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TABLO LİSTESİ

BÖLÜM 1: YERLEŞİM MERKEZLERİ

2.1. Mimari Tipleri

2.1.2. Dinî Mimari

2.1.2.1.2. İbrahim Paşa Camii

Quando falo a respeito de uma cadeira, refiro-me à cadeira de minha vida quotidiana e não a um fenômeno subjetivo.

KÖHLER

“Mas por onde começar? Qual é o nosso ponto de partida?” Essas questões colocadas por Koffka, logo no início do segundo capítulo da sua obra Princípios da Psicologia da Gestalt, mostram o tipo de tarefa fundamental que se impõe a uma Psicologia que recusa as soluções antitéticas clássicas. No entendimento dos pensadores da psicologia da Gestalt, para fugir aos embaraços teóricos do introspectivismo e do behaviorismo é fundamental, antes de tudo, realizar um trabalho de base, determinar exatamente sobre o que a Psicologia deve se debruçar. Dito desse modo isso só pode significar que estamos diante de um trabalho de ontologia. Nesse sentido, a tarefa primeira é, necessariamente, de natureza filosófica. A questão - “Mas por onde começar?” – converte-se, de imediato no seguinte problema: sobre o que devemos falar? A primeira lição da Gestalt, a mais significativa - os textos de Köhler e Koffka nos remetem a isso - afirma que tudo deve ser iniciado em um momento – tempo - e em um mundo – espaço - anterior àquele já fixado, recortado e devidamente explorado pela ciência. Para Gestalttheorie, em linhas gerais, trata-se de buscar o instante primeiro e o espaço original dados na experiência direta e no meio comportamental. Na interpretação de Köhler, devemos começar por admitir o caráter original e fundante da experiência direta, sem, contudo esquecermos o quanto é desafiadora a tarefa de conferir, a essa mesma experiência, um estatuto

objetivo. Algo de que não devemos descuidar, a objetividade é uma exigência, um fator necessário a ser atingido se quisermos fazer da Psicologia uma ciência, nos lembra Koffka. Mas é inegável, repete Köhler com insistência, que precisamos considerar objetivamente aquilo que as escolas clássicas antitéticas paradoxalmente - como vimos anteriormente – negaram conjuntamente. A ciência psicológica encontra apenas um ponto de partida: o mundo tal como se manifesta ao sujeito. É dele, principalmente, que devemos falar como recomendam as palavras da Köhler:

Parece haver, para a Psicologia, exatamente como para todas as demais ciências, um único ponto de partida: o mundo tal como o descobrimos, de maneira simples e desprovida de crítica. A simplicidade tende a desaparecer à medida que avançamos. Surgem problemas a princípio completamente ocultos aos nossos olhos, para cuja solução pode tornar-se necessário aventar idéias que pouca relação pareça apresentar com a experiência primária e direta. De qualquer maneira, porém, tudo tem que começar com uma simples e cândida imagem do mundo. Essa origem é necessária, já que não existe outro alicerce em que a ciência possa firmar-se.84

Köhler sustenta que o mundo da experiência direta é o que primeiro conhecemos – contatamos, vivenciamos etc - e, desse modo, estabelece o primado fundamental dessa experiência perceptiva na consideração do comportamento, restituindo, por assim dizer, a essa mesma experiência o seu lugar privilegiado na aquisição do conhecimento e na fundação da ciência. Esse apreço tão relevante pela experiência – o primeiro dado fundamental – não significa, como num primeiro momento poderíamos supor, uma adesão às teses do subjetivismo introspectivista ou, mesmo, do empirismo psicológico vulgar. Muito pelo contrário, pois, nesse caso, a idéia de experiência tem agora contornos e

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significações próprias e objetivas. Está assentada num campo: o meio comportamental.

É interessante ter em conta que tanto Köhler como Merleau-Ponty não deixam de reconhecer os ganhos operados pela crítica behaviorista à idéia de consciência interior. Nesse aspecto da crítica não podemos esquecer que a experiência em geral comporta tanto experiências do tipo objetivas (coisas que existem e ocorrem exteriormente e independentemente de nós) como subjetivas (medo, felicidade, sentimentos, paixões etc). A experiência direta que Köhler busca legitimar se dirige a coisas que, sem qualquer dúvida, existem independentemente do organismo. Coisas que sou capaz de experimentar como algo distinto de mim, que tenho certeza que são exteriores e independentes quando se apresentam à minha percepção. Como descreve Köhler, “em uma experiência objetiva, uma cadeira será sempre algo externo, sólido, estável e pesado”.85 Consideração, essa, da exterioridade essencial para o alcance da objetividade.

