1.3. ANAHATLARIYLA XI YÜZYILA KADAR İSLAM DÜNYASINDA MÛSİKÎ
1.3.3. EMEVÎLER DÖNEMİNDE MÛSİKÎ
A medida de legitimidade partidária que irei utilizar é a confiança nos partidos (medida de pesquisas de opinião com eleitores) e a medida de personalismo tem por base a questão sobre o apoio do público à ideia de que um líder forte pode desrespeitar as regras para solucionar os problemas da nação. Na análise empírica dos seis países considerados utilizo também algumas medidas de apoio à instituições como o Congresso.
Em seus estudos sobre o apoio à democracia Norris et ali (1999) e Moisés e Carneiro (2008) argumentam na mesma direção de que é preocupante a tendência de queda verificada no apoio às instituições intermediárias como o parlamento e os partidos. A erosão da legitimidade dessas instituições pode levar, na visão de Norris, a ocorrência de golpes, ao aguçamento de conflitos étnicos, ou a vitória de partidos extremistas (NORRIS, 1999: 02). Moisés e Carneiro analisam os dados do Latinobarômetro que mostram que a mediação das instituições tipicamente democráticas é ainda pouco valorizada e que elementos da tradição política latino- americana como o populismo continuam presentes no público (MOISÉS e CARNEIRO, 2008: 39).
As hipóteses que pretendo testar sobre o apoio do público aos líderes neopopulistas relacionam as duas dimensões anteriormente discutidas sobre a legitimidade e o personalismo e explora também a importância do ‘desempenho do presidente’ como um fator de atração de clientelas específicas do eleitorado por parte desses líderes.
O Quadro 3 resume conceitualmente o nível de análise e as modalidades de apoio que sustentam as hipóteses sobre os determinantes da ‘demanda por populismo’ entre o público.
Quadro 3
Bases conceituais das Hipóteses sobre a ‘Demanda por Populismo’: Nível de Análise e Modalidade de Apoio
Nível de análise Apoio difuso Apoio Específico 1. Instituições
e Políticas
Apoio aos partidos: não confia em partidos e no Congresso
Julgamento do
desempenho do governo: satisfação com políticas de combate à pobreza, transferência de renda e outras de tipo ‘pork barrel’.
2. Autoridade e Legitimidade
Sentimento relacionado às lideranças políticas:
líder forte pode desrespeitar as regras para solucionar os problemas da nação.
Avaliação das lideranças (Variável Dependente): Aprovação do desempenho dos presidentes.
Com base nessas dimensões foi possível formular as seguintes hipóteses:
Hipótese 1: a aprovação aos líderes neopopulistas é maior entre aqueles que não confiam nos partidos políticos.
Hipótese 2: a aprovação aos líderes neopopulistas é maior entre aqueles que têm preferência por líderes fortes que se apresentam como capazes de se sobrepor ao status-quo institucional.
Hipótese 3: a aprovação aos líderes neopopulistas é maior entre aqueles que priorizam os resultados das políticas sociais.
Essas hipóteses foram diretamente inspiradas pela literatura relativamente recente (NEWTON, 1999; DALTON 1999; DELLA PORTA, 2000; NEWTON e NORRIS, 1999 e 2000) que analisa os determinantes do apoio às instituições políticas
democráticas (NORRIS, 1999), à líderes políticos (HOLMBERG, 1999) ou confiança em autoridades políticas (DALTON 1999). Essses autores utilizam em seus modelos variáveis explicativas que medem tanto atributos institucionais do sistema político (o tipo de sistema eleitoral, de sistema partidário, de arranjo federativo, etc.), quanto variáveis de atitude do público (confiança política) e de desempenho do governo (sua responsividade, eficácia e transparência política).
Norris (1999) afirma, por exemplo, que uma teoria sobre a formação de uma cultura de confiança nas instituições políticas deve situar as atitudes individuais no contexto institucional, pois este retrata nossa experiência política acumulada. Segundo a autora, os sentimentos gerados por experiências institucionais acumuladas referem- se, fundamentalmente, ao jogo de alternância de partidos no poder. Nesse sentido, as experiências de derrotas e vitórias sucessivas dos partidos gerariam orientações em direção ao regime; assim sendo, uma pessoa apoiará mais positivamente um sistema político se as regras do jogo permitirem que o partido de sua preferência tome o poder. De outro lado, ao presenciar a derrota de seu partido em eleições sucessivas ela provavelmente sentirá que sua capacidade de influência está excluída do processo decisório – o que resultaria em um sentimento de insatisfação com as instituições políticas. Por outro lado, se os arranjos institucionais tiverem sucesso em viabilizar o canal entre o governo e a população, estes serão capazes de promover um apoio difundido às instituições políticas.
