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KARADAĞ’IN BİNBİR GECE MASALLARI ADLI ÇEVİRİSİ ÜZERİNE

A elucidação das questões que perpassam o debate da Educação Nacional, no início da segunda década do Século XXI, busca, neste estudo, articular a Política de Educação Superior presente no PNE - 2014-2024 (Lei nº 13.005 de 25 de junho de 2014), cujo processo de tramitação teve início em dezembro de 2010, por meio do PL nº 8.035/2010, com as lutas e as

mobilizações dos Movimentos Sociais pela Educação como Direito Social. Tal relação será refletida por meio do estudo dos seguintes aspectos: o processo de construção das diretrizes, metas e estratégias; os contextos políticos e sociais nos quais se insere; os espaços políticos de articulação, proposição e reivindicação; os protagonistas que atuaram na sua elaboração e aprovação.

A motivação para o estudo vem sendo percebida ao longo de uma década de atuação docente, no Curso de Ciências Sociais da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), na oferta da disciplina Movimentos Sociais, na atuação em projetos de extensão e de ensino direcionados à formação docente e durante a gestão, por três anos, na Pró-Reitoria de Extensão (PROEX) da referida Instituição de Ensino Superior. Porém, revelou-se com maior evidência durante o nosso curso de Mestrado no Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PGCS), da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), no qual desenvolvemos pesquisa sobre a educação para a cidadania na formação dos professores e das professoras da Educação Básica, buscando responder a seguinte questão: O princípio da educação para a cidadania, da educação étnica e racial e de uma cultura de direitos humanos chegará ao estudante da Educação Básica sem antes se fazer presente na formação do seu professor e da sua professora no Ensino Superior? Os resultados obtidos são parte da dissertação por nós defendida intitulada: “Educação para a Cidadania e Ensino Superior”.

A finalização da dissertação foi também a constatação da necessidade de continuar o estudo com enfoque mais direto na participação dos Movimentos Sociais na construção da Política Educacional no Brasil, verificando de que modo atuaram como protagonistas no debate e aprovação do projeto na Comissão Especial do PNE da Câmara dos Deputados14, na

Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados Federais, na Conferência Nacional de Educação (CONAE) e no Fórum Nacional de Educação (FNE), instrumentos nacionais instituídos para discussão, deliberação e indicação de emendas para o novo PNE, assim como para o futuro acompanhamento, avaliação e monitoramento na sua implementação.

A necessidade do estudo se faz premente por meio das seguintes perguntas guias: Em qual contexto histórico os movimentos sociais assumiram o acesso à Educação Superior como direito social? Qual o protagonismo dos movimentos sociais no debate em torno da política de Educação Superior no PNE (2014-2024)? Quais os confrontos e antagonismos? Qual o papel

14 A Comissão Especial foi criada pela Câmara dos Deputados em 22 de março de 2011, para analisar o Plano

Nacional de Educação (2014-2024). Foi composta por 26 membros titulares, tendo como presidente Gastão Vieira (PMDB/MA) e com relator Ângelo Vanhoni (PT/PR) (DOURADO, 2011).

dos movimentos sociais na Conferência Nacional de Educação (CONAE), principal espaço de elaboração do PNE e na Comissão Especial da Câmara dos Deputados – enquanto espaço de debate, a apresentação de emendas e aprimoramento do PNE?

Com a finalidade de responder essas perguntas, a pesquisa foi guiada pelo objetivo geral de apreender a influência ou o eco das mobilizações e ações dos Movimentos Sociais na agenda da Educação Superiorno Brasil, por meio das diretrizes, metas e estratégias propostas no PNE, mas também, pelos seguintes objetivos específicos:

a) Analisar o contexto histórico em que os movimentos sociais assumem a demanda do Ensino Superior como um direito social;

b) Mapear os espaços políticos de proposição, de debates e de elaboração associados à Educação Superior no contexto do novo PNE e a presença dos Movimentos Sociais nestes espaços;

c) Perceber a relação entre movimentos sociais, agentes públicos, entidades de classe e representantes políticos na luta pela democratização do Ensino Superior.

Com estes objetivos buscamos fundamentar a tese de que: a atual política de Educação Superior presente no PNE (2014 – 2024) é ressonância das lutas históricas dos movimentos sociais pelo acesso à Educação Superior como um direito social.

A relevância social e acadêmica deste trabalho se apresenta em três aspectos que nos parecem fundamentais.

O primeiro aspecto focaliza a reconstrução histórica da pauta do acesso à Educação Superior nos movimentos sociais. Verifica-se na literatura sobre as lutas e mobilizações dos movimentos sociais, uma lacuna no que se refere à inserção desta pauta nas suas bandeiras de luta e à associação desta às mudanças ocorridas na sociedade e, de modo particular, na política de Educação Superior no Brasil. Encontrar elementos que preencham esta lacuna nos parece um passo fundamental para compreender a relação entre educação e movimentos sociais, bem como para investigar a relação da política de Educação Superior presente no PNE (2014-2024), com as proposições da educação como direito social e em defesa da democratização do acesso ao Ensino Superior com garantia de qualidade e permanência, para os segmentos sociais historicamente excluídos.

O segundo aspecto diz respeito ao processo de construção do PNE. Verificamos que na produção acadêmica os estudos direcionados ao Plano Nacional de Educação, como os de Dourado (2011, 2010, 2006); Abicalil (2005, 2009); Cury (2008, 2009, 2011); Aguiar (2010); Horta (1997); Oliveira (2009, 2011) e Saviani (2010, 2007) têm como objeto de investigação a avaliação das políticas propostas, a avaliação do cumprimento das metas e estratégias, o

monitoramento, a viabilidade do plano, o financiamento, a evolução da demanda do PNE ao longo da história da educação brasileira, as concepções de educação que o fundamenta, o seu processo de construção, mas não de forma direta sobre o protagonismo da sociedade civil organizada nos espaços de elaboração e aprovação.

O terceiro aspecto enfatiza a emergência de novos antagonismos políticos e o deslocamento dos confrontos anteriormente identificados na relação sociedade civil e Estado e que atualmente assume uma configuração mais complexa localizadas em disputas de concepções de educação, gestão e avaliação, destinação do financiamento público, ampliação de direitos. Essa nova configuração rompe com o tradicional antagonismo: Estado versus Sociedade Civil, reunindo nos lados oposto do confronto: Estado e Sociedade Civil, contanto cada um dos lados da disputa com representantes políticos das esferas executivo e legislativo e representantes das organizações sociais e sindicais da sociedade civil.