1. Turizm’in Tanımı ve Turizm İşletmeleri
1.1 Turizm’in Tanımı
1.3.2. Otel İşletmelerinin Sınıflandırılması
1.3.2.4. Hukuki Bakımdan Bağlı Oldukları Statülerine göre Oteller
A ideia de âmbitos interacionais é central para nossa pesquisa. Com ela, queremos simplesmente dizer de contextos em que atores se colocam em interação. Trata-se de um termo mais abrangente que arenas deliberativas, geralmente empregado em referência a desenhos institucionais participativos. Âmbitos interacionais não são apenas um lugar de deliberação, já que diversas modalidades interativas os constituem. Além disso, o termo busca superar certas limitações que marcam a ideia de esferas discursivas, defendida por Hendriks (2004; 2006a). Esferas discursivas são fóruns em que os atores apresentam suas posições e promovem seus discursos. Na análise de Hendriks, não fica claro como essas esferas são constitutivas dos discursos ali veiculados e dos atores que os formulam. Nossa definição de âmbitos interacionais destaca que estes são instâncias marcadas por certos padrões, que guiam a interação, ao mesmo tempo em que são atualizados por ela.
Para entender a ideia de âmbitos interacionais e a apropriação que fazemos dela é preciso, antes de tudo, compreender o conceito de interação que está em sua base. Quando falamos de interação, não temos em mente somente a situação de copresença em que um
1 As duas primeiras questões serão analisadas no mesmo capítulo analítico, em virtude da recente formulação de
sujeito responde imediatamente aos estímulos provenientes de outro ator social. Defendemos uma ideia mais geral de interação, cujas bases se encontram na sociologia de Simmel, que a define como uma “ação mutuamente determinada” (SIMMEL, 1983, p. 109). Também marcando o pensamento de Weber, esta definição está calcada na ideia de um comportamento reciprocamente referido que é atravessado por uma orientação mútua.2 Guiada por expectativas partilhadas, a interação não é uma junção de polos opostos, mas um agir em conjunto, no qual sujeitos modelam uma resultante de modo partilhado (GOFFMAN, 1999).
Dentre os vários tipos de interação, encontram-se as interações comunicativas, marcadas pela “presença do ‘um’ e do ‘outro’ em condições particulares – que é a construção de mensagens, a edificação de linguagens que vão exprimir e materializar simbolicamente o ‘estar junto com’” (FRANÇA, 1995, p. 38). As interações comunicativas expressam um tipo de relação que é corporificada pela linguagem e que se encontra imersa em contextos sócio- históricos e culturais. Essa definição não se limita à copresença ou à ideia de uma
interatividade direta. Como bem percebe Braga (2001a; 2006), a interação comunicativa pode
ser diferida. Ela pode ser difusa, distendendo-se no tempo e no espaço, e atualizando-se no momento em que a intersubjetividade que atravessa os parceiros da interação é materializada (DUARTE, 2003). A interação comunicativa emerge como o resultado de várias trocas que se atravessam, sendo que tanto os interlocutores como o contexto desempenham papéis fundamentais (FERRARA, 2003). O central é perceber que os interlocutores estão enredados em uma teia de relações que não começa nem termina com o enunciado (FRANÇA, 2006).
A ideia de âmbitos interacionais aponta para a relevância do contexto na conformação da interação. Ainda que o contexto não tenha o poder de determinar a interação comunicativa, ele é muito relevante. O contexto emoldura e possibilita a partilha de subjetividades e as emergências dela decorrentes. Ele fornece parâmetros que moldam e possibilitam o estabelecimento da relação. A perspectiva evidencia que a interação social só se realiza em ato, sendo que a situação comunicativa é um elemento estruturante desse ato.
