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BÖLÜM 2: BULGULAR VE YORUM

2.2. Genel Ekonomik Durum

Existem diversas definições para o empreendimento conhecido como Parque Tecnológico: algumas realçam alguma especificidade do empreendimento, outros apresentam definições mais amplas. Um conjunto de conceitos e características de parques tecnológicos elaborados pelas principais associações deste tipo de empreendimento, como a International Association of Science Parks- IASP, a United Kingdom Science Parks Association- UKSPA, a American Association of University Research Parks - AURP, a Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores - ANPROTEC e definições encontradas em bibliografias especializadas são apresentadas no Quadro 13.

Quadro 13 – Conceitos e características de Parques Tecnológicos

Autor Conceito e características de Parques Tecnológicos

IASP (2011) é uma organização gerenciada por profissionais especialistas, cujo principal objetivo é aumentar a riqueza de sua comunidade pela promoção da cultura da inovação e da competitividade de suas empresas associadas e instituições baseadas em conhecimento.

Autor Conceito e características de Parques Tecnológicos

Para permitir que estas metas sejam alcançadas, o Parque Científico estimula e gerencia o fluxo de conhecimento e tecnologia entre universidades, instituições de pesquisa e desenvolvimento, empresas e mercados; isto facilita a criação e o crescimento de empresas baseadas em conhecimento por meio de mecanismos de incubação e processos de “spin-off”; e proporciona outros serviços de valor agregado juntamente com instalações e espaço de alta qualidade.

UKSPA (2011)

Iniciativa de apoio às empresas e à transferência de tecnologia que:

- Incentiva e apoia o início e a incubação de empresas baseadas no conhecimento, de alto crescmento e que visam à inovação.

- Proporciona um ambiente no qual empresas de grande porte e internacionais possam desenvolver interações próximas e específicas com determinado centro de criação de conhecimento para o benefício mútuo.

- Tem ligações formais e operacionais com os centros de criação de conhecimento, como universidades, institutos de ensino superior e organizações de pesquisa.

AURP (2011) Propriedade com um plano diretor projetado para pesquisa e comercialização; Cria parcerias com universidades e instituições de pesquisa;

Incentiva o crescimento de novas empresas; Traduz tecnologia;

Direciona o desenvolvimento econômico baseado em tecnologia. ANPROTEC

(2002, p.80) (a) complexo industrial de base científico-tecnológica planejado, de caráter formal, concentrado e cooperativo, que agrega empresas cuja produção se baseia em pesquisa tecnológica desenvolvida em centros de P & D vinculados ao Parque; (b) empreendimento promotor da cultura da inovação, da competitividade, do aumento da capacidade empresarial fundamentado na transferência de conhecimento e tecnologia, com o objetivo de incrementar a produção de riqueza.

Figlioli (2007, p. 31)

empreendimentos imobiliários planejados, com uma estrutura administrativa institucionalizada, que visa à promoção da inovação por meio de mecanismos de transferência de conhecimento, localizados em uma área geográfica delimitada dentro, ou próxima, ao campus de Universidades ou institutos de pesquisas, com os quais mantém relações formais. Tais parques acomodam incubadoras tecnológicas, centros tecnológicos, empresas não incubadas de base tecnológica e/ou inovadoras, podendo tais empresas serem relacionadas a determinado setor ou mesmo multi-setores industriais, e diversos outros empreendimentos de suporte e prestação de serviços, tais como laboratórios de uso conjunto, bancos, correio, etc.

Lunardi (1997, p.17)

é uma iniciativa localizada num loteamento apropriadamente urbanizado e possui três características básicas: - tem ligações formais com a universidade ou outras instituições de ensino e pesquisa; - permite a formação e crescimento de empresas de base tecnológica e outras organizações que também se situam no local; - é coordenada por uma entidade que desempenha as funções de gerente do parque, a qual estimula a transferência de tecnologia e promove ações voltadas ao aumento da capacitação das empresas e dos demais empreendimentos que residem no local.

Lalkaka e Bishop Júnior (1995, p. 61)

pode ser considerado um desenvolvimento imobiliário realçado que tira vantagem da proximidade de uma fonte significativa de capital intelectual, ambiente favorável e infraestrutura compartilhada. No entanto, as características marcantes são o arrendamento a longo prazo e/ou compra do terreno e o direito de construir (talvez com limitações importantes) ou ocupar instalações previamente concluídas[...]

Uma vez que dentre as definições apresentadas podem se enquadrar vários tipos de empreendimentos, a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial - ABDI em conjunto com a ANPROTEC, desenvolveram um estudo sobre a taxonomia desses empreendimentos estruturada a partir de dois eixos básicos: base de ciência e tecnologia e base empresarial (quadro 14).

