3.5. Yerel Yönetimler ve Çevre Yönetimi
3.5.1. Đl Özel Đdareleri
O registro imobiliário existe no Brasil desde a Lei nº 601/1850, mas foi com a Lei nº 6.015/73 que regulamentou o sistema registral imobiliário do país. Assim para se provar que é dono é necessário a transcrição do Título no Cartório de Registro de Imóveis do município no qual o bem está disposto territorialmente. Ocorre que apesar do regramento disposto muitos títulos inábeis a comprovação da propriedade foram levados a registro de forma ilegal, como: cartas de sesmarias não confirmadas; registros paroquiais ou registros do vigário que tinham caráter meramente declaratório para fins cadastrais; títulos de posses não legitimados; títulos de arrendamentos; títulos de aforamentos; títulos de ocupação; títulos coloniais; títulos de ocupação de terras devolutas; licenças de ocupação; autorizações de detenção; autorizações de utilização de bem público; contratos de direito real de uso.
1.2.1.1Títulos de Posse
Dentre todos estes documentos inábeis à comprovação de propriedade que foram registrados indevidamente, o caso mais alarmante é o referente aos títulos de posse, já que este tipo de documento só foi expedido no Estado do Pará e não se sabe ao certo quantos foram emitidos ou qual a área total correspondente a todos estes títulos.
Esse tipo de documento fundiário tem suas raízes há muito tempo. No período do império brasileiro a Lei nº 601/1850, Lei de Terras, criou o título de legitimação de posse. Com a proclamação da República e a promulgação da Constituição Republicana de 24 de janeiro de 1891, o país passou a adotar a autonomia federativa dos Estados-membros, o que dentre outras coisas, transferiu o domínio das terras devolutas da União para os os Estados, nos seus respectivos territórios e autorizava os estados federados legislar sobre a temática fundiária com o objetivo de gerir estas terras.
E é nesse contexto que o estado do Pará ao legislar sobre a questão agrária, através da primeira lei de terras – Decreto nº 410 de 8 de outubro de 1891, criou o Título de Posse com características peculiares que o diferenciam67 do título de legitimação de posse. O artigo 5º, §5º, deste decreto, dispõe os critérios para que as terras pudessem ser legitimadas, da seguinte forma: “As posses mansas e pacíficas com cultura efetiva e morada habitual, havidas por ocupação primária e registradas segundo o Regulamento que baixou com o
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Decreto nº 1318, de 30 de janeiro de 1854, que se acharem em poder do primeiro ocupante ou de seus herdeiros”.
O Regulamento deste decreto data de 28 de outubro de 1891, e dispõe que um título de posse para que fosse levado a registro era necessário que o mesmo fosse legitimado através da seguinte sistemática:
“Art. 40 – Estão sujeitas à legitimação:
1º - As posses e partes de posses, mansas e pacíficas, com morada habitual e cultura efetiva: a) iniciadas antes de 1850 em poder do 1º e 2º ocupantes ou de seus herdeiros, com direito à legitimação na forma do Regulamento de 30 de janeiro de 1854; b) iniciadas na mesma época e alienadas contra a expressa disposição do art. 11, da Lei nº 601, de 1850; c) estabelecidas depois daquela data até 15 de novembro de 1889 e continuadamente mantidas, sem protesto ou oposição alguma”. Segundo os artigos 115 e 116 do Regulamento de 1891 o registro dos títulos de propriedade e posse das terras particulares ficava a cargo da Repartição de Terras na capital e às Intendências Municipais no interior do estado. Já o artigo 117 dispunha que a transcrição do Título de Posse, de natureza provisória, deveria ser feito no livro de títulos de propriedade. Tendo o interessado o prazo de cinco anos para demarcar a posse para que pudesse receber o título definitivo.
Assim, por força da Lei nº 601/1850, Decreto nº 410/1891 e do seu regulamento, foi disciplinado o regramento legal contendo os critérios para a legitimação da posse. Esse regramento disciplinou os requisitos materiais (cultura efetiva, morada habitual, posse mansa e pacífica) e formais (registros dos títulos) para que o Título de Posse expedido pelo poder público estadual surta todos os seus efeitos no mundo jurídico.
Ocorre que o prazo de um ano estipulado pelo regulamento para que fosse feita a regularização do referido documento foi inúmeras vezes prorrogado e durou na verdade 104 anos, pois só teve um término em 31 de dezembro de 1995.
O Decreto nº 1.054, de 14 de fevereiro de 1996, dispõe que as terras cujas posses não foram legitimadas nas repartições de terras no tempo apropriado terão declarados caducos seus registros de posse. Este instrumento legal que encerrou de vez as sucessivas prorrogações da possibilidade de regularização das áreas dispostas nos títulos de posse, expõe em seus considerando que apesar da legislação paraense a partir do Decreto nº 410 dispor os mesmos requisitos necessários para que as áreas registradas como posse fossem tidas como domínio, a maioria dos respectivos detentores destes direitos não optou pela legitimação que a legislação dispunha.
“Considerando que, apesar de reiteradamente prorrogados por lei os prazos para a legitimação das áreas cobertas por título de posse, os detentores dos direitos deles decorrentes não cumpriram suas obrigações para com o Estado, a partir da falsa presunção de domínio emanada de registros imobiliários irregulares, ensejando muitas vezes, o superdimensionamento das respectivas áreas, com metragens superiores aos limites máximos permitidos no procedimento legitimatório”.
Tabela 3: Leis que ampliaram o prazo para registrar ou medir terras no Pará.
Legislação Registrar Artigos Fim Regulamento de 28/10/1891 132 1892 Lei nº 82, de 15/09/1892 18 15/09/1895 Lei nº 253, de 31/05/1892 1º 31/12/1898 Lei nº 536, de 24/05/1898 1º 31/12/1900
Decreto nº 886, de 16/07/1900 213 prazo fixado em lei
Lei nº 750, de 25/02/1901 1º 31/12/1902
Lei nº 841, de 31/10/1902 1º 31/12/1904
Lei nº 894, de 04/11/1903 1º Fixar novos prazos
Decreto nº 1.577, 05/12/1908 4º 05/12/1909 Lei nº 1.108, de 06/11/1909 5º, § 6º, 7º (posses) e § 8º (sesmarias) 31/12/1910 Decreto nº 1.686, de 23/04/1910 69, § 8º 31/12/1910 Lei nº 1.137, de 27/10/1910 Único 31/12/1911 Lei nº 1.358, de 10/11/1913 2º 31/12/1914 Lei nº 1.501, de 28/10/1915 1º 31/12/1917 Lei nº 1.630, de 05/10/1917(1) 3º 05/10/1920
Lei nº 1.741, de18/11/1918 1º, único 31/12/1919
Lei nº 2.069, de 14/11/1921 1º 31/12/1924
Lei nº 2.789, de 21/10/1929 1º 31/12/1930
Decreto nº 357, de 08/05/1931 1º 31/12/1932
Decreto nº 1.044, de 19/08/1933 229 31/12/1933
Lei nº 913, de 04/12/1954 5º, par. Único 04/06/1955 Lei nº 3.641, de 05/01/1966 (2) --- --- Decreto-Lei nº 57, de 22/08/1969 102, III 31/12/1972 Decreto nº 7.454, de 19/02/1971 217, III 31/12/1972 Lei nº 4.434, de 28/11/1972 5º 31/12/1973 Lei nº 4.584, de 08/10/1975 29 31/12/1976 Decreto nº 9.970, de 31/12/1976 (3) 1º 31/12/1977 Lei nº 4.835, de 03/05/1979 1º 31/12/1979 Lei nº 4.884, de 11/12/1979 1º 31/12/1985
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Legislação Registrar
Lei nº 5.295, de 23/12/1985 Art. 1º 31/12/1995
Fonte: Treccani (2001, p. 98), atualizada em 2008.
