2. BÖLÜM
2.2. KONAKLAMA İŞLETMELERİNİN TANIMI, SINIFLANDIRILMASI VE
2.2.2 Konaklama İşletmelerinin Özellikleri
As cartas de leitor, num tom confessional, encaixam-se com o que Bakhtin (2003) denominaria de gêneros e estilos íntimos, que se baseiam na máxima proximidade interior de falante (autor da carta) com o destinatário do discurso (editor da revista), cujo discurso é “impregnado de uma profunda confiança no destinatário, em sua simpatia – na sensibilidade e na boa vontade da sua compreensão responsiva (2003, p. 304). Num clima de profunda confiança, o enunciador abre as suas profundezas interiores. E, nesse sentido, as cartas consideradas de tom confessional constituem uma forma de interação em que o enunciador espera encontrar no destinatário uma recepção simpática, de compreensão e receptividade.
Nessa perspectiva, é interessante também fazermos uma abordagem da confissão, no que consiste, o que se confessa, para quê e a quem se faz.
Para Bakhtin (2003, p.349) “A confissão como forma superior de livre auto-
revelação do homem de dentro para fora (e não confissão excludente de fora para dentro) esteve diante de Dostoiévski desde o início de sua trajetória artística”. O autor refere-se,
neste caso, à confissão, no sentido de encontro do eu em profundidade com outro(s), como encontro do eu com o outro em nível superior ou na última instância. E esse encontro do eu é algo puro, profundo, “sem mescla de pontos de vista e avaliações presumíveis, forçadas ou ingênuas do outro, ou seja, sem uma visão de si pelos olhos do outro. Sem máscara, [...] sem subterfúgios, sem a falsa palavra final” (id., p. 304).
Michel Foucault, em sua obra em História da sexualidade: a vontade de saber (2003), ao abordar o discurso sobre o sexo, fala sobre a confissão, que constituía uma instância em que os indivíduos expunham seus sentimentos, seus desejos ocultos, suas vontades, seus pecados para um religioso, no confessionário. E falar sobre o sexo, principalmente, era, desde a antiqüidade, algo proibido, silenciado, encoberto. “As crianças,
por exemplo, sabe-se muito bem que não têm sexo: boa razão para interditá-lo, razão para proibi-las de falarem dele...” (id, p.10). Falar sobre sexo ou atos não deveriam ter a menor manifestação nas sociedades burguesas em geral, a não ser em determinados lugares, tais como nas casas de tolerância, onde as palavras, os gestos eram autorizados em surdina, a preço alto. “Fora desses lugares, o puritanismo moderno teria imposto seu tríplice decreto:
interdição, inexistência e mutismo” (Foucault, 2003, p.10).
O séc XVII seria o início de uma época de repressão, da qual não estamos completamente liberados. Denominar o sexo foi muito difícil, necessitando primeiro “reduzi-
lo ao nível da linguagem, controlar sua livre circulação no discurso e bani-lo das coisas ditas e extinguir as palavras que o tornam presente de maneira demasiado sensível” (id. p.21). Essas interdições receavam chamá-lo pelo nome; em nome do pudor seria melhor que não se falasse dele.
Ao considerarmos, porém, esses três últimos séculos, as coisas parecem ter mudado. Em torno e a propósito do sexo há uma verdadeira explosão discursiva; talvez tenha havido uma depuração muito rigorosa do vocabulário autorizado, segundo o autor citado. Novas regras de decência, certamente, filtraram as palavras, definindo de maneira mais estrita onde e quando não era possível falar dele; em que situações, entre quais locutores e em que relações sociais. Foram estabelecidas, desta forma, regiões, senão de silêncio absoluto, pelo menos de tato e discrição entre pais e filhos, educadores e alunos, patrões e serviçais, por exemplo.
A partir do séc. XVIII, porém, “sobre o sexo, os discursos – discursos específicos, diferentes tanto pela forma como pelo objeto – não cessaram de proliferar” (Foucault, 2003, p.22). Houve uma expansão do campo de discurso sobre o sexo no próprio campo do exercício do poder, que incitava, institucionalmente, a falar do sexo e falar dele cada vez mais.
Considerando a evolução da Pastoral católica, após o Concílio de Trento, a confissão deixa de ser aquele apregoado nos manuais da Idade Média, ou seja, uma enumeração de detalhes minuciosos do ato sexual, em sua execução. Em outras palavras, a confissão, até então, era a instância apropriada para se falar abertamente sobre o sexo, com todos os detalhes do ato sexual ou de desejos proibidos. A relação sexual dos cônjuges era sobrecarregada de regras e recomendações. E romper as leis do casamento ou procurar prazeres estranhos mereciam, de qualquer modo, condenação (id., p. 38-39). Na lista dos pecados graves, segundo a ordem religiosa, eram incluídos o estupro, o adultério, o rapto, o incesto espiritual ou carnal, e também a sodomia ou a “carícia” recíproca. Já os tribunais podiam condenar tanto a homossexualidade quanto a infidelidade, o casamento sem consentimento dos pais ou a bestialidade. Durante muito tempo, os hemafroditas foram considerados criminosos, ou filhos do crime, uma vez que sua disposição anatômica confundia a lei que distinguia os sexos e prescrevia sua conjunção. Mas o Concílio de Trento, como já observamos, registra a chegada de uma nova época, pois o que consistia numa confissão completa e indispensável no passado passa para uma nova exigência: uma discrição cada vez mais acentuada.
E, segundo o autor (2003), a confissão foi e permanece, ainda hoje, a matriz geral que rege a produção do discurso verdadeiro sobre o sexo. Para o autor, a confissão
permaneceu solidamente engastada na prática da penitência, porém, a partir do
protestantismo, da Contra-Reforma, da pedagogia do séc. XVIII e da medicina do séc. XIX, perdeu sua situação ritual e exclusiva, difundindo-se, sendo utilizada em uma série distinta de relações: crianças e pais, alunos e pedagogos, doentes e psiquiatras, deliqüentes e peritos. As motivações e os efeitos dela esperados se diversificaram, como também as formas que toma: “interrogatórios, consultas, narrativas autobiográficas ou cartas, que são consignados, transcritos, reunidos em fichários, publicados e comentados”. A confissão deixa de ser apenas o dizer o que foi feito – o ato sexual – e o como, para se tornar um meio de reconstituir, através dele, os pensamentos e as obsessões que acompanham o ser humano, e, ainda, as imagens, os desejos, as modulações e a qualidade do prazer que o contém. E, como observa Foucault, ainda, pela primeira vez a sociedade se inclinou a solicitar e a ouvir a confidência dos prazeres individuais.