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II. BÖLÜM

3. KONAKLAMA İŞLETMELERİNDE REKLAM KAMPANYA

3.4. Reklamın Tarihi

A análise começou com as primeiras leituras descritivas do material empírico. Nessa fase, buscamos tomar conhecimento do material e organizá-lo minimamente para as etapas posteriores. No caso das conversações informais, essa fase teve início com a transcrição dos grupos de conversação, seguida da cuidadosa revisão das mesmas. Nessas revisões, procedemos a uma primeira organização dos temas trabalhados, pré-selecionando três deles que deixavam a ver a existência de algumas tensões: 1) O futuro dos antigos

hospitais-colônia; 2) A luta por recursos financeiros; 3) A questão do preconceito. As falas

coletadas mostraram que estes não são pontos pacíficos na luta de tais sujeitos, havendo um potencial deliberativo em torno delas. Tais questões eram atravessadas por discursos e posições distintas que poderiam se desdobrar em processos deliberativos.

No caso do Jornal do Morhan, como já mencionado, fotocopiamos, lemos e fichamos todas as edições do jornal. Essas fichas continham informações básicas de cada edição, incluindo os títulos de todas as matérias, um pequeno resumo das questões abordadas em cada texto e alguns insights para a análise. Depois disso, centramos esforços em 20 edições publicadas entre 1998 e 2007, relendo-as e refinando a descrição das fichas. Para traçar um mapa geral do corpus, submetemos todos os textos publicados a uma classificação bastante genérica, composta pelas seguintes categorias:

1. Esforço para eliminação e ações na área de saúde – Textos focados no esforço para a

eliminação da hanseníase, abordando as ações e estratégias de entidades governamentais e não governamentais na área de saúde65; o vai-vem de índices e estatísticas; as dificuldades e problemas que impediram o alcance de metas; e a celebração de conquistas referentes à eliminação; e análises da eficiência ou ineficiência do governo em ações de saúde.

2. Mundo da Ciência – Textos que falam de descobertas científicas (sobretudo no campo da biomedicina); que mencionam novos achados sobre a história da enfermidade e que abordam as atividades de personalidades científicas ou institutos de pesquisa.

65 Essas ações incluem desde o pagamento de vales-transporte a pacientes para que eles não interrompam o

3. Mobilização social em prol das pessoas atingidas pela hanseníase – Textos que enfocam a articulação, as estruturas e discussões do próprio Morhan, bem como textos centralmente preocupados em falar da existência de ações cívicas em prol de pessoas atingidas pela hanseníase.

4. Colônias – Textos centralmente focados nos hospitais-colônia; na situação de seus moradores; em ações voltadas para a reestruturação deles; em discussões acerca do futuro de tais instituições e na narrativa da vida cotidiana desses hospitais.

5. Estigma – Textos que têm a questão do estigma como foco e fio condutor, denunciando a vivência de preconceitos e explorando ações voltadas para contestá-los.

6. Indenização/Pensão – Textos em cuja linha de frente está uma preocupação com a questão do acesso a recursos financeiros. Inserem-se, aqui, matérias em que pensões governamentais são reivindicadas; textos referentes ao projeto de lei indenizatório formulado por Tião Viana; e matérias que falam de dificuldades de acesso a recursos financeiros de uma forma mais geral.

É importante deixar claro que algumas matérias tocam em mais de uma das supramencionadas questões, mas nossa primeira classificação buscou captar as linhas de predominância de cada texto. A título de exemplificação, podemos citar que muitos textos mencionam a existência de preconceitos, sem, contudo, abordá-los frontalmente. Ressaltamos, ainda, que, nas outras fases da pesquisa, não nos ativemos apenas às matérias situadas nas categorias 4, 5 e 6, ainda que elas correspondam às temáticas que nos interessam. Em nossa análise propriamente dita, buscamos também os fragmentos que remetiam a essas temáticas nos textos não centralmente preocupados com elas. Essa primeira classificação buscou apenas fornecer um mapeamento descritivo do material. O resultado dela se encontra na tabela abaixo:

Categoria N. de matérias % de matérias

Esforço para eliminação e ações de saúde 204 39,31% Mundo da Ciência 12 2,31% Mobilização social 212 40,85% Colônias 27 5,20% Estigma 33 6,36% Indenização/Pensão 11 2,12% Outros 20 3,85% TOTAL 519 100,00% Tabela 3: Distribuição dos textos do Jornal do Morhan por categoria

Gráfico 1: Porcentagem de cada categoria por edição do Jornal do Morhan analisada

Esses dados revelam um grande foco do Jornal do Morhan na própria mobilização do coletivo e na questão da eliminação da hanseníase. O número de textos centralmente preocupados com a questão das colônias, das indenizações/pensões e do estigma é bastante reduzido, ainda que essas temáticas apareçam de forma recorrente em textos prioritariamente focados em outras questões. Salientamos, ainda, como a análise diacrônica das categorias em cada uma das edições investigadas (Gráfico 1) permite ver uma alternância entre os dois focos majoritários. Curiosamente, a questão do acesso a recursos financeiros só desponta como uma temática centralmente trabalhada a partir da edição 43 (2006), justamente quando um projeto de lei para indenizar os exilados sanitários é proposto no senado, como veremos no sexto capítulo da presente tese. Julgamos interessante, também, como uma discussão frontal do preconceito é rara. Embora a questão seja mencionada em dezenas de matérias, poucos textos se atêm a colocá-la no cerne de sua estrutura narrativa.

