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2. MESLEKLERİN KURAMSAL ANALİZİ

3.2. Mesleki Denetim

3.2.1. İçsel Denetim: ‘Benlik’

Categorizar os objetos é uma tendência natural da linguagem. Trata-se de um processo cognitivo fundamental que torna possível nomear o mundo, ou, em outros termos, conceituar a nossa realidade. Em grande parte, esse é um processo automático, por meio do qual descrevemos conceitos em uma tentativa de agrupar as entidades por relações de semelhança. Ou ainda, a categorização, nas palavras de Iñesta Mena e Pamies Bertrán (2002, p. 62, tradução nossa)28, “é uma atividade cognitiva básica que permite interagir com a complexidade da realidade e estruturar processos e entidades; permite discriminar as continuidades e descontinuidades do mundo.”

A ideia de que as categorias são definidas por propriedades comuns não provém apenas da nossa teoria popular, como Lakoff (1987, p. 5) sublinha. Na realidade, é uma teoria

27 Experience is instead construed in the broad sense: the totality of human experience and everything that plays a role in it-the nature of our bodies, our genetically inherited capacities, our modes of physical functioning in the world, our social organization, etc.

28 Es una actividad cognitiva básica que permite interactuar con la complejidad de la realidade y estructurar procesos y entidades; permite discriminar las continuidades y descontinuidades del mundo.

bastante antiga, que foi introduzida por Aristóteles e, por muito tempo, foi tomada como uma verdade inquestionável. Segundo o modelo aristotélico (ou modelo clássico) de categorização, entidades, seres, ações, qualidades, etc., pertencem a uma dada categoria se preencherem determinadas condições necessárias e suficientes.

Para elucidar, citamos que quando as categorias linguísticas, por exemplo, são inseridas nesse modelo, são vistas umas em oposição as outras. De outro modo, se pensarmos nos traços definidores dos fraseologismos, a exemplo da fixação e da idiomaticidade, de acordo com o modelo clássico, traços como esses, os quais contribuem para definir a categoria fraseologismo, deveriam ser compartilhados por grande parte das UFs; consequentemente, cada membro dessa categoria, tal como expressão idiomática, conotação, frase feita, etc., teria o mesmo estatuto. Todavia, como argumentamos anteriormente (ver 2.1), na prática, os membros da categoria fraseologismo, por exemplo, não são capazes de portar integralmente todas as características que os denotam ser dessa categoria. Na verdade, o que os diferencia, muitas vezes, é a gradação das características que os definem ser da categoria unidade fraseológica ou fraseologismo.

Ainda tomando a categoria fraseologismo como exemplo, o conflito surge quando as condições necessárias e suficientes não estão em conformidade para definir todos os membros da referida categoria. Diante dessa discordância, em um determinado momento, começam a surgir anomalias nessa abordagem tradicional. De acordo com Iñesta Mena e Pamies Bertrán (2002), Wittgenstein (1953) foi quem primeiro revisou as bases teóricas do modelo aristotélico. Esses autores explicam que

Wittgenstein define as categorias como existentes no plano cognitivo e caracterizadas pela centralidade, quer dizer que uns elementos são mais centrais do que outros, por isso as categorias seriam heterogêneas; para que exista uma delas não é necessário um conjunto de características aplicável simultaneamente a todos e a cada um dos membros da categoria [...]. (IÑESTA MENA; PAMIES BERTRÁN, 2002, p. 60, tradução nossa)29. No entanto, a reação ao modelo aristotélico só se solidificou na década de 1970. Lakoff (1987), então, expõe que essa quebra de paradigma ocorreu só com o advento da Teoria dos Protótipos, proposta por Eleanor Rosch, com o intuito de “[...] mostrar assimetrias entre os membros das categorias e estruturas assimétricas dentro de categorias.” (LAKOFF,

29 Wittgenstein define las categorias como existentes en el plano cognitivo y caracterizadas por la centralidade, es decir, que unos elementos son más centrales que otros, por lo que las categorias serían heterogéneas; para que exista una de ellas no se precisa de un conjunto de características aplicable simultáneamente a todos y cada uno de los miembros de la categoria y sólo a ellos.

1987, p. 40, tradução nossa)30. Ao se opor ao modelo aristotélico, a noção de protótipo serve para mostrar que um elemento, ainda que não seja prototipicamente pertencente a uma categoria, pode funcionar como tal na interação linguística.

Esse modelo desenvolvido por Rosch postula que os conceitos são organizados segundo a natureza gradual (noção de continuum), de modo que certos membros de determinada categoria são julgados serem mais representativos do que outros membros (LAKOFF, 1987). Por exemplo, dizer que as expressões idiomáticas são indecomponíveis e idiomáticas constituem propriedades prototípicas que melhor representam tal categoria. Em contrapartida, há EIs menos idiomáticas ou menos fixas, que nem por isso deixam de pertencer a essa categoria, mas passam a ser representantes mais periféricos.

Com essa nova orientação, acreditamos que a Teoria dos Protótipos propiciou uma fortificação para o campo da metáfora conceptual, pois toca nas correspondências entre unidades, mesmo sendo de domínios diferentes. Além disso, consideramos que essa teoria, da mesma forma que é aplicável às unidades fraseológicas, é aplicável a outros campos da linguística, a outras unidades linguísticas. Avaliamos também que o grande benefício da Teoria dos Protótipos é não tratar a língua de um ponto de vista fechado.

Tendo em vista que os efeitos prototípicos resultam da natureza de modelos cognitivos, e que esses efeitos derivam da relação entre o nosso conhecimento e as experiências que estruturamos na mente (LAKOFF, 1987), daremos ênfase, na sequência, aos tipos de modelos cognitivos idealizados (doravante TMCI ou MCI). A nosso ver, dedicar um espaço aos TMCI é pertinente, na medida em que esses modelos se fundamentam na capacidade de conceptualização humana, e a análise dos conceitos emocionais objeto desta investigação pauta-se pelos modelos cognitivos idealizados, por consequência, pelos esquemas de imagens, os quais colaboram para a formação dos processos metafóricos e metonímicos.