6. Yöntem
2.4. İnsanın Yaratılışı ve Yaratma Kavramları
2.4.3. İnsanın Aslı
Nesse percurso, partiremos das relações estabelecidas no cotidiano próximo do aluno para alcançar as relações mais globais. Ainda teremos como pano fundo a questão da escassez futura da água. A problematização inicial desse percurso surge com a questão sobre o consumo individual de água e é encerrada com o assunto poluição das águas. O
intuito com essa proposta é inserir os alunos num ciclo complexificado a partir de uma unidade local e próxima, que os remete às questões mais amplas, ou seja, transformar um problema ambiental local em global.
Esse percurso foi trabalhado em oficinas realizadas no Simpósio Nacional do Ensino de Física (SNEF) e na Faculdade Integrada de Guarulhos (FIG)15. Na proposta apresentada nessa dissertação alguns ajustes foram realizados visando adequá-la a sala de aula, onde o tempo didático é maior. Também foram incorporados novos procedimentos que podem levar o problema a realidade do aluno como uma atividade de pesquisa de consumo a partir de, por exemplo, a conta de água de cada aluno ou equipe de trabalho.
Nas oficinas, foi possível perceber que a principal questão que norteia os alunos referia-se à economia de água em suas residências. Muitas ações foram apresentadas, no entanto, poucos utilizavam argumentos fundamentados para explicar suas atitudes. Para eles, é preciso economizar água porque há falta de água e em alguns locais rodízios de água (em São Paulo), indicando que ela está perto do fim. Por outro lado, quando a questão sobre o ciclo é introduzida (Se há um ciclo, é possível que a água acabe?), a reflexão e discussão tornaram-se mais consistentes, já que os alunos perceberam que a questão da falta de água não é um problema simples que pode ser respondido diretamente. Também foi possível estabelecer uma discussão a respeito dos interesses envolvidos. No entanto, não se trata aqui de descrever e analisar as experiências concretas, mas reconhecer que foi ponto de partida para essa discussão.
A nosso ver, as oficinas foram essenciais para mostrar os interesses e anseios dos futuros professores, além de trazer à tona algumas questões ou dificuldades conceituas que se estabelecem como entraves para a realização de uma proposta temática mais abrangente.
Nessa proposta, do ponto de vista dos conteúdos físicos, os conceitos centrais são: vazão e equilíbrio dinâmico. Esses conceitos são essenciais para, por exemplo, o cálculo do consumo residencial, assim como para as estimativas de fluxos de água nos sistemas hídricos da comunidade próxima. Com esses dados os alunos podem chegar ao consumo regional, nacional e até mundial (com as devidas restrições). Mas para compreender a vazão, outros conceitos são importantes como o de densidade, pressão, entre outros. Note
15 Ver anexo 3.
que nessa perspectiva é possível discutir a vazão nas torneiras (de uma residência, por exemplo) considerando as diferentes pressões as quais elas estão submetidas.
O esquema a seguir (Figura 5.7) mostra os principais assuntos que podem ser abordados nesse percurso e os conceitos a eles relacionados (organização conceitual). Além disso, são apresentadas algumas questões norteadoras. Esse percurso é realizado a partir de conceitos relacionados à Hidrostática e Hidrodinâmica.
Figura 5.7 – Percurso 3: aspectos ambientais locais
ÁGUA
aspectos locais
Poluição (intervenção humana)
Consumo
(doméstico, agrícola e industrial)
Vazão Equação de Bernoulli
Fluido incompressível (ex.: ar) ∆P proporcional a ρ ∆P dinâmico (fluidos em movimento) ρ ρ ρ ρ (densidade) Questões
1. A água vai realmente acabar? Essa
questão inicial permeará toda a seqüência didática ou percurso.
2. Quanta água é consumida em um dia por uma pessoa? E por uma família durante um mês? A partir das idéias dos alunos,
levantar o consumo individual de água; Cálculo de vazão envolvido nas tarefas domésticas.
3. Qual o consumo de água nas indústrias e na agricultura? São apresentados dados
para que os alunos possam avaliar e discutir o consumo nesses âmbitos.
1. Para onde vai a água utilizada? Qual a capacidade da natureza de filtrar a água poluída? Quais os possíveis tratamentos para purificação da água? Nessa etapa, o
intuito é discutir algumas características e dinâmica do ciclo da água para que os alunos possam levantar os principais aspectos envolvidos na questão da poluição da água, especialmente urbana.
2. Quais as principais medidas para minimizar o efeito da poluição das águas? Qual a importância do saneamento básico? Aqui estão envolvidas questões
relacionadas às ações políticas. Nesse caso, as idéias dos alunos e reportagens vinculadas na mídia são boas opções.
