• Sonuç bulunamadı

2.4. Hastane Yönetim Etkinliğinde Performans Yönetimi ve Performans Değerlemesinin Önemi

2.5.5. Hastane Yönetim Etkinliğinde Eşgüdümlemenin Önemi

Qualquer objeto, evento, situação ou experiência que uma pessoa ver, ouvir, tocar, cheirar, sentir, intuir, conhecer, compreender ou vivenciar é um tópico legítimo para uma investigação fenomenológica. Pode haver uma fenomenologia da luz, da cor, da arquitetura, da paisagem, do lugar, (...), do ciúme, (...), da economia, da sociabilidade, e assim por diante. Todas essas coisas são fenômenos porque os seres humanos podem experiência-las, encontrá-las ou vivenciá-las de alguma maneira (SEAMON (2000, p. 3)8.

2. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

2.1 Estratégias Metodológicas

Fundamentalmente, essa investigação procurou assentar-se sobre o caráter heurístico para análise dos fenômenos que aqui se buscou compreender e explicar através de uma abordagem exploratória que nos conduzisse à construção de um debate suficientemente relevante sobre os campos teóricos referenciados neste trabalho, apoiando os argumentos e as conclusões apresentadas. De acordo com Ferrara (1999, p. 66),

A complexidade da cidade como objeto de pesquisa envolve um rigor metodológico construído com criatividade que supõe rejeitar a adoção de qualquer modelo teórico (corpo de referências), método ou técnica prefixados. Rejeitam-se os padrões interpretativos mais condizentes com características de uma ciência aplicada e, ao mesmo tempo, são abolidos os receituários metodológicos que determinam, com segurança, os passos e o desenvolvimento da pesquisa.

Assim sendo, a abordagem multimetodológica (AMM)9 pareceu ser o meio

8 Seamon, David (2000: 03) apud Castello. Op. Cit., 2007.

mais adequado para guiar um trabalho no qual se propõe investigar a interdependência e as relações recíprocas entre os fatores que configuram contextos socioambientais urbanos contemporâneos e o desenho funcional e estético-simbólico do mobiliário urbano inserido no espaço público das áreas centrais da cidade. Procurou-se então, definir estratégias voltadas para a análise do ambiente urbano, pertinentes às questões relativas ao design de produtos e a legibilidade do espaço público, abordando conceitos técnicos e teóricos que correspondam às expectativas práticas do trabalho em questão.

Focado nos três conceitos-chave deste estudo (funcionalidade, racionalidade e emotividade), procurou-se investigar a existência de relações recíprocas entre o contexto socioambiental (espaço público), os atores e as situações envolvidas nessas relações (usuários pedestres) e a configuração dos artefatos que definem comportamentos e usos (mobiliário urbano). Segundo De Moraes (2010, p. 70), ”a concepção de um produto, de forma consciente ou não, é fruto da interação dos atores envolvidos no projeto com a realidade sociocultural circundante que os influenciam.” Para 0 autor, tanto o ambiente quanto o estilo de vida de um local definem referenciais tipológicos e estéticos que serão utilizados na criação de produtos, sejam eles artesanais (vernaculares) ou industriais.

Deste modo propõe-se observar os seguintes aspectos: tipo e nível de influência que o mobiliário exerce na realização de atividades cotidianas pelos usuários (usos e apropriações do espaço público); existência ou não de uma demanda social efetiva por tais artefatos em áreas locais específicas (calçadas, atividades e serviços); questões administrativas relacionadas à gestão pública do espaço público, voltadas para a acessibilidade e a mobilidade nos centros urbanos (marcos regulatórios).

Para operacionalizar o desenvolvimento deste trabalho e verificar as hipóteses suscitadas, recorreu-se à consulta sistemática de referências bibliográficas e documentais necessárias ao embasamento científico que permitisse conhecer o estado da arte dos recentes estudos relacionados, direta ou

princípio de que não exista apenas um único método que seja o mais adequado e que todos os métodos apresentam restrições e vantagens que podem ser contrabalançadas e reunidas, combinando-se vários métodos em um mesmo programa de pesquisa, focado na resolução de problemas práticos da pesquisa. Sobre AMM consultar Moran-Ellis et al. (2006), Tashakkori e Teddlie (2003) e Mingers e Brocklesby (1997). (Nota do autor).

indiretamente, aos principais eixos de investigação abordados nesta pesquisa (design de produtos e legibilidade do espaço público). Conjuntamente, realizou-se uma abordagem empírica, de base exploratória baseada numa leitura técnica, pesquisa de campo e estudo de caso, em que as observações in loco ofereceriam os enquadramentos necessários para a descrição dos fenômenos levantados e aportariam os fundamentos desta investigação.