Apoiada nas suposições do estudo de Anderson e Guilory (1997) o objetivo de Norris (1999) é testar se o desenho institucional de tipo consensual (LIJPHART, 1984) maximiza o número de “vencedores” do contexto eleitoral, o que produziria níveis mais altos de confiança institucional quando comparado aos resultados produzidos pelos arranjos de tipo majoritário, em que a coalizão vencedora é sempre
menor do que no arranjo consensual. A importância do arranjo institucional de tipo consensual como um freio ao neopopulismo será retomado na conclusão.
O estudo de Anderson e Guilory compara satisfação com a democracia entre sistemas majoritários e consensuais de países da Europa Ocidental. As hipóteses centrais deste estudo definem duas suposições gerais: a) o apoio ao sistema é influenciado pelo fato de a pessoa estar entre os ‘perdedores’ ou entre os ‘vencedores’ das eleições e b) este processo é mediado pelo tipo de democracia (majoritária ou consensual, nos termos de Lijphart).
Para Anderson e Guilory, segundo Norris (1999), em democracias majoritárias, os vencedores que apoiam o partido do governo expressam muito mais satisfação com a democracia do que os perdedores. De outro lado, em democracias consensuais a satisfação com a democracia é mais bem distribuída entre vencedores e perdedores, pois ela proporciona maior inclusão de minorias políticas junto ao processo decisório.
A questão central do apoio aos líderes neopopulistas pode estar, portanto, relacionada à experiência dos eleitores enquanto “perdedores” ou “vencedores” no sistema político. Assim, quanto maior o número de vencedores, melhor será considerado o desempenho institucional e maior será a confiança nas instituições e nos líderes políticos no Executivo.
O teste empírico dessa hipótese realizado por Norris (1999) avalia primeiramente como a performance governamental (medida por “índices de satisfação com a democracia”) varia com os níveis de direitos políticos e liberdades civis (mensurados pela Freddom House) nas 25 maiores democracias do mundo (com população superior a 3 milhões de habitantes). A hipótese central é que a confiança nas instituições políticas varia entre os “perdedores” e os “vencedores” do sistema
político. O resultado esperado é que a confiança nas instituições seja maior entre os “vencedores”.
Por último, a autora analisa o impacto de cada arranjo constitucional sobre a confiança política. Espera-se que a confiança sofra o impacto positivo do sistema parlamentar em vez do presidencialismo; do federalismo, em vez do Estado unitário; do multipartidarismo moderado ou bipartidarismo face ao pluripartidarismo; de um sistema eleitoral proporcional e não majoritário ou misto. Todos estas configurações institucionais, que normativamente, reforçam e têm correlação com a confiança, diminuiriam a diferença na satisfação política entre perdedores e vencedores, pois estes são mecanismos que protegem a representação política dos perdedores (ou das minorias).
Os resultados empíricos apresentados por Norris (1999) confirmam as principais hipóteses formuladas. Com base no modelo de regressão logística múltipla, o qual leva em conta todas as variáveis citadas anteriormente e inclui variáveis de desenvolvimento (PIB per capita) e de cultura política (índice de pósmaterialismo) para efeito de controle dos resultados, Norris conclui que a chance de ocorrência do apoio e confiança nas instituições políticas é, de fato, maior entre os vencedores do sistema político e que vivem em democracias com uma forte tradição de liberdades civis e direitos políticos. A segunda conclusão, relativa ao impacto do desenho do sistema político na confiança, apenas o parlamentarismo e o sistema partidário moderado aumentam a chance de ocorrência de confiança institucional. As demais variáveis institucionais também são estatisticamente significantes, mas essas influenciam a confiança em sentido inverso, ou seja, diminuem a chance de sua ocorrência.
