BÖLÜM 3: KÜRESELLEŞME SÜRECİNDE SOSYOKÜLTÜREL DÜŞÜNCE
3.1. Küreselleşmenin Tanımlanması, Anlam Kazandırma, Kavramlaştırma
A Escola de Engenharia de São Carlos – USP, no final de 1986, começou a desenvolver um sistema construtivo utilizando componentes pré-moldados de argamassa armada para edificação de moradias destinadas às faixas da população de baixa renda.
MACHADO (1991) desenvolveu e apresentou o sistema, descrevendo seus componentes construtivos. O sistema é baseado em painéis do tipo sanduíche, com placas de face pré-moldadas em argamassa armada e núcleo de espuma rígida de poliuretano, constituindo os componentes portantes de vedação. Estas placas possuem canaletas nas laterais e no topo superior, que têm a finalidade de unir e proporcionar o cintamento superior destas placas. A ligação entre os painéis se dá através de elementos pré-moldados tipo I, T e L, para as diversas situações das paredes, como pode ser visto na figura 21.
Os caixilhos de ferro foram projetados para integrar-se ao conjunto das paredes. As janelas, do tipo basculante, têm encaixes para a sua adaptação aos painéis e são colocadas no momento da montagem das paredes. As portas de ferro e os batentes para as portas de madeira são fixados posteriormente, com buchas plásticas e parafusos.
Figura 21 – Elementos pré-moldados de argamassa armada para a interligação dos painéis
Assim, o sistema construtivo se baseia na interligação dos painéis tipo sanduíche através de elementos pré-moldados, ambos de argamassa armada. Os nós de ligação formam encaixes ou juntas secas. A união do conjunto é obtida com o cintamento superior abrangendo todas as paredes. Como complemento das fundações e também para a fixação dos componentes, foram utilizadas barras de aço passadas através dos painéis e dos nós, na parte inferior dos mesmos, como mostrado na figura 22. O sistema desenvolvido contempla rapidez de execução e baixo custo, utilizando pouca mão de obra e equipamentos.
Figura 22 – Detalhe da fixação dos painéis, elementos de ligação no contrapiso e cinta de amarração superior
Após a limpeza e nivelamento do terreno, são as seguintes as etapas de construção: locação; abertura de valas para sapatas rasas e apiloamento; concretagem das sapatas; instalação da estrutura auxiliar para montagem das paredes; montagem das paredes e caixilhos das janelas; colocação da armadura de cintamento superior, chumbadores da estrutura de cobertura e concretagem da cinta; execução das instalações sanitárias; colocação de armadura inferior de fixação das paredes; concretagem do contrapiso interno, retirada da estrutura auxiliar e concretagem do piso externo; montagem da estrutura do telhado e cobertura;
fechamento dos oitões; e colocação dos caixilhos das portas e acabamentos. Descreve-se a seguir, sucintamente, esta seqüência de execução.
O peso das paredes e da cobertura idealizada não requer fundações especiais. A fixação das paredes nas fundações é feita por intermédio de ferrolhos, de diâmetro 4,2 mm, passados transversalmente através de furos existentes na parte inferior dos componentes. Posteriormente, a ponta reta do ferrolho é dobrada, formando a armadura transversal de fixação. Os elementos de ligação tipo T e L já têm esses ferros incorporados durante a moldagem. Em seguida são colocadas as barras da armadura longitudinal externa e internamente às paredes. Nos cantos e nos encontros das paredes, os painéis são dotados de mais de um furo para permitir a passagem do ferro corrido interno. A concretagem do contrapiso interno e externo completa a operação.
A união de todo o conjunto das paredes é conseguida pela colocação nas canaletas superiores dos painéis e através de furos existentes nos elementos de ligação, de um fio de aço de diâmetro 3,2 mm, com posterior enchimento de argamassa de cimento, areia e pedrisco. Para a montagem das paredes foi idealizada uma estrutura metálica de escoramento de fácil montagem e de baixo custo, que é fixada sobre a sapata corrida, no alinhamento externo das paredes. Após o nivelamento e estabelecimento do prumo é fixada no solo através de mãos francesas. Além disso, esta estrutura de escoramento serve para a proteção das paredes contra a ação do vento até a execução do contrapiso, que só ocorre após a execução das instalações sanitárias e da armadura de fixação.
As tubulações são embutidas nos painéis, bastando retirar o isopor e raspar o miolo de poliuretano. Após esta operação é feito o preenchimento do painel com argamassa. Para complementar o sistema construtivo, optou-se por uma cobertura leve, de fácil manuseio e que permitisse a ampliação da moradia. Ela é composta por terças apoiadas sobre pontaletes apoiados nas paredes portantes. Para a terças treliçadas foram utilizados perfis de chapa dobrados com 2 mm de espessura, que resultaram em uma estrutura de poucos elementos, todos leves. A fixação das terças é feita através de chumbadores, com 8 mm de diâmetro, providos de ganchos presos na armadura da cinta de amarração.
O fechamento dos oitões é executado utilizando-se os elementos metálicos de travamento empregados para a fixação das placas de vedação, empregando-se placas de argamassa armada pré-moldada, chapa lisa de fibrocimento ou tábuas de madeira do tipo lambril. As telhas utilizadas são as onduladas de fibrocimento. O sistema prevê aberturas verticais entre as placas adjacentes, para ventilação do ático.
MACHADO (1991) analisou o protótipo montado através de ensaios dos painéis, que demonstraram bom desempenho estrutural na função de parede da moradia. Assim, decorrente da simplicidade e rapidez de montagem, seria possível sua utilização na autoconstrução, a partir do fornecimento dos componentes. Ele também apresentou custos competitivos, desde que sua fabricação seja industrializada, com a prescrição adequada dos materiais. Com relação à habitabilidade, os ensaios e as inspeções no protótipo demonstraram que o nível de satisfação dos usuários, quanto ao conforto higrotérmico e à salubridade, podem ser melhorados com a adoção de forro na habitação.