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Gecekondu, Đmar, Toprak Koruma ve arazi kullanım

3.6. Çevre Etiği ve Çevre Hukuku

3.6.2. Gecekondu, Đmar, Toprak Koruma ve arazi kullanım

A vida em sociedade é naturalmente conflituosa, existem conflitos por todo tipo de problemas ou interesses, seja internos (relacionados ao próprio indivíduo) ou externos (entre o indivíduo e outrem), podendo ser individuais ou coletivos.

Existe toda uma teorização sobre a questão do conflito, muito bem explicitada por Gonczevsky86, de como ele tem início, qual a evolução do seu estudo, quais as teorias do conflito que existem, quais as concepções formuladas. Na verdade, como esta não é a perspectiva central deste trabalho, será desenvolvido apenas o que interessa ao mesmo, que se refere especificamente ao conflito fundiário.

Na teorização do conflito existem várias concepções diferentes que visam conceituá-lo, que podem ser agrupados em cinco grandes grupos: a) conceito psicológico, que inclui a psicanálise (psicofisiológicos ou etólogos e os behavioristas); b) o conceito sociológico; c) o conceito sócio-psicológico; d) o conceito semântico; e) e por fim o conceito jurídico.

Inicialmente será identificada e descrita uma conceituação da palavra conflito, para em seguida definir a expressão conflito fundiário.

2.1.1 Significado do termo conflito

Segundo Lima87: “A palavra conflito é de origem latina, conflictio, significando,

85 Pedro Casaldáliga, In: Mitsue Morissawa, A história da luta pela terra e o MST, p. 126.

86 Clovis Gonczevsky, Jurisdição paraestatal: solução de conflitos com respeito à cidadania e aos direitos

humanos na sociedade multicultural.

em uma tradução ampla, discordância, incongruência, também quer dizer competição em relação aos atos, dizeres, opiniões, entre outras manifestações da razão humana”.

Lima88 em outro ponto de seu trabalho entende que o conflito é “aquilo que não se vê e problema, o que se vê, ou seja, conflito é a emoção e problema é o fato”. (…) “Conclui-se, então, que nem todo o problema é proveniente de um conflito ou até mesmo que seja causa deste, contudo pode-se alegar que todo o conflito, em seu interior, traz um problema”.

Gonczevsky89 ao se referir ao conceito jurídico argumenta que apenas o aspecto externo do conflito lhe interessa, ou seja, “é a luta, o pleito, o embate daqueles que estão em confronto”. Dessa forma, o conflito numa concepção jurídica

(...) se manifesta como uma contraposição intersubjetiva de direitos e obrigações, como um fenômeno que se produz quando, a respeito de um mesmo bem, coexistem duas pretensões encontradas ou uma pretensão de um lado e uma resistência de outro e é traduzido em exigência de comportamento dirigida ao antagonista.

O autor cita vários conceitos jurídicos de conflito formulados por outros juristas, para mostrar que apesar da diversidade de correntes existentes a cerca do tema é possível identificar a existência de três elementos básicos: 1) necessidade; 2) interesses; e 3) valores.

Já Fabiana Marion Spendler 90 apoiada nos ensinamentos de Julien Freund entende que a palavra conflito significa: “[U]m enfrentamento entre dois seres ou grupos da mesma espécie que manifestam, uns a respeito dos outros, uma intenção hostil, geralmente com relação a um direito. Para manter esse direito, afirmá-lo ou restabelecê-lo, muitas vezes lançam mão da violência, o que pode trazer como resultado o aniquilamento de um dos conflitantes”.

Graf conceitua o termo CONFLITO da seguinte forma: “Conflito‟ conforme consta dos léxicos, significa embate, discussão, desavença. A palavra „agrário‟ procede do latim ager/agri, que significa campo. Assim, quer significar as disputas no campo, a luta pela

88 Ibidem, p. 16.

89 Clovis Gonczevsky, Jurisdição paraestatal: solução de conflitos com respeito à cidadania e aos direitos

humanos na sociedade multicultural, p.31.

