A. A İLENİN K URULMASININ M EŞRU Y OLU : E VLENME
2. Evlenmede Şekil
Municipais
Quanto à formação do território, um dado contundente é a aceleração no processo de surgimento de núcleos urbanos. Se em 1800 havia no RN 8 municípios, sendo uma cidade (Natal) e sete vilas (Extremoz, Vila Flor, São José de Mipibu, Arez, Portalegre, Assu e Caicó) em 1845 encontramos 13 municípios (são eles, além dos citados, Apodi, Acari, Goianinha, Martins e Touros12). Foram computadas as
aglomerações urbanas elevadas à condição de vila ou município, em processos corroborados pela legislação. Esta designação é, algumas vezes, apenas de cunho oficial; ela não reflete necessariamente um crescimento de sua importância econômica ou social. Conta mais, para efeito desta melhoria de “status urbano”, frequentemente o poder de articulação político da elite local da aglomeração, do que qualquer outro fator. Outra explicação necessária é que os anos de criação dessas vilas e cidades
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Os documentos trabalhados nesta análise foram os seguintes: Posturas municipais de Vila Flor e
São José (6 de Setembro de 1841); Postura municipal de Vila Flor (27 de Outubro de 1836); Postura municipal da Vila de Angicos (12 de Julho de 1837, 19 de Outubro de1837 e 4 de Outubro de 1839); Postura municipal da Vila de Apodi (16 de Outubro de 1837); Postura municipal da Vila de Extremoz
(6 de Novembro de 1837); Postura municipal da Vila de Portalegre (18 de Outubro de 1836, 5 de Setembro de 1839 e 9 de Julho de 1843); Postura municipal da Vila de Príncipe (atual Caicó, de 9 de Março de 1835); Postura municipal da Vila de São José de Mipibu (6 de Novembro de 1838 e 31 de Outubro de 1845); Postura municipal de Touros (4 de Novembro de 1839 e 20 de Setembro de 1842);
Postura municipal de Acari (6 de Outubro de 1836); e Postura municipal de Princesa (atual Assu, de
6 de Novembro de 1838).
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Segundo Cascudo, 1968, p. 146 – 149: Apodi, 11/04/1833; Acari, 11/04/1833; Goianinha, 07/08/1832; Martins, 10/11/1841; e Touros, 11/04/1833.
citados dizem respeito à primeira vez em que a aglomeração urbana teve ascensão em seu status urbano. Há casos em que essas localidades perdem e readquirem diversas vezes este status. Embora outras fontes revelem este dinamismo no status político (Cascudo, Suassuna, Teixeira, dentre outros), os Relatórios dos presidentes de província fazem pouca menção a esse assunto. A principal questão levantada foi o rebaixamento da vila de Angicos – logo desfeito, em virtude de protestos da população local. Neste mesmo período, Teixeira (2009a, p. 451) menciona o caso de Arez, que segundo o autor,
[...] conheceu várias peripécias administrativas ao longo do século XIX. Em 7 de agosto de 1832, ela perde seu título de vila, tornando- se uma povoação. A sede do município é transferida para Goianinha. Torna-se novamente sede de município em 8 de agosto de 1855, antes de ser novamente reconduzida ao título de povoação em 21 de abril de 1862, ficando subordinada ao município de Goianinha [...]. (TEIXEIRA, 2009a, p. 451)
Este dinamismo, de acordo com Teixeira, permite vislumbrar o esforço da elite no processo de organização administrativa da província, e destaca as suas incertezas, como no caso de Arez, cuja evolução urbana lhes parecia duvidosa. A seguir, ilustramos no mapa do RN as localizações das localidades13 existentes no
período colonial, em confronto com as criadas entre 1822 e 1845:
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É preciso esclarecer que esta localização e limites político-administrativos foram representados no mapa considerando sua realidade contemporânea, dada à ausência de fontes que permitissem, com fidedignidade, recompor limites e localizações de todos os municípios estudados no período. Em geral, estas áreas eram bem maiores na época de sua criação, comparadas com as demonstradas no mapa; Contudo, as dificuldades de comunicação entre municípios, pontuadas em grande parte dos Relatórios de Presidentes de Província, atestam que as maiores dimensões da jurisdição de cada município, tornando- os geograficamente mais próximos entre si, não significavam uma maior proximidade de fato.
FIGURA 10 - Mapa de Vilas e Cidades do RN criadas
antes de 1800 e até 1845*
Fonte: autoria própria. Instituto de Defesa do Meio Ambiente do Rio
Grande do Norte, Coordenadoria do Meio Ambiente,
Subcoordenadoria de Gerenciamento Costeiro. Disponível em: http://www.idema.rn.gov.br/contentproducao/aplicacao/idema/socio_e conomicos/arquivos/anuario2009/mapas/Politico_Administrativo_200 7.png, em abril de 2013.
