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İmar Yaptırımları

Belgede İdarenin Re'sen İcra Yetkisi (sayfa 181-189)

D. İDARİ YAPTIRIM KARARLARININ RE’SEN İCRASI

1. İmar Yaptırımları

O Texto 2 pode favorecer um trabalho com diversas temáticas como diversidade, cultura, construção identitária e pertencimento étnico-racial dos indivíduos. Essas temáticas podem propiciar um trabalho transversal e interdisciplinar, por fornecerem informações sobre as problemáticas sociais, culturais e étnicas, envolvendo o preconceito e a discriminação, e por poderem ser discutidas por várias disciplinas. Nesse sentido, os PCN/Pluralidade Cultural, Orientação Sexual (1997) defendem que:

[...] embora não caiba à educação, isoladamente, resolver o problema da discriminação em suas mais perversas manifestações, cabe-lhe atuar para promover processos, conhecimentos e atitudes que cooperem na transformação da situação atual (BRASIL, 1997, p. 22).

Assim como os PCN (1997), as OCEM (2006) também defendem a inclusão da discussão das temáticas apresentadas nesse texto no ensino de LE para o Ensino Médio:

As ideias arroladas apontam para a recuperação do papel crucial que o conhecimento de uma língua estrangeira [...] pode ter nesse nível de ensino: levar o estudante a ver-se e constituir-se como sujeito a partir do contato e da exposição ao outro, à diferença, ao reconhecimento da diversidade (BRASIL, 2006, p. 133).

Dessa forma, estudar as questões raciais nas aulas de LE no Ensino Médio brasileiro pode levar o aluno a compreender que as diferenças, sejam elas raciais ou culturais, podem reverter “para a compreensão da complexidade social em que vivem os cidadãos, sendo a questão da diversidade um dos componentes dessa complexidade” (BRASIL, 2006, p. 94). Segundo o documento, reconhecer essa diversidade é uma forma de compreender que a realidade é conflituosa, que a noção de unicidade deve ser reinterpretada e que as formas estereotipadas e idealizadas, nas quais essa diversidade se apresenta, devem ser um caminho em busca de uma compreensão ideológica, histórica e socialmente gerada.

Nessa mesma direção, Gomes (2010) defende que incluir as questões raciais no currículo escolar justifica-se pelo fato de o Brasil destacar-se como “uma das maiores sociedades multirraciais do mundo” (GOMES, op. cit., p.1). Outra justificativa apontada pela autora é a demanda decorrente de movimentos sociais (como o Movimento Negro e outros movimentos sociais de luta anti-racista) a favor da construção da igualdade social entre os coletivos diversos, por meio da inclusão dos debates acerca da diversidade étnico-racial, do direito à educação, do reconhecimento e do respeito às diferenças.

O aspecto legal configura-se também como uma justificativa apontada por Gomes (2010) para abordar as questões raciais na educação nacional, de forma mais ampla e inclusiva. A Lei nº10.639/0351, por exemplo, que altera a Lei nº 9.394/96 – Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, requalifica o direito à educação, incluindo nele, o direito à diferença e, com ele, o respeito e a igualdade social e de oportunidades. Embora a inclusão desse direito seja um avanço nas práticas educacionais, “a sua efetivação dependerá da necessária mobilização da sociedade civil a fim de que o direito à diversidade étnico-racial seja garantido nas escolas, nos currículos, nos projetos político-pedagógicos, na formação de professores, nas políticas educacionais, etc.” (GOMES, op. cit., p.8). A autora complementa que a efetivação do direito à diferença e a inclusão das relações étnico-raciais na educação também dependerão da superação do mito da democracia racial, da naturalização das desigualdades raciais, dentre outros.

51 A Lei nº 10.639/03 prevê a “obrigatoriedade do ensino de Historia da África e das culturas afro-brasileiras nas escolas públicas e particulares do ensino fundamental e médio” (GOMES, 2010, p. 5)

O estudo das questões raciais também é enfatizado por Kubota (2004), defensora de um multiculturalismo crítico que examina a opressão e a discriminação sofridas por certos grupos raciais, tanto em instituições específicas como na sociedade como um todo. Além disso, o multiculturalismo crítico explora a razão das desigualdades raciais e discute como elas podem ser produzidas, legitimadas e eliminadas. Segundo a autora, o multiculturalismo crítico procura desnaturalizar as diferenças e buscar uma transformação social por meio da justiça e da igualdade entre as pessoas ao “reconhecer as desigualdades sociais e econômicas existentes e examinar criticamente como as desigualdades e injustiças são produzidas e perpetuadas em relação ao poder e ao privilégio”52 (KUBOTA, op. cit., p. 37, tradução nossa).

Além do debate acerca da diversidade e das questões raciais, a temática do Texto 2 permite-nos discutir, também, a formação da identidade e das visões estereotipadas que formamos de nós mesmos e dos outros. Essas discussões podem ser essenciais para os alunos do Ensino Médio que, em geral, são jovens em busca da afirmação de uma identidade. Essa busca, muitas vezes, é formada por interpretações contextuais e individuais, “ou seja, a forma como nos entendemos é, em grande parte, informada por onde nos encontramos, com quem e em que práticas estamos engajados”53 (STEVENS; BEAN, 2007, p. 25, tradução nossa).

Os temas passíveis de discussão, decorrentes do texto, podem ter, portanto, o potencial de preparar os alunos para lidar com a diversidade e, ao mesmo, tempo, contribuir para conscientizá-los dos conflitos que permeiam a sociedade. Eles podem ainda servir de pretexto para a discussão de outras formas de preconceito racial, além daquela narrada no texto, e permitir que os alunos relatem algum preconceito que possam ter sofrido em suas vidas e de se reconhecer (ou não) no texto, além de colaborar com a formação de suas identidades.

Acreditamos que discutir a diversidade de raças e de culturas e a formação da identidade, como propõe o Texto 2, possa favorecer uma educação voltada para o desenvolvimento da cidadania e do LC, uma vez que “implica a capacidade de convivência com a cultura do outro” (SILVA; BRANDIM, 2008, p. 60), além de requerer um respeito a essa diversidade e uma possível superação de discriminações e preconceitos. Elas permitem ainda abordar as “questões de democracia, liberdade, igualdade e justiça social”54

52 No original: “It recognizes that social and economic inequality does exist and it critically examines how inequality and injustice are produced and perpetuated in relation to power and privilege”.

53 No original: “That is, how we understand ourselves is, in large part, informed by where we find ourselves, with whom, and engaged in what practices”.

(STEVENS; BEAN, 2007, p. 26, tradução nossa) associadas à questão do racismo. Ademais, elas podem aguçar a percepção dos alunos em relação à formação da identidade dos sujeitos sociais. Sendo assim, o tema do Texto 2 parece-nos adequado para a realização de um trabalho na perspectiva do letramento crítico.

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