Antes de tudo precisamos ter em conta que a opção pela experiência direta como fundamento da análise científica não era algo inédito. Talvez tenha sido para a Psicologia no tempo de Köhler um expediente novo, mas não para a ciência em geral, como o texto de Köhler, logo acima, já havia deixado claro: “De qualquer maneira, porém, tudo tem que começar com uma simples e cândida imagem do mundo. Essa origem é necessária, já que não existe outro alicerce em que a ciência possa firmar-se.”86 Se olharmos com atenção para a história da

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KÖHLER, Psicologia da Gestalt, p. 18.

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Física, nos diz Köhler, teremos a oportunidade de compreender o alcance – universalidade - e o uso – fundamento ontológico - da experiência direta para a ciência. São vários os motivos sólidos que parecem sustentar a tentativa de Köhler de levar em conta as lições da Física para pensar a relação da experiência direta com a Psicologia. Primeiramente a analogia com a Física foi para Köhler uma atitude espontânea, pois está foi a sua primeira formação. Depois, quando reconhecemos o valor e a natureza das pesquisas físicas podemos, cada vez mais, afastar-nos dos perigos do subjetivismo. E, também, - o motivo principal - temos através da Física, pelo menos na perspectiva de Köhler, as melhores condições de definir como a experiência direta serve de base para uma experiência objetiva. Por último - um ganho muito importante nessa aproximação - tendo os princípios daquela disciplina como referência é possível com mais solidez metodológica, definir o lugar da Psicologia no quadro da epistemé.

No entanto, se quisermos ter bem claro os ganhos metodológicos de uma aproximação com a Física é imprescindível descrever um pouco da natureza dessa ciência. Köhler, então, destaca algumas características da ciência Física que, de certo modo, já comentamos anteriormente quando nos referimos à obra de Galileu. Primeiro, o físico é um cientista extremamente criterioso quando não deixa de fazer intervir o necessário e clássico processo abstracionista. Após cuidadosa seleção de fatos, ele sempre descartará as experiências tomadas como subjetivas em proveito daquelas consideradas objetivas. Depois, as observações são sempre de natureza quantitativa e, ainda, são de modo evidente transformadas em medições quantitativas. Também, todas as observações e medições são feitas sempre através de procedimentos indiretos, para, enfim,

produzir experimentos estruturados em princípios que estão continuamente sendo reduzidos a poucos tipos. Na medida do possível, restringidos a um padrão único. Com a Física, nos lembra Köhler, ”chega-se quase a ter a impressão de que a mesma escala e o mesmo ponteiro estão sendo usados universalmente”. 87

Porém, se temos algo a apreender, em Psicologia, com a Física é preciso saber definir exatamente o quê. Estabelecer os limites de contato, determinar, por exemplo, até que ponto a busca de analogias metodológicas com a Física pode ser viável e proveitoso para a Psicologia. É possível à Psicologia imitar os procedimentos das ciências físicas? A matematização dos resultados é um expediente válido para a Psicologia? A Psicologia como ciência do comportamento, deve usar dos mesmos métodos que a Física? Teremos, ainda, no capítulo sobre estrutura a chance de discutir um pouco mais a aproximação estabelecida pela Gestalttheorie entre essas duas ciências. De modo evidente, as primeiras escolas fisicalistas e empiristas de Psicologia não deixaram de trilhar esse caminho de justaposição. São exemplos que devem ser recusados, sobretudo, porque denotam uma exagerada e extemporânea filiação, pois, como ainda discutiremos, as Psicologias assumiram pressupostos da Física adulta quando, ainda, estavam num estado inicial. Por isso mesmo a resposta de Köhler a essas questões não deixa de ser aparentemente imprecisa, pois a opção por uma aproximação somente parece razoável se, ao mesmo tempo, comportar um distanciamento entre Física e Psicologia. Nesse sentido, vários são os motivos, elencados por Köhler, dessa precaução que deve orientar o psicólogo a, antes de

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se aproximar da Física, fazer um trabalho mediação que preserve, como ainda indicaremos, a especificidade das análises da Psicologia.

