BÖLÜM 1: KARADENİZ’İN JEOPOLİTİK KONUMU VE DEĞİŞEN
1.3 Küresel Güçlerin Karadeniz Politikası
1.3.3 Avrupa Birliği’nin Karadeniz Politikası.…
O primeiro acolhimento de coleções sob a guarda provisória, por determinação judicial, ocorreu em 2005, depois novos acolhimentos ocorreram em 2008 e 2010 (de forma mais pontual) – e desde a primeira experiência se observa que essa prática impacta os orçamentos, os recursos materiais e financeiros dos museus e órgãos públicos selecionados para receberem essas coleções. A despeito das dificuldades, já apontadas na presente discussão, no que toca ao contexto dos museus universitários e, particularmente o MAC USP, essas instituições museológicas aceitaram o desafio de receber obras advindas de coleções privadas sobre judice legal. Junto com essa decisão, existe o compromisso de destinar recursos humanos e materiais para as tarefas de remoção, embalagem e abrigo dessas obras – condição exigida pela 6ª. Vara Criminal à época para que essas instituições pudessem ser administradoras desses bens culturais.
Segundo Fausto de Sanctis, cada museu prestou contas, detalhando os gastos públicos para o fiel compromisso de suas tarefas (SANCTIS, op. cit., p. 203). Nos seus relatórios, os museus explicitam suas despesas com transporte, as dificuldades experimentadas para a remoção das obras, os projetos realizados para o acondicionamento do acervo em local ideal, a disponibilização e a contratação de pessoal especializado, a elaboração de laudo técnico, agendamento de exposições, entre outras ações. Note-se que as ações de remoção das obras (embalagem e transporte) foram emergenciais, uma vez que o depósito que abrigava o primeiro lote de obras possuía prazo determinado para ser desocupado e já apresentava condições
inadequadas para a permanência das obras. Os laudos técnicos e a ação de inventário tiveram que ocorrer já nos espaços dos museus.
Nas ações do MAC USP, muitos procedimentos adotados para o acolhimento das obras impactaram a rotina da instituição. A Reitoria da USP destinou ao MAC USP recursos financeiros a fim dar atendimento às necessidades físicas e de recursos humanos para acolhimento e inventário da coleção. O trabalho foi desenvolvido por equipe multidisciplinar composta por pesquisadores, conservadores, catalogadores, fotógrafos, montadores, dentre outros técnicos, somados aos suportes administrativos e operacionais.
Os investimentos para o abrigo das coleções sob a guarda provisória, por determinação jurídica, vão além dos esforços realizados na fase inicial de recepção do primeiro lote de obras. Essas coleções tem uma condição especial frente às atividades do MAC USP, isto porque sua condição determina procedimentos que não existem nas coleções que realmente pertencem ao Museu. Como exemplo, dessa diferenciação, tem-se que essas coleções não integram a base de dados comum às outras coleções pertencentes ao MAC USP, visto que há a constante preocupação em se devolver as obras de forma mais ágil, caso sejam requisitas pela justiça federal.
Nesse quesito, torna-se relevante mencionar que a catalogação dessas obras se constitui como um trabalho em processo. A catalogação de uma obra vai além do registro fotográfico que a identifica, da definição da técnica e dimensões. Cada obra é estudada individualmente, busca-se a trajetória da mesma, o contexto em que foi produzida, entre outras informações. Dessa forma, essa catalogação passa por constante revisão e essa tarefa se intensifica a cada nova exposição que se organiza com essas obras.
Essas obras compartilham das mesmas reservas técnicas que guardam as obras da coleção do MAC USP. No espaço do MAC USP, no Parque Ibirapuera (Pavilhão Ciccillo Matarazzo – 3º. andar) foi criada, ainda, uma reserva técnica para abrigar as obras de grandes dimensões das coleções sob a guarda provisória. Essa tarefa demandou recursos que envolviam a infraestrutura do Museu precária desde sua fundação, como já se observou, no que tange aos seus espaços físicos. Não se
deve esquecer ainda que obras, como o painel de Frank Stella, The Founding (n#
6), c. 2004, exigiram adequações no edifício para sua instalação – que,
estrategicamente, foi fixada em local que pode integrar uma exposição ou pode
ser acondicionada para guarda. Entre 2010 e 2012, a tela Claudius, 1986, do
artista Gerhard Richter, apreendida pela Receita Federal em 2009 e entregue ao IPHAN, que por sua vez solicitou ao MAC USP o seu acolhimento e guarda, recebeu tratamento similar ao painel de Frank Stella – trabalho realizado pela equipe MAC USP – e expôs ao público no espaço do MAC USP Ibirapuera.
Figura 35. Gerhard Richter, Claudius, 1986, exposto no MAC USP Ibirapuera desde 2012.
Fonte: http://artobserved.com/2008/10/ao-roundup-2008-frieze-art-fair-sothebys-christies-and-phillips-london- auctions-art-market-inflection-point-reached/
A exigência da constância da exposição que acompanha a administração das coleções sob a guarda provisória torna-se outro fator que envolve a demanda de recursos físicos, financeiros, materiais e humanos, visto que para a realização de novas mostras, as obras passam por processos ligados à sua conservação (tais como, restauros e higienização), à sua catalogação (revisão dos dados técnicos pertinentes à obra), à sua montagem (a troca de suportes, molduras, entre outros materiais necessários) e, por fim, a extroversão dessas obras através de publicações, tais como: folders, catálogos, sites e outros materiais.
Cabe mencionar que essas obras de arte recebem cuidados iguais as obras que pertencem ao Acervo MAC USP. Talvez, recebam tratamento ainda mais minucioso, uma vez que toda a sua documentação e seu estado de conservação necessita estar rigorosamente em ordem e atualizado, posto que a qualquer momento essas obras podem ser requisitadas pela justiça e retornar ao seus proprietários ou, ainda, servirem como bens patrimoniais passíveis de ressarcimento dos credores de uma possível massa falida. Hoje, o processo que motivou a apreensão das obras do primeiro lote de obras, vindo em 2005, ainda não se encerrou e continua tramitando na esfera federal.
Somado à condição de devolução constante dessas obras, há algo distinto que a separa das obras do Acervo MAC USP. O Museu não dispõe de autonomia para emprestá-las a outras instituições museológicas. Todas as ações que envolvem essas obras, extra-Museu necessitam de autorização prévia da Justiça – hoje, por exemplo, a destinação do primeiro lote de obras, está sob a responsabilidade da 2ª. Vara Falimentar do Estado de São Paulo, por decisão do Supremo Tribunal Justiça. Essas duas circunstâncias geram profunda instabilidade nas pesquisas realizadas sobre essas coleções.
As limitações que circundam essas coleções privadas sob a guarda de museus públicos, colocam questões relevantes: seria pertinente o gasto de recursos públicos para salvaguardar obras que não têm a garantia de permanência nesses acervos e, que talvez, possam retornar conservadas e valorizadas aos seus proprietários? Essa condição de zelar por obras que não são do Acervo não seria danosa às obras que, realmente, o integram, ocasionando a divisão dos esforços e dos recursos? Os recursos financeiros e materiais empreendidos para a salvaguarda dessas coleções valem à pena somente porque essas ampliam e atualizam o Acervo do Museu? Essas indagações são cada vez mais latentes na reflexão sobre a guarda provisória de obras por determinação judicial. Talvez, a exibição e a mediação dessas coleções possam ser argumentos que justifiquem o acolhimento dessas obras nos acervos públicos.