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ERTELEMENİN DÜŞMESİNİN NETİCELERİ

Belgede Cezaların ertelenmesi (sayfa 137-141)

B- Suçtan Başka Ertelemeyi Düşüren Haller

VI. ERTELEMENİN DÜŞMESİNİN NETİCELERİ

Todos estes fatores parecem se refletir na maneira como os dois professores utilizam a terminologia técnica e no rigor com que aplicam certos conceitos.

As tabelas 9 e 10 mostram os termos observados nas aulas particulares recebidas de R. Machado, do dia 19/10/2010 ao dia 23/11/2010, nas aulas regulares em grupo observadas na Unicamp, do dia 27/10/2010 ao 17/11/2010, e recolhidos de sua dissertação de mestrado (MACHADO, 2007). Já as tabelas 11 e 12 mostram os termos recolhidos nas aulas particulares com o Prof. Felipe Abreu entre 24/05/2010 a 18/06/2010 e a partir de seus depoimentos sobre terminologia, disponíveis no Apêndice 2. Pela natureza do tipo de atuação de F. Abreu, mais voltada a cantores profissionais conhecidos na mídia, e para seu próprio conforto, o professor preferiu que não fosse realizada a parte de observação direta de suas aulas regulares.

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Regina Machado

Termo Principal Termos relacionados/ semelhantes Contexto Termos negativos/ defeitos Possíveis significados

Apoio Relação entre canto e

respiração;

Nível de tônus adequado na musculatura responsável pela expiração

Colocar força no som Sub-registros de

peito e cabeça

Fonação Registros laríngeos

Passar/ não passar Fonação Transição ou manutenção de

registros laríngeos Manipular a massa

de ar na boca

Moldar/perceber a direção da massa de ar na boca; trabalhar/ sentir as ressonâncias

Manobras articulatórias Configuração de trato vocal, com especial atenção à precisão de articulação das vogais brasileiras

Emissão Sonoridade geral da voz Qualidade vocal predominante

numa determinada inter- pretação

Focar a emissão Focar a voz Sonoridade geral da voz Maior tensão adutória das pregas vocais, menor escape de ar não sonorizado

Emissão frontal Voz na frente Sonoridade geral da voz Coluna de ar projetada nos seios da face, maior apoio Emissão posterior Voz para trás Sonoridade geral da voz Coluna de ar projetada no

palato, com uso dos espaços internos da boca

Emissão coberta Sonoridade geral da voz Laringe baixa, expansão

faríngea, aumento das cavi- dades supra-glóticas

Não cobrir Não controlar a posição la- ríngea

Emissão nasal Voz no nariz Sonoridade geral da voz Coluna de ar projetada no nariz

Emissão posterior Voz para trás Sonoridade geral da voz Coluna de ar projetada no palato, com uso dos espaços internos da boca interpretação Emissão tenso-es-

trangulada

Voz tensa, tensão no canto Sonoridade geral da voz Tensão laríngea e enrijeci- mento das pregas vocais

Emissão airada Voz soprosa Sonoridade geral da voz Tensão insuficiente entre as pregas vocais, escape de ar não sonorizado na voz

Timbragens Calibragem da voz Sonoridade geral da voz Variações intencionais de qualidade vocal numa determinada interpretação Articulação rítmica Presença/ ausência do padrão

entoativo da fala no canto

Sonoridade geral da voz; relação entre fala, texto e melodia

Sobreposição do fraseado musical ao linguístico, inclusive nos aspectos de qualidade vocal

Dicção Sonoridade geral da voz Maneira de dizer o texto na

melodia (ritmo e qualidade vocal)

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Conceitos dominantes/Ferramentas técnicas:

A principal referência do canto MPB é a canção popular brasileira urbana midiatizada, tipo de obra que se situa na fronteira entre a música e a literatura, sem pertencer a nenhuma das duas.

O canto popular brasileiro é uma escola estabelecida, porém sem padrões vocais pré-definidos, e ainda não formalizada academicamente

Os tipos de padrão vocal encontrados nesta escola são forjados pela relação entre a interpretação vocal e os padrões entoativos da fala

A interpretação vocal é produto da compreensão e da entrega emocional que o cantor tem em relação à composição interpretada

O canto popular privilegia a fidelidade ao fonema da fala, enquanto o canto erudito privilegia a beleza do som, mesmo que com comprometimento do fonema. Por isso as terminações de frase são mais curtas e sem ou quase sem vibrato

A interpretação vocal é resultado da integração dos planos de expressão (elementos não textuais da voz) e do conteúdo (elementos textuais)

Organização do processo de ensino em torno de períodos definidos da história da música brasileira, marcados por tendências de comportamentos vocal diferentes

A técnica vocal serve para dar controle do aparelho fonador ao cantor, e não para formatar a voz a determinado padrão estético

