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YAZI SAHİBİ YAZININ ADI YAZININ KONUSU

IV.I.III Eğitimle İlgili Olarak Ortaya Konulan Görüşler I Eğitimin Milliliğ

IV.I.III.V. B Ders Kitapları

As práticas dos agentes sociais no contexto do Estado moderno têm como esteio a ideia de cidadania (BOTELHO; SCHWARCZ, 2012), fundamental para o reconhecimento dos indivíduos nas relações sociais travadas no cotidiano, pois “é que no pequeno mundo de todos os dias que está também o tempo e o lugar das vontades individuais, daquilo que faz a força da sociedade civil, dos movimentos sociais” (MARTINS, 1998, p. 2). Essa questão ocupa papel de destaque na sociedade ocidental desde a Revolução Francesa, em 1789, com a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, dado que demarca como fundamento a liberdade em estrita relação com a dignidade humana, o que ancora os direitos socialmente constituídos e reconhecidos.

Exercer a cidadania está em vinculação com o discurso dos direitos humanos em três dimensões, a saber: o aumento de bens tutelados pelo Estado; a extensão da tutela; e a admissão das especificidades do homem em seus diferentes contextos: como criança, idoso, mulher (BOBBIO, 2004). Nesse sentido, pode ser considerada como uma esfera de comunicação social em que os indivíduos se reconhecem enquanto agentes.

Ocorre que tal visão do exercício do poder e, por conseguinte, das relações de desiguais, passou a se defrontar a partir do final dos anos 1980 com novos elementos frutos da globalização enquanto conjuntura de atores e processos socioeconômicos. No cenário econômico que perpassou o século XX, com as lógicas produtivas do fordismo e do toyotismo (HOBSBAWM, 1995), foi instalado um paradoxo relativo à capacidade e posição dos estados capitalistas do Ocidente frente aos cenários macroeconômicos. A esse respeito, duas vias se instalaram: as políticas do welfare state de Keynes, entre as décadas de 1930 e 1970, que projetaram a perspectiva de consolidação racional de controle e administração da vida coletiva; e, após o seu rompimento na década de 1980, a via do neoliberalismo, que desmanchou no ar tudo o que era sólido (BERMAN, 1998; CASTELLS, 1999).

Diante das demandas impostas tanto pela globalização da economia quanto pela mundialização dos processos culturais (ORTIZ, 1998; BAUMANN, 1999; 2000), fica questionada a capacidade dos estados nacionais de responder ao movimento de desterritorialização de direitos e reconhecimento do multiculturalismo, elementos que

estruturam uma nova base para a realização da cidadania. Nessa perspectiva, são os conceitos de equidade e igualdade na diferença que agora atuam como critério de pertencimento à sociedade política. Sobre isso, Habermas (1997; 2002) coloca a necessidade de legitimação das estruturas da ordem e do domínio social do Estado por arcabouços jurídicos adequados à tarefa de lhes dar unidade.

Entretanto, a manutenção estrutural de persistentes desigualdades de poder e prestígio de ordem material e simbólica diminui a possibilidade de representação nas estruturas política e jurídica (BAUMANN, 1999; MARTINS, 2002). Assim, a dinâmica instalada exclui largas parcelas de “cidadãos” e põe em xeque a viabilidade do projeto democrático (GENTILI, 2000). Logo, é possível perceber a reafirmação da antinomia contida do discurso afirmativo da igualdade no jogo social (BOURDIEU, 2004a), haja vista que a assimetria imposta pelo status quo vigente não tem se mostrado passível de modificações significativas (ONU MUJERES, 2013; OSÓRIO, 2004; SANTOS, 2003).

No que diz respeito à reflexão acerca da extensão da cidadania, o campo jurídico se defronta os seguintes elementos: como tratar de modo adequado os atores políticos, a exemplo de movimentos sociais que advogam lutas em favor de negros; pela educação; pelo meio ambiente; em apoio à igualdade das mulheres, entre outros; e como lidar com a crescente judicialização dos conflitos sociais, o que tem gerado mais oportunidade de acesso ao sistema de justiça e gerado grandes contingentes de processos nos tribunais, levando à chamada crise de administração da justiça (SANTOS, 1999). Frente a esse processo, Boaventura Santos defende o uso de uma nova cartografia para compreender a escala e os usos dos direitos, tanto no nível microssocial, a exemplo das regras infraestatais em bairros periféricos das grandes cidades, quanto no âmbito macrossocial, na operacionalização do direito comercial pelas grandes corporações (SANTOS, 2011a).

Ademais, na peregrinação aos tribunais para dar vazão aos conflitos sociais, há uma transferência de expectativas quanto à distribuição de riqueza e luta por reconhecimento social (HONNETH, 2009; SORJ, 2002, 2004), numa dinâmica em que os agentes estatais passam a concentrar poderes. Sobre isso, Giddens (1991) observa o papel da comunicação como uma dimensão institucional a ser considerada, dada a extensão da percepção e partilha dos processos sociais em curso.

Já a dificuldade de maior relevância está na equalização de interesses, uma vez que os contextos de cidadania não são homogêneos, mas ao mesmo tempo

compõem o processo de construção de identidades legitimadoras da sociedade civil (CASTELLS, 1999). Dessa maneira, estabelece-se de modo pertinente a questão dos direitos humanos (CULLETON; BRAGATO; FARJADO, 2009; PIOVESAN, 2008) e, por extensão, o direito voltado à proteção das mulheres na esfera do sistema de justiça.

Desse modo, faz-se pertinente a consideração do que as práticas discursivas relativas à prestação jurisdicional dentro desse campo social podem revelar em relação à materialização de direitos no jogo de tensões que põe os agentes do campo em situação de luta. Sobre o conceito de campo, Bourdieu afirma que:

Um campo é um espaço social estruturado, um campo de forças – há dominantes e dominados, há relações constantes, permanentes, de desigualdade, que se exercem no interior desse espaço – que é também um campo de lutas para transformar ou conservar este campo de forças. Cada um, no interior desse universo, empenha em sua concorrência com os outros a força (relativa) que detém e que define sua posição no campo e, em consequência, suas estratégias (BOURDIEU, 1997, p. 57).

Nesse contexto, parece ser relevante como subsídio para a reflexão sobre o tema considerar a atuação dos membros do sistema de justiça e de como são criadas estratégias, a partir dos movimentos sociais, para viabilização de segurança ontológica, de maneira a permitir o enfoque da proteção às mulheres em situação de violência nas estruturas institucionais do Estado. Importa, aqui, a análise das práticas dos agentes que se entrecruzam no campo jurídico no âmbito das instituições, de modo a possibilitar a apreensão da lógica do espaço social, da construção das práticas sociais e suas implicações na realidade instituída dentro da estrutura estruturada e estruturante (BOURDIEU, 2004b) da sociedade.