2.2 Métodos

Uma abordagem qualitativa foi adotada para esta investigação baseada na pesquisa documental e no estudo de caso, em que o “investigador busca desenvolver sua perspectiva teórica, relativamente a determinado assunto ao mesmo tempo em que vai fundamentando-a na observação empírica” (COUTINHO,

2005, p. 177-197). Em sendo um tipo de investigação indutiva e descritiva, na qual se desenvolvem conceitos, ideias e entendimentos a partir de padrões encontrados nos dados, buscou-se a compreensão e a interpretação dos fenômenos estudados trabalhando com valores, representações, hábitos, atitudes e opiniões. Como estratégia para se investigar uma realidade em particular, a escolha de um cenário específico para estudo de caso nos possibilitou apreender determinada situação em sua totalidade e descrever a complexidade de um caso concreto permitindo “a penetração na realidade social” (GOLDENBERG, 2002, p. 34).

2.2.1 Método de abordagem

Teve-se como proposta investigar, analisar e discutir a interdependência e relações recíprocas, ou não, entre os diversos fatores que dizem respeito a realidade e ao contexto contemporâneos dos sistemas de mobiliário urbano implantados em áreas centrais das cidades brasileiras, através do método dialético e suas leis “ação recíproca” (tudo se relaciona) e “mudança dialética” (tudo se transforma) (De MORAES, 2010, p. 20), à luz dos conceitos da funcionalidade, da racionalidade e da emotividade. Segundo Marconi e Lakatos (2003, p. 101),

Para a dialética, as coisas não são analisadas na qualidade de objetos fixos mas em movimento: nenhuma coisa está “acabada” encontrando-se sempre em vias de se transformar, desenvolver-se. O fim de um processo é sempre

o começo de outro. Por outro lado, as coisas não existem isoladas, destacadas uma das outras, e independentes, mas como um todo unido, coerente. Tanto a natureza quanto a sociedade são compostas de objetos e fenômenos organicamente ligados entre si, dependendo uns dos outros e, ao mesmo tempo, condicionando-se reciprocamente [...] nenhum fenômeno da natureza pode ser compreendido, quando encarado isoladamente, fora dos fenômenos circundantes; porque, qualquer fenômeno, não importa em que domínio da natureza, pode ser convertido num contrassenso quando considerado fora das condições que o cercam.

2.2.2 Métodos de procedimentos operacionais

Os métodos operacionais foram definidos segundo as estratégias metodológicas adotadas e se relacionam a:

a. Observação estruturada (sistemática, planejada, controlada): captar os

aspectos relacionados ao contexto socioambiental estudado e às consequências decorrentes das situações levantadas fazendo uso de instrumentos para a coleta de dados e fenômenos observados. Observar espontaneamente os fatos que ocorrem no contexto investigado, sendo mais um espectador que um ator. Neste sentido a observação simples não apenas favorece a obtenção de elementos para a definição objetiva do problema da pesquisa como também facilita o levantamento de dados sem causar transtornos aos membros do grupo estudado (pedestres). Posto desta maneira, este tipo de observação busca apreender informações relativas aos atores envolvidos (usuários pedestres), o cenário (ambiente construído) e o comportamento social (interações e usos do mobiliário urbano e outros elementos da infraestrutura urbana);

b. Contextualização: determinar características e peculiaridades físico-

estruturais e organizacionais do ambiente urbano em suas várias nuances, situando-o no espaço e no contexto ambiental específicos, observando os aspectos socioculturais relacionados aos usos, atividades e apropriações dos espaços públicos (calçadas) assim como os elementos que configuram a infraestrutura e a paisagem local, uma vez que foram analisados alguns casos com o intuito de verificar sua natureza análoga objetivando esclarecer alguns fenômenos urbanos, buscando correspondência com os princípios teórico- conceituais estruturantes da pesquisa;

c. Levantamento: busca de fontes secundárias que revelassem as relações

existentes entre os vários conceitos envolvidos no contexto socioambiental estudado, ou seja, tornar o desconhecido familiar através da interpretação das informações adquiridas;

d. Comparação entre as características do espaço público avaliado e dos

artefatos urbanos ali instalados, pretendendo-se captar aspectos fundamentais relacionados ao contexto socioambiental estudado e às implicações decorrentes daquelas relações com alguns casos semelhantes existentes em diversas cidades brasileiras e do exterior com o intuito de verificar a natureza análoga e as possibilidades de generalização entre eles, objetivando explicar determinados fenômenos, tendências e particularidades.