Vocalises enfatizam não só sonoridade da voz popular, mas percepção musical e fatores pertinentes à entoação da canção popular

Inclusão de atividades de apreciação musical, leitura de textos e reflexão sobre o repertório brasileiro como partes integrantes do processo de formação do intérprete

Ênfase na percepção corporal e auditiva do cantor Plano de exercícios pode ser realizado em grupo

Trechos de canções do repertório brasileiro com desafios técnicos e expressivos específicos utilizados como vocalises

Importância do exemplo cantado, do professor e de outros cantores da tradição brasileira

Felipe Abreu

Termo Principal Termos relacionados/ semelhantes Contexto Termos negativos/ defeitos Possíveis significados

Apoio Relação entre canto e

respiração;

Nível de tônus adequado na musculatura responsável pela expiração: costelas abertas, retração do baixo abdômen e projeção do epigástrio nas notas fortes, agudas ou em zona de passagem

Colocar força no som, empurrar

Voz de peito/ voz de cabeça/ voz mista

Mecanismo pesado/ mecanismo leve Fonação Registro de peito, registro de cabeça, registro misto

Passagem Passar/ não passar, zona de passagem, quebrar

Fonação Transição ou manutenção de

registros laríngeos Degradê de

registros

Fluidez Fonação Transição suave de registros,

uso da voz mista

Forma Manobras articulatórias Determinada configuração de

trato vocal

Chiaroscuro Sonoridade geral da voz Equilíbrio entre harmônicos

agudos e graves Ressonância

posterior/ anterior gutural / nasal / voz na máscara

Focar a voz Sonoridade geral da voz Ajustes de qualidade vocal

Cor da voz Voz clara, escura, aberta, redonda Sonoridade geral da voz Ajustes de qualidade vocal; configurações de trato vocal; timbre

Espaço Conforto, sentir-se como um “gordão” dentro de uma piscina

Sonoridade geral da voz Espaço orofaríngeo, abertura intercostal

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Conceitos dominantes/Ferramentas técnicas:

O cantor popular deve investir em encontrar sua personalidade, sua marca pessoal

A marca pessoal se encontra por meio de um processo longo de escuta e de busca de libertação das referências vocais iniciais de outros cantores

Cantar bem não é cantar de tudo, mas se aprofundar em uma maneira de cantar, no que diz respeito a timbre, repertório, projeto musical e autoral

Não existe padrão vocal da música popular brasileira. O único padrão a ser perseguido é com relação ao respeito às base fisiológicas da voz, à busca da naturalidade da emissão, à atenuação das tensões vocais e corporais

A técnica vocal deve ser trabalhada de maneira individual, personalizada, servindo à expressão artística. O objetivo final é dar ao cantor as ferramentas para ele desenvolver autoconsciência e independência para resolver seus questionamentos

Abordagem por meio da cultura geral, da história da música, da história da arte, da literatura, da poesia, da política, fazem parte da formação de um cantor popular que busca um trabalho autoral A interpretação deve ser planejada e mapeada em termos de forma musical, dinâmicas,

andamento, divisão rítmica, etc.

Controle do excesso de pressão sobre a laringe; prevenção de força expiratória excessiva Utilização de sons facilitadores: vibração de língua e lábios, fricativas

Utilização dos glissandos e do legato como ferramenta para obtenção da uniformidade timbrística Utilização de vogais específicas, com formas específicas, para trabalhar a qualidade vocal Plano de exercícios varia conforme necessidades do aluno

Ênfase na percepção do cantor: monitoramento auditivo constante de gravações

Tabela 10: Felipe Abreu – conceitos e ferramentas técnicas

O primeiro fator notável a observar da comparação entre as duas tabelas é que Felipe Abreu tende a utilizar termos mais tradicionais e conhecidos do jargão da pedagogia vocal, enquanto Regina Machado mostra utilizar mais termos principais de caráter idiossincrático, tais como a expressão “manipular a massa de ar na boca”.

No processo de aulas, F. Abreu se refere à técnica quase sempre com instruções objetivas, como “abra a boca verticalmente” ou “não deixe a laringe subir”, e a complementação deste tipo de instrução com o uso concomitante do jargão tradicional é consciente:

Durante todo o tempo da Associação Brasileira de Canto (da qual eu fiz parte desde o começo, fui sócio-fundador) e do Grupo de Estudos da Voz do Rio de Janeiro, eu e vários colegas sempre defendemos a tentativa de se fazer um glossário terminológico. Por exemplo, os termos “tessitura” e “extensão”. Tessitura é uma coisa, extensão é outra, mas algumas pessoas os usam como sinônimos, e já está se

tornando aceitável. Agora, “potência vocal”... o que é isso? Já temos intensidade, volume, projeção. Você ainda vai acrescentar mais um termo? Para quê? Vamos tentar “enxugar” esta terminologia para a gente falar uma linguagem parecida. (Felipe Abreu, Apêndice 2, p. 305)

Assim, afora a expressão “degradê de registros”, todos os outros termos principais utilizados por F. Abreu são correntes na literatura brasileira sobre voz, inclusive na fonoaudiológica, de tendência mais objetiva que a pedagógica.

