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Karadeniz Çevresinde Bölgesel Örgütlenmeler

BÖLÜM 1: KARADENİZ’İN JEOPOLİTİK KONUMU VE DEĞİŞEN

1.4 Karadeniz Çevresinde Bölgesel Örgütlenmeler

A possibilidade da devolução das obras, a qualquer momento, motiva a imediata exibição e sua mediação (como se observa na primeira parte desse estudo, toma-se a exposição como a mediação mais direta e reconhecida no contexto dos museus). Desde a assinatura do termo de guarda e administração dessas coleções, a principal condição se traduz na disposição dessas coleções para o público. O MAC USP preocupa-se com esse quesito desde o primeiro momento: em fevereiro de 2006, exibe as obras de Frank Stella, The Founding

(n# 6), c. 2004 e de Leda Catunda, Rio e Mata, 2000, presentes na exposição Ciccillo - Acervo MAC USP, com curadoria de Elza Ajzenberg, realizada no

MAC USP Cidade Universitária. A intenção da mostra consiste em apresentar uma retrospectiva da formação do Acervo MAC USP, reafirmando o caráter vanguardista de Ciccillo, destacando a iniciativa de transformar uma coleção particular em patrimônio público. A exposição enfatiza os três primeiros núcleos incorporados, passando pelas principais coleções adquiridas até a aceitação das obras sob a guarda provisória por determinação judicial. Assim, a curadoria explicita historicamente como um acervo “contemporâneo” pode atualizar e ampliar sua coleção.

Na sequência, em 2007, a exposição Poéticas da Natureza, com curadoria de Katia Canton, realizada no espaço do MAC USP Ibirapuera, exibe a obra Rio e Mata, 2000, de Leda Catunda, em diálogo com obras do Acervo MAC

USP e com trabalhos de 48 artistas, que refletem sobre questões relativas à arte e o meio ambiente. Essa mostra é acompanhada pelo Congresso Poéticas e

Políticas da Natureza, realizado na Escola de Comunicações e Artes da USP

(ECA USP), uma publicação de artigos e reflexões apresentados no evento científico, além de uma diversidade de atividades educativas que são motivadas pela exposição. A curadoria vale-se da obra “Rio e Mata” para estabelecer relações entre o Acervo e obras de artistas emergentes demonstrando seu potencial de contemporaneidade.

Figura 36. Vista da exposição Poéticas da Natureza, 2007, MAC USP Ibirapuera.

Fotografia: Rômulo Fialdini. Arquivo MAC USP.

Figura 37. Vista da exposição Poéticas da Natureza, 2007, (destaque: Rio Mata, 2000, Leda Catunda), MAC USP

A exposição Arte-Antropologia – Representações e Estratégias, com curadoria de Cristina Freire e Helouise Costa, realizada em 2008, no MAC USP Cidade Universitária, exibiu pela primeira vez um conjunto de obras dessas coleções, ainda em diálogo com obras importantes pertencentes ao Acervo MAC USP, apontando os caminhos distintos que a arte usou e usa para abordar o “outro”, da mesma forma como a antropologia tem como objeto o estudo da alteridade. Estruturada em seis módulos, a mostra tem início com a discussão sobre identidade nacional, proposta por modernistas, como em A Negra, de Tarsila do Amaral, marco central desse debate. O módulo A Fotografia como

Representação faz uma revisão da produção contemporânea que aborda

alteridades, seja no caso do brasileiro Mario Cravo Neto, seja nas imagens do Quênia da dupla Carol Beckwith e Ângela Fisher – essas fotografias pertencem

ao lote das coleções sob a guarda provisória no MAC USP.

Figura 38. Vista da exposição Arte-Antropologia – Representações e Estratégias, 2008, MAC USP Cidade

Já a exposição Fotógrafos da Vida Moderna, com curadoria de Helouise Costa, realizada em 2008, no MAC USP Ibirapuera, mergulha no universo das imagens realizadas na primeira metade do século XX, por fotógrafos que marcaram a história da fotografia, alguns deles são: Brasaï, Henri Cartier- Bresson, Man Ray, Pierre Verger, Robert Doisneau, entre outros. A mostra reuniu 124 fotografias do primeiro lote de coleções sob a guarda provisória no MAC USP, 19 do Acervo MAC e 11 do IEB.

