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A. A İLENİN K URULMASININ M EŞRU Y OLU : E VLENME

1. Evlenmenin Hukuki Niteliği

Os Relatórios, ao menos neste primeiro recorte, não contemplam informações mais aprofundadas sobre a produção açucareira; acreditamos que esta ausência de informações mais específicas se explique por dois fatores: dificuldade de deslocamento aos centros produtivos, pois a elite, fixando-se na capital, permanecia desinformada da realidade agropecuária. A causa que nos parece mais plausível é a de que, na apreensão dos Presidentes, a baixa receita não estava no potencial produtivo da província, mas na precaríssima situação das estradas e no falho sistema de tributação. Para corroborar esta reflexão, nos apropriamos de um trecho do Relatório de João Joze Ferreira D’Aguiar, que argumenta:

Bem longe de dizer-vos, que temos Estradas, vos afirmarei, que apenas algumas péssimas veredas, que nos dá comunicaçao com o centro da Provincia, digo péssimas, por que, alem de tortuozas e mal aceadas, empessam à cada passo o viajante pela sua estreiteza, de maneira a não’ permitir um cavaleiro transitar livremente. É este, talvez, um dos mais poderosos impecilios, que obstao ao engrandecimento d’esta Capital, por que, esmerando-se todo um anno, o laborioso agricultor para obter uma grande colheta, vê-se forçado à leva-la ao mercado d’outra Provincia, que lhe apresenta melhores Estradas, furtando-se, d’esta arte, aos contínuos incommodos que tem de suportar para traze-la à esta capital, e à outros diferentes pontos da Provincia, diminuindo ao mesmo tempo as suas pequenas rendas, É por tanto, junto, Senhores, que gasteis algumas oras em buscar-lhes milhoramento. (D’AGUIAR, 1837).

Uma vez que a indústria açucareira, por exemplo, vinha em crescimento, (no ano de 1774 havia somente 3 engenhos, segundo Suassuna, 1999, p. 58; e em 1845 este número já havia acrescido em 45 de acordo com Santos,1994, p. 93), fica claro que a indústria açucareira estava se desenvolvendo – a questão era que o capital resultante não estava tendo repercussão na cidade potiguar. Embora a elite raramente tivesse como foco a cidade potiguar (pelas insólitas referências diretas a ela no período), podemos a partir deste quadro de precariedade das comunicações, e da frágil economia, inferir que a cidade também se inseria nesta realidade. É contundente que a falta de comunicação, aliadas à economia deficitária, afetavam profundamente o desenvolvimento da cidade potiguar. Sua singeleza era tão certa, que a cidade não parecia ser alvo direto das percepções da elite, não merecendo maiores reflexões. Em contraposição com o grande investimento para montar um engenho, temos uma realidade mais acessível na pecuária, possibilitando uma maior disseminação deste negócio. No que tange a localização, podemos dizer que esta indústria pastoril se concentrava no interior da província, margeando os principais rios, e conforme as fazendas de criação se consolidavam, permitiam um maior distanciamento das fontes naturais de água (criação de açudes e reservatórios). A seguir, ilustramos onde se concentravam estas criações de gado:

FIGURA 08 - Mapa das Localidades Produtoras

de Gado no RN (até 1845)*

Fonte: autoria própria. Instituto de Defesa do Meio Ambiente do Rio Grande do

Norte, Coordenadoria do Meio Ambiente, Subcoordenadoria de Gerenciamento Costeiro. Disponível em:

www.idema.rn.gov.br/contentproducao/aplicacao/idema/socio_economicos/arquivos /anuario2009/mapas/Politico_Administrativo_2007.png, em abril de 2013; e de Morais,1998.