Em primeiro lugar, se podemos apreender e devemos apreender algo com a Física, não será como apressadamente poderíamos concluir, permitido formar uma ciência do comportamento assumindo irrestritamente o mesmo arcabouço epistemológico – métodos, critérios de validade - das Ciências Naturais e das Matemáticas ou, ainda, supondo para o objeto da Psicologia a mesma natureza ontológica do objeto que encontramos na Física. Num ensaio sobre as categorias valor e fato88 Köhler, ao discutir a natureza do valor e a sua importância para Psicologia, mostra muito claramente como as Ciências Naturais e a Física moderna muito solidamente recusaram essa categoria presente no modelo físico de Aristóteles: ‘’(...) nos tempos atuais, um físico arriscaria a sua reputação se usasse conceitos de valor em relação ao seu campo de estudos”.89 O discurso ortodoxo que se mostra presente, da Física à Biologia, sustenta que nenhum fato, nenhum objeto natural comporta propriedades que indicam noções de valor, relações de finalidade. Por isso mesmo, não há objetos naturais, para o cientista da natureza, que possam satisfatoriamente serem explicados fora da perspectiva de conexões causais dos tipos materiais e motrizes: “Segundo Darwin, as características da vida orgânica, que parecem implicar o valor, podem ser explicadas, todavia, em termos de fatos neutros”90. No entanto, conforme Köhler, a conduta humana - particular ou pública - principal interesse do psicólogo, “implica

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KÖHLER, W. “Value and Fact.” Jornal of Philosophy, v.41, p. 197-212, 1944.

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KÖHLER, Psicologia, p. 110.

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o valor como o seu conteúdo mais importante.”91 O que Köhler propõe, nesse excelente ensaio de 1944 - Value and Fact - não é restaurar como princípio explicativo à noção de causa final para as Ciências Naturais. O que precisamos, de imediato, é reconhecer que se não é permitido atribuir ao campo da física qualquer noção explicativa de valor podemos, por outro lado, significar o trabalho do físico – do cientista – a partir dessa categoria. São, por exemplo, questões de valor, conforme Köhler, a objetividade da ciência, a honestidade no tratamento dos dados etc. Uma Psicologia da conduta humana, pelo menos na perspectiva de Köhler, tem na categoria de valor o seu conteúdo mais importante. Portanto, enquanto a Física exclui essa categoria e permanece no exame das relações de fato, impõe-se à Psicologia, por sua vez, determinar como apreender, como significar e descrever a conduta humana tendo por base o valor. Outro ponto que parece não permitir uma aproximação irrestrita entre a Física e a Psicologia se refere à consideração das vivências subjetivas. Também, nesse caso, Física e Psicologia caminham em direções opostas. Antes de tudo, não está totalmente descartada a possibilidade de que o comportamento dos homens e dos animais poderá no futuro, com o progresso constante da ciência, ser observado por meio de experiências subjetivas. Procedimento que parece integralmente fora da Física, mas nunca deve ser excluído definitivamente da Psicologia. E isto porque, por mais controverso que seja, é interessante reconhecer a importância e a possibilidade futura de uma abordagem mais criteriosa desse tipo de experiência para uma determinação mais integral dos motivos do comportamento. Mas, o aspecto mais fundamental que não torna razoável uma adesão irrestrita à Física é

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quase uma noção de senso comum: o tipo de método a ser empregado depende, e muito, do tipo de objeto a ser examinado, pois o método não deve ser avaliado como bom em si mesmo, deve ser ajustado ao objeto examinado. Ainda, o procedimento da Física de indicação e representação dos eventos através da matemática não pode ser generalizado de maneira indiscriminada para o campo da Psicologia. A inadequação desse viés físico-matemático se verifica, por exemplo, quando estamos diante de um exame de problemas evidentemente qualitativos que ainda não foram corretamente descritos. No mais, os procedimentos indiretos que procuram fazer registros e classificações – tabelas, gráficos, fórmulas e quantificações de todos os tipos - não se mostram precisos quando buscam, por exemplo, investigar as razões ou mesmo a natureza de um comportamento de tipo emocional. “De um modo geral, o processo mais fácil e mais seguro continua a ser observar a cólera no comportamento de um sujeito como tal do que, por exemplo, medir a adrenalina em seu sangue”. 92