Quadro 14 – Eixos básicos da definição de taxonomia de Parques pela ABDI e ANPROTEC Eixos Básicos Descrição

Base de C&T Leva em conta os parâmetros, indicadores e características do Parque Tecnológico e da região entorno no que diz respeito à base de conhecimento existente na região na forma de universidades, instituições de C&T, profissionais qualificados, histórico de projetos de P&D, infraestrutura para pesquisa, sistema educacional, investimentos públicos e privados em P&D, etc.

Base empresarial

Leva em consideração fatores relacionados à densidade de empresas inovadoras e à cultura de empreendedorismo e inovação existente na região, avaliada na forma de empresas de tecnologia estabelecidas, histórico e geração de star-ups, existência de organizações de venture capital, receitas geradas por empresas inovadoras, nível de globalização dos negócios, etc.

Fonte: Baseado em ABDI e ANPROTEC (2008, p.10)

Tais eixos deram origens a representações que mostram os empreendimentos em relação à relevância de cada eixo. A figura 5 apresenta a locação do “mundo” dos parques tecnológicos, no posicionamento intermediário entre os dois eixos. A figura 6 apresenta a taxonomia dos empreendimentos.

Figura 5 – O “mundo” dos parques: entre as

bases de C&T e empresarial Figura 6 – Gráfico representativo da Taxonomia de Parques

Fonte: ABDI e ANPROTEC (2008, p.10)

Independente do conceito utilizado, pode-se observar que de forma geral os parques são compostos por três elementos: “[...] primeiro, são baseados num modelo particular de investigação científica e inovação industrial; segundo, possuem forma espacial e conteúdo próprios; terceiro, são empreendimentos imobiliários realizados por determinados agentes com interesses específicos.” (MASSEY; QUINTAS; WIELD, 1992, p. 9).

No que tange ao modelo de investigação científica, a premissa que suporta a implantação dos parques está baseada na idéia de que não é apenas o fortalecimento da base de C&T cujos resultados possam ser transferidos à indústria, num processo linear, que leva à inovação industrial. Assumir que a inovação tecnológica somente tem origem na pesquisa científica é

assumir os setores industriais como passivos receptores de tecnologias para o desenvolvimento de produtos para os quais deve-se gerar, fortalecer ou ampliar mercados. O contrário também é válido: assumir que somente o mercado deve guiar o processo de inovação direcionando o desenvolvimento de pesquisas somente à tecnologias que possuam clara aplicação mercadológica, descarta a potencial da pesquisa básica na geração de futuras aplicações mais abrangentes e inovações radicais. Ambos são modelos lineares que representam as primeiras gerações do processo de inovação, utilizados nas décadas de 1950 e 1970.

De acordo com a IASP (2011), 60 % dos parques tecnológicos no mundo, nos anos de 2006- 2007, estavam implandados em regiões de alta densidade de pesquisa acadêmica (mais de cinco universidades ou intituições de ensino superior). Tal padrão de localização dos parques tecnológicos pode levar a um entendimento não adequado sob o modelo de inovação que devem considerar enquanto premissa para sua operacionalização, uma vez que não somente massa crítica em pesquisa acadêmica mas também a concentração industrial, ou potencial concentração, justifica sua atuação enquanto organização intermediária em inovação.

A adoção pelo parque de um modelo linear de inovação pode levar a um contexto de maior desigualdade, por meio da maior divisão do trabalho – com forte distinção entre a concepção e a execução – e criação de ilhas de tecnologia, que se afastam da indústria, implicando em empreendimentos que instituem restrições à implantação de atividades produtivas em suas áreas (MASSEY et al, 1992). Considerar tal modelo de inovação no estabelecimento de parques pode minar o potencial de desenvolvimento social e econômico regional deste mecanismo. O modelo de inovação tecnológica ao qual os parques estão relacionados pressupõe o fortalecimento de um modelo de inovação integrado e em rede.

Nas definições do elemento em estudo, podem ser encontradas relações causais, ou seja, se um parque for instalado, então teria-se como resultado:

a) Promoção da formação de novas empresas;

b) Facilidade de interações entre a universidade ligada ao parque e as empresas residentes, e ainda a obtenção de idéias para novos produtos e processos;

c) Empresas no parque possuirão um alto nível tecnológico, e estarão na fronteira tecnológica;

d) Criação de oportunidades de emprego (MASSEY; QUINTAS; WIELD, 1992).