Embora os dois professores utilizem o termo tradicional “apoio”, chamou a atenção da pesquisadora a grande diferença de frequência e importância para um e outro sujeito. R. Machado utilizou o termo duas vezes em todo o ciclo de observação desta pesquisa e não se referiu a ele nenhuma vez em sua dissertação de mestrado. De fato, nas aulas particulares recebidas, ela apenas perguntou sobre quais estratégias respiratórias esta pesquisadora preferia utilizar e se havia algum desconforto em relação a isso, não tocando mais no assunto a partir de então.

Já F. Abreu conferiu grande valor não só ao termo, mas ao controle postural, respiratório e da musculatura tóraco-abdominal, e assim como fez o professor de canto erudito B. Maresca Maresca, explicou já no início da primeira aula dada a esta pesquisadora qual sua concepção do termo. Para ele, “apoio” integra postura, respiração e tônus abdominal; o cantor deve ter costelas abertas, esterno elevado, e realizar projeção do epigástrio para fora e retração do abdômen nas notas de maior intensidade, agudas ou na zona de passagem. Ao contrário de B. Maresca, no entanto, ele preferiu que a pesquisadora continuasse com suas próprias estratégias, a não ser em momentos de maior dificuldade técnica, pois acredita que não existe apenas uma maneira correta de se gerir a respiração e que o professor deve aproveitar as habilidades prévias de um aluno já iniciado.

Sua concepção de “apoio” pode ser associada àquela apresentada por dois autores proeminentes da pedagogia vocal moderna citados por ele como referências teóricas importantes: Richard Miller e Ralph Appelman. R. MILLER (1996, p. 24), inspirado em grandes tratadistas como Francesco Lamperti, dá grande ênfase tanto à integração entre postura e respiração quanto às costelas abertas tanto durante a fase inspiratória quanto da expiratória. APPELMAN (1986, p. 17) também defende a

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postura e as costelas abertas, porém confere grande ênfase ao controle da retração do baixo abdômen por meio de exercícios que ele chama de “pulsated drills”125.

A importância da manipulação consciente dos registros laríngeos aparece nos procedimentos dos dois professores de MPB, assim como apareceu nos de CCCA, por meio de Marconi Araújo. Tal destaque parece demonstrar que de fato este parâmetro técnico tem maior importância no canto popular do que no canto erudito, principalmente pela necessidade do uso da região mais grave nas vozes femininas e pela identidade que o registro de peito encontra com a fala.

Em relação ao canto CCCA, no entanto, foi observada menor ênfase na manutenção do registro de peito em notas agudas. Ambos os professores de MPB buscaram acessar o registro de peito nas notas mais graves, mas manter sua tendência de passagem fisiológica, em torno do Mib3, sem entrar na prática do

belting. Quando questionados com relação a isso, tanto F. Abreu quanto R.

Machado disseram que, embora a dominância do registro de peito seja comum em diversos intérpretes e repertórios da MPB, é mais importante manter a naturalidade da voz de cada cantor, sem forçar deliberadamente sua extensão além da zona de passagem. Tais afirmações reforçam a ideia de que o canto MPB pode eventualmente partilhar de alguns elementos técnicos com o CCCA, mas não privilegia a busca de ideais sonoros a priori.

R. Machado parece se referenciar no conceito de registros tal como enunciado por HOLLIEN (1972) e pela fonoaudióloga Sílvia Pinho em seus

workshops: a voz de peito e a voz de cabeça seriam sub-registros contidos dentro

do registro modal, e não mecanismos autônomos, como o vêem hoje ROUBEAU et al (2009). Já o termo “degradê de registros”, utilizado por F. Abreu juntamente ao termo “voz mista” parece levar em consideração o famoso gráfico de HIRANO (1988)126, que mostra a possibilidade de transição gradual e progressiva entre a contração dos músculos TA e CT, de tal maneira que o cantor treinado eliminaria a transição abrupta ou a “quebra” de registros127. Segundo CASTELLENGO et al (2007), embora fisiologicamente sempre ocorra uma mudança abrupta de padrão de vibração das pregas vocais na mudança de registros, a técnica de voz mista

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Em tradução livre, “retrações pulsáteis”.

126

Ver Capítulo 4, tópico 4.3.1.

127

consiste justamente no desenvolvimento de estratégias para mascarar a transição, seja por meio do ajuste cuidadoso da intensidade sonora utilizada na passagem, seja pela adoção de manobras articulatórias tais como o uso da “voz coberta”.

Belgede Cezaların ertelenmesi (sayfa 137-141)