2.2.3 Universo da pesquisa e delimitação do estudo

O centro urbano principal10 da cidade de Natal/RN, localizado no bairro da Cidade Alta, foi o cenário escolhido para investigação em que algumas vias foram selecionadas para averiguação segundo o nível de importância e vitalidade urbana11 de seus espaços públicos para a cidade e seus habitantes. Delimitou-se, também, um perímetro urbano que apresentasse número significativo de elementos instalados ao longo daquelas vias, possibilitando verificar as relações funcionais, racionais e emotivas no ambiente urbano, segundo os princípios das funções práticas, estéticas e simbólicas de tais artefatos urbanos. Como estratégia para a familiarização com o ambiente e compreensão da sua dinâmica definindo um cenário geral para cada local investigado, buscou-se levantar dados sobre a disponibilidade, localização, posicionamento, utilização e quantificação das tipologias do mobiliário urbano existentes naqueles trechos; mapear e caracterizar os espaços públicos das áreas centrais e suas singularidades como também realizar um percurso orientado com base na análise sequencial fazendo o registro fotográfico dos trechos avaliados.

10 De acordo com definições de Villaça (2004), Vargas e Castilho (2006), Panerai (2006). 11 Conforme estudo realizado por Vikas Metha (2009) onde o autor define uma série de

princípios que indicariam o nível de vitalidade de alguns espaços públicos baseado na correlação entre as características físicas do ambiente urbano e o comportamento das pessoas. (Nota do autor).

2.2.4 Técnicas de coleta de dados

2.2.4.1. Pesquisa bibliográfica: enfoques teóricos e conceituais relacionados ao espaço público e ao desenvolvimento do design do sistema de mobiliário urbano, questões da acessibilidade e da mobilidade que influenciam na consecução de atividades cotidianas pelos cidadãos no centro urbano principal. Foram levantados dados e informações abordadas em outros estudos relacionados à temática proposta neste trabalho que pudessem contribuir para o seu embasamento, por meio de conceitos fundamentais e aspectos metodológicos gerais.

2.2.4.2. Pesquisa documental: parâmetros e referências voltados às normatizações do mobiliário urbano destinado aos espaços públicos, e também questões afetas aos projetos para acessibilidade e mobilidade urbanas disponibilizadas em Códigos de Obras do Município de Natal, Códigos de Posturas do Município, Normatizações da ABNT, Manuais Técnicos e Cadernos do Ministério das Cidades, Decretos e Leis municipais e federais. Documentos referentes à implantação de mobiliário urbano em outras cidades do Brasil foram pesquisados como referência para o estabelecimento de critérios de análise adequados aos objetivos deste trabalho oferecendo níveis de comparação compatíveis entre soluções adotadas em diferentes contextos sócio ambientais.

2.2.4.3. Pesquisa empírica: a avaliação dos espaços públicos e dos artefatos urbanos foi orientada pelos critérios definidos ao longo do levantamento e análises realizadas caracterizando-se como somatório de fatores que possibilitam uma ampla percepção quanto às soluções existentes no ambiente urbano investigado. Esses critérios se referem aos conceitos da funcionalidade, racionalidade e emotividade, focos desta investigação, com os quais se persegue uma integração sistêmica entre o ambiente construído, os elementos urbanos e os usuários. Esta pesquisa empírica é composta de duas etapas da investigação: a primeira se refere à Análise Técnica do ambiente e dos elementos urbanos, visando apreender o universo dos elementos da infraestrutura urbana que compõem os espaços públicos investigados e suas características gerais relacionadas aos usos, funções, materiais empregados, sistemas construtivos e operacionais.

A segunda diz respeito à Análise Visual, levando em consideração os aspectos estéticos e emotivos, baseados nas leis da Gestalt e da Percepção da

forma, que configuram os elementos urbanos atualmente instalados nos espaços públicos estudados e sua relação estético-simbólica, com o entorno imediato. Para a consecução dessas análises tiveram-se como base alguns procedimentos metodológicos sugeridos por Ferrara (1999) tendo por finalidade:

1. A apreensão das características contextuais;

2. Organização das variáveis que interferem no contexto;

3. Discriminação entre essas características objetivando-se perceber diferenças; 4. Comparação entre as informações para determinar concretamente o contexto

estudado.

