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Hükmün Ertelenmesi

Belgede Cezaların ertelenmesi (sayfa 49-57)

A cada professor foi proposto um ciclo de observação participante de quatro aulas de canto, durante as quais a pesquisadora recebeu as orientações vocais que estes julgaram adequadas. A escolha pela observação participante veio inicialmente do fato de que muitos dos professores escolhidos para compor a amostra trabalhavam com cantores profissionais e professores de canto, e poderiam não se sentir à vontade em ter suas aulas regulares observadas. Julgou-se que era de importância capital contar com sujeitos de real expressão no mercado brasileiro, por seu potencial como formadores de multiplicadores, sua exposição em palestras e

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Por exemplo PICCOLO, Adriana N. O Canto popular brasileiro: uma análise acústica e

interpretativa. [dissertação] Rio de Janeiro: Escola de Música da Universidade Federal do Rio de

Janeiro, 2006; QUEIROZ, Alexei A. Canto popular: pensamentos e procedimentos de ensino na

Unicamp. [dissertação] Campinas: Instituto de Artes da Universidade Estadual de Campinas, 2009;

MATOS, Cláudia N. et al (org.) Palavra cantada: ensaios sobre poesia, música e voz. Rio de Janeiro: 7 Letras, 2008 e GOMES, Simone. Benito Maresca: formação e trajetória profissional. [dissertação] São Paulo: Universidade Cidade de São Paulo, 2008.

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masterclasses, na academia e em programas de televisão, enfim, por sua influência

no panorama da pedagogia vocal brasileira. Optou-se pelo uso desta pesquisadora como “ferramenta” destes profissionais, de modo a tornar possível colher uma amostra, se não fiel, muito próxima de sua linguagem cotidiana.

Foi possível fazer essa opção sem abrir mão do necessário distanciamento do pesquisador de seu objeto de pesquisa, pois o objeto em questão não foi um processo particular de aprendizagem ou seus resultados, mas simplesmente a maneira que cada professor de canto escolheu para estabelecer sua comunicação e que caminhos pedagógicos tomou neste caso em particular. Coube a esta pesquisadora, porém, na qualidade de “ferramenta” de pesquisa, colocar-se à disposição do professor, e seguir suas instruções o mais fielmente possível, de maneira a facilitar a fluência da comunicação e enriquecer o material coletado. Paralelamente, foi feito um registro integral da linguagem utilizada em cada ciclo por meio de gravações em vídeo de todas as aulas recebidas, disponíveis para posterior análise.

Todos os professores convidados aceitaram participar da pesquisa, e em sua maioria muito generosamente incentivaram também a observação de suas aulas regulares durante o período de convivência do ciclo, à exceção de Felipe Abreu, que avaliou que a presença de uma pessoa estranha no estúdio poderia interferir na sua concentração e na de seus alunos, assim prejudicando o rendimento de seu trabalho. Tal mudança inesperada no plano inicial da pesquisa, isto é, a inclusão de dados de observação direta de aulas comuns dos professores, foi francamente um privilégio inestimável, e possibilitou a formação de um corpus de pesquisa muito mais consistente.

Pela relevância do testemunho desses professores no meio da pedagogia vocal, pelo trabalho tratar de um estudo comparativo de casos e por haver exemplos suficientes de trabalhos acadêmicos na área musical estruturados sobre o conceito do testemunho identificado65, optou-se por abrir mão do tratamento confidencial dos

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Por exemplo os já citados PICCOLO, Adriana N. O Canto popular brasileiro: uma análise acústica e

interpretativa. [dissertação] Rio de Janeiro: Escola de Música da Universidade Federal do Rio de

Janeiro, 2006; QUEIROZ, Alexei A. Canto popular: pensamentos e procedimentos de ensino na

Unicamp. [dissertação] Campinas: Instituto de Artes da Universidade Estadual de Campinas, 2009;

GOMES, Simone. Benito Maresca: formação e trajetória profissional. [dissertação] São Paulo: Universidade Cidade de São Paulo, 2008, além de PAJARES, Vânia S. Fabiano Lozano e o início da

sujeitos. Dessa forma, toda vez que apontada a utilização de um termo ou de um procedimento observado, foi fornecida nominalmente a identificação de seu autor.