Essa preocupação de entender a interação comunicativa dentro de seu contexto remonta a várias correntes de estudo, que se aproximam em virtude de suas orientações microssociológicas e pragmatistas. Poderíamos citar, aqui, os estudos de Gabriel Tarde (1992)
2
Para Weber (1994), a ação social é sempre orientada pelas ações dos outros. Isso porque ela se processa no interior de uma relação social: um “comportamento reciprocamente referido quanto a seu conteúdo de sentido por uma pluralidade de agentes e que se orienta por essa referência” (WEBER, 1994, p. 16). A relação entre os pensamentos de Weber e Simmel fica clara na defesa que fazem da agência dos sujeitos e na atenção aos significados subjetivos que estão no cerne da ordem social. O próprio Weber ressalta, porém, haver diferenças entre os dois: “Da metodologia de Simmel [...] distancio-me ao diferenciar logo o ‘sentido’ visado do ‘sentido’ objetivamente válido, que ele não apenas deixa de distinguir como propositadamente permite que se confundam amiúde” (1994, p. 3).
sobre as conversações; a insistência de Mead (1934) na necessidade de situar a interação em uma cadeia de relações sociais, atentando para as regras e expectativas que as regem; as análises psicológicas de Watzlawick et al. (1967), que buscavam compreender as causas de distúrbios psíquicos a partir da atenção ao contexto de um comportamento; e o empenho de Garfinkel (1967) em evidenciar como o contexto interativo molda as manifestações simbólicas.
O trabalho de Erving Goffman oferece especial contribuição nesse sentido. Herdeiro da Escola de Chicago e em diálogo com os pesquisadores de Palo Alto, as investigações desse sociólogo se voltam para o estudo das interações sociais de um modo contextualizado. Seu projeto acadêmico buscou captar a ordem da interação; ou seja, os padrões, regras e procedimentos que conduzem as ações reciprocamente referenciadas (GOFFMAN, 1999). Esteja ele preocupado com a apresentação do self na vida cotidiana (GOFFMAN, 1996), com as práticas e adaptações secundárias de internos de instituições totais (GOFFMAN, 2003), com o modo como os sujeitos manipulam seus atributos para lidar com estigmas (GOFFMAN, 1988) ou com as interações mais corriqueiras e ordinárias (GOFFMAN, 1986), há sempre uma busca pelos parâmetros que regulamentam e regem a interação social.
Na perspectiva de Goffman, os atores sociais não são inteiramente livres para escolher, conscientemente, seus comportamentos. Se não se pode negligenciar a importância da agência dos atores sociais, é preciso perceber que ela ganha corpo em determinadas situações que estabelecem balizas e parâmetros, porque atravessadas por acordos prévios e intersubjetivos. Na microssociologia de Goffman, “não é o indivíduo que constitui a unidade elementar da pesquisa, mas a situação” (JOSEPH, 2000, p. 10-11). Claro está que a situação é definida pelos próprios atores que a interpretam por meio da seleção de quadros interpretativos que a dotam de sentido. No entanto, a existência de acordos prévios faz com que o próprio contexto convoque alguns enquadramentos primários, que são geralmente aplicados de modo imediato e natural. A definição da situação é feita pelos participantes, mas ela não é puramente inventada por eles. O contexto da interação oferece pistas fundamentais para que os indivíduos possam enquadrá-la.3
Gostaríamos de chamar a atenção, por fim e sucintamente, para o modo como uma perspectiva linguística contemporânea chama a atenção para a forma como o contexto é constitutivo dos discursos. Referimo-nos, aqui, à Nova Análise de Discurso francesa, defendida por Patrick Charaudeau (1996; 2006) em oposição ao que ele denomina linguística hard
3
Esse aspecto é centralmente trabalhado por Goffman (1986) em Frame Analysis, obra em que ele se volta para o conceito de quadros proposto por Bateson. Para Goffman, a ideia de frame refere-se às estruturas que organizam a percepção da realidade e a ação dos sujeitos no mundo. Os quadros são uma trama intersubjetiva que guiam o comportamento dos sujeitos. Os interlocutores estão, desde o início de qualquer interação comunicativa, ligados por padrões interpretativos e expectativas recíprocas socialmente partilhados.