Estimativas apontam que mais de 50 mil títulos de posse não legitimados foram registrados indevidamente a partir de 1970 nos Cartórios de Registro de Imóveis do estado, sendo que a maioria desses registros possuem limites imprecisos que dificultam a sua localização.
De acordo com Pinheiro Filho e Correa68 existem “50 mil posses tituladas aproximadamente, que podem abranger de um mínimo de 5 milhões a um máximo estimado de 50 milhões de hectares”.
Mattos Neto69 entende que a posse legitimada ou legitimável é uma forma de aquisição de domínio pleno das terras devolutas para o patrimônio privado. Para sustentar esse entendimento o autor toma como base as argumentações de Palma Muniz, Paulo Lamarão e Octavio Mello Alvarenga. Dessa forma, as propriedades erigidas com base nos Títulos de Posse seriam consideradas “situações jurídicas constituídas”, segundo a legislação estadual.
O Decreto nº 1.056, 14 de fevereiro 1996, vai em direção oposta a este entendimento, quando dispõe em um de seus considerando que:
[O]s títulos desta natureza, hoje em grande circulação e erroneamente apresentados como documentos representativos de domínio, têm sido utilizados, ao longo do tempo, para os mais diversos negócios freqüentemente ilícitos, com vendas a terceiros de boa-fé, obtenção de financiamentos e autorizações para desmatamento.
O Decreto nº 62, de 14 março de 2007, pôs termo à possibilidade de compra em condições especiais das áreas pertinentes a títulos de posse oriundos das repartições de terras estaduais que não tivessem sido regularizados. Regime este que havia sido normatizado pelo Decreto Estadual nº 1.054, como meio de solucionar a irregularidade dos referidos títulos através da regularização fundiária, ocorre que mais de dez anos se passaram e o objetivo almejado não foi alcançado, demonstrando que este regime era ineficaz para resolver o problema.
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Treccani, Combate à grilagem: instrumentos de promoção dos direitos agroambientais da Amazônia, p. 265 (In: Paulo Sérgio Weyl A. Costa, Direitos humanos em concreto).
69 Este autor defende a sua posição em dois de seus trabalhos: Título de posse à luz da legislação de terras do estado do Pará, p. 21, e Estado de direito agroambiental brasileiro, p. 113.
Alguns autores agraristas, como Treccani, em consonância com a atual legislação fundiária, entendem que é a detenção do imóvel, a efetiva posse da terra que garante a sua regularização e não um mero documento que sequer atendeu as exigências legais.
Essa situação é confirmada por alguns dos “considerando” iniciais do Provimento 13/2006-CJCI in verbis:
Considerando a situação singular do Estado do Pará que, através do Decreto Estadual nº 410, de 08/10/1891 e seu Regulamento de 28/10/1891, criou um instrumento jurídico inédito no direito brasileiro denominado de "Título de Posse". E o que é mais grave ainda, delegou a sua outorga às antigas Intendências Municipais, o que perdurou até à edição da Lei Estadual nº 1.108, de 06/11/1909, quando somente o Estado voltou a concedê-los, sendo que tais títulos de posse (outorgados pelo Estado ou pelas Intendências), para se transformar em propriedade e serem aptos à matrícula no registro de imóveis, estavam sujeitos à legitimação, sendo que o prazo para fazê-lo foi sucessivamente prorrogado até que, através do Decreto Estadual nº 1.054, de 14/02/1996, foi declarada a caducidade de todos os títulos de posse não legitimados.
Considerando que, por estimativa, devem ter sido expedidos, nesse regime, cerca de cinqüenta a sessenta mil Títulos de Posse, com limites imprecisos e apenas uma pequena parte deles foi legitimada, entretanto, ainda assim, quase um século depois, a partir da década de setenta, milhares deles foram, indevidamente levados a registro nos Cartórios de Registro de Imóveis do Estado;
Considerando que as consultas ao ITERPA têm resultado na declaração de falsidade desses títulos de posse;