Fatih Altuğ *
21 Cobb, İzmir-Aydın demiryolu hattına dair arşive belgelerinden, hatıralardan, raporlardan ve gazete
Serviço Social no conjunto das profissões, tanto no plano teórico-intelectual quanto no plano político-organizativo, tornando-se vanguardista dentre os segmentos progressistas da sociedade. Muitos dos avanços nas políticas públicas se devem também ao esforço da categoria, especialmente na área da assistência social, saúde e de políticas voltadas para as crianças e adolescentes, idosos e tantas outras.
O assistente social, utilizando-se de pensadores das áreas de Economia, Sociologia, Ciências Sociais, Filosofia, e no caso da política habitacional, da Geografia, do Urbanismo, da Arquitetura e do Planejamento Urbano, influencia os espaços internos e externos da instituição, sob um olhar social nas intervenções da PHIS, trazendo no centro das discussões a garantia de direitos, especialmente daqueles que convivem diariamente com a exclusão socioespacial. “O assistente social não só apóia o cidadão na busca por uma moradia digna, mas também contribui na construção de cidades mais igualitárias e inclusivas” (GRUPO B, 8
respondentes). Tal afirmação evidencia a importância do Serviço Social na política de
O trabalho social se tem constituído em um elemento fundamental nos projetos de intervenção urbana, especialmente no que diz respeito à tarefa de viabilizar, de forma bem sucedida, a participação da comunidade na implementação. Ele é chamado a compor essa complexa dinâmica em que se entrecruzam demandas populares, exigências de agências locais, nacionais e internacionais e de outros agentes sociais (2008, p. 227).
Atuar na política habitacional representa mudar a geografia da cidade. Se antes existia uma favela ou vila, após uma intervenção pública de urbanização, regularização ou reassentamento, transforma a configuração existente naquele espaço urbano. Por esta razão, o assistente social inserido na PHIS torna-se partícipe dessa mudança, pois a transformação ultrapassa o espaço físico, atingindo as pessoas que ali residem. Logicamente, não se pode atribuir ao trabalho social o mérito de todas as mudanças, mesmo porque o trabalho do assistente social é polarizado pela trama das relações sociais e interesses vigentes na sociedade capitalista. Segundo Iamamoto, o assistente social:
[...] participa tanto dos mecanismos de exploração e dominação, quanto, ao mesmo tempo e pela mesma atividade, dá resposta às necessidades de sobrevivência das classes trabalhadoras e da reprodução do antagonismo dos interesses sociais. Isso significa que o exercício profissional participa de um processo que tanto permite a continuidade da sociedade de classes quanto cria as possibilidades de sua transformação (2009, p. 24).
Num processo de fluxo e refluxos, o assistente social interfere no processamento da ação, seja individual ou coletivamente, incentivando a construção de novos projetos de vida e busca por alternativas de inclusão social. Como assinala Engels (1977), a vontade se move pela reflexão e pela paixão. A reflexão e a paixão têm força, ou seja, podem romper anos de apatia e de conformismo, por desejos de respeito e reconhecimento dos direitos sociais. Nesta perspectiva, o trabalho social na PHIS ultrapassa simplesmente o acompanhamento social, parafraseando Raichelis, Paz e Oliveira (2008), mas consiste no esforço contínuo de incluir os sujeitos e comunidades na política habitacional e na cidade, subentendida a necessidade de planejamento urbano global, haja vista que a política habitacional, especialmente de perfil social, não pode ser concebida dissociada da política urbana e das demais políticas públicas.
A importância do Serviço Social na PHIS está configurada pelo compromisso ético na defesa de direitos, seja em relação à moradia digna, seja pelo direito à cidade. Além do mais, o Grupo A, por conhecer a realidade dos estados e municípios específicos de sua área de abrangência, se posicionou de forma mais contundente em várias perguntas do instrumento de pesquisa, como pode ser visto a seguir:
Os assistentes sociais realizam pesquisas, diagnósticos, avaliações junto às comunidades e, após o término dos projetos, conseguem apontar elementos para aos demais setores (engenharia, arquitetura e outros setores da instituição), as demandas mais importantes das mesmas, buscando provocar possíveis mudanças na PHIS; provocam e articulam constantemente o trabalho multidisciplinar na instituição, bem como junto à rede de atendimento para que a população seja protagonista e autônoma de sua história; defendem os interesses dos beneficiários, mediante o compromisso com o Código de Ética e do Projeto Ético-político da profissão, na tentativa de transformar a realidade onde se encontram; conhecem o território aonde vivem os sujeitos demandantes de moradia e procura instrumentalizá-los na busca de alternativas; elaboram o projeto de trabalho técnico social de modo que auxilie na mobilização comunitária e na mudança efetiva de vida dos beneficiários e inclusão à cidade [...] (11 respondentes).
