1. ARAŞTIRMANIN KONUSU, ÖNEMİ, YÖNTEM VE SINIRLARI
1.4. Araştırmanın Sınırları
2.1.1. Bikâî’nin İsrâîliyyâtı Nakletme Amacı
2.1.1.1. Ehl-i Kitâb’ın Aleyhine Delil Getirme
As nascentes possuem variações sazonais diretamente relacionadas ao comportamento climático regional, o que se reflete em oscilações na vazão ao longo do ano hidrológico. Por serem zonas de descarga dos aquíferos (DAVIS, 1966), possuem dinâmica dependente da recarga da água subterrânea e dos processos hidrológicos que a movimentam até sua exfiltração. Sendo assim, não se pode ignorar a importância de outros fatores ambientais, além do clima, na dinâmica dos hidrossistemas (CHORLEY, 1980), entre eles, as nascentes. O clima é um fator preponderante para a dinâmica hidrológica das nascentes, uma vez que, o balanço entre a precipitação, infiltração/percolação e a evapotranspiração é o responsável pelo armazenamento subterrâneo e o escoamento dos hidrossistemas (CUSTODIO e LLAMAS, 1976; SILVEIRA et al., 2002). Porém, nascentes localizadas em uma mesma região climática, sob um mesmo regime pluviométrico, podem possuir diferentes respostas hidrológicas.
Chorley (1980) aponta a geologia, a geomorfologia, a vegetação e o uso e ocupação do solo como os elementos definidores dessa variabilidade no tempo de resposta entre a precipitação e a vazão. A interação de todos esses fatores definirá o tipo e a energia dos fluxos subterrâneos, interferindo no período de tempo desde a infiltração da água da chuva nas zonas de recarga dos aquíferos, até sua exfiltração nas zonas de descarga.
Como as nascentes são ambientes da grandeza escalar de um geótopo (BERTRAND, 2004), variações locais em quaisquer desses fatores podem motivar diferentes comportamentos sazonais. Como demonstrado por Felippe e Magalhães Jr (2009), fraturas nas rochas, pequenas rupturas de declive no terreno, microfeições erosivas ou mesmo a posição das raízes das plantas, podem definir a variabilidade da vazão das nascentes.
A sazonalidade das nascentes é definida pela dinâmica dos fluxos hidrológicos ao longo do ano. Nascentes efêmeras, excetuando-se casos muito específicos, tendem a ser alimentadas pelo escoamento superficial de saturação (saturation overland flow) ou ainda pelo escoamento hortoniano (hortonian flow) (KNIGHTON, 1984), por este motivo, estão diretamente relacionadas aos eventos chuvosos. Por sua vez, as nascentes intermitentes ou perenes
relacionam-se ao escoamento subsuperficial (throughflow) e ao escoamento de base (baseflow) (CUSTODIO e LLAMAS, 1976; WARD; TRIMBLE, 2004). Durante o período chuvoso, o escoamento subsuperficial possui importante papel na vazão das nascentes, porém, com o prolongamento do período de seca, a drenagem passa a responder exclusivamente pelo escoamento de base. Assim, enquanto nas nascentes intermitentes a oscilação do nível freático interrompe o escoamento de base em parte do ano cessando a exfiltração, nas nascentes perenes, mesmo no período seco, o escoamento de base persiste. A pluviometria das áreas de estudo emerge como importante variável nessa contextualização. Conforme descrito anteriormente, ambas possuem dupla estacionalidade climática refletida em um período seco e outro úmido. Porém, a distribuição diária das chuvas também é importante, uma vez que as nascentes podem ter respostas rápidas à recarga, minimizando a influência da sazonalidade. Por esse motivo, a precipitação foi monitorada diariamente em Lagoa Santa e no Parque Nacional da Serra do Cipó (PNSCi).
A precipitação mensurada em Lagoa Santa durante o período de monitoramento atingiu um acumulado anual de 1.545 mm, comportando-se de forma similar à tendência climática regional (FIG. 38). O mês de março de 2011 apresentou um acumulado pluviométrico elevado (304 mm) que caiu bruscamente nos meses de abril e maio. Enquanto o mês de abril foi marcado por um período de aproximadamente dez dias de eventos chuvosos de pequena magnitude, maio e junho tiveram apenas eventos esporádicos, resultando em acumulados mensais muito baixos (4 e 2 mm, respectivamente).
FIGURA 38 – Precipitação diária e mensal durante o período de monitoramento em Lagoa Santa.
A partir desse momento, iniciou-se um período que se estendeu até o início de outubro com precipitação nula. Porém, a partir da segunda semana de outubro eventos significativos marcaram a precipitação diária, resultando em um acumulado mensal de 297 mm e iniciando o período úmido. Os meses de novembro e dezembro de 2011 e janeiro de 2012 mantiveram a tendência de acumulados elevados, com o máximo mensal registrado em dezembro (308 mm).
Porém, os meses de janeiro e fevereiro de 2012 apresentaram precipitação atípica, marcada por veranico (CARVALHO et al., 2000). Apesar de sucessivos eventos chuvosos nas duas primeiras semanas, verificou-se um período de 29 dias com precipitação nula, que se estendeu até meados de março. Como resultante, o acumulado mensal de fevereiro foi consideravelmente inferior às médias históricas (25 mm).
Apesar de um comportamento sazonal similar, a precipitação na Serra do Cipó (FIG. 39) apresenta características ligeiramente distintas dessas apresentadas para Lagoa Santa. O total pluviométrico no período de monitoramento (mar-11 a fev-12) foi de 1.445 mm mensurados no pluviômetro instalado na sede administrativa do Parque Nacional da Serra do Cipó, 100 mm a menos do que o acumulado anual de Lagoa Santa para o mesmo período.
FIGURA 39 – Precipitação diária e acumulado mensal durante o período de monitoramento no PNSCi.
Fonte: Dados de campo.
Os meses de março e abril foram marcados por sucessivos eventos de precipitação que superaram os 15 mm diários. Porém, após meados de abril esses eventos cessaram, configurando um primeiro bimestre com acumulados mensais de 230 mm e 62 mm,
respectivamente. No mês de maio, por sua vez, foi registrado apenas um evento de precipitação de 5 mm, representando o acumulado mensal.
A partir de junho, iniciou-se um período de estiagem completa que perdurou até o final de setembro. A partir do início de outubro, eventos chuvosos ocorreram esporadicamente, ultrapassando os 30 mm diários em duas ocasiões, promovendo um acumulado mensal de 141 mm. A frequência e intensidade das chuvas aumentaram gradativamente nos meses subsequentes. Novembro apresentou o maior acumulado mensal do período, com 346 mm, e acumulados diários que ultrapassaram 40 mm em três ocasiões.
Até meados de janeiro essa configuração se manteve, quando ocorreu um período de estiagem de 12 dias, diminuindo o acumulado mensal. Fato semelhante ocorreu em fevereiro, quando foram verificados apenas quatro dias de precipitação, fazendo um acumulado mensal de 52 mm. Esses dois períodos de veranico coincidiram com aqueles registrados em Lagoa Santa (FIG. 38).
Comparando as duas áreas de estudo, além do menor total pluviométrico, a Serra do Cipó apresenta um maior período de estiagem, além de um mês de outubro (início do período úmido) menos chuvoso (FIG. 38 e 39).
Por outro lado, os meses de abril e fevereiro, que registram totais pluviométricos baixos em Lagoa Santa, somam acumulados consideravelmente mais elevados na Serra do Cipó. Além disso, ressalta-se que em Lagoa Santa os eventos chuvosos ocorreram em menor número (87 dias com precipitação superior a zero) e maior intensidade do que na Serra do Cipó, onde eles são mais bem distribuídos em 97 dias de chuva.
A complexidade da interação dos fatores ambientais (geologia, geomorfologia, clima, vegetação e sociedade) que controlam o regime hidrológico reflete nos resultados deste trabalho. As duas áreas de estudo (Lagoa Santa e Serra do Cipó) apresentam um regime pluviométrico similar, com dupla estacionalidade climática bem definida. Todavia, o comportamento sazonal das nascentes estudadas é consideravelmente distinto entre essas áreas (QUADRO 6).
QUADRO 6
Sazonalidade das nascentes Nascente Intermitência de meses Número
de seca Mês de início da seca Mês de término da seca LS02 Perene 0 - -
LS05 Intermitente 5 Jul Dez
LS06 Intermitente 6 Abr Nov
LS13 Perene 0 - - LS14 Perene 0 - - LS15 Perene 0 - - PV03 Perene 0 - - PV05 Perene 0 - - PV07 Perene 0 - - PV11 Perene 0 - -
PV14 Intermitente 8 Mar Nov
SC01 Perene 0 - -
SC04 Perene 0 - -
SC05 Intermitente 2 Set Nov
SC10 Intermitente 4 Jul Nov
SC12 Intermitente 5 Jun Nov
SC14 Intermitente 5 Jun Nov
SC18 Intermitente 4 Jul Nov
SC19 Intermitente 2 Ago Out
SC23 Perene 0 - -
SC24 Intermitente 1 Set Out
SC27 Perene 0 - -
SC28 Intermitente 2 Ago Out
SC29 Perene 0 - -
Fonte: dados de campo.
Dentre as 24 nascentes estudadas, 11 são intermitentes, apresentando, em média, quatro meses de seca durante o ano. Setembro apresenta-se como o mês mais crítico para a exfiltração (QUADRO 7), já que todas as nascentes intermitentes encontravam-se secas no monitoramento referente a este mês. Além disso, nota-se que a maioria das nascentes intermitentes volta a apresentar drenança no mês de novembro. Apesar de não haver uma tendência clara quanto ao início do período de seca, pode-se afirmar que os meses de junho e julho são, prioritariamente, este marco (QUADRO 7).
QUADRO 7
Período de seca das nascentes intermitentes Nascente fe v- 11 mar -11 abr -11 mai -11 jun -11 jul- 11 ago -11 se t- 11 out -11 nov -11 dez -11 jan -12 fe v- 12 LS05 LS06 PV14 SC05 SC10 SC12 SC14 SC18 SC19 SC24 SC28 Legenda: seca
drenante Fonte: dados de campo
Em Lagoa Santa, as nascentes LS05 e LS06 possuem cinco e sete meses de seca, respectivamente, mesmo estando localizadas muito próximas. O período de intermitência de LS05 é posterior à LS06, denotando uma distribuição mais rápida da água recarregada nesta nascente. A ocorrência de afloramentos rochosos em LS06 contribui para a elevação local no nível freático, todavia, não há manutenção desse nível suspenso durante longo período. A outra nascente de Lagoa Santa que apresenta intermitência é a PV14, sendo, inclusive, a que apresenta maior período de seca de todo o rol: oito meses (março a novembro).
Diferenças geomorfológicas locais significativas podem auxiliar na compreensão dessa distinção entre nascentes de uma mesma unidade geológico-geomorfológica regional. As nascentes LS05 e LS06 encontram-se em uma área de média-alta vertente em material eluvial argiloso com recorrentes afloramentos rochosos nas imediações. Por outro lado, PV14 ocorre na baixa-vertente de um vale entulhado em material colúvio-eluvial com baixo gradiente topográfico.
Na Serra do Cipó, SC24 apresentou-se seca apenas em setembro, sendo o único caso deste tipo verificado. Esta especificidade muito provavelmente está relacionada à mobilidade dessa nascente, que registrou o maior deslocamento sazonal em todo rol. Já SC19, SC28 e SC25 tiveram dois meses de seca, as duas primeiras entre agosto e outubro e a última entre setembro e novembro. Porém, a maioria das nascentes intermitentes dessa área de estudo possui quatro ou cinco meses de seca, ocorrendo entre junho ou julho e novembro.
Nitidamente, há uma diferença entre o comportamento das nascentes de Lagoa Santa e da Serra do Cipó. Em Lagoa Santa, apenas três de suas 11 nascentes são intermitentes (27%), enquanto a intermitência é muito superior entre as nascentes da Serra do Cipó onde oito dentre 14 nascentes são temporárias (57%). Ademais, as nascentes intermitentes de Lagoa Santa apresentam períodos de seca mais prolongados.
Esses resultados estão relacionados à espessura das coberturas superficiais. Mais espessos na Depressão do Alto-Médio São Francisco do que na Serra do Espinhaço Meridional, os solos permitem uma distribuição mais gradual das águas ao longo do ano, prolongando o período de atuação do escoamento subsuperficial. Além disso, a textura mais argilosa das coberturas superficiais das rochas carbonáticas, quando comparadas às metassedimentares do Espinhaço, contribui para uma melhor retenção da água no perfil do solo (LEPSCH, 2011). A interpretação desses dados deixa nítido que a partir de outubro, o retorno da exfiltração das nascentes intermitentes começa a ocorrer. Novembro é o mês mais significativo nesse sentido, quando apenas uma nascente (LS05) permanecia seca. A partir de dezembro, porém, todas as nascentes passaram a ser drenantes. Por outro lado, o início do período seco foi dúbio. A maior parte das nascentes intermitentes secou em junho ou julho, todavia, há registros dessa ocorrência também em março, abril, agosto e até mesmo setembro.