∆P
(variação de pressão) ∆P estático Fluido compressível (ex.: água) ρ: constante ∆P= ρ.g.h(O conceito de vazão é associado também à variação de pressão dinâmica, em fluidos em movimento, contrapondo-se ao conceito de pressão da hidrostática)
Tal como nos outros percursos, o professor pode iniciar a seqüência com a questão sobre a escassez de água. Essa questão serve, pelo menos nesse momento, para instigar ou provocar os alunos. Em seguida, a proposta é colocar os alunos diante ou próximos do problema, por isso eles são convidados a pensar como resolvê-lo, começando por estimar o volume de água que cada um consome durante um dia. Isto inclui desde o copo de água até a lavagem da roupa. Na etapa seguinte, o intuito é fazer algumas medições para definir o consumo. Três possibilidades de trabalho são viáveis para calcular o volume de água utilizado: (1) vazão a partir da torneira, chuveiro, vaso sanitário, entre outros; (2) vazão a partir da conta de água e (3) vazão a partir do hidrômetro. Fica à encargo do professor escolher uma dessas opções. Talvez a primeira, seja interessante, já que com ela é possível trabalhar estimativas e erros nas medidas. Além disso, o aluno participa ativamente na obtenção dos dados16.
Ao realizar as medições os alunos podem confrontar os dados reais com aqueles previstos inicialmente. Quando os dados são confrontados é possível estimar com certa precisão o consumo individual e familiar.
Na discussão seguinte, convém apresentar dados sobre o consumo doméstico, industrial e agrícola, incluindo uma comparação do consumo residencial nos paises em desenvolvimento e desenvolvido17. Um exemplo dessa possibilidade de trabalhado são os dados apresentados na Figura 5-8, que pode propiciar também espaço para a discussão sobre análise de tabelas e gráficos. A nosso ver, as análises e argumentações a partir de informações e dados reais são elementos importantes, pois contribuem para uma discussão mais critica. Por exemplo, o consumo na área agrícola é elevado se comparados com os outros consumos (residencial e industrial) ou o consumo residencial em países desenvolvidos é cerca de cinco vezes o consumo em paises em desenvolvimento. Nesse momento, aparecem questões do tipo: Se estamos exportando tanto grãos, logo estamos exportando água! As campanhas para conter e diminuir o consumo de água residencial não terá efeito se não houver conscientização na área agrícola.
16 Ver alguns aspectos de nossa proposta no Anexo 3. 17
Figura 5.8: Evolução global do uso da água.
Fonte: http://www.unep.org/vitalwater/ Por fim, o tema escolhido para fechar essa seqüência refere-se à questão das poluições das águas. Isso dá a liberdade para que o professor discuta, a partir das concepções dos alunos, os problemas da comunidade. Note que as ações comunitárias, individuais e as políticas públicas norteiam a discussão. Outro aspecto interessante a ser tratado aqui se refere à saúde pública, pois a questão de saneamento básico ainda é um problema em quase todas as comunidades.
Nesse percurso, outros conceitos podem ser tratados. Por exemplo, o caminho da água no interior de uma residência inclui aspectos dinâmicos, já que ela está em movimento que por sua vez está submetido a diferentes pressões. Outro aspecto a ser tratado refere à altura/ disposição de uma caixa da água que abastece uma cidade.
Podemos dizer que esse percurso privilegia aspectos que também podem ser significativos se consideradas as questões da Alfabetização Científica, já que nesta perspectiva é mais relevante partir do consumo de água residencial, da conta de água e dos percursos da água na vida cotidiana.
Em síntese, os percursos apresentados neste capítulo mostram algumas possibilidades de trabalho a partir de temas ambientais. Na nossa perspectiva, essas possibilidades são pautadas em assuntos que estão dispostos na organização temática e nos conceitos presentes no currículo tradicional de Física, sistematizados na organização conceitual. Para produzir as duas abordagens é necessário que o professor tenha clareza sobre os assuntos de interesse da comunidade e dos alunos e sobre os conceitos que explicam tais assuntos.
Quanto ao percurso que será realizado a partir das organizações temática e conceitual, é necessário que o professor leve em consideração as limitações e tempo de aprendizagem dos alunos, a visão de mundo que permeia a sociedade ou apenas a sua comunidade e os interesses e idéias dos alunos sobre o tema que será tratado. Essas considerações conferem maior participação e interesse dos alunos. Acreditamos que considerados esses aspectos, é possível articular o ensino de Física à formação de cidadãos conscientes e críticos e, por outro lado, mais aptos a compreender a ciência como algo em construção e passível de erros.
Ainda que essa proposta tenha aspectos positivos para formação de cidadãos mais críticos e conscientes, ela pode conduzir para uma aula de exposição de fatos e informações, sem embasamento científico. Isso ocorre porque temas ambientais aparecem banalizados com certa freqüência nas manchetes de jornais, revistas, entre outros. Nesse caso, cabe ao professor limitar discussões dessa natureza e trazer à tona questões cientificas que possam dar aos alunos uma visão mais sistematizada e verdadeira da real condição do planeta no que rege às questões ambientais.
Não acreditamos que esse tipo de proposta seja a única solução para diversificar e tornar mais atraente as aulas de Física e nem acreditamos que todas as aulas devem ser pautadas nesse tipo de trabalho. No entanto, essa é mais uma opção para o professor que deseja incorporar questões ambientais em suas aulas sem desvinculá-las do currículo de Física estabelecido ao longo dos anos.