UŞAK KAZASINDA İLKÖĞRETİM TEFTİŞLERİ (1916-1918)
4. Hususi Mektepler
No presente estudo, busco compreender o ensino de música no CIART, partindo das lembranças de cada professora colaboradora, em relação à sua formação, atuação e interação com os alunos e com o espaço educativo musical pertencente à Escola de Música da UFRN.
O viés das memórias permite compreender como os indivíduos experimentaram e interpretaram acontecimentos, situações e modos de vida de um grupo ou da sociedade em geral. No caso dessa investigação, o modo de vida e dinâmica de um Curso, tecido por pessoas que (re)produziam práticas educativas musicais a partir de um contexto local, que, todavia, se encontrava conectado a pensamentos pedagógico-musicais advindos de um contexto coletivo/social mais amplo.
Portanto, neste estudo, foi adotada a perspectiva qualitativa de pesquisa. Nela há o interesse em interpretar a situação estudada, considerando a ótica dos próprios colaboradores, como comenta Bodgan e Biklen (1994): “ao apreender as perspectivas dos participantes, a investigação qualitativa faz luz sobre a dinâmica interna das situações, dinâmica esta que é freqüentemente invisível para o observador exterior” (BOGDAN; BIKLEN, 1994, p. 51). Quando nos aproximamos do campo pesquisado e entramos em contato com os sujeitos da pesquisa, começamos a “construir um quadro que vai ganhando forma à medida que se recolhem e examinam as partes” (BOGDAN; BIKLEN, 1994, p. 50). Sendo assim, na pesquisa qualitativa não se tem uma definição a priori das situações, elas vão se fazendo e refazendo na trajetória investigativa, implicando num processo contínuo e dinâmico de reflexões.
Esses autores acrescentam ainda que a pesquisa qualitativa se caracteriza por ser realizada de modo “naturalista”, em outras palavras, trata-se de estudos que se debruçam sobre objetos ou fenômenos em seus contextos de ocorrência, em seus cenários “naturais”. Ademais, tal tipo de pesquisa é necessariamente interpretativa: busca analisar o fenômeno estudado considerando os sentidos e significados atribuídos pelas pessoas que o constituem.
Como prevê a pesquisa qualitativa, no início deste trabalho não tinha muitas informações acerca das professoras e do ambiente da pesquisa, o que gerou desafios principalmente na fase de entrada no campo, pois “é o próprio estudo que estrutura a investigação, não idéias preconcebidas ou um plano prévio detalhado” (BOGDAN; BIKLEN, 1994, p. 83). Assim, busquei elaborar “planos” relativamente flexíveis, que foram se consolidando com a imersão no campo e na literatura, com o intuito de estabelecer uma via de mão dupla entre empiria e teoria.
Estar em contato e realizar uma pesquisa qualitativa propiciou intenso aprendizado. Ainda com resquícios de uma formação inicial em música conservadora, estava muito presa a regras e ao cumprimento delas. Neste sentido, Oliveira (2001) provocou-me quando, citando Mills, comenta que os bons pesquisadores “não se limitam à observância de regras, mesmo porque na maioria das vezes experimentam situações que os manuais não podem antecipar. Além do que, pesquisar não se restringe a absorver técnicas e pô-las em prática” (MILLS apud OLIVEIRA, 2001, p. 19).
Ao iniciar este estudo, achava que a literatura consultada sobre pesquisa bastava para as incursões no campo empírico. Mas, ao me deparar com o “real”, vi que não era bem assim: precisava de sensibilidade e sagacidade para compreender aquilo que eu achava estar medido e controlado. Refletindo sobre a minha própria prática de pesquisa e juntamente com a literatura fui me deparando com as situações e elas foram delineando esse pesquisar de modo qualitativo em educação musical. Como comenta Oliveira (2001) “o cultivo da capacidade imaginadora separa o técnico do pesquisador; somente a engenhosidade saberá promover a associação de coisas, que não poderíamos sequer intentar pudessem um dia se compor, num dado cenário social” (OLIVEIRA, 2001, p. 19). Penso ser este um desafio para toda a vida de quem pesquisa, mas penso também que dei os primeiros, mas significativos, passos neste sentido.
Na pesquisa qualitativa, o pesquisador poderia ser comparado a um viajante. Como sugere Pais (2003), um tipo de viajante que não sabe o que o espera ao caminhar, embora saiba para onde quer ir e tenha algumas ideias e rotas: ele, então, simplesmente vai e sua jornada começa a se fazer. Nessas andanças, “o viajante” poderá se surpreender ao encontrar lugares desconhecidos, ou andar por rotas não antes pensadas (PAIS, 2003). Isto o levará, como continua a defender esse autor, a seguir “caminhos incertos [...] porque para que possamos „encontrar‟ é necessário ter vivido algum tipo de desnorte” (PAIS, 2003, p. 54).
E como Bresler (2007) destaca: “os investigadores interessados na singularidade de algum tipo de ensino aprendizagem encontram valor em estudos qualitativos porque o desenho da pesquisa permite ou exige atenção extra a contextos físicos, temporais, históricos, sociais, políticos econômicos e estéticos” (BRESLER, 2007, p. 13).
Em síntese, a pesquisa qualitativa está preocupada com o significado que as pessoas atribuem às coisas e às suas práticas sociais. Portanto, o pesquisador que adota essa abordagem está preocupado em se aproximar de uma compreensão acerca dos significados que determinadas ações e acontecimentos representam para diferentes pessoas.
Com a experiência no mestrado, a literatura sobre pesquisa despertou-me a atenção quanto ao uso do método, suas características e conceitos. As reflexões que os autores trouxeram a esse respeito foram deveras significativas nesse percurso de pesquisar em educação musical. Segundo Oliveira (2001), método indica “estrada, via de acesso e, simultaneamente, rumo, discernimento de direção [...] portanto, um percurso escolhido entre outros possíveis” (OLIVEIRA, 2001, p. 17). O autor acrescenta, todavia:
[…] o método não representa tão-somente um caminho qualquer entre outros, mas um caminho seguro, uma via de acesso que permita interpretar com a maior coerência e correção possíveis as questões sociais propostas num dado estudo, dentro da perspectiva abraçada pelo pesquisador. (OLIVEIRA, 2001, p. 17).
Embora não se tenha clareza do caminho a ser trilhado quando se inicia uma pesquisa qualitativa, mesmo assim, e como Oliveira (2001) afirma, não se deixa de adotar um método. O seu uso “envolve [...], técnicas que devem estar sintonizadas com aquilo que se propõe; mas, além disso, diz respeito a fundamentos e processos, nos quais se apóia a reflexão” (OLIVEIRA, 2001, p. 17).