B- Suçtan Başka Ertelemeyi Düşüren Haller
VIII. KÜÇÜKLER HAKKINDA ERTELEME
O impacto das tendências de abordagem teórico-metodológica sobre a escolha dos termos utilizados, no entanto, é limitado a alguns exemplos, e não chega a ocorrer de forma sistemática. Observou-se em Felipe Abreu e Adriana Kayama o uso dos termos “mecanismo leve/mecanismo pesado”, trazido para a área de voz por William Vennard e Minoru Hirano para designar a fisiologia dos registros laríngeos. Como conotação negativa da tendência de exagero do uso do tônus abdominal, o termo “empurrar”, como excesso de pressão ou como o ato de “colocar força [excessiva] no som”, apareceu nos três sujeitos mais ligados ao referencial das ciências da voz. Como observado no capítulo 2, nas referências pedagógicas e científicas modernas é constante o questionamento do uso de estratégias respiratórias como panaceia da técnica vocal e o destaque da importância de uma coordenação adequada entre respiração e fonação. Por fim, o termo “espaço”, como
comando para induzir determinados níveis de distensão faríngea, foi também um achado comum nesse grupo de professores. O termo, bastante comum na pedagogia vocal, serve também no caso de F. Abreu para simbolizar a abertura de boca, de costelas e a própria sensação proprioceptiva do som na cabeça.
As grandes e marcantes recorrências encontradas, porém, foram a do jargão pedagógico tradicional, das expressões descritivas sinestésicas e das metáforas proprioceptivas em geral, como é possível observar num olhar transversal pelas tabelas terminológicas levantadas no presente trabalho. Muitos dos termos ligados à sinestesia e à propriocepção encontrados neste trabalho são também parte do jargão tradicional, como é o caso de “chiaroscuro” ou de “voz de peito/voz de cabeça”. Na breve análise que será empreendida a seguir, os termos do tradicionais que não possuem conteúdos fortemente ligados ou à sinestesia ou à propriocepção foram analisados em separado. Já os termos que também são tradicionais, mas que carregam forte conotação sinestésica ou proprioceptiva foram analisados nestas categorias.
Os dados colhidos mostraram, em primeiro lugar, que todos os professores utilizam instruções objetivas gerais, que se prestam a comandar movimentos voluntários das partes visíveis do aparelho fonador, do tipo “abra mais a boca”, “não projete a mandíbula” ou “arredonde mais os lábios”. Apenas um professor, Marconi Araújo, utilizou termos científicos, como “fonação”, “adução”, “TA” e “CT” e “constrição faríngea”. No entanto, todos os sujeitos se referiram em algum momento à laringe e às pregas vocais. Os sujeitos a utilizarem mais instruções objetivas foram Felipe Abreu, Benito Maresca e Marconi Araújo.
Já o uso do jargão tradicional apareceu de maneira mais evidente por meio dos seguintes termos: “apoio”, “empurrar”, “espaço”, “zona de passagem”, “passar/não passar” e “cobertura”.
O termo “apoio” foi utilizado por 4 sujeitos, ainda que a expressão tenha para cada um deles um significado diferente: um sentido geral de tônus respiratório para o canto para R. Machado, costelas abertas e impulsos abdominais para B. Maresca, costelas abertas e projeção do epigástrio para F. Abreu e contração glúteo-pélvica para Isabêh. Os dois sujeitos que não utilizaram o termo ainda assim estabelecem um diálogo com ele: A. Kayama evita deliberadamente sua utilização e M. Araújo cria a manobra e o termo contra-apoio. Ambos os professores procuram elaborar
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outras expressões para se referir à respiração por identificar o termo original com um comando que induz força excessiva.
A tendência a buscar novos termos que possam substituir aqueles utilizados no jargão tradicional e que poderiam induzir mau-funcionamento do aparelho fonador aparece em diversos autores da pedagogia vocal moderna. É um exemplo marcante dessa prática R. Miller, que afirma categoricamente que certas expressões metafóricas podem ser danosas136, estabelecendo, por exemplo, os termos “gestão de respiração” como alternativa ao termo “apoio”, “modificação de vogais” em substituição ao termo “cobertura”, “equilíbrio ressonantal” no lugar de “colocação” e “vibrância” como síntese de “vibrato” e “timbre”137.