No entender de Köhler, é fundamental para toda disciplina científica percorrer um itinerário, construir uma história e passar pelas etapas pré-científicas, até se consolidar como ciência. Ao contrário da Física, a Psicologia é uma ciência jovem, sem um amplo apoio de informações que permitem a passagem das observações qualitativas para métodos indiretos e quantitativos. A Psicologia não dispõe da base instrumental com a qual a Física pode contar. Nesse sentido, a aproximação é ainda mais problemática. Segundo Köhler a razão mais evidente dessa distinção é o próprio tempo da Psicologia. Falta, portanto, à Psicologia história, trilhar um caminho de desenvolvimento semelhante na dinâmica, nas

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etapas ao que foi trilhado pelas ciências físicas e, então, talvez, constituir uma história como a Física o fez, percorrer os seus passos iniciais seja a melhor lição a apreender com ela. “Se quisermos imitar as ciências físicas, não poderemos imitá- la em sua forma contemporânea, altamente desenvolvida, mas, sim, em sua juventude histórica, quando o seu estado de desenvolvimento era comparável ao da própria Psicologia atualmente”.93

Outra dificuldade, sem dúvida a mais evidente, que se apresenta no processo de aproximação, está dada pela natureza dos objetos. Sem esquecer, como já dissemos anteriormente, que é justamente em função do objeto que as questões de método deverão ser resolvidas. Pelo menos essa é opção de Koffka quando discute desde a definição da Psicologia até a fixação do seu campo. “Como os métodos dependem do objeto de estudo, concentrar-nos-emos primeiro numa definição ou, melhor, num delineamento da nossa ciência”.94 Mais adiante comentaremos, com mais atenção, os pressupostos metodológicos destacados por Koffka. Por ora basta dizer que o princípio adotado pelos gestaltistas pressupõe que a fixação do objeto antecede e determina o próprio método. Nesse sentido temos mais um obstáculo considerável que impede uma adesão irrestrita aos fundamentos da Física. Tudo se confirma quando confrontamos os objetos. O resultado dessa aproximação é confuso e ambíguo. Ainda, veremos, como é possível aproximar as formas que atuam em um organismo, daquelas que operam em um sistema físico. Mas, por enquanto, é preciso ter em conta que um organismo não é em quase nada semelhante a um sistema físico, sobretudo,

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KÖHLER, Psicologia da Gestalt, p.30.

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quando pensamos nas distinções de natureza substancial – o que é óbvio – e, ainda, nos processos e funções que habitam a existência de um organismo e de um sistema fisco. Mais complexo, o funcionamento orgânico é determinado por uma quantidade quase incontável de processos físico-químicos. “Uma ameba, nos diz Köhler, é um sistema mais complicado do que todos os sistemas do mundo inanimado”.95

Se a aproximação metodológica irrestrita não é possível a questão permanece em aberto. Qual o método adequado à Psicologia? A definição dos métodos pressupõe, antes de tudo, como nos alertou Koffka, a aquisição de uma base a partir da consideração das experiências que poderão ser convertidas em dados científicos. Permanece a questão: o que reter da Física? Quiçá, como indicaremos, a lógica que determina a genealogia do seu discurso. Primeiro o físico se pergunta pela natureza dos fenômenos. O que é força? O que aceleração? O que é gravitação? O que é velocidade? O que é massa? Depois recorre, necessariamente, a procedimentos de mensuração para responder a essas questões. Newton, por exemplo, antes de elaborar a sua teoria da gravitação desenvolveu uma ciência das forças e dos movimentos: nomeou essa ciência de Mecânica. Quando, em 1687, Newton propôs a sua lei da gravitação e estabeleceu que a força gravitacional entre dois objetos pode ser expressa por uma equação (F=GMm/d2), já havia, de antemão, investigado e estabelecido noções como a de movimento, de força, de massa e de velocidade constante. Já tinha então, como nos referimos anteriormente, realizado o trabalho de base: determinado a natureza dos fenômenos a serem considerados.