Tais relações causais foram contestadas por Massey, Quintas e Wield (1992), que as consideraram vagas descrições do que os proponentes dos parques esperam ver de resultados. Em pesquisa junto a parques tecnológicos britânicos, tais autores depararam-se com resultados divergentes do que os normalmente encontrados nos objetivos enunciados pelos parques. No que tange à formação de novas empresas, o resultado da criação de start-ups foi observado em menor número que o esperado, sendo que grande parte das empresas residentes dos parques são realocações de unidades já existentes (em sua maioria da mesma cidade). Tal resultado impacta na questão da criação da oportunidade de empregos, que demonstrou certo sucesso – principalmente na questão de empregos qualificados – uma vez que a realocação não significa aumento de vagas, principalmente quando o empreendimento recebe empresas que anteriormente estavam instaladas na mesma cidade. Grande parte das empresas residentes nos parques desenvolve novas aplicações para tecnologias relativamente novas, sendo que os parques frequentemente operam mais como difusores de tecnologias do que como inovadores. A instalação de empresas nos parques não aumentou a parceria formal entre os mesmos – empresas que já mantinham colaborações formais com a universidade antes de ingressar no parque continuaram as mesmas, e empresas que não não possuíam nenhum tipo de colaboração formal com a universidade vinculada ao parque não a desenvolveu após se tornar empresa residente do empreendimento (em alguns casos a colaboração formal das empresas aconteceu com outras universidades, inclusive em outras regiões). Os autores ressaltam que apesar da interação por mecanismos formais não ter se fortalecido como o esperado, houve incremento nos contatos informais com pesquisadores. Desta forma, os resultados da pesquisa não indicaram a existência das relações causais explicitadas nos postulados.

Corroborando com tais autores, Bakouros, Mardas e Varsakelis (2002) ao analisar o desempenho dos parques gregos, observaram que foram fortalecidas as cooperações informais entre a universidade e as empresas residentes. Já a cooperação formal varia, sendo que a maioria das empresas apenas consideram os parques como empreendimentos imobiliários de prestígio, o que pode ser reflexo da pouca experiência grega em relação a parques tecnológicos.

Apesar das contestações a respeito do desempenho dos parques tecnológicos, deve-se considerar que ainda inexistem modelos sistematizados amplamente aceitos para auferir o nível de desempenho dos mesmos, uma vez que os objetivos de um empreendimento podem variar em relação a outro, desta forma mesmo parques que apresentam resultados análogos podem apresentar níveis diferentes de atingimento dos objetivos inicialmente estabelecidos.

De acordo com Wessner (2009), apesar dos parques apresentarem grande variação entre si, podem ser observadas algumas características-chave do sucesso de parques, descritas no quadro 15.

Quadro 15 – Características-chave das melhores práticas de parques de sucesso Características-

chave Descrição

“Campeões” Indivíduos comprometidos que dedicam continuamente um alto nível de atenção com expressivo apoio para o crescimento e desenvolvimento do parque.

Liderança Liderança efetiva e gerenciamento profissional para facilitar o relacionamento entre os empreendedores, pesquisadores, investidores e outros participantes de dentro ou em torno do ecossistema de inovação do parque.

Financiamento Fundos públicos designados e contínuos e participação privada ativa, combinada com políticas públicas efetivas para apoiar as empresas que buscam converter ideias em inovações e inovações em produtos para o mercado.

Instituições de

ligação Instituições que preservam a visão do parque durante o longo período até sua consolidação. Infraestrutura

“Soft” Relaciona-se com a (i) construção de massa crítica durante muitos anos por meio de investimento público em educação e capacitação, (ii) políticas públicas que estimulam a cultura empreendedora, e (iii) a presença de redes entre profissionais. Métricas Métricas efetivas para auxiliar à gerência do parque estabelecer metas claras ao

longo do tempo, que permitam a mensuração da efetividade do parque. Fonte: Adaptado de Wessner (2009, p.4)

2.4.1.1 Considerações sobre os conceitos e características de parques tecnológicos para esta pesquisa

Nesta pesquisa são classificados como parques tecnológicos os empreendimentos imobiliários planejados que visam à promoção do desenvolvimento de inovações pelas empresas residentes, à geração de novas empresas inovadoras, e ao gerenciamento do fluxo de conhecimento e tecnologia entre organizações residentes e não residentes. Para tanto oferecem infraestruturas e serviços especializados, próprios ou em parcerias com outras organizações, para atender a todas as fases do desenvolvimento empresarial.

A adoção pelo parque de um modelo linear de inovação como premissa na construção do modelo de negócio pode levar a um contexto de maior desigualdade, por meio da maior

divisão do trabalho e criação de ilhas de tecnologia, que se afastam da indústria. Considerar tal modelo de inovação no estabelecimento de parques pode minar o potencial de desenvolvimento social e econômico regional deste mecanismo.

Para este estudo, busca-se propor modelo de negócios para organizações gestoras de parques tecnológicos que se classificam como consolidados ou emergentes, com potencial de consolidação, de forma a excluir da análise empreendimentos que tenham como natureza somente uma extensão de universidades ou institutos de pesquisa, de um lado, ou, em outro extremo, que se estruturem como distritos industriais de “luxo”.