III. BÖLÜM ŞARAP KÜLTÜRÜ ŞARAP KÜLTÜRÜ
1.6. ŞARABIN BENZETĐLDĐĞĐ UNSURLAR
1.6.16. Dudak/ La’l/ La’l-i Nâb
Durante a Prática de Ensino Supervisionada, a avaliação constituiu-se como um processo dinâmico, contínuo e sistemático que acompanhou o desenrolar do ato educativo de modo a permitir o seu constante aperfeiçoamento. De igual forma, não foi centrada exclusivamente no aluno, mas em todos os fatores que podiam afetar a qualidade dos processos e resultados educativos.
Derivado do seu caráter contínuo e processual, a avaliação iniciou-se, desenvolveu-se e fechou-se em todas as sessões em ciclos continuados de avaliação inicial ou diagnóstica, avaliação formativa e avaliação final. Em todas as intervenções, construíram-se instrumentos de avaliação e definiu-se aquilo que se pretendia avaliar. Por outro lado, os alunos foram incentivados a realizar a avaliação das atividades e a autoavaliação das suas aprendizagens.
Quando se iniciou o estágio, tanto no 1º como no 2º Ciclo, elaborou-se uma grelha de observação que pretendia diagnosticar e detetar os esquemas de conhecimento e de ação, as aptidões e atitudes de cada aluno da turma, de forma a poder adequar o projeto de intervenção às suas possibilidades, para que este se tornasse significativo (anexo 1). Tiveram-se em conta os resultados das avaliações anteriores e conversou-se com os professores cooperantes sobre os seus pontos fortes e fragilidades, aspetos considerados no desenho e implementação das atividades.
Aplicou-se, também, um questionário inicial (anexo 3), antes da intervenção, para averiguar os conhecimentos dos alunos relativamente ao jogo de xadrez e as suas opiniões quanto à sua utilização no processo de ensino/aprendizagem. Também, à medida que se foram implementando as atividades, houve a necessidade de ir alterando a planificação inicial, quer por ampliação, outras vezes por redução, e até mesmo a alteração dos objetivos de aprendizagem. No caso do 2º Ciclo, na verdade, as atividades das aulas de Sala de Estudo, Apoio ao Estudo e Aula + resultaram de necessidades identificadas no desenvolvimento das atividades nas aulas de Matemática.
Durante a intervenção, no âmbito da avaliação formativa, foram utilizados, como instrumentos de avaliação, grelhas de observação, listas de verificação, diálogos e questionários, produções dos alunos e autoavaliações. Avaliaram-se os trabalhos realizados, não só ao nível do produto, como também o processo da sua realização, as respostas dadas às questões orais, a aquisição dos conteúdos concetuais trabalhados, o envolvimento intelectual e afetivo com as atividades, a participação, o interesse e o comportamento dentro da sala de aula, a mudança de atitudes e procedimentos para resolver os problemas com que eram confrontados. Promoveu-se, ainda, a autoavaliação dos alunos, com o objetivo de, por um lado, recolher dados para alterar a prática, tornar a aprendizagem dos alunos mais significativa, e, por outro, estimular nos alunos um olhar crítico e construtivo do seu trabalho, tanto de um ponto de vista dos conteúdos trabalhados como dos aspetos afetivos da aprendizagem.
Deve salvaguardar-se, contudo, que, apesar das atividades andarem sempre em torno da aprendizagem do jogo de xadrez e de tentarem cumprir objetivos pedagógicos em contexto disciplinar, não foi possível avaliar, de forma objetiva, a influência da intervenção na melhoria dos resultados escolares dos alunos, devido a limitações temporais.
Neste sentido, mo final da Prática de Ensino Supervisionada, foi elaborado um documento de avaliação (anexo 4), um questionário, com função formativa, o qual pretendia conduzir os alunos a um processo reflexivo, aferir se os alunos aprenderam a jogar xadrez e recolher alguns dados de avaliação sobre o contributo do jogo de xadrez na processo de ensino/aprendizagem, do ponto de vista dos alunos. Indiretamente, tentou ainda recolher-se alguns dados para avaliação do tema de investigação, para melhorar o processo de ensino/aprendizagem, em geral, e fazer alguns reajustes numa futura utilização do jogo de xadrez em contexto educativo. Este instrumento de avaliação foi comum a toda Prática de Ensino Supervisionada, tanto no 1º Ciclo como no 2º Ciclo, embora haja adaptações ao 2º Ciclo, tendo ainda sido repetidas algumas questões do questionário inicial.