Um roteiro de observação direta foi elaborado, a fim de oferecer um padrão geral de homogeneidade e neutralidade para as anotações realizadas em campo e sobre o registro videográfico das aulas recebidas (Anexo 1). O roteiro procurou direcionar a observação aos termos utilizados por cada professor para orientar o aluno a respeito da qualidade vocal adequada66, ou no jargão mais comum ao professor de canto, a “colocação” ou o timbre da voz.

O parâmetro da qualidade vocal foi escolhido por ser o fator que condensa as diferenças técnico-estéticas entre as três abordagens musicais, já que consiste na sonoridade geral da voz em si, e por exigir do professor de canto uma linguagem verbal mais complexa e diversificada para referir-se a funções do aparelho fonador que não são facilmente visualizáveis. Além disso, o parâmetro da qualidade vocal envolve também a análise de estratégias respiratórias, fonatórias e articulatórias a serem adotadas pelos alunos dos sujeitos analisados, assim abrangendo muito de suas perspectivas sobre técnica vocal. Além da terminologia utilizada, foram compilados também os termos e conceitos técnicos chave, segundo a concepção de cada professor, por serem estes de influência direta no resultado final da sonoridade da voz, e por auxiliarem na compreensão do contexto em que determinados termos aparecem na linguagem de comunicação.

Avaliando a observação participante realizada de maneira retrospectiva, é possível perceber o quanto foi importante o contato mais pessoal e íntimo com os sujeitos para uma compreensão mais ampla de seus contextos de atuação. Com a soma dos dados coletados por meio de observação direta, seja das aulas regulares, seja do registro videográfico das aulas, e a experiência vivida no papel de aluna de cada professor, foi possível ensejar um processo de aculturação em cada universo pedagógico e uma maior profundidade nas observações colhidas.

pedagogia vocal no Brasil. [dissertação] Campinas: Instituto de Artes da Universidade Estadual de

Campinas, 1995 e ULBANERE, Alexandre. Willy Corrêa de Oliveira: por um ouvir materialista

histórico. [dissertação] São Paulo: Instituto de Artes da Unesp, 2008, entre muitos outros.

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cf. definição de ABERCROMBIE (1967, apud LAVER, 1980) e LAVER (1980, p. 1): qualidade vocal é o conjunto de características sonoras que estão presentes em caráter quase permanente durante a emissão vocal do sujeito. Esta coloração auditiva é resultado dos ajustes laríngeos, isto é, das pregas vocais, e supra-laríngeos, isto é, dos articuladores, adotados por este sujeito.

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É importante salientar que o investigador, ainda que pertença à mesma área dos sujeitos que estão participando na pesquisa (…), enfrenta uma realidade cultural específica, desconhecida, possivelmente, para ele, e da qual precisa tomar consciência em suas características principais se deseja realizar um trabalho científico. Este penetrar nos traços essenciais de uma cultura é realizado através do processo de aculturação, que pode ser consciente ou inconsciente. (TRIVIÑOS, 2009, p. 145)

Um último fator importante na fase de coleta de dados foi a postura fenomenológica-qualitativa adotada. Apesar de evidentemente terem sido elaboradas hipóteses a respeito das relações entre a terminologia e as concepções de ensino a serem encontradas, procurou-se fazer todas as observações da maneira mais neutra possível, evitando misturar anotações de fatos pontuais a eventuais comentários críticos. Da mesma maneira, nos momentos de observação participante procurou-se oferecer aos professores uma postura de honestidade, com o máximo de desapego a preconcepções. Nesse sentido, a parte de observação participante proporcionou uma perspectiva diferenciada, pois ao colocar a presente pesquisadora numa posição de fragilidade, na postura de aluna de cada sujeito investigado, tornou-a mais favorável ao desprendimento de ideias preconcebidas do que o faria a postura típica de pesquisadora ou mesmo a de colega de profissão.

A cada final de ciclo de 4 semanas de observação direta e participante com cada professor, um quinto encontro foi agendado, com o objetivo de se realizar uma entrevista final. O roteiro para esta entrevista foi orientado por um questionário semi- estruturado, padronizado e aberto (Anexo 2), que procurou levantar dados sobre formação, referências teóricas ou fonográficas, sobre a “genealogia” que cada professor atribui à terminologia que utiliza e sobre particularidades de cada eixo estilístico. A entrevista teve também a função de esclarecer dúvidas suscitadas durante o período de aulas e de proporcionar uma reflexão crítica conjunta sobre os termos utilizados com mais recorrência.