Figura 39. Vista da exposição Fotógrafos da Vida Moderna, 2008. Arquivo MAC USP

Em 2011, também com curadoria de Helouise Costa, realiza-se

Fotógrafos da Cena Contemporânea, no MAC USP Cidade Universitária. Essa

nova iniciativa reuniu um recorte de 63 imagens de 50 artistas, realizadas entre 1954 e 2003. Elas investigam o momento em que a fotografia abandona a teoria do instante decisivo, de Cartier-Bresson, e passa a apostar em territórios mais experimentais, nos quais as técnicas de montagem e encenação adquirem atenção especial. O tema das pessoas na praia, por exemplo, é abordado com cores e excessos por Daniel Klajmic e em preto e branco sóbrio por Claudio Edinger.

Um dos núcleos da montagem dedica-se ao erotismo. Entre os nomes está o do italiano Oliviero Toscani, pivô de uma recente e polêmica campanha, envolvendo personalidades políticas aos beijos. Jeff Wall e Olafur Eliasson também integram a seleção. As duas exposições dedicadas à fotografia mostram de perto, o universo simbólico de boa parte das obras que estão sob a guarda provisória do MAC USP. Nessas imagens emerge mais fortemente o discurso contemporâneo que por sua vez precisa estar presente no Acervo.

Figura 40. Vista da exposição Fotógrafos da Cena Contemporânea, 2011, MAC USP Cidade Universitária.

Fotografia: Juan Guerra. Arquivo MAC USP

Em 2009, o MAC USP organiza a exposição Coleções sob Guarda

Provisória, no MAC USP Ibirapuera, com um recorte de 118 obras (telas,

gravuras e tridimensionais), reunindo as três coleções que, naquele momento, estão sob a administração do Museu que somadas dão um montante de 2 mil peças em variados suportes e segmentos da arte moderna e contemporânea, produzidas por expressivos artistas nacionais e internacionais. A exposição apresenta trabalhos de artistas como Joan Miró, Di Cavalcanti, Portinari, Amilcar de Castro, Cildo Meirelles, Emanoel Araújo, Ivaldo granato, Antonio Henrique

Amaral, Amélia Toledo, Luis Áquila, Siron Franco, Dudi Maia Rosa, Luiz Sacilotto e Santuza Andrade, entre tantos outros. Uma vez mais, o MAC USP cumpre seu papel como administrador e dá ao público a oportunidade de extroversão desse patrimônio.

Figura 41. Vista da exposição Coleções sob Guarda Provisória do MAC USP, 2009, MAC USP Ibirapuera.

Fotografia: Rômulo Fialdini. Arquivo MAC USP

Passados sete anos, após a recepção do primeiro lote de obras, ações, cada vez mais frequentes, exercem pressões para a devolução, para a venda (visando o pagamento de credores) ou para a manutenção dessas coleções nos museus públicos. A necessidade de mostrar à opinião pública que essas obras são valiosas pelo que representam como patrimônio público, gera iniciativas, como projetos de leis e declarações na imprensa de especialistas e pessoas notórias.4

4 Com a intenção de dar respaldo legal aos museus e ao procedimento de cessão de guarda de

Porém, os trâmites judiciais ainda não apontam o destino final dessas obras. Em abril de 2012, atendendo ao ofício 435/2012, da 6ª. Vara Criminal, o MAC USP devolveu 05 obras que estavam sob sua guarda provisória.

Em meio a esses acontecimentos, a Pró-reitora de Cultura e Extensão Universitária da Universidade de São Paulo (PRCEU) promove a exposição

Coleção, Arte e Ciência, em 2012, no Centro Maria Antônia, envolvendo o MAC

USP, o MP USP, o MAE USP e o IEB – todos órgãos administradores de coleções sob a guarda judicial. A exposição reúne objetos, obras de arte e documentos de âmbitos culturais bastante diversos, selecionados pelo seu grau de relevância, em meio a um conjunto maior que se encontra no acervo particular de cada uma das unidades.

O MAE USP cedeu objetos Kuarup – empregados para o ritual de homenagem aos mortos, praticado por indígenas brasileiros da região do Xingu – e urnas funerárias amazônicas, que testemunham a história e a riqueza cultural dos primeiros habitantes do território brasileiro. Além das peças indígenas, há também a presença de itens da arqueologia egípcia.