* Base em cartografia atual do estado do RN

LEGENDA:

A quantidade e a localização da criação pecuária do RN exemplificam o quanto tal atividade econômica era lucrativa mesmo considerando todos os reveses e dificuldades. As principais dificuldades enfrentadas eram as secas que periodicamente assolavam a região, levando ao extermínio de parte do rebanho bovino. Rocha Pombo (1921, p. 197) ilustra explica que antes de 1790 a 1793 (quando houve uma grande seca no RN), seguiam do RN para Pernambuco 15 a 16 mil cabeças de gado de corte. No período em questão o rebanho praticamente é extinto (com a seca de 1845); embora existisse o problema da seca, a falta de tecnologia de manejo e os maus tratos à criação, a pecuária se mantém, com altos e baixos, movimentando a economia potiguar. Centros como Mossoró e Assu, que concentravam os maiores

rebanhos, pela proximidade com salinas, se destacaram pelos portos de Oficinas de Carnes, nas quais eram produzidas as carnes secas.

Assim como com a produção açucareira, a pecuária não é muito mencionada nos Relatórios deste período. Mas, vez que os maiores centros localizavam-se nos limites entre o RN e o Ceará, fica evidente porque, nos itens de intervenção dos Presidentes, a maioria das reformas na tributação repensavam o dízimo do gado. O escoamento sistemático da produção bovina do RN era ainda estimulado pela diferença de tributação entre o produto exportado e interno: a carne para consumo local era mais cara do que a exportada, o que gerava problemas no abastecimento interno. Identificada como principal fonte de receita, a pecuária não era vista como um problema, mas sim, o sistema de tributação falho, e a incipiente atuação das Câmaras Municipais em sua arrecadação. Estes últimos eram frequentemente mencionados com pontos negativos a serem reformulados. Uma fonte de recursos tão promissora, que se evadia, deixando o RN numa situação financeira das mais precárias, trazia consequências nocivas para a cidade potiguar: de acordo com a percepção da elite, ocasionava o seu estado de penúria. Sob as dimensões socioeconômicas, a cidade potiguar apresentava tantas fragilidades quantas eram possíveis – e esta era ocasionada pela falta de recursos, que paradoxalmente existiam, mas que não impulsionavam o seu desenvolvimento, pelo menos, não neste período.

Considerando as fontes de rendas provinciais, de que forma elas contribuem efetivamente na receita da província? Qual a relação entre a receita e despesa? Pinçando os Relatórios, encontramos dados, que nos permitem remontar, em valores, como se deu o desenvolvimento, ilustrados a seguir:

FIGURA 09 - Finanças do RN de 1835 a 1844*

Fonte: autoria própria, a partir de dados coletados dos Relatórios de Presidente de

Província, dos seguintes anos: 1836, 1838, 1841, 1842 e 1845.

*Foram usados os dados convertidos para Contos de Reis para simplificação das cifras, embora nos documentos originais as informações viessem em Reis. Conversão: 1 Conto de Reis equivale a 1000 Reis.

Os números são contundentes: resgatam um volume de despesas muito maior do que a receita, ambos num crescente contínuo, mas sempre desfavorecendo a província. A falta de recursos é uma justificativa plausível para que neste período, os Relatórios detenham um volume maior de itens de apreensão do que de itens de intervenção, pois não havia recursos para investimentos de qualquer tipo, inclusive nas cidades. Fica evidenciado a partir deste gráfico, que o RN encontrava-se numa situação econômica muito delicada, continuamente em déficit. Este era o principal problema que balizava a apreensão dos Presidentes; praticamente todos os aspectos socioeconômicos lidos neste primeiro período enfrentam esta situação e a utilizam como justificativa para a falta de intervenção na cidade potiguar. Numa realidade como esta, é claro que itens de intervenção, sobretudo os físico-espaciais, que mobilizam mais verbas, ficavam inviabilizadas ou bastante afetadas, sobretudo neste primeiro período, no qual o auxílio da iniciativa particular não era muito efetivo. Era preciso que ações fossem tomadas para reverter este quadro.

0,00 20.000,00 40.000,00 60.000,00 80.000,00 100.000,00 120.000,00 140.000,00 1835 1837 1841 1842 1844 Despesa Receita

2.1.3 O RN e o “milagre” da multiplicação: o caso do funcionalismo e