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Deveríamos, antes de tudo, em Psicologia também indagar pela natureza dos fenômenos. Eis uma boa lição, nos adverte Köhler, a aprender coma Física. Eis o trabalho de base filosófica o qual chamamos atenção anteriormente. No entanto, ignoramos essa lógica, já que em psicologia, por exemplo, usamos testes para medir a inteligência sem antes nos perguntar sobre a natureza significativa da inteligência. Köhler não poupa críticas aos primeiros psicólogos, a quem acusa de ignorar esse trabalho de base. Fechner, por exemplo, em sua obra Elementos de Psicofísica, para escapar do introspectivismo reduziu o psíquico ao físico e estabeleceu uma lei – de natureza mecânica - para explicar as relações entre excitação e sensação. Físico de formação, como o próprio Köhler, Fechner e outros psicólogos empiristas são reconhecidos como os primeiros teóricos em Psicologia a copiar a Física adulta. Fechner, conforme pensa Köhler, desprezando o que deveria servir de fundamento as suas doutrinas recorreu a procedimentos de mensuração, à metodologia da Física e das ciências experimentais e transformou a Psicologia em ciência experimental. Contribui, então, juntamente com outros para afastar a Psicologia do seu verdadeiro campo inicial: a experiência direta.

Em lugar de convidarmos um indivíduo a observar e descrever a sua experiência direta, nós o colocamos em uma situação bem definida, à qual ele reagirá de um modo ou de outro. Podemos, então, observar e medir as suas reações, sem que ele nos ofereça qualquer descrição de suas experiências.96

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Desse tipo de metodologia, indica Köhler, nasceu a lei de Weber97 que sustenta a dependência da sensação aos processos fisiológico ao considerar, de modo geral, que a mensuração objetiva desses processos está, assim como as causas físicas que os produzem, em equilíbrio com os resultados psicológicos. Deste modo, por extensão, os procedimentos para mesurar as mais diferentes expressões de comportamento entraram de uma vez por todas no campo da Psicologia. As indicações são todas da Física adulta. “O comportamento, isto é, a reação dos sistemas vivos aos fatores ambientais, é o único assunto referente ao sujeito que pode ser investigado na Psicologia científica; e o comportamento de modo algum envolve a experiência direta”.98 Assim, inteligência, linguagem, memória e o pensamento, conforme já nos referimos no capítulo sobre a teoria do reflexo, mesmo não sendo fatos físicos passam, por sua vez, a serem explicados unicamente à luz dos princípios da Física.

Na contramão da Psicologia experimental e dos psicólogos fisicalistas, é preciso reconhecer o alcance e o interesse da observação qualitativa em Psicologia. Há, sobretudo, uma perspectiva de compreensão do comportamento que somente pode ser expressa por informações do tipo qualitativas. Na visão de Köhler, ao recusar absolutamente esse tipo de informação, a Psicologia se torna estéril e falsamente exata. É o caso dos estudos dedicados a indicar e encerrar a inteligência a partir de escalas matemáticas. Determina-se, antes de tudo, um certo sistema a ser investigado (criança, adulto, homem, mulher ou animal).

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Afirmação de que o alcance do limiar diferencial – quantidade que tem de ser acrescentada ou subtraída a um dado estímulo para que um sujeito possa percepcionar a diferença apenas perceptível. –é proporcional à intensidade do estímulo. Conf. GLEITAMAN; FRIDLUND e REISBERG. Psicologia, p. 1244.

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Depois de estabelecido o sistema, é fundamental se assegurar e controlar de maneira objetiva todas as condições do processo experimental. Especialmente as mais importantes: aquelas referentes aos estímulos externos e as reações. Só então a reação do sujeito, resultante da experiência, é registrada ou medida exatamente como são as reações na Física ou na Química. No entanto, a medição da inteligência, de modo preciso, somente tem valor do ponto de vista prático. Ainda assim, possui uma aplicação muito restrita, já que aponta de maneira reduzida uma capacidade especifica para certas tarefas particulares. A medição da inteligência não passa de um procedimento razoável, incapaz – paradoxalmente - de fornecer uma noção realmente representativa do significado da inteligência. Admite-se, ainda, que os testes matemáticos tenham algo de