90 O conflito, o monopólio estatal de seu tratamento e as novas possibilidades: a importância dos remédios ou

remédios sem importância?, In. Fabiana Marion Spendler e Doglas César Lucas, Conflito, jurisdição e direito humanos: (des) apontamentos sobre um novo cenário social, p. 22.

82

terra.” (...) “Traz à tona a violência física que vitima homens, mulheres e crianças na luta pela terra.”91

2.1.2 Diferenciação entre conflito e conflitualidade

Felício92 conceitua CONFLITUALIDADE como “o processo de enfrentamento perene alimentado pela contradição estrutural do capitalismo que produz a concentração de riqueza de um lado e expande a pobreza e a miséria do outro”. Dentro dessa temática emerge interessante diferenciação entre conflito e conflitualidade descrita por Fernandes, o qual afirma que:

Um conflito por terra é um confronto entre classes sociais, entre modelos de desenvolvimento, por territórios. O conflito pode ser enfrentado a partir da conjugação de forças que disputam ideologias para convencerem ou derrotarem as forças opostas. Um conflito pode ser „esmagado‟ ou pode ser resolvido, entretanto a conflitualidade não. Nenhuma força ou poder pode esmagá-la, chaciná-la, massacrá- la. Ela permanece fixada na estrutura da sociedade, em diferentes espaços, aguardando o tempo de volta, das condições políticas de manifestações dos direitos. [...] Os acordos, pactos e tréguas definidos em negociações podem resolver ou adiar conflitos, mas não acabam com a conflitualidade, porque esta é produzida e alimentada dia-a-dia pelo desenvolvimento desigual do capitalismo.93

2.1.3 Relação entre o conflito real e o conflito jurídico

Gonczevsky94 entende que o Estado só se interessa e resolve o conflito jurídico criado pelo próprio sistema, de um indivíduo em relação a outro, através de uma relação autor e réu, não se interessando pelo conflito real, ou pelo conflito do indivíduo.

2.1.4 Significado da expressão

A partir dessas definições, podemos afirmar que o conflito agrário é o enfrentamento entre dois indivíduos ou grupos de indivíduos, que disputam o direito de se

91

Amauri Milton Graf, A resolução dos conflitos agrários sob a ótica da função social e dos movimentos sociais organizados, não paginado.

92 Munir Jorge Felício. A conflitualidade dos paradigmas da questão agrária e do capitalismo agrário a partir dos

conceitos de agricultor familiar e de camponês.

93

In. Munir Jorge Felício. A conflitualidade dos paradigmas da questão agrária e do capitalismo agrário a partir dos conceitos de agricultor familiar e de camponês.

94 Clovis Gonczevsky, Jurisdição paraestatal: solução de conflitos com respeito à cidadania e aos direitos

apropriar da terra como sua, numa relação hostil, na qual normalmente se utiliza violência para fazer valer o seu interesse pelo direito em disputa. E conflitualidade agrária é a relação permanente de embate existente entre as partes que se relacionam de forma hostil no campo.

É interessante salientar que esta perspectiva de conflitualidade é mais facilmente percebida na disputa por áreas ditas rurais, não em razão da sua localidade ou especificidade, mas sim em razão da estrutura e organização dos movimentos populares como ocorre com o MST (Movimento dos Sem-terra).

Esta diferenciação, entre conflito e conflitualidade, é de suma importância para o estudo, principalmente porque quando falamos em sustentabilidade territorial em um contexto permeado por conflitos agrários, estamos falando da necessidade de criação de instrumentos diferenciados que possam prevenir e resolver estes conflitos, mais que é preciso ir além e combater tantos os efeitos oriundos do movimento da conflitualidade como também a causa que é a desigualdade social, a exploração econômica, a exclusão cultural, a dominação política e a estrutura fundiária desigual. Tudo isso com finalidade de que haja a mudança de consciência da sociedade de que todos são realmente iguais e, portanto têm os mesmos direitos.