Resta ainda justificar a terceira hipótese sobre a importância do desempenho do presidente no apoio aos líderes. Para Della Porta (2000), o desempenho político é a variável independente central na determinação da confiança política por parte do público. A medida de desempenho utilizada pela autora é o índice da Transparência Internacional sobre a percepção da corrupção (TI) de países europeus de 1980 a 1997, sendo que a variável de confiança foi extraída do Eurobarômetro de 1976 a 1995. Della Porta sugere a existência de uma relação aparentemente inversa entre corrupção e confiança no governo. Entretanto, essa relação não apresenta um sentido de causalidade facilmente detectável. Ao contrário, a desconfiança e a corrupção interagem mutuamente. A corrupção parece reduzir a confiança nas instituições representativas e partidos políticos, sem influenciar, necessariamente, a confiança em instituições privadas e interpessoal. Os resultados empíricos confirmam a hipótes de que existe uma correlação entre percepção da corrupção e satisfação com a democracia.
Apesar dessa aparente correlação entre corrupção e satisfação com a democracia, Della Porta chama a atenção para os dados oficiais sobre a corrupção italiana. A insatisfação com a democracia quando comparada aos dados oficiais sobre a corrupção não torna a relação diretamente inversa. Durante a década de 80, enquanto a percepção sobre a corrupção aumentava, a insatisfação com a democracia diminuía. Uma explicação possível seria atribuída a existência de dois tipos de desconfiança que podem tomar rumos distintos. A primeira se refere à desconfiança ideológica no regime democrático, a qual tende a diminuir mesmo entre os opositores do governo; por outro lado, a desconfiança instrumental, relacionada ao desempenho e à eficácia do governo democrático, tende a aumentar, mesmo entre os indivíduos que pertencem e apoiam o governo.
Um outro ponto destacado por Della Porta se refere à confiança interpessoal e nas instituições. De acordo com os dados do Eurobarômetro, a confiança interpessoal aumentou na Itália, Alemanha e França, entre 1976 e 1993 em oposição a tendência verificada na confiança no governo. Por esse motivo, a autora sugere que a corrupção não afeta a confiança da mesma maneira. A corrupção parece reduzir a confiança em instituições representativas e partidos políticos sem influenciar a confiança em instituições privadas e a confiança interpessoal.
Uma vez constatada a influência da corrupção política sobre a confiança no governo, Della Porta sugere que isso ocorre na medida em que a corrupção prejudica o desempenho da administração pública, diminuindo a eficácia e a eficiência na entrega de bens públicos (DELLA PORTA, 2000: 218).
É com base, portanto, nesta perspectiva que toma a confiança política e o desempenho do governo como variáveis explicativas do apoio aos líderes que ocupam o Executivo que se desenvolve a análise empírica desta tese. A seguir apresento as variáveis e as amostras que serão utilizadas e no capítulo 4 discuto os resultados empíricos do modelo. A medida de desempenho político foi obtida a partir de questões que medem a satisfação com políticas públicas e a medida de confiança política avalia a atitude do público diante dos partidos e políticos “tradicionais”. A variável dependente indica a aprovação do governo do presidente. Essa medida, ao meu ver, é uma medida de apoio ao governo do presidente, o que por sua vez será interpretada como uma medida de identificação com a coalizão de “vencedores” no sistema político em determinado momento do tempo (NORRIS, 1999).
Os dados disponíveis para avaliar os determinantes do apoio aos presidentes Hugo Chávez, Morales, Rafael Correa, Lula da Silva, Felipe Calderón e Néstor Kirshner são provenientes do LATIN AMERICA PULSE realizada pelo instituto
IPSOS entre os meses de junho e julho de 2007. Em que pese as limitações analíticas que acompanham a comparação de apenas 6 países da América Latina, a amostra compreende todos os casos que foram cobertos pela pesquisa mencionada. Além desta pesquisa recorre-se também a alguns dados do Latinobarômetro de 1996 a 2004 que contribuem para avaliar as hipóteses apresentadas.
Para os propósitos da discussão empírica da tese, as variáveis selecionadas da pesquisa de opinião LATIN AMERICA PULSE em torno da avaliação de objetos do sistema político estão situadas no quarto e no quinto níveis de análise relativos ao apoio específico e difuso direcionado às instituições e autoridades, como indicado no Quadro 2.
AESTRATÉGIA NEOPOPULISTA EM AÇÃO
Este capítulo aborda dois aspectos empíricos fundamentais da tese. Primeiro analiso a evolução do quadro eleitoral nos seis países que compõem a minha amostra e em seguida pretendo investigar os determinantes do apoio do público ao líderes políticos que atualmente exercem o poder nesses países.