(exclusivamente preocupada com aspectos textuais). Para Charaudeau, é fundamental compreender que o discurso tem um componente linguístico (material verbal) e um situacional (material psicosocial), que “são simultaneamente autônomos, em sua origem, e interdependentes em seu efeito” (CHARAUDEAU, 1996, p. 6).
Para Charaudeau, o contexto em que se inscreve uma interação não é apenas um pano de fundo ou uma espécie de cenário. O contexto, que se transforma em situação a partir da interpretação dos atores, é um componente constitutivo do discurso. Charaudeau propõe, portanto, “aceitar que existe um ‘fora da linguagem’ (realidade extralinguística) que se combina de modo pertinente [...] com o local da manifestação discursiva” (1996, p. 8). O contexto situacional baliza as ações dos atores e os ajuda a dar sentido à relação em processo.
Essa atenção de Charaudeau (1997; 2006) à situação se manifesta claramente em suas discussões sobre a noção de contratos comunicativos.4 Contratos são espécies de pactos que regem as interações linguisticamente mediadas, regulando as expectativas recíprocas dos sujeitos comunicantes. Trata-se de regulações, convenções e normas que possibilitam a interlocução na medida em que a governam e a moldam. Os atributos específicos de cada contrato variam em função da situação comunicativa, a qual coloca uma série de “restrições de espaço, de tempo, de relações, de palavras” (CHARAUDEAU, 2006, p. 67). É exatamente por isso que o pesquisador chama a atenção para um conjunto de dados fixos situacionais que são fundamentais no delineamento de um contrato, como o dispositivo ou ambiência da interação, a identidade dos interlocutores; a finalidade do intercâmbio linguageiro e o domínio
do saber de que se trata (CHARAUDEAU, 2006, P. 68-71).5 Ainda que esses elementos não pré-definam os sempre dinâmicos contratos (MAINGUENEUAU, 1996), eles impõem algumas restrições e convocam certas convenções que atravessam a enunciação.
Até o momento, buscamos evidenciar que a comunicação ganha estruturas diferentes em contextos distintos. Mas qual a relação dessa questão com nossa pesquisa? Lembremos que nossas definições de reconhecimento e de democracia deliberativa têm como elemento central a articulação de vários âmbitos interacionais. A ideia é a de que diferentes formatos interacionais possibilitados por contextos diversos oferecem contribuições distintas ao processo deliberativo.
4
A noção de contrato tem ganhado crescente atenção em pesquisas das áreas de linguística e comunicação. Há estudos preocupados com o chamado campo da recepção, análises voltadas para a apreensão dos interlocutores nas estruturas textuais e trabalhos que buscam avaliar as propostas interativas de um bem simbólico. A premissa geral que alicerça tais estudos é a de que o ato comunicativo envolve uma espécie de pacto que possibilita o estabelecimento do laço entre interlocutores. A esse respeito, ver os clássicos textos de Eco (1986), Verón (1983; 2004), Charaudeau (1996; 2006) e Maingueneau (2002). Para alguns estudos brasileiros, ver Ferreira (2000; 2006), Natansohn (2005), Castro (2003), Oliveira (2003), Benetti (2006), Mari (2002), Serra (2001), Duarte e Castro (2001), Gomes (2005).
5 Charaudeau (2006) analisa, ainda, a existência de três elementos mais propriamente linguísticos na conformação
A luta deliberativa por reconhecimento das pessoas atingidas pela hanseníase dependeria, assim, de diferentes contribuições oriundas de contextos diversos. Nossa tese é a de que os fluxos discursivos necessários para a transformação social da realidade dependem de um jogo complexo capaz de conectar âmbitos interacionais distintos com suas diferentes contribuições.
5.2. Âmbitos interacionais, lutas sociais e a generalização da