Assim, solicitou-se aos alunos o desenho de um tabuleiro de xadrez, à semelhança do questionário aplicado antes da intervenção. Verificou-se que os alunos foram capazes de identificar as filas e as colunas, assim como apresentaram o trabalho com maior precisão, exatidão e rigor científico. Observou-se, ainda, a utilização de estratégias para construção do tabuleiro, nomeadamente a utilização da régua para medição de 8 cm e posterior divisão
em colunas e filas de 1 cm (figura 42).
Antes da intervenção Após a intervenção
Figura 42: Evolução de aprendizagens do conhecimento do tabuleiro de xadrez
A terceira e quarta questões procuraram também avaliar as aprendizagens dos alunos, no que diz respeito à aquisição das regras de xadrez. Os resultados desta avaliação são apresentados no quadro 13 e foram analisadas as questões de acordo com os seguintes critérios de avaliação descritos no referido quadro.
Quadro 13: Análise das questões um e dois da avaliação do projeto “Utilizando cores e, com a ajuda da régua, desenha no tabuleiro de xadrez o movimento das seguintes peças” e “Escreve duas regras do jogo de
xadrez.”
Itens Descritores Pontuação Nº de alunos 1º Ciclo Nº de alunos 2º Ciclo
1
Assinala corretamente pelo menos
um movimento para todas as peças. 100 15 19 Assinala corretamente pelo menos
um movimento até 4 peças 75 6 0 Assinala corretamente pelo menos
um movimento até 3 peças 50 2 0 Assinala corretamente pelo menos
um movimento das peças até 2
peças 25 0 0
Assinala um ou não assinala
corretamente nenhum movimento de
peças. 0 0 0
2
Indica duas regras corretamente. 100 20 19 Indica apenas uma regra. 50 2 0 Não indica nenhuma regra. 0 0 0
No 1º Ciclo, constata-se que todos os alunos adquiriram conhecimentos sobre o jogo do xadrez, havendo seis alunos que erraram pelo menos um movimento de peças. No que toca às regras do xadrez, todos os alunos identificaram, pelo menos, uma regra do xadrez. No 2º
Ciclo, todos os alunos adquiriram conhecimentos sobre o jogo do xadrez. É importante ter em conta que o número de aulas no 1º Ciclo foi inferior às do 2º Ciclo.
No que concerne às atividades preferidas, não é possível estabelecer-se uma comparação entre o 1º e o 2º Ciclos, na medida em que todas as atividades foram diferentes. No entanto, tanto no 1º como no 2º Ciclos, o jogar xadrez representa a atividade preferida, o que indica que, numa intervenção de utilização do jogo de xadrez, em contexto educativo, este deve estar presente para se constituir como elemento motivador na realização das atividades. Os alunos devem, por isso, ter oportunidade de jogar. Ainda outra possível conclusão, relacionada com estes resultados, é que as atividades mais desafiadoras, em que os alunos são obrigados a agir sobre elas, são as de maior agrado.
Nesta perspetiva, no 1º Ciclo, no que concerne à atividade que os alunos mais gostaram, destacam-se o Cube de xadrez, a atividade de exploração dos ângulos, o excerto do filme do Harry Potter e a peça de teatro. Já no 2º Ciclo, os alunos, destacam o jogar xadrez, como a mais preferida, seguindo-se a utilização do computador, a dobragem da folha para obter o tabuleiro de xadrez, a construção de gráficos no tabuleiro de xadrez no chão, as atividades de exploração da lenda de Sissa e a atividade do “tabuleiro de xadrez despedaçado”. Confirma-se, desta forma, que o que os alunos mais gostam é de jogar xadrez.
Na questão “Para mim o jogo do xadrez é...”, as opiniões são consonantes, nomeadamente quando os alunos associam o jogo à concentração (16 alunos no total) e a momentos, espaços de tempo. De igual forma, é interessante verificar que, em ambos os ciclos, os alunos veem, no jogo de xadrez, uma oportunidade de relaxar e um momento agradável e de felicidade. No entanto, o 1º Ciclo olha ainda muito para o jogo como diversão (10 alunos), enquanto que no 2º Ciclo, os alunos já o perspetivam de um ponