STRES VE KAYNAKLAR
1.4. STRES KAYNAKLAR
1.4.1. Bireysel Stres Kaynakları
1.4.1.1. Kişilik Tipler
Podemos afirmar que as EIs constituem lexias complexas indecomponíveis, de
distribuição única ou limitada, pois as partes que as constituem não se dissociam sem
prejuízo na interpretação semântica, a qual, como já dissemos, não pode ser calculada com
base nos significados individuais de seus componentes.
Para que certas lexias complexas possam ser consideradas idiomáticas, é
necessário que elas constituam uma combinatória fechada, ou seja, que substituições por
associação paradigmática somente ocorram em restritas possibilidades (Xatara, 1998).
Exemplificando, a EI achar-se o centro do universo, referente ao conceito PRESUNÇÃO,
oferece algumas possibilidades de variação dos termos que a constitui, e que só são possíveis
porque não comprometem o sentido conotativo do idiomatismo. Pode-se substituir o verbo
“achar-se” por “sentir-se”, dependendo do contexto em que se aplica a expressão; pode-se,
ainda, substituir “centro” por “umbigo”, e “universo” por “mundo”. Em todos esses casos não
há perda no sentido da EI, ou seja, o da descrição do indivíduo que acredita ter maior
importância que outros. Porém, essa variabilidade é restrita porque pragmática e
estilisticamente nem todas as substituições são “aceitáveis”. Por exemplo, achar-se o centro
do universo (cerca de 350 mil ocorrências no Google) ou sentir-se o umbigo do mundo (por
volta de 14 mil ocorrências no mesmo motor de busca) não causam estranheza, fato que não
ocorre com a variante sentir-se o umbigo do universo (apenas 580 ocorrências). Tal
“estranheza” repousa no fato de que a combinação entre os substantivos “umbigo” e
“universo” ainda não é totalmente recorrente.
Fica evidente, portanto, que determinadas substituições são permitidas mas que
existe um limite para essas mudanças. No exemplo anterior, para que não haja uma perda no
sentido conotativo da EI, é necessário que o verbo somente seja substituído por outro verbo,
também pronominal, e que indique que esse sujeito, agente desse verbo pronominal, seja
alguém que acredite estar em um local, condição, situação ou estado de superioridade. Assim,
podemos encontrar variantes com os seguintes verbos, achar-se, considerar-se, definir-se,
encontrar-se, olhar-se, sentir-se, ver-se etc., porém essa variabilidade é sempre parcial.
Nos casos de possíveis distribuições, há escalas de variabilidade que
correspondem a graus de cristalização (XATARA, 1994). Depende desse grau de cristalização
a possibilidade de esses elementos aceitarem variações, do tempo verbal e da modalidade de
asserção (Ele se fez de rogado. / ...vai se fazer de...); do modo e da pessoa do verbo (É
provável que ele se faça de rogado. / Quando nos fizermos de rogado...); do artigo (Ela armou
o [um; maior] barraco.); do possessivo (Ele não confiou no seu taco. / Eu confio no meu
taco.), além da inserção de advérbios (O negócio vai [muito] mal das pernas / Antes da festa,
ele [já] estava [meio] alto.); e permutas lexicais (Ele luta como um leão [onça, tigre, touro]).
Se por um lado é viável a inserção de alguns elementos em uma construção
idiomática, sem prejuízos para seu sentido, principalmente nos casos em que apenas o eixo
sintagmático muda e não há variação e comprometimento da idiomaticidade da expressão, por
outro, essas variações podem ocorrer apenas com determinadas EIs, que são mais ou menos
recorrentes dependendo da interferência de fatores extralingüísticos.
Para a EI mudar de time, por exemplo, encontramos hoje
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portuguesa do Brasil, cerca de 22.300 ocorrências. Na análise artesanal de cerca de 10% desse
total, recuperamos que a origem desse idiomatismo está diretamente ligada ao futebol e tinha
apenas significado denotativo, ou seja, descrevia apenas o esportista que literalmente
“mudava de time” por motivo diverso e passou a trabalhar em outra equipe de futebol. Dentro
desse contexto futebolístico, a rivalidade acirrada entre determinadas equipes (por exemplo, a
rivalidade existente entre as equipes paulistas Corinthians e Palmeiras ou entre as equipes do
Rio Grande do Sul, Internacional e Grêmio) fez com que tal EI deixasse o domínio do esporte
e migrasse para o senso geral, mas com o sentido de TRAIÇÃO (vale lembrar que essa EI é
muito comum em textos políticos, sobre a mudança de partidos, o rompimento de alianças
partidárias).
Em seguida mudar de time também passou a ser uma forma pejorativa de
descrever o indivíduo que anteriormente considerado heterossexual, passa a ser rotulado como
homossexual (mudança de sentido comprovada com dados extraídos da Web). Trata-se, pois,
de um longo caminho percorrido por esse idiomatismo: em sua gênese, como uma expressão
denotativa, em seguida envereda pela gíria (restrita ao meio futebolístico), até chegar a duas
acepções freqüentes, ambas relacionadas à uma quebra de expectativa (mudança de equipe de
futebol, mudança de partido político, “mudança” de orientação sexual) gerando uma
frustração e, conseqüentemente, um sentimento ligado à TRAIÇÃO e MUDANÇA.
Mesmo em se tratando de EIs que apresentam o traço da indecomponibilidade,
algumas variações podem ocorrer para atender a necessidades sintáticas que correspondem a
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adequações textuais e para atender a necessidades estilísticas. Ilustrando o primeiro caso,
temos uma EI com variação do pronome possessivo (confiar no meu [seu] taco), e o segundo
caso, uma EI com demonstração de grande expressividade (armar o maior barraco).
Assim, há outras EIs que não admitem tais variações, como, por exemplo, passar
a faixa, que não pode ter, entre seus termos, nem acréscimos, nem tampouco substituições,
sem que acarrete prejuízo semântico para o entendimento da expressão. Se disséssemos: “O
diretor não resistiu às pressões da oposição e passou a faixa verde e amarela”, certamente
causaríamos estranheza no ouvinte por termos acrescentado os adjetivos verde e amarelo ao
idiomatismo. Nesse caso o significado da EI, que é deixar um cargo, ficaria seriamente
comprometido, fato este que comprova que há indecomponibilidade e variações das EIs
apenas em casos específicos e com determinadas partes constituites do idiomatismo.
No entanto, ressalta-se que, embora a indecomponibilidade seja um dos cernes
definicionais de EI, há a possibilidade de ruptura do sintagma com fins estilísticos e tal
“violação” está diretamente relacionada à oralidade, mesmo que utilizada na modalidade
escrita. Algumas dessas ocorrências, apesar de parecerem insólitas, são maneiras que a
imprensa encontra, sob a forma de manchetes de jornais ou revistas, ou a publicidade em
geral, de orientar a atenção do leitor, seja por meio da estranheza, seja para realizar um
trabalho mais persuasivo. Assim, as rupturas nas EIs são corriqueiras porque são direcionadas
a um determinado público que compreende o primeiro sentido do idiomatismo, que é o
conotativo, e percebe que há uma distorção proposital do idiomatismo dentro daquele
contexto. Tais “distorções”, aliás, são formas comuns de despertar a curiosidade e instigar à
reflexão. Exemplos desse fenômeno são as “traduções” de títulos de filmes no Brasil: “Por um
fio” (dirigido por Joel Schumacher, em 2002) para “Phone Booth”, nos Estados Unidos, e
“Cabine telefônica”, em Portugal. A escolha do título no Brasil foi muito elogiada porque,
embora o filme realmente se passe todo ao redor de uma cabine telefônica, a EI por um fio
aqui no Brasil indica RISCO e esse é o ponto nevrálgico de todo o filme: o protagonista
permanece ao telefone e com o risco iminente de ser assassinado, ou seja, literalmente por um
fio (Cf. cartazes do mesmo filme apresentados nos Estados Unidos, Portugal e Brasil,
respectivamente).
Phone Booth (EUA) Cabine Telefônica (POR) Por um fio (BRA)