Tal processo de checagem e discussão dos dados observados com os respondentes durante as entrevistas ocorreu em consonância com o que BECKER (1999, p. 49) chama de análise sequencial: numa pesquisa em que ocorre observação participante e coleta de depoimentos, os dados colhidos começam a ser analisados durante a própria pesquisa de campo, propiciando a (re)definição de problemas e conceitos e a incorporação de descobertas individuais no modelo teórico construído para a compreensão do caso estudado.

GASKELL (2002, p. 72) pondera que, embora a observação seja provavelmente o método mais completo de coleta de dados numa pesquisa qualitativa, ela está ainda sujeita à contaminação pela subjetividade do observador- pesquisador. As entrevistas, por outro lado, estão sujeitas à omissão de fatos por parte dos sujeitos de pesquisa, mas oferecem dados concretos a respeito de seu julgamento de determinados fenômenos. POUPART (2008, p. 216) observa que as entrevistas são uma oportunidade de contar com a análise da realidade social estudada segundo a perspectiva dos atores sociais envolvidos nesta realidade.

Além das entrevistas com os professores da amostra, foram incluídos no

corpus de pesquisa, como evidências da caracterização dos sujeitos e do tipo de

terminologia que empregam, dissertações (MACHADO, 2007) e artigos (ABREU, in MATOS, 2008) de autoria própria, dissertações que se debruçam sobre seu fazer pedagógico (CASTRO, 2002; PICCOLO, 2006; QUEIROZ, 2009; GOMES, 2008), áudio-aula (ISABÊH, ano?) e anotações realizadas a partir de masterclasses realizadas pelos sujeitos às quais a pesquisadora compareceu (PINHO, ARAÚJO, 2008; PINHO, ISABÊH, 2009).

Segundo BECKER (1999, p. 83), reunir o que ele chama de “dados ricos” durante o trabalho de campo, isto é, poder contar com descrições o mais detalhadas possível da situação estudada, obtidas por meio de tipos diferentes de observação e da coleta de entrevistas, é uma boa medida para combater os riscos de duplicidade dos respondentes e da influência do bias do observador. O confronto entre dados de diferentes origens, como os que foram colhidos na presente pesquisa, evita a fundamentação de conclusões equivocadas e tornam difícil para o pesquisador restringir suas observações de maneira a ver somente o que sustenta seus preconceitos e expectativas.

Por fim, foram adicionadas mais duas entrevistas de caráter informativo e narrativo, com a norte-americana Jeanette LoVetri e com a brasileira Mirna Rubim, professoras e cantoras do chamado canto cross-over67. Seus pontos de vista a

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O termo se refere aos cantores que atuam profissionalmente em mais de um estilo, utilizando-se de técnicas vocais distintas, como, por exemplo, o canto operístico e o belting. Este tipo de canto tem sido bastante encontrado no Teatro Musical americano, e por isso tem sido cada vez mais abordado pelos novos métodos pedagógicos. Um exemplo emblemático de canto cross-over pode ser encontrado na interpretação da cantora Kristin Chenoweth da peça “The Girl in 14G”, de Jeanine Tesori e Dick Scanlan, disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=RRNRbq76Bxw

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respeito das mudanças técnico-musicais necessárias ao trânsito entre estilos diferentes de canto oferecem um olhar transversal sobre suas diferenças e semelhanças, e constituem-se em referências-chave para o trabalho, já que são escassas as publicações disponíveis sobre a comparação de técnicas vocais.

O depoimento da professora Jeanette LoVetri é também particularmente importante por ser ela uma das primeiras professoras-pesquisadoras a empreender investigações científicas sobre o canto popular, e a primeira a coordenar um curso em nível universitário de pedagogia vocal especializada no canto comercial contemporâneo norte-americano – termo cunhado por ela e hoje largamente difundido no meio científico e artístico dos Estados Unidos. O trabalho de LoVetri é uma parte importante da história da pedagogia vocal moderna, e poder contar com seu testemunho e seus esclarecimentos é um privilégio para o presente trabalho.

Belgede Cezaların ertelenmesi (sayfa 49-57)