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BÖLÜM 1: KURAMSAL ÇERÇEVE

1.7. Evde Bakım Hizmetinin Gerekliliği ve Önemi

As variações relativas do nível do mar ao longo do Quaternário constituem-se no principal fator a ser considerado na formação das planícies costeiras paulistas.

A formação das planícies costeiras está intimamente ligada ao processo de isolamento e de colmatagem, de braços de mar e de fechamento de antigas lagunas. Esses processos podem ocorrer devido às variações do nível médio relativo do mar, as quais fazem parte de inúmeros acontecimentos, que constituem etapas da formação das baixadas e da retificação litorânea, em trechos em que o litoral é recortado e irregular. “As flutuações do nível relativo do mar, associadas a mudanças paleoclimáticas, foram as principais causas da formação das planícies costeiras do sudeste e sul do Brasil, segundo

uma seqüência de camadas estudadas” (SUGUIO & MARTIN, 1987).

As variações do nível marinho durante o Quaternário foram caracterizadas por várias fases transgressivas e regressivas. De acordo com Suguio et al (1985), a maior parte

das planícies do litoral paulista é formada por depósitos arenosos originados durante a última fase transgressiva (Holocênica, c. 5.100 anos A.P). Em alguns outros trechos do litoral, também foram identificados depósitos ligados à transgressões mais antigas, como a Transgressão Cananéia do Pleistoceno (120 mil anos A.P.).

Por ocasião do máximo da Transgressão Cananéia o mar atingia o sopé da Serra do Mar, quando foram depositadas areias transgressivas. Na regressão do nível do mar, essas areias foram mais ou menos erodidas. O mar parece ter praticamente destruído os depósitos arenosos restantes durante a última fase transgressiva. O testemunho de areia pleistocênica encontrado próximo a Bertioga foi preservado da ação erosiva das ondas pela extremidade norte da ilha de Santo Amaro (SUGUIO & MARTIN, 1987, p. 45).

Durante a oscilação holocênica, o mar atingiu novamente o sopé da Serra do Mar, depositando sedimentos arenosos litorâneos. Quando ocorreu uma pequena regressão, aqueles depósitos foram recobertos por cordões litorâneos. No decurso do evento transgressivo holocênico, o mar penetrou nas zonas baixas e depositou argilas ricas em restos orgânicos, destruindo, ao mesmo tempo, uma parte dos depósitos precedentes. Os cordões litorâneos devem ter sido formados durante o retorno do nível marinho para o seu nível atual, alguns morros do litoral devem ter sido unidos ao continente durante a última fase regressiva, conforme afirmam Suguio & Martin (1978).

Com base em evidências sedimentológicas, biológicas e pré-históricas, tem sido possível construir curvas ou esboços de curvas de variações do nível do mar.

Entre os setores que dispõem de curvas de variação do nível relativo do mar no Holoceno, destacam-se o setor situado entre Bertioga e Praia Grande, na região de Santos (São Paulo), trecho de aproximadamente 60 km onde cerca de 30 reconstruções permitiram delinear uma curva bastante completa. Nota-se que, nesse setor, o nível atual foi ultrapassado, pela primeira vez, cerca de 6.800 A.P. Finalmente, os níveis máximos de 5.100 e 3.600 anos A.P. atingiram respectivamente 4,5 e 3 metros acima do nível atual. (Suguio & Martin, 1987), conforme figura 44.

Figura 44. Variações relativa do nível do mar (Santos, SP) Fonte:Suguio & Martin (1985, apud ÂNGULO & LESSA, 1997).

O rebaixamento do mar até seu nível atual e os efeitos da tectônica cenozóica condicionou a erosão regressiva das cabeceiras dos rios serranos sobre o planalto atlântico, assim como o entalhamento dos depósitos mais antigos, estabelecendo-se as planícies de maré e planícies fluviais e aluvionares, bem como as praias, que configuram, atualmente, o compartimento topográfico da Baixada Santista, com seus morros isolados (fig. 45).

Figura 45. Estágios evolutivos das transgressões e regressões para explicar a origem da planície costeira

Fonte: Suguio & Martin (1978)

Para explicar a formação e configuração geomorfológica das planícies costeiras atuais, julga-se necessária uma retomada histórica dos processos que condicionam e favorecem a construção desses níveis topográficos ao longo do litoral, bem como a

interação dos seus principais elementos constituintes: o solo, o clima, relevo, a vegetação, e a dinâmica praial, condicionada também pela dinâmica atmosférica.

As planícies costeiras do estado de São Paulo foram formadas, sobretudo no período Quaternário, cujo limite inferior tem sido colocado na passagem do Plioceno para o Pleistoceno, embora nenhum acontecimento importante delimite essa transição. Não correspondem, de fato, às glaciações nem mesmo ao aparecimento do homem.

O Quaternário tem sido dividido em Pleistoceno e Holoceno, conforme figura 46.

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Figura 46. Divisão do período Quaternário da era Cenozóica Fonte: CPRM (2007).

Uma forma simplificada de explicar o condicionamento da sua evolução é a regra de Brumm, a qual mostra uma condição ideal de subida e descida do nível do mar, num perfil de equilíbrio entre as forças atuantes, que correspondem à intensidade e às variedades iguais, favorecendo ora a erosão ora a deposição de acordo com a descida e subida do nível do mar.

De acordo com Brumm (1962 apud Suguio & Martin, 1987), uma vez atingido o perfil de equilíbrio de uma zona litorânea, a elevação subseqüente do nível do mar tenderia a perturbar este equilíbrio, que seria então restaurado mediante a translação desse perfil rumo ao continente (fig. 47). Conseqüentemente, o prisma praial sofre erosão e o material erodido será transportado e depositado na antepraia. Esse fato ocasionará elevação no assoalho da antepraia em magnitude (a1) igual à elevação sofrida pelo nível do mar (a2), de forma a manter constante a espessura da lâmina d‟água.

Pr é- C ambr ia no Pa le oz ói co M eso ic o

Figura 47. Regra de Bruun Fonte: Suguio (1987)

Para Suguio et al (1987), ainda que a regra de Bruun tenha sido desenvolvida apenas para uma situação de subida de nível do mar, o equilíbrio desfeito na dinâmica de sedimentação litorânea por ocasião da descida deverá ser também restabelecido.

CAPÍTULO 8. CONDICIONANTES E CARACTERÍSTICAS DO