D. İDARİ YAPTIRIM KARARLARININ RE’SEN İCRASI
2. Disiplin Yaptırımları
A temática do Texto 3 é introduzida logo no seu início: “O escândalo global da violência contra as crianças é uma história de horror muitas vezes não contada”61, (COLEÇÃO X, p. 144, tradução nossa) nas linhas 1-2. Ao longo do texto, são apresentados os vários tipos de violência sofrida pelas crianças como a abuso, a violência sexual, a negligência, o assédio, a discriminação, a intimidação, a exploração, o sequestro, os maus tratos e a tortura. Além disso, o texto responsabiliza, por essa violência, aqueles que deveriam ser os responsáveis pela segurança e bem-estar das crianças, a saber: a polícia, ao interrogar e torturar as crianças e mantê-las presas, muitas vezes, junto a adultos ou colocadas em instituições corretivas (linhas 8-14); o Estado que, por muitas vezes, não dá assistência adequada às crianças que vivem em orfanatos ou outro tipo de instituição (linhas 27-29); e a escola, por meio da intolerância de certos professores e colegas que abusam, discriminam e assediam as crianças, seja por questões étnicas, de gênero, de orientação sexual, de religião seja de classe social (linhas 30-36). O texto aponta, ainda, que o silêncio e a inércia, em relação à violência contra a criança, permitem a continuidade dessa violência contra elas, uma vez que são poucos os mecanismos para que as vítimas reportem a violência sofrida, sendo que aquelas vítimas que são ainda mais vulneráveis silenciam-se por temer algum tipo de represália (linhas 37-45).
58 Human Rights Watch é uma ONG que já atua há 30 anos e dedica-se a defender os direitos humanos em todo o mundo.
59 No original “read about children’s rights” 60 www.hrw.org.
Se por um lado o texto apresenta algumas situações desfavoráveis contra as crianças, por outro, ele informa o leitor sobre formas de enfrentamento da violência contra a criança, como no caso da Convenção de Direitos das Crianças, adotada pelas Nações Unidas, que obriga os governos a protegerem as crianças de toda e qualquer forma de violência. Como consequência dessa convenção, alguns países começaram a rever suas legislações, sendo que o próximo passo seria tratar a violência como um fenômeno de responsabilidade internacional (linhas 46-55).
Percebe-se que o texto discute aspectos importantes relacionados à violência contra a criança. No entanto, outros aspectos, também importantes, deixam de ser discutidos como, por exemplo, saber quem se beneficia da exploração do trabalho infantil, em escala global, uma vez que o texto limita-se a mencionar o fato de as crianças serem forçadas a trabalhar sobre condições de dificuldades extremas (linhas, 20-21). As consequências da violência infantil também deixam de ser tratadas. Nesse sentido, as informações constantes no site da Organização Mundial de Saúde/OMS62 (2010) apontam que crianças vítimas de violência podem sofrer de problemas de saúde tais como depressão, dependência e abuso de drogas, suicídio e transtornos psicológicos como pânico e estresse. O resultado dessa violência pode ter reflexos na vida adulta da criança violentada, podendo torná-la um adulto reprodutor de atos de violência.
Dados da UNICEF (2006), por sua vez, complementam que a violência física, emocional e/ou psicológica contra a criança pode resultar em riscos futuros como tabagismo, abuso de álcool e drogas, obesidade e problemas cardiovasculares. No contexto brasileiro, poderíamos citar os dados dos estudos de Faleiros e Faleiros (2008) sobre a situação da exploração do turismo sexual com crianças e adolescentes. Segundo os autores, no Brasil, o turismo sexual predomina no litoral do Nordeste brasileiro e ainda não foi erradicado, apesar dos esforços63 contrários a essa prática. Os autores afirmam que:
Crianças e adolescentes que trabalham no turismo sexual em geral são pouco escolarizadas e vivenciaram situações de abandono, negligência, violência sexual, pobreza e exclusão. Mais do que em outras modalidades de exploração sexual, o turismo sexual é a atividade que mais responde, e de forma imediata, às demandas da juventude pobre e excluída por uma
62 A OMS é a agência especializada em saúde do sistema das Nações Unidas.
63 Na década de 1990, houve uma grande mobilização governamental e não governamental visando ao enfrentamento dessa problemática por meio de ações em rede, algumas delas mantidas até hoje. Participam dessa rede a Secretaria Especial de Direitos Humanos, a EMBRATUR, o Ministério de Relações Exteriores, companhias aéreas, órgãos da Segurança Pública, o Comitê Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual Contra Crianças e Adolescentes e organismos internacionais, entre outros.
inclusão social associada ao consumo (acesso a boates, bares, hotéis, restaurantes, shoppings, butiques) (FALEIROS E FALEIROS, 2008, p. 45). O texto deixa de explorar, ainda, a questão do ‘desaparecimento’ da infância. Diante de tanta violência, da pobreza extrema e do trabalho infantil “o reino encantado da infância teria chegado ao fim” (BRASIL, 2007, p. 15) por não assegurar às crianças o direito de viver a infância e a adolescência. Segundo o referido documento, as crianças são cidadãs e, por isso, detentoras de direitos. Esses direitos, embora também não tenham sido discutidos no texto, podem contribuir para ampliar a discussão em torno da temática tratada.
Em relação às imagens que acompanham o texto (FIG. 20), elas retratam crianças que, provavelmente, estão em situação de risco social. Em uma delas, podemos inferir que se trata de três irmãos em frente a uma barraca de lona. Enquanto uma criança prepara algum tipo de comida, a outra cuida do irmão menor. A outra imagem apresenta bebês dentro de berços, possivelmente, em um berçário, abrigo, creche ou enfermaria. Como as imagens não são acompanhadas de nenhum crédito ou legenda, não se sabe que países ou culturas essas crianças representam.
FIGURA 20 - Ilustração do texto Human Rights Watch Fonte: Coleção X, 2º ano, cap. 11, p. 144.
Embora tais imagens possam nos levar a inferir que as crianças retratadas estejam em situação precária e de pobreza, não há como saber se essas crianças são vitimizadas por alguma violência simbólica e, caso sejam, não há com saber ainda quais os tipos de violência vitimizam essas crianças, tampouco quem, local ou globalmente, pode ser responsabilizado pelo abandono aparente. Diante dessas constatações, concluímos que as imagens contribuem parcialmente para a compreensão do texto e para as finalidades para as quais foram utilizadas.