No caso das matérias de Folha de S. Paulo e O Globo, iniciamos a prática descritiva com a organização cronológica de todos os textos. Em seguida, procedemos a uma distinção entre matérias tangentes e matérias focadas. As primeiras mencionam a palavra hanseníase sem tê-la como foco do texto. Das 440 matérias que compõem nosso corpus, 282 (64,09%) apenas tangenciavam questões ligadas à enfermidade, citando-a para abordar outras temáticas.66 As segundas, por sua vez, centram suas atenções na hanseníase. Nosso corpus apresentou um total de 158 (35,91% do total) matérias focadas. Observa-se, ainda, que 68

66 A maioria dessas matérias (36,53% das tangentes) explorava questões amplas da área de saúde, citando a

dessas 158 matérias focadas são pequenas notas. Esses dados indicam que a cobertura jornalística sobre a hanseníase, frequentemente, não é muito profunda. Trata-se de uma cobertura tangencial e pontual, sem aprofundar, muitas vezes, as questões.

Feita essa primeira distinção, procedemos a uma classificação das matérias focadas que adotou as mesmas categorias empregadas para o Jornal do Morhan. O quadro abaixo apresenta os dados dessa primeira categorização.

TEMA N. de matérias % de focadas

(n = 158)

% do total (n = 440)

Esforço para eliminação e ações de saúde 67 42,41% 15,23% Mundo da Ciência 24 15,19% 5,45% Mobilização social 12 7,59% 2,73% Colônias 34 21,52% 7,73% Estigma 8 5,06% 1,82% Indenização/Pensão 7 4,43% 1,59% Outros 6 3,80% 1,36% TOTAL 158 100,00% 35,91%

Tabela 4: Distribuição das matérias focadas na cobertura geral de Folha e Globo

Gráfico 2: Distribuição das matérias focadas por categorias em cada veículo

Os dados indicam uma grande predominância de textos que abordam o esforço da humanidade, e especificamente do Brasil, para eliminar a enfermidade. Mais de 42% da cobertura das matérias focadas está centrada na apresentação de índices, ações e metas voltadas para a eliminação. A categoria Mundo da Ciência também se mostra bastante significativa (15,19% das matérias focadas), sendo que ela se une, muitas vezes, ao esforço

para eliminação: trata-se das descobertas, avanços e especialistas abrindo caminho para que a eliminação seja possível. Interessante observar que a análise qualificada por veículo mostra que, embora ambos dediquem uma ampla parcela de suas matérias para tratar do esforço da

eliminação, a Folha dá um peso bem maior à questão da ciência. O Globo tem uma forte

orientação para cobrir ações e estratégias governamentais. Destacamos, ainda, dois dados que são interessantes para a análise das lutas das pessoas atingidas pela hanseníase: o expressivo número de textos que tratam dos hospitais-colônia (21,52% da cobertura focada), sobretudo em O Globo, e a restrita visibilidade adquirida pelas lutas por indenizações e pensões (7 textos, ou 4,43% da cobertura focada).

Realizado esse primeiro mapeamento do conteúdo dos textos, buscamos mapear, também, as fontes citadas pelos jornais, como indicado no quadro abaixo:

Enunciador Número absoluto de falas* Número relativo de falas

Especialistas 60 21,35%

Organização Mundial de Saúde 6 2,13%

Pessoas atingidas pela hanseníase e familiares 47 16,73% Outros cidadãos 10 3,56% Ativistas 23 8,18% Celebridades 8 2,85% Representantes de Governo

(indivíduos e órgãos gov.) 79 28,11%

Representante do legislativo 12 4,27%

Representante do poder judicial 1 0,36%

Direção de Hospital Colônia 22 7,83%

Outros 13 4,63%

TOTAL 281 100,00% Tabela 5: Quantidade de falas por tipo de ator social

* Falas contabilizadas a cada citação (direta ou indireta) de uma fonte. Uma mesma matéria pode conter, assim, várias ocorrências de uma fonte. O espaço dedicado a cada tipo de fonte não foi mensurado.

O número de falas de agências governamentais (28,11%) e especialistas (21,35%) é bastante superior às outras categorias, o que corrobora o achado recorrente em estudos de

newsmaking de um privilégio das fontes oficiais, que têm maior credibilidade e regularidade na

divulgação de informações (TRAQUINA, 2001). É importante destacar, ainda, o significativo número de falas de pessoas atingidas pela hanseníase: são 47 (16,73% das falas). Tais falas são geralmente mobilizadas para ilustrar a existência de pessoas que foram afetadas pela enfermidade no Brasil contemporâneo. O relativamente baixo número de falas de ativistas (8,18%) insinua que o teor das falas agenciadas nas matérias não é o da confrontação sócio-política.