Além das citações supracitadas, os Grupos A e B (24 respondentes) trouxeram à tona a preocupação quanto à aproximação e construção de vínculos junto à população beneficiária, bem como o direito à moradia inclusa na cidade. Em diversos instrumentos de pesquisa, as respondentes grifaram a importância do assistente social em relação à escuta ao usuário, à mediação junto à instituição, à compreensão dos aspectos simbólicos dos moradores pretendentes de moradia. A seguir, estão descritas parte das inúmeras citações das respondentes do Grupo B:
O assistente social preocupa-se não somente com a moradia em si, mas com todo o conjunto de direitos e inclusão à cidade; o Serviço Social tem compromissos éticos previstos na lei que regulamenta a profissão que prevê a garantia de direitos; cumpre um papel de resistência visando à qualidade dos serviços prestados; conhece as comunidades e cria vínculos com as mesmas, favorecendo seu protagonismo; media às demandas entre a instituição e os beneficiários; abre canais de participação e de mobilização comunitária, com vistas à transformação social; é um canal de escuta e mediação entre a instituição e a população beneficiária; representa os interesses da comunidade junto à instituição, priorizando os mais vulneráveis; instrumentaliza a população beneficiária para que esta participe de todas as etapas do processo de mudança para a casa nova, desde a concepção dos projetos até a sua avaliação; o assistente social sabe se aproximar dos usuários e, portanto, possui o compromisso de buscar, junto com eles, possíveis mudanças e inclusão social; o assistente social, junto às equipes multidisciplinares na instituição, faz constantemente observações quanto à inclusão à cidade e não somente à moradia; há maior conhecimento e compreensão dos assistentes sociais em relação ao território, às manifestações e aspectos simbólicos dos moradores; o assistente social, utilizando-se do Código de Ética e do Projeto Ético Político da profissão norteia sua ação na defesa de direitos, especialmente o direito à cidade que inclui outros direitos e todos os moradores, independentemente de idade, sexo ou classe social (13 respondentes).
Para não perder de vista o objetivo principal que é a transformação da sociedade, a matriz inspiradora centra-se no Projeto Ético-político e no Código de Ética da profissão, os quais se tornaram referência para a ação dos assistentes sociais, conforme as manifestações das 24 respondentes dos Grupos A e B. Torna-se imprescindível examinar crítica e constantemente o sentido conferido ao exercício profissional em seu cotidiano e as tendências e desdobramentos dos projetos e soluções propostos na intervenção. O Código de Ética (Lei
n.º 8.662/1993) – com seus princípios universais de reconhecimento da liberdade, da autonomia e emancipação, da defesa intransigente dos direitos humanos, da ampliação e consolidação da democracia e da cidadania, da gestão democrática, da defesa da equidade e justiça social, que assegure o acesso aos bens e serviços públicos de todos os cidadãos – inspira e instrumentaliza os assistentes sociais nos aspectos éticos, políticos, metodológicos e nos procedimentos técnicos e operativos do fazer profissional, pois direciona as ações.
O texto legal do Código de Ética e o Projeto Ético-político da profissão expressam um conjunto de conhecimentos e competências, a partir dos quais elucida respostas às demandas sociais. A incorporação dos princípios éticos e profissionais pela categoria “comprova o potencial renovador da profissão na afirmação dos direitos sociais dos cidadãos”, na atenção e no respeito às suas necessidades, interesses e na vontade de respeito e inserção social (IAMAMOTO, 2009, p. 21). O Código de Ética da profissão equipara-se ao direito à cidade, pois permite uma visão amplificada e universal dos direitos de todos os cidadãos.