2.3 Critérios para Análises Técnica e Visual

No intuito de compreender as características e peculiaridades do mobiliário urbano instalado ao longo das vias investigadas, e identificar os aspectos gerais da infraestrutura urbana que compõem o contexto ambiental objeto desta análise, recorreu-se, dentro de uma visão sistêmica, aos parâmetros avaliativos indicados nas abordagens metodológicas propostas por SERRA (2000), CPD (2005), ÁGUAS (2010), MORRIS (2010) e GEHL (2013), apontadas a seguir.

2.3.1. Critérios para análise do mobiliário urbano

O mobiliário urbano existente nesses espaços foi levantado e analisado segundo uma classificação de uso e de importância funcional para a qualificação do espaço urbano, para tanto foram definidos os seguintes critérios para análise e levantamento das funções práticas, estéticas e simbólicas desses produtos urbanos:

1. Concepção formal: estrutura formal, fundamentada nos princípios de: unidade - conjunto de elementos que configuram coerentemente o objeto, como um todo, através de relações formais, dimensionais ou cromáticas; continuidade “organização perceptiva da forma de modo coerente, sem quebras ou interrupções na sua trajetória ou na sua fluidez visual” (GOMES FILHO, 2008, p. 33); pregnância - organização visual simplificada da forma do objeto facilitando a interpretação e a leitura dos elementos; harmonia - perfeita articulação visual na integração e coerência formal das unidades que compõem o produto; coerência - compatibilidade visual quanto à linguagem formal uniforme do objeto;

2. Implantação: integração entre elemento funcional e localização no espaço público respeitando a topografia, paisagem/vegetação e o contexto local (usos e atividades) com uma configuração ordenada;

3. Materiais: adequação aos usos, funções e compatibilidade com as condições bioclimáticas; sustentabilidade (uso racional de poucos materiais, uso de materiais endógenos); tratamento sensorial das superfícies como resposta estimulante ao toque e à visão (tatilidade);

4. Manutenção: estado de conservação e degradação; vandalismo; facilidade de reposição de sistemas;

5. Multifuncionalidade: emprego de estruturas e sistemas que possibilitem rearranjos ou adaptações;

6. Perigo e riscos: desconforto, obstrução do passeio e da visibilidade, mau funcionamento, insegurança no uso; materiais cortantes; fragilidade.

2.3.2. Critérios para análise do espaço público Segundo Sudsilowsky (2002, p. 09-10),

[...] as configurações espaciais não possuem autonomia, não surgem espontaneamente, nem são determinadas por nenhum evento a priori. O sistema dos objetos reproduz a hierarquia dos sistemas sociais, e prescinde de noções que fazem parte da subjetividade do configurador – o usuário do espaço. Apesar de tudo, o mobiliário tem se apresentado como uma forma de linguagem, uma gramática, que é seguida pelos usuários, mesmo que de forma inconsciente.

Os critérios apresentados a seguir foram estabelecidos objetivando facilitar as análises relativas ao ambiente construído (edificações, calçadas e infraestrutura) como também compreender algumas relações perceptivas concernentes aos usos, apropriações e vínculos dos cidadãos com sua cidade.

1. Acessibilidade e mobilidade: dimensionamento e qualidade da infraestrutura do entorno, que facilitem o fluxo de deslocamento; definição racional do alinhamento dos elementos urbanos e demais estruturas no espaço de circulação.

2. Adaptabilidade: possibilidade de adaptação a diferentes cenários da evolução da cidade em função de novas necessidades advindas de mudanças nos

padrões sociais, culturais e econômicos; diversidade de usos (caráter efêmero ou duradouro).

3. Identidade: cada local possui características e qualidades que o torna único, valorizando o entorno. Apresenta simbolismos e significados que suscitam memórias, tradições e a própria história da cidade.

4. Legibilidade: relações ordenadas por compatibilidade de linguagens formais, escalas e proporções e baixo nível de contraste entre os diversos elementos do contexto ambiental; locais de fácil compreensão e circulação.

5. Permeabilidade: espaços de transição suave entre o espaço público e o privado; edificações que permitam a relação interior-exterior.

6. Segurança, conforto e aprazibilidade: equilíbrio formal entre os elementos/sistemas do espaço e sua relação formal com o entorno imediato; ambiente dinâmico, organizado, limpo, dotado de elementos naturais (vegetação) que promovam a fácil circulação e permanência.

