B. E VLİLİK D IŞI B ERABERLİKLER VE A LTERNATİF Y AŞAM T ARZI
2. Evlilik Dışı Beraberliklerin Hukuki Niteliği
Veremos agora como as unidades produtivas se materializavam espacialmente e quais as repercussões destas na percepção dos Presidentes. Para a implantação do engenho de açúcar, era fundamental um capital considerável, e caso se situasse no litoral, o investimento era maior: caso dos engenhos potiguares. O engenho era uma estrutura que mesclava características agrícolas e fabris, dotada de instalações de moradia, capela, das unidades de produção agrícola, etc. Mobilizava uma área edificada expressiva, e uma muito maior destinada ao plantio de açúcar. Retomando a questão econômica, a contribuição tímida da indústria açucareira, neste momento, pode ser inferida nos Relatórios quando os governantes apontam uma série de reformas para a melhoria da tributação do dízimo de gado (que trazia mais retorno) e não do açúcar, visto neste momento como uma promessa.
19 O juiz de Fora tinha como atribuições promover devassas anuais, inspecionar a fiscalização dos
almotacés, solicitar por meio de oficiais a prisão de criminosos e exercia a função do juiz de Órfão na ausência deste cargo. Poderiam concorrer ao cargo, os homens bons de outra província (estranhos ao RN, por isto a denominação “de Fora”), que tivessem com grau universitário, e eram nomeados também pelo rei (depois pelo imperador). Poderia também substituir o Ouvidor, e segundo Lemos, (1980, p. 20) “[...] por isto esteve sempre em exercício na Paraíba, jamais residindo em Natal”.
20 O Juiz Ordinário era uma pessoa da província, eleito juntamente com os vereadores do Senado da
Câmara, dentre os homens bons e leigos. Era ele que presidia a Câmara. Eram eleitos 3 juízes ordinários: cada um deles, atuava num mandato cuja duração era de 1 ano. Ao juiz de Órfão, quando este existia, cabia a jurisdição orfanológica, e em sua falta, assumia a função o juiz de Fora, como mencionado.
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A nomeação para Ouvidor tinha duração de 3 anos; além de fazer correições em sua Comarca, atuava também na esfera cível (em causas de até 10$000) e criminais (até 2$000).
FIGURA 12 – Mapa com localização das Áreas Produtoras de Açúcar no
RN (Até 1845)*
Fonte: autoria própria; baseada em Cascudo,1968, p. 146 a 149.
* Base em cartografia atual do estado do RN LEGENDA:
Conforme adentravam o interior da capitania, o clima tornava-se mais propício à pecuária. Este desbravamento ao interior, não acontecia de forma aleatória, mas nas proximidades de fontes de água natural. Desta maneira, as primeiras rotas no sentido litoral-interior margeavam os leitos dos rios, sobretudo dos perenes. Os fazendeiros iam tomando posse das terras e ali se estabeleciam, gerando um núcleo pastoril. O modelo adotado era a pecuária extensiva, uma formatação que mobilizava um volume menor de recursos comparada à empresa açucareira. Como explica Aquino (1980, p 102 - 103), estas fazendas não necessitavam de cercas; o gado era marcado identificando o seu proprietário, e poderia pastar livremente. Os animais encontrados com marcas eram reunidos para serem entregues aos seus donos. Como não havia investimentos para o plantio de áreas de pastagens, na medida em que o rebanho crescia, necessitava de mais campos para sua alimentação, impulsionando a movimentação do rebanho para áreas ainda mais distantes. Com o aumento destas distâncias foram surgindo redes de ligação pelo interior, geradas pelo trânsito destes numerosos rebanhos. Não tardou para que, acompanhando estas rotas, uma rede de apoio à atividade pastoril surgisse. A seguir, apresentamos um mapa ilustrando estas rotas do gado no Rio Grande do Norte:
FIGURA 13 - Mapa ilustrando as Rotas do Gado no RN*
Fonte: autoria própria, a partir de base cartográfica da SECRETARIA
DE ESTADO DO MEIO AMBIENTE E DOS RECURSOS HÍDRICOS – SEMARH. Programa Estadual de Recursos Hídricos. Coordenadoria de Infraestrutura - COINFRA. Disponível em: http://www.idema.rn.gov.br/contentproducao/aplicacao/idema/socio_econ omicos/arquivos/Anuario-
CDROM%202010/mapas/Bacias_Hidrogr%E1ficas_2010.png, em setembro de 2013. Informações das rotas de gado baseadas em Teixeira, 2009a, p. 537 e Cascudo, 1995, p. 307 – 321.
* Base em cartografia atual do estado do RN
LEGENDA:
Observando o mapa, podemos traçar um paralelo entre estas rotas do gado, as aglomerações urbanas mais antigas do RN e as bacias hidrográficas. Esta relação, evidentemente, não é aleatória: os animais e vaqueiros, em busca constante por novas pastagens, sempre margeando as fontes de água, acabavam por criar pontos mais ou menos usuais de paragens. De início, uma população de suporte, se assenta ao longo das rotas do gado. Estabelecidos no local, estes pequenos fazendeiros iniciavam suas lavouras, plantando itens de subsistência, cujo excedente vendiam também aos transeuntes, criando pequenos entrepostos comerciais. E em muitos casos, os investimentos não paravam por aí; nas palavras de Tavares de Lira:
[...] alguns, graças aos conhecimentos locais, melhoraram e encurtaram as estradas, fizeram açudes, plantaram canas, proporcionaram ao sertanejo uma de suas alegrias, a rapadura... Desvanecidos os terrores da viagem do sertão, alguns homens mais resolutos levaram as famílias para as fazendas, temporária ou definitivamente, e as condições de vida melhoraram: casas sólidas, espaçosas, de alpendre hospitaleiro, currais de mourões por cima dos quais se podia passear, bolandeiras para o preparo da farinha, teares modestos para o fabrico de redes ou pano grosseiro, açudes, engenhocas para preparar a rapadura, capelas e até capelães, cavalos de estimação, negros africanos, não como fator econômico, mas como elemento de magnificência e fausto, apresentaram-se gradualmente como sinais de abastança. (LIRA, Tavares de, 2008, p. 199).
Não raro, alguns destes investimentos acabavam atraindo mais moradores e logo a fazenda de gado dava início a uma povoação, e conforme crescia, atraia mais moradores. Este modelo de nascimento de uma localidade é inclusive mencionado por Teixeira, (2009a, p. 413) ao tratar do processo de surgimento de algumas localidades potiguares no século XVIII: a localidade que resulta da atividade de criação de gado. Percebemos a importância mais expressiva que a fazenda de gado tinha como instrumento de produção de riquezas para o RN quando retomamos as várias propostas tributárias (propostas de intervenção dos Presidentes) que aperfeiçoassem a arrecadação do dízimo do gado; numa área geográfica maior, demandando menos recursos e com clima favorável, era natural que esta empresa florescesse, e na falta de recursos, era na atividade econômica mais produtiva que os Presidentes buscavam respostas para seus problemas.