Segundo as 24 respondentes do estudo, a partir do Código de Ética e do Projeto Ético-político da profissão, a observação sobre o conjunto da cidade tornou-se mais apurada, saltando aos olhos uma série de situações que contrariam o direito à cidade e o exercício da cidadania, não somente a exclusão socioespacial que marca negativamente o processo de conquista de direitos, bem como não se restringe à PHIS, mas amplia o olhar para os aspectos simples que marcam o cotidiano dos citadinos, isto é, desde a falta de rampas para os cadeirantes nos espaços públicos, a supervalorização das vias para os automóveis particulares, desconsiderando o transporte público e os pedestres, as más condições das calçadas que dificultam a mobilidade das pessoas e até o tempo curto dos semáforos que impede os traslados seguros dos idosos e de pessoas com dificuldade de locomoção, conforme o livro “Morte e Vida de Grandes Cidades” (JACOBS, 2009). No pensamento de Marx (2004, p. 142), “o olho tornou-se um olho humano, no momento em que seu objeto se transformou em objeto humano, social, criado pelo homem para o homem [...]”.
A dimensão política e ética do Serviço Social brasileiro está representada no Projeto Ético-político e no Código de Ética e esta é a razão da menção reiterada das respondentes do estudo, pois estes estão vinculados a um projeto de transformação da sociedade. O rumo ético-político do projeto profissional, segundo Iamamoto:
[...] estimula a cultura democrática, o apreço à coisa pública, atentando à dimensão cultural do trabalho cotidiano do assistente social, contrapondo-se à difusão dos valores liberais que geram desesperança e encobrem a apreensão da dimensão
coletiva das situações sociais presentes na vida dos indivíduos e grupos das diferentes classes sociais, embora não eliminem sua existência objetiva (2009, p. 53).
Teixeira e Braz defendem, na mesma linha de Iamamoto, a dimensão política do projeto profissional:
O projeto, e logo, toda prática, numa sociedade classista, têm uma dimensão política, [...]. Ou seja, se desenvolvem em meio às contradições econômicas e políticas engendradas na dinâmica das classes sociais antagônicas. Na sociedade em que vivemos (a do modo de produção capitalista), elas são a burguesia e o proletariado. O projeto profissional (e a prática profissional) é também, projeto político: ou projeto político-profissional. Detém, como dissera Iamamoto (1992) ao tratar da prática profissional, uma dimensão política, definida pela inserção sociotécnica do Serviço Social entre os distintos e contraditórios interesses de classe (2009, p. 188)
Ao atuar no movimento contraditório das classes, a categoria imprime uma direção social às ações que favorece um projeto societário que defende os interesses da classe trabalhadora. Nas diversas ações do assistente social, desde as mais simples às intervenções mais complexas, está embutida determinada direção social, entrelaçada por uma valoração ética. Para Barroco:
[...] a ética é uma parte, um momento da práxis humana em seu conjunto (LUKÁCS, 2007, p. 72). Como tal, a ética dirige-se à transformação dos homens entre si, de seus valores, exigindo posicionamentos, escolhas, motivações que envolvem e mobilizam a consciência, as formas de sociabilidade, a capacidade teológica dos indivíduos, objetivando a liberdade, a universalidade e a emancipação do gênero humano (2009, p. 170).
Os princípios éticos pressupõem uma verdadeira escuta à cidade, ou seja, o assistente social possui o compromisso com a defesa intransigente dos direitos humanos e com a qualidade dos serviços dirigidos a todos os citadinos, de forma ampla e não restrita a determinados segmentos. Escutar a cidade significa compreender e lutar para que os cidadãos usufruam de seus serviços e benefícios, os quais foram socialmente construídos pelo trabalho de todos, e, portanto, pertencente a todos. Importa é desmistificar a ideia prevalente de “consumir a cidade como uma mercadoria tão efêmera quanto às mercadorias que circulam através dela” (CARDOSO, 2008, p. 50).
As respondentes dos Grupos A e B trouxeram a relação entre o direito à moradia e à cidade sob o crivo do Projeto Ético-político e do Código de Ética da profissão. Tal afirmação pode ser constatada conforme segue:
PHIS é a concretização do direito à moradia, conforme está preconizado na Constituição Federal; trata-se de assegurar o acesso ao direito à população de baixa renda, entendendo por habitação ao conjunto de ações urbanísticas, sociais e
ambientais que integram à cidade ao ato de morar. O Serviço Social deve conceber a PHIS a partir do Projeto Ético-político da profissão e do Código de Ética, isto é, de forma crítica, dialética, sob o compromisso da defesa de direitos, incluindo a moradia digna inclusa à cidade, com acessibilidade para todos os cidadãos, e não de forma positivista/funcionalista como nos modelos tradicionais de concepção da PHIS até o início dos anos 1980. Também a PHIS deverá ser submetida ao controle social como as demais políticas públicas (18 respondentes).