Delimitados os elementos do mobiliário a serem analisados e definidos os critérios para análise do espaço público, procedeu-se à pesquisa de campo para coleta dos dados e informações necessárias ao desenvolvimento da investigação, através de levantamento e registro fotográfico do perímetro investigado. Por meio da observação sistemática do espaço público buscou-se avaliar quais os aspectos mais ou menos consistentes que configuram a estrutura do ambiente urbano, dentre eles as atividades, os elementos e os indivíduos que ali atuam e se inter-relacionam. O nível de profundidade e de qualidade dos dados varia de acordo com cada ambiente específico, cada elemento funcional e sua condição física sendo também influenciado por situações de uso afetadas pela temporalidade na qual a investigação foi conduzida (diurno/noturno).

A observação sistemática baseou-se nos procedimentos utilizados para a avaliação pós-ocupação12 adaptando-a para uma avaliação pós-uso do design mobiliário urbano. Para isso foram elaborados formulários avaliativos baseados na análise dos mapas comportamentais13, centrado no lugar e no objeto já que o foco é

12 Segundo Ornstein (1995), a Avaliação Pós-Ocupação tanto realiza avaliações

comportamentais quanto avaliações técnicas.

13 Os mapas comportamentais são uma espécie de vistoria técnica feita para efetuar o

o mobiliário, o espaço público e as pessoas que nele circulam e realizam suas atividades. Neste caso o enfoque é voltado para uma avaliação técnico-funcional a respeito da frequência de uso do mobiliário pelos usuários, ou do período de ociosidade, ao qual o mobiliário é submetido no espaço urbano, tendo como finalidade verificar o efetivo uso do produto, seu valor de uso para o cidadão e sua importância para a qualificação do espaço público.

As observações ocorreram durante 14 dias entre julho e agosto de 2011, tanto pela manhã (9h às 12h) quanto à tarde (15h às 18h), onde cada tipo funcional do mobiliário urbano foi observado durante uma hora/turno. A cada intervalo de 10 minutos era realizado um “instantâneo” para verificar, naquele momento, os usuários interagindo com o produto. O mobiliário foi organizado em grupos constituídos de três produtos segundo sua disposição física nas quadras, levando em consideração o mesmo princípio adotado para o levantamento do mobiliário naquele local, ou seja, o sentido do percurso Norte-Sul realizado inicialmente, procurando-se manter uma coerência entre os critérios de análise adotados.

A partir desta aferição foi possível observar o uso do produto pelos usuários no meio ambiente urbano, seu estado de ociosidade, condição de uso (posicionamento, localização e nível de integridade física do mobiliário), relevância do artefato para o ordenamento e desempenho funcional no contexto socioambiental analisado. A análise textualmente apresentada encontra-se ilustrada e comentada quando se faz necessário, tendo por finalidade demonstrar as situações encontradas e as relações apontadas objetivando melhor visualização e compreensão dos dados levantados; fenômenos que apresentam maior complexidade de informação são, noutras vezes, detalhados e destacados na condução da avaliação.

2.4 Referencial Teórico

A questão central levantada por esta investigação fundamentou-se em dois eixos principais (design de produtos e legibilidade do espaço público) que, embora de referências teóricas distintas, se mostram interligados entre si, configurando os

técnico-construtivas, as dimensões espaciais, o tipo e a distribuição do mobiliário, as condições ambientais de ventilação e iluminação naturais (apenas observações representadas em croquis). Afirmam ORNSTEIN e ROMÉRO (2003: p.49) que os mapas comportamentais “podem estar acompanhados de registros de trilhas e fluxos de pessoas”.

campos de investigação que estruturam os conceitos-chave deste trabalho: funcionalidade, racionalidade e emotividade; entretanto, a intenção não foi descrever detalhadamente princípios e definições que norteiam cada área teórica específica, mas, por outro lado, estabelecer marcos e diretrizes que se prestem a futuros debates e pesquisas.

Pretendeu-se, dentro dos princípios do pensamento complexo14 e do planejamento sistêmico, analisar como aspectos funcionais, estéticos e simbólicos distintos que configuram o sistema do mobiliário urbano interferem na organização, no ordenamento e na legibilidade do espaço público tendo como resultado um diagnóstico sobre a atual compreensão e valor de uso atribuído ao mobiliário instalado nos trechos investigados, referindo-se aos conceitos de funcionalidade, racionalidade e emotividade incutidos no design de sistemas de objetos.

Nos Infográficos 1, 2 e 3, a seguir, indicam-se os autores que serviram de base para definir os conceitos investigados e que configuram a estrutura geral deste trabalho, observando-se as relações teóricas entre cada um deles. Quanto às