Já o IEB forneceu séries cartográficas que ajudam a ilustrar os circuitos de produção, circulação e consumo dos mapas, com peças como cartas portulano, vistas topográficas holandesas, cartografia jesuítica, mapas-mundi japoneses, entre outros materiais. Os itens desta coleção abrangem mapas que datam do início do século XVI até finais do século XIX. Formada, em sua maioria, por mapas impressos, embora existam alguns documentos manuscritos de interesse para história da cartografia na época moderna, trata-se de material variado composto por mapas de grande difusão no mundo editorial. São selecionadas sete unidades temáticas que exemplificam diferentes contextos políticos e formas de apropriação ao longo do tempo: 1) cartas portulano, 2) mapas e vistas topográficas holandesas, 3) cartografia e diplomacia, 4) cartografia jesuítica e

Constituição e Justiça (CCJ) no Congresso, poderá obrigar órgãos e entidades públicas a avisar o IBRAM sobre cada peça apreendida, seja em atividades policiais, aduaneiras ou judiciais.

etnografia, 5) mapas celestes, 6) mapas e comércio de longa distância e 7) mapas-mundi japoneses.

O MP apresentou um conjunto de instrumentos náuticos e de localização espacial, como astrolábios, telúrios, esferas armilares, sextantes, octantes e cronômetros, que despertam curiosidade e admiração em função de sua beleza e das potencialidades para a pesquisa e a produção de conhecimentos, entre as relações históricas do homem com a natureza, o espaço e o tempo.

O MAC USP optou por exibir obras importantes de artistas modernos, como Tarsila do Amaral e Joaquim Torres-García. Nas obras de arte contemporânea, destacam-se as obras de Cildo Meireles, Cindy Sherman, Jeff Koons ou Damien Hirst. Apontamentos sobre a arte atual no Brasil e no exterior mostram sua significativa heterogeneidade, sintetizando o quanto a absorção das coleções sob a guarda provisória no MAC USP amplia as possibilidades de estudo, gerando produções de interesse público sobre a situação da arte e da cultura do período.

Figura 42. Vista da exposição Coleção, Arte e Ciência, 2012, Centro Universitário Maria Antonia.

Figura 43. Vista da exposição Coleção, Arte e Ciência (detalhe Sala do MAC USP), 2012, Centro Universitário

Maria Antonia. Fotografia: Cecília Bastos/Jornal da USP

As obras de Tarsila do Amaral, Torres-García e Man Ray apresentadas, sinalizam o quanto as obras sob a guarda provisória contribuem para os estudos sobre arte moderna, nacional e internacional, em seus segmentos brasileiro, latino-americano e europeu, sendo que a produção de Man Ray abre mais uma linha de pesquisa no Museu: o da fotografia no campo da vanguarda da primeira metade do século XX. As obras de Cildo Meireles, David Hockney, Cindy Sherman, Misha Gordin, Jeff Koons e Damien Hirst, por sua vez, enfatizam a presença da imagem fotográfica na arte contemporânea – um segmento do acervo do MAC USP bastante enriquecido a partir da chegada dessas coleções. A exposição Coleção, Arte e Ciência deu a oportunidade de visualizar um panorama das coleções que estão sob a guarda provisória da USP e mais do que isso, o tratamento que somente a Universidade, através do seu corpo de especialistas, pode contribuir ás coleções.

As coleções sob a guarda provisória ainda estão parcialmente integradas ao Acervo MAC USP. Isto porque sua condição transitória preocupa o desenvolvimento da pesquisa sistemática sobre essas coleções – como pesquisar objetos que, talvez, em data não determinada não estejam mais acessíveis? Enfatiza-se, nesse ponto, que a exposição demanda de pesquisas e investigações de médio e longo prazos. Quando essas obras participam das exposições é porque essas ações são pensadas, tendo-as como primeira motivação.

Independente de sua transitoriedade no Acervo MAC USP não é possível negar que dificilmente um museu universitário pudesse adquirir obras de valores estéticos e históricos tão relevantes, em face do valor de mercado já atribuído. Somente colecionadores privados teriam condições de adquirir peças tão expressivas (aqui, cabe mencionar que também há peças que não são tão importantes assim, mas isso se pode atribuir à formação das coleções de arte que se orientam – como já se observou – pelo gosto pessoal do colecionador).

Por ocasião da destinação da coleção em 2005, o Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo – CONPRESP deu início ao processo de tombamento da coleção, sob a resolução nº 13/CONPRESP/2005, datada de 23 de dezembro de 2005, tendo por referência o inventário realizado pelas instituições. O processo continua em estudo, até o momento. Se o processo final decidir pelo tombamento, as obras não poderão sair de São Paulo, salvo autorização expressa do órgão.

O Conselho de Defesa do Patrimônio, Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico - CONDEPHAAT segue direção similar. O órgão de preservação do Estado de São Paulo, em sessão ordinária de 07 de julho de 2008, aprovou parecer de seu Conselheiro relator, favorável à abertura de processo de estudo de

tombamento das obras que estão sob guarda. O Processo n

57941/08 de estudo

de tombamento dos bens continua em andamento e por força do artigo 142,