* Base em cartografia atual do estado do RN
Legenda do surgimento das Vilas e Cidades do RN:
Um aspecto importante é que a maioria dos novos municípios guarda proximidade física com os existentes. Como no mapa ilustramos os limites atuais, os limites destes municípios, no momento de sua criação, eram ainda mais próximos entre si. Alguns novos municípios são criados na continuidade espacial dos anteriores ou previamente existentes (Martins em relação à Portalegre; e Goianinha em relação a São José de Mipibu), e, as demais se encontram nas proximidades. Neste sentido, podemos lançar a hipótese de que este “alastramento” pelo espaço configurar-se-ia como uma intervenção tanto das elites locais, como dos Presidentes de Província e até mesmo do Governo Central, cuja intenção seria consolidar a ocupação do território. Um documento, a “Copia d´Acta da Sessão de 30 de janeiro de 1828”, ilustra o esforço por estruturar a ocupação do território potiguar:
Pelo Excelentissimo Senhor Presidente forão apresentados, e lidos diversos Avisos das Secretarias de Estado dos Negocios do Imperio e da Justiça, contendo as ulteriores ordens de Sua Magestade Imperial sobre a Estatistica; e com copia de hum officio da Camara de Deputados, recommendando a observancia da Lei de vinte de Outubro de mil setocentos e vinte e trez, na parte relativa a essa materia e para que se organize hum plano para a divisão das Commarcas, Cidades, Villas, e Povoações indicando-se as cabeças
de Commarcas, e dos Termos os Lugares, que devem ter Juizes de Vara Branca, e as Igrejas que has-de-ser elevadas a Parochias: aqui tomando-se em consideração prosseguirão nos trabalhos que estao ao alcance de suas luzes [...]. (BIBLIOTECA NACIONAL, I-32,10,005, Título: MAPAS estatísticos do Rio Grande do Norte nos anos de 1811, 1826 e 1834).
A citação mostra a inquietação das autoridades em criar vilas, como parte do esforço de organização territorial da província. Porém, era grande a precariedade desses núcleos urbanos. As elites locais criticavam a ação “acelerada” de criação de vilas, cujos recursos e população exíguos, de fato não contribuíam, pelo menos em curto prazo, para o desenvolvimento urbano e populacional dessas localidades. Um trecho do Mapa Estatístico do RN é taxativo sobre a imprudência destas criações de vilas:
Sendo a Provincia hua das mais tardias no seu desenvolvimento, e estando o incremento da população em continua oscilação, parece- me em nada se melhoraria organizando-se agora o Plano de uma divisão interna, pois succederia que o augmento da população e commercio pendesse talvez para hum lugar, deixando despovoado, e pobre outro em que se creases Villa, como succede em Goianinha, que estando entre duas Villas de Arez e Flor, que só pelos Alvarás de suas creações gozam estes nomes he hua das maiores da Provincia, e que em detrimento de seus habitantes tem a recorrer a Villa de Arez, que he hum deserto. Outra difficuldade se offerece a creação de outras Villas, he a falta de pessoas capazes de entrar em (Vereança) n´isto senao pode ser exagerado, a Villa d Extremoz o anno passado nao chegou a ter junção de seus Camaristas taes quaaes os costuma ter; comprehende a Povoação dos Touros, que vai prosperando, pelas pescarias que offerece, e pelo convite que fazem os frequentes despojos das Embarcações continuamente encalhadas nas (...) que decorrem acostta ao Norte, isto dará a V. Exa. hua proxima idea de seu crescimento: todas as demais Villas tem diminuido de sua população para poderem ser subdivididas. MAPAS estatísticos do Rio Grande do Norte nos anos de 1828. BN (I- 32,10,005).
Na apreensão dos Ilmos. Exmos. Srs. Lucio Soares Teixeira e Gouveia e Joze Paulino d´Almda. Albuquerque, altos funcionários da Comissão de Estatística e, portanto, dignos representantes da elite do Rio de Janeiro, este crescimento numérico de vilas acontecia sem que a província tivesse condições, podendo provocar o esvaziamento de uma localidade para povoar outra. Havia dificuldades de toda ordem: para o funcionalismo público; empobrecimento geral; dificuldades de comunicação, etc. Mesmo que a fundação destas novas localidades pudesse acontecer caso determinada localidade tivesse (ou não) condições para existir, um fato irrefutável é o crescimento populacional na província. Esta população maior, já justificava o surgimento de novas aglomerações, embora a construção determinadas edificações
administrativas, ficassem para o futuro. Além do crescimento das localidades e da população potiguar, este período avança também na questão jurídica/ legislativa, com modificações nas Posturas Municipais, instrumentos jurídicos de ordenamento urbano, existentes desde o período colonial, entendido aqui de forma muito mais elástica do que na atualidade. As Posturas buscavam regular o modo de utilização do espaço e do bem estar público, a principal ferramenta à disposição da elite, a nível local, municipal, para garantir a qualidade da vida urbana. Este instrumento, já era mencionado na Constituição de 1824, que também institui as Câmaras municipais e deixam para uma lei complementar a regulamentação das atribuições das Câmaras, que foi promulgada 4 anos depois. É a Lei de 1º de Outubro de 1828. Dentre as atribuições das Câmaras Municipais, está a regulamentação das Posturas:
Art. 39. As Camaras, na sua primeira reunião, examinarão os provimentos, e posturas actuaes, para propôr ao Conselho Geral o que melhor convier aos interesses do municipio; ficando, depois de approvados, sem vigor todos os mais. [...]
Art. 64. As deliberações das Camaras, que se dirigirem ao Conselho Geral, ou sejam propostas, creação, revogação, ou alteração de uma Lei peculiar; estabelecimento de uma nova obrigação para o municipio com o nome de postura, ou qualquer objecto da sua competencia, bem como as representações ás autoridades superiores, serão assignadas por toda a Camara.
Nas que tiverem por objecto ordenar o cumprimento das suas posturas, e o das leis, cuja execução esteja a seu cargo, bastará que os officios sejam assignados pelo Presidente e Secretario.
As Posturas de cada localidade pressupõem um conjunto de itens de intervenção, e são, uma forma de como a elite local percebia a cidade, e nela queria atuar, buscando assim novos rumos para o seu crescimento. Conquanto tivessem uma estrutura jurídica relativamente definida e uma formatação de lei, as Posturas variavam conforme a localidade, vez que eram produzidas nas suas respectivas Câmaras Municipais, e cada situação, assinalava condutas diferenciadas em consonância com sua realidade. A amplitude e áreas de atuação das Posturas são bastante vastas: versam desde conduta dos cidadãos, uso dos bens urbanos, regulamentação dos padrões de higiene e salubridade das áreas públicas e construções, dentre outros. Mais explicitamente ligadas à forma urbana, observamos nas Posturas a preocupação com “alinhamento, limpeza, iluminação, desobstrução, manutenção e reparação das ruas, cais, muralhas, fontes, prisões e outras construções para o benefício dos habitantes, para o decoro e ‘ornamento’ das povoações” (TEIXEIRA, 2009b, p. 269), itens que revelam a atenção à adequada funcionalidade da aglomeração urbana, e um cuidado especial com questões de ordem estética. Para compreendermos como tais Posturas Municipais incidiram nos
núcleos urbanos potiguares14, procuramos identificar os municípios então existentes,
onde as posturas foram produzidas15:
FIGURA 11 - Mapa das localidades com Posturas Municipais do RN (1822
a 1845)*
Fonte: autoria própria. Instituto de Defesa do Meio Ambiente do Rio Grande do
Norte, Coordenadoria do Meio Ambiente, Subcoordenadoria de Gerenciamento Costeiro. Disponível em:
http://www.idema.rn.gov.br/contentproducao/aplicacao/idema/socio_economico s/arquivos/anuario2009/mapas/Politico_Administrativo_2007.png, em abril de 2013.
* Base em cartografia atual do estado do RN
LEGENDA:
O fato de várias Câmaras Municipais produzirem este instrumento jurídico dá a dimensão de quanto o governo se torna mais presente junto às localidades, mesmo as mais longínquas. Paralelamente ao crescimento do número de municípios, percebe-se também um crescimento paulatino do interesse da elite em exercer um domínio mais efetivo nas novas vilas e povoações. Conforme as relações urbanas tornam-se mais complexas, estes instrumentos ordenadores ficam mais detalhados, procurando dar conta dos novos problemas. Por ora nos debruçamos nas
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É importante pontuar que as determinações das Posturas Municipais incidiam tanto na sede municipal com nas suas povoações e distritos, ou seja, até mesmo as pequenas localidades subordinadas a uma vila ou cidade, precisavam atender às prerrogativas da legislação do município no qual se localizavam.
15 As posturas municipais aqui analisadas são aquelas que foram passíveis de ser manuseadas, obtidas
junto ao Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte. Documentos muito danificados não foram trabalhados para preservar suas condições físicas e uma vez que o processamento de documentação no Instituto é constante, é possível que sejam disponibilizados mais documentos, contendo Posturas Municipais de outras localidades e períodos, mas que não tivemos contato até a conclusão desta tese.
repercussões político-administrativas e físico-espaciais que as primeiras Posturas Municipais trouxeram para a realidade potiguar, citadas nos itens que vem a seguir.