• Sonuç bulunamadı

Aile Hayatı Özel Hayat Denkleminin Bilinmeyenleri

A. A İLE H AYATININ Ö ZEL H AYAT K ARŞISINDA K ONUMU

1. Aile Hayatı Özel Hayat Denkleminin Bilinmeyenleri

desenvolvimento deste trabalho, é preciso considerá-lo com mais profundidade. Para tanto, retomamos o organograma teórico (Figura 1, p. 18) no qual sintetizamos graficamente o que compõe nossa compreensão da “percepção da elite”. Essa percepção, como vimos, compreende dois momentos, que podem ser concomitantes, o da apreensão e o da intervenção, e ambos se relacionam a fatores político- administrativos, socioeconômicos e físico-espaciais sobre a cidade. A percepção (apreensão e intervenção), multifacetada e fragmentada, precisa ser ordenada de modo que – a partir de um quadro pintado literalmente por centenas de mãos – possamos distingui-la objetivamente. Os Relatórios e demais documentos estudados, raramente permitem uma apreensão completa da cidade, muito menos das intervenções propostas. O nosso maior desafio nesta investigação foi, a partir destas informações pontuais, tentar construir como a elite percebia a cidade potiguar. Com o intuito de possibilitar uma leitura possível dessa percepção da elite precisamos nos valer de instrumentos que auxiliaram a aprofundar a interpretação das informações, a saber, “análise do conteúdo” e de “análise de discurso”, conforme explicitamos nos subitens em sequência.

1.3.2.1. A análise do conteúdo

Para desenvolver o instrumental referente à “Análise de conteúdo”, trabalhamos Bardin (1977). A seguir, são apresentadas sínteses das revisões bibliográficas e um breve resumo do que será empregado como ferramenta de análise na tese. Bardin trabalha a partir de um tratamento mais quantitativo da informação; dentro de seu escopo estão: quantidade de texto utilizado para defender um argumento, quantidades de palavras por classe gramatical, quantidade de caracteres, etc. Considerando este instrumental, tratamos de quantificar (usando ferramentas de contagem de palavras e de caracteres do Microsoft Word) o “investimento” em volume de texto para determinado item do Relatório. Pontuamos na obra de Bardin, alguns elementos que têm uma relação mais aproximada com a análise de discurso; Bardin define seu objeto de estudo como sendo um conjunto de instrumentos metodológicos que se aplicam aos “discursos”, baseados na dedução, na inferência. Como os processos de análise de conteúdo obrigam à observação de um intervalo de tempo entre a produção da mensagem e a reação interpretativa, este instrumento foi um dos

mais indicados para esta pesquisa, pois os exemplares mais recentes dos discursos aqui analisados foram escritos a mais de um século. Como Bardin explica:

O analista é como um arqueólogo. Trabalha com vestígios; o analista tira partido do tratamento das mensagens que manipula para inferir conhecimentos sobre o emissor da mensagem ou sobre o seu meio, por exemplo. Se a descrição é a primeira etapa necessária e se a interpretação é a última fase, a inferência é o procedimento intermediário, que vem permitir a passagem, explícita e controlada, de uma à outra (BARDIN, 1977).

Bardin defende que, entre o documento e o contexto histórico, existe um processo de interpretação, um elo a ser estabelecido, definido como “inferência”. Nesta proposta o contexto histórico deve ser considerado e é peça fundamental para a compreensão do discurso. Para o caso específico desta pesquisa, é esta a postura que será assumida. Bardin argumenta – e nós corroboramos – que os conteúdos são ligados a outras realidades, e aos códigos que contêm, suportam e estruturam as significações, não podendo destas ser desvinculados. Estas significações “segundas”, ou “entrelinhas” do discurso, vêm atreladas ao discurso, podendo lhe conferir outros significados. Com relação à análise da enunciação, o autor explica que esta se apoia numa concepção de que a comunicação é um processo e não um dado fechado; em sendo o discurso um produto não acabado, mas um momento num processo de elaboração abre-se a possibilidade de se identificar rupturas. Para ilustrar, extraímos de um Relatório um trecho que reflete tal situação. Nas palavras do presidente Antônio Bernardo de Passos:

Os outros crimes de algum vulto limitam-se a duas tentativas de morte, uma tirada de presos, um ajuntamento illicito, um estupro, e um furto de escravos. Os restantes, um de offensas phisicas, um furto simples, e uma fuga de presos, são de pouca importância. Si estivesse só em nossas mãos reduzir os crimes em outras épocas a este numero e gravidade, e o realisassemos, por certo pouco mais se poderia exigir na repressão do crime; porque a perfeição no trabalho dos homens he uma utopia tão manifesta como o socialismo, ou a imaginaria republica de Platão; más infelizmente para conseguir tal fim não está ao nosso alcance dominar completamente as causas que podem influir sobre a criminalidade. (PASSOS, 1855).

A ruptura pode ser identificada quando, após enumerar os crimes ocorridos na província, o presidente Passos cita exemplos do socialismo e da república de Platão para exemplificar que numa realidade utópica, o crime já teria sido extirpado, mas isto não ocorre porque os governantes não conseguem dominar todas as causas que geram a criminalidade.

1.3.2.2. A análise do discurso

A ferramenta “análise de discurso” calcou-se na contribuição de Foucault (2010), que traz a visão da escola francesa sobre o tema, cujos instrumentais permitem uma análise mais adequada às finalidades desta investigação. Foucault defende que na pesquisa contemporânea, os problemas que norteiam as investigações não são mais a tradição e o rastro, mas sim o recorte e o limite. Questiona como se poderiam especificar os diferentes conceitos que permitem avaliar a descontinuidade e a fragmentação das informações e critérios para isolar as unidades fragmentadas. Uma etapa da pesquisa seria “a crítica do documento”. Considera como sua tarefa primordial, não interpretar o documento, não determinar se diz a verdade, mas sim, trabalhá-lo no seu interior e (re) elaborá-lo, de modo a encontrar nas novas relações estabelecidas, outros significados, novas verdades. Assim, a história os organiza, recorta, distribui, ordena e reparte em níveis, estabelece séries, distingue o que é pertinente do que não é, identifica elementos, define unidades, descreve relações. A análise de discurso é um campo aberto com diversas contribuições e com várias possibilidades de trabalho. Optamos por utilizar ferramentas que analisam tanto o texto em si mesmo, considerando as informações contidas no próprio fragmento analisado, mas não nos restringimos ao texto unicamente. Uma vez que nos propusemos a trabalhar com uma metodologia híbrida que contempla análise de conteúdo e análise do discurso percebe-se que a proposta foi analisar com profundidade a estrutura e formação dos discursos isoladamente, mas considerando também as pontes existentes entre os documentos e o contexto histórico no qual estes se inserem.