Na opinião de 18 respondentes a cidade deve ser projetada enquanto parte do processo interventivo, de forma que não sobressaia uma política pública sobre a outra, possibilitando uma real inserção da população que sofre a exclusão, tanto no que tange ao acesso à moradia digna quanto aos demais recursos existentes. A visão ampliada do direito à moradia, de acordo com as novas definições da Agenda Habitat II, mostra que a categoria profissional aderiu aos novos conceitos, porque segundo Saule Júnior:
O direito à moradia é derivado do direito a um nível de vida adequado, que se configura com sua indivisibilidade, interdependência e inter-relacionamento como direito humano, com o direito à liberdade de escolha da residência, o direito de liberdade de associação a qualquer associação de bairro, com o direito à segurança (em casos de despejos e remoções forçadas ou arbitrárias, ilegais), o direito à privacidade da família, casa e correspondência, com o direito à higiene ambiental e o direito de desfrutar o mais elevado nível de saúde física e mental (1999, p. 77).
Movidos pelo compromisso ético e político da profissão, o Grupo A fez a seguinte menção: “[...] os conceitos referentes à moradia, à cidade e ao território vêm sendo ampliados, o que ajuda o profissional a compreender a relação existente entre os mesmos e apontar melhorias no atendimento dos beneficiários da PHIS [...]” (11 respondentes). Da mesma forma o Grupo B apontou:
[...] permanente resistência dos assistentes sociais no sentido de garantir direitos, não somente em relação à moradia, mas também à cidade. O assistente social preocupa- se não somente se o sujeito mora em algum lugar, mas também como mora e de que forma se relaciona com o seu entorno e seu processo de inserção nos diferentes campos sociais. O Serviço Social possui uma visão ampla e universal dos direitos [...] (13 respondentes).
Nos espaços ocupacionais pesquisados, as profissionais lutam com vistas a fortalecer os processos de resistência da população no enfrentamento das desigualdades. Para isso, segundo as 24 respondentes do estudo: conhece a realidade da população demandante de moradia, faz pesquisas e levantamentos, media, escuta, abre canais de participação, representa, identifica, articula, instrumentaliza e tantas outras formas de defesa dos sujeitos. O acesso à moradia e à cidade representa um direito essencial no processo de conquista da cidadania e, portanto, representa um elemento básico que habilita as pessoas e os grupos
sociais a fazerem outras escolhas e desenvolverem novas capacidades reflexivas e de inclusão social.
Na verdade, a cidade se constitui em um verdadeiro lócus interventivo para o Serviço Social, pois as expressões da questão social se manifestam especialmente nos territórios urbanos, mesmo porque o maior percentual da população brasileira (84,35%) encontra-se nas cidades. Logicamente, não se pode confundir a cidade com um mega objeto do Serviço Social, mas sim, “é o reconhecimento da especificidade dos conflitos urbanos, articulados à desigual apropriação de bens socialmente produzidos”. Conhecer a própria cidade “por dentro”, como dizem Ribeiro e Santos Junior (2007, p. 41), é compreender, além do território geográfico, os problemas de ordem física, organizacional, política e os conflitos que se travam entre os atores sociais que atuam em determinado espaço.
As diretrizes do trabalho social estabelecidas pelo Ministério das Cidades demarcam a lógica das ações no espaço o qual está sob intervenção pública:
a) A cidadania, a defesa dos direitos sociais, em particular o direito à moradia digna; b) A participação e organização da população em movimentos sociais e outras formas associativas; c) O território entendido como espaço de relações sociais e de disputas; d) O respeito às diferenças e diversidades; e) A capacitação daqueles que vivem em territórios de intervenção (MINISTÉRIO DAS CIDADES, 2010, p. 71).
