende-se aqueles que têm origem comum, provenientes do “mesmo fato ou ato jurídico”. Neste sentido atingiriam inúmeras pessoas ao mesmo tempo, prevalecendo as “questões comuns sobre as questões individuais” (Anteprojeto de Reforma, artigo 141, § II).
55 Neste mesmo artigo encontram-se definidas as regras para a ultratividade dos contratos coletivos. Vale ressaltar que a importância deste tópico para o êxito das campanhas salariais de diversas categorias trabalhistas tem se tornado alvo de preocupação de diversos analistas como, por exemplo, em Camargos (2008).
atribuído à JT funda-se em aspectos distintos. Todavia, na avaliação do governo, a justificativa para tais mudanças estava na inadiável redução dos processos trabalhistas, uma vez que, com o tempo, o tradicional poder normativo deste órgão, servira como um desestimulo à negociação coletiva.
No entanto, ante tudo o que foi dito, acredita-se que a explicação para o elevado número de ações na Justiça do Trabalho pode ser abordado também sob uma hipótese não contemplada pelo FNT.
Compreende-se que, se para a maior parte dos trabalhadores, sobretudo no serviço privado, a greve tem figurado como um instrumento pretérito de luta, é natural que, em larga medida, os conflitos sejam decididos ao cabo das relações de trabalho. Existindo veracidade nesta hipótese, pode-se inferir que, se o caráter contencioso das relações trabalhistas tende a ser
silenciado no contato cotidiano entre patrões e empregados, é compreensível que as
pendências que aí se acumulem só venham ser devidamente discutidas uma vez encerradas as bases formais do contrato. Como desdobramento, a inevitável judicialização do conflito, abre espaço à explicação de uma boa parte das ações impetradas na Justiça do Trabalho.
Deste estado de coisas, ocorre que as relações assimétricas transformam parte do direito trabalhista aplicável apenas ao momento em que o trabalhador assume o status de
desempregado. Disso se conclui que, no Brasil, a máxima popular do fala quem pode e obedece quem tem juízo, explica, dentre outras coisas, a marginalização dos parâmetros da
legalidade, revelando o grau de leniência que vigora mesmo para quem se encontra “protegido” no mercado formal. Nestes termos, para um amplo segmento trabalhista o Direito Sindical não tem servido de empecilho à burla fria de conquistas históricas.
Entende-se aqui que, sobre estes problemas, que variam em função da assimetria de poder, os avanços apresentados no Anteprojeto de 2005 limitou-se às comissões de fábrica, às condutas
anti-sindicais e à substituição processual.