Já a expressão “passar/não passar” e sua correlata “zona de passagem” apareceram em três dos sujeitos: M. Araújo, R. Machado e F. Abreu, e na amostra pesquisada pareceram estar mais fortemente vinculadas ao canto popular, tanto CCCA quanto MPB, possivelmente porque nesses gêneros o problema da transição de registros é mais constante.
O termo “cobertura”, até certo ponto análogo ao termo “espaço”, apareceu em três sujeitos: M. Araújo, Isabêh e R. Machado. Apesar de ser um termo originalmente relacionado ao canto erudito, B. Maresca e A. Kayama não o utilizaram durante o período de observação. Como já comentado anteriormente, B. Maresca considera o procedimento de “cobrir” o som tecnicamente ultrapassado e Adriana aborda o “redondo”, correlato em sua terminologia ao procedimento da “cobertura”, com parcimônia. Ambos os professores relatam terem tido experiências negativas com a resposta vocal provocada pelo termo em suas formações138. Para R. MILLER (1996, p. 151) o termo carrega, além do problema da polissemia, a possibilidade de induzir um ajuste exageradamente tenso.
O fato de um termo típico da pedagogia de um estilo de canto aparecer no contexto de outros estilos e não em seu próprio nicho levanta duas questões interessantes. A primeira aponta a onipresença da herança terminológica erudita em toda a pedagogia vocal, alçando-a ao status de fonte principal do que até aqui
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Sobre isso, ver citação completa do autor no tópico 1.2.
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IN: R. MILLER (1996). Os termos originais são “breath management”, “vowel modification”, “covering”, “resonance balancing”, “placement”, “vibrancy”, “vibrato” e “timbre”, respectivamente.
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chamamos de “jargão tradicional”, fato que é reconhecido e apontado principalmente pelos professores de outros estilos que não o erudito. A segunda sugere que expressões deste tipo, ainda que descritas como tendo o mesmo objetivo em diferentes contextos de ensino, como foi o caso na presente pesquisa, sempre vão encontrar novas significações conforme o contexto cultural em que estão inseridas. Assim, se na pedagogia do canto erudito existe uma certa reação a “cobertura”, pois o universo vocal-cultural envolvido mostra um certo desgaste do termo, nas pedagogias de canto popular a expressão aparece ao mesmo tempo como um elemento reconhecidamente ligado à tradição erudita e como um recurso técnico possível, pois menos propenso à aplicação com exageros por causa da própria natureza da cultura vocal dos estilos populares, mais próxima da voz falada.
As expressões sinestésicas aparecem como tentativas de concretizar as impressões dos professores sobre a voz e, tanto nas aulas observadas como nas recebidas, são sempre associadas a exemplos auditivos comparados, em comandos do tipo “use uma voz mais escura do que essa que você usou agora” (observado em aula de F.Abreu) ou “a voz de tal cantor é aberta; já a de outro cantor é mais redonda” (obseravdo em aula de M. Araújo). Assim, a comunicação por meio desse tipo de expressão não se dá de forma absoluta, mas ganha sentido apenas a partir das referências auditivas compartilhadas e discutidas entre professor e aluno. Os termos encontrados, presentes na linguagem de 5 dos sujeitos (à exceção de B. Maresca), foram inúmeros: “squillo”, “foco”, “claro”, “escuro”, “redondo”, “metal/metálico”, “gordo”, “cheio”, “brilho”, “ponta”, “com corpo”, “chiaroscuro”, “timbre completo” e “fluidez”.
Por fim, a recorrência mais notável encontrada nos termos analisados foi, sem dúvida, a das expressões proprioceptivas e de localização da voz em determinados pontos do corpo: sua presença se manifesta na terminologia de todos os professores investigados.
Tal achado certamente está relacionado ao fato de expressões como “voz de peito”, “voz de garganta” e “voz de cabeça” estarem entre os termos mais antigos da pedagogia vocal, contando com uma herança vicariante que remonta a séculos de história. Segundo VURMA (2007), outras expressões proprioceptivas como “voz na frente/ressonância frontal”, “voz atrás/ressonância posterior”, “voz na máscara” e “ressonância alta” se difundiram e popularizaram por causa do contato de grandes autores-cantores do início do século XX, como Lilli Lehmann e Jean de Rezke, com
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a teoria acústica inharmônica da voz cantada, e se mantem vivas até hoje por uma falta de atualização teórica sistemática dos profissionais envolvidos no treinamento da voz139.
8.3. Terminologia proprioceptiva X instruções objetivas: cognição,