A partir desse conjunto de prerrogativas, o assistente social que trabalha na PHIS preocupa-se não somente se o sujeito mora em algum lugar, mas como mora utilizando de expressões dos Grupos A e B (20 respondentes), pois o fato de viver em territórios estigmatizados lhe imputa um pré-julgamento de favelado, significando “perigoso ou vagabundo” ou não pertencente à cidade. Tal estigma é reforçado no cotidiano do processo de apropriação do espaço, que revela desde o preenchimento de uma ficha de emprego até a compra de um eletrodoméstico, simplesmente porque o lugar que ocupa não faz parte do mapa oficial dos órgãos públicos e, na argumentação de Santos (1998, p. 20), “é a partir do território que o homem pensa e vê o mundo”.
Sabe-se que o descaso do poder público, o avanço do capitalismo hegemônico e os baixos salários são os principais fatores da favelização no espaço urbano brasileiro.
A escassez da moradia é percebida como manifestação da desigualdade implantada pelo capitalismo enquanto sistema de produção. É um fenômeno que cresce paralelamente ao exército industrial de reserva, sendo ambos benéficos para o processo de acumulação, na medida em que o capitalismo cria como condição necessária a sua expansão, a existência de uma classe que não tenha outra coisa para vender a não ser sua força de trabalho (SILVA, 1989, p. 31).
Sem renda não é possível comprar um terreno ou um imóvel, mesmo porque é uma das mercadorias mais caras no sistema capitalista e continua em franco aumento, pois nas grandes cidades um imóvel bem localizado no espaço urbano triplica de valor a cada dez anos118; da mesma forma ocorre com os aluguéis. Mesmo que a economia do país e a renda dos brasileiros estejam estáveis, segundo alguns economistas, o valor dos imóveis continua num processo progressivo de aumento, impedindo o acesso da população de baixa renda.
Basta verificar as fotos a seguir, as quais representam a moradia de uma grande parcela da população. Mesmo sendo construções de alvenaria não significam moradias dignas e inclusas à cidade.
Figura 4 - Fotos da Favela da Rocinha, RJ
Fonte: Rio +20 (exposição, 2012).
Por meio dos registros fotográficos, pode-se observar alguns aspectos: o adensamento das construções, as escadas estreitas e mal construídas que não permitem o acesso à própria casa, especialmente pelos idosos, gestantes, crianças ou pessoas com mobilidade reduzida. O direito de receber na porta de casa um eletrodoméstico de grande porte ou mesmo um botijão de gás é descartado nestas condições, sem contar o perigo de incêndios em vista das ligações elétricas clandestinas e da sobrecarga na fiação. A ventilação e iluminação estão comprometidas, descaracterizando os princípios da habitabilidade, o que muitas vezes, prejudica a saúde de seus moradores.
118
Um imóvel bem localizado no espaço urbano que valia R$ 100.000,00 em 2000, em 2010 passou a valer R$ 350.000,00, segundo dados fornecidos pelo SINDUSCON Porto Alegre (2010). É uma média nas capitais do país. Quanto aos municípios do interior, o aumento foi menor, mesmo assim dobrou de valor no período de 10 anos.
Grande parte dessas moradias é construída sem orientação técnica119 tornando-se fonte de preocupação para as instituições públicas do Brasil, pois se traduzem em risco de morte para as famílias moradoras dessas ocupações, haja vista as 982120 pessoas que morreram por deslizamentos e soterramentos, somente no Estado do Rio de Janeiro no período entre 2011 e 2012.
Mediante tal situação, pode-se perguntar: de que modo resolver o crescimento das favelas nas grandes cidades, da violência urbana, da falta de serviços públicos, da falta de oportunidades para a população pobre que mora nas metrópoles que se pode caracterizar como a “metropolização da questão social?” (RIBEIRO; SANTOS JÚNIOR, 2007, p. 11). De que maneira tornar visível a população favelizada ao planejamento urbano e à legislação? Não se pode deixar de ressaltar que as periferias e as favelas do país, há décadas, estão sendo objeto de microinvestimentos em infraestrutura ou em outros de serviços, que, diante da ambiguidade de inserção legal desses assentamentos irregulares à cidade, são expressões condescendentes, reiteradas como favores a serem recompensados por lealdades políticas (ROLNIK, 2006).
Os pobres urbanos, conforme Devis (2006, p. 39), “[...] precisam resolver uma equação complexa ao tentar otimizar o custo da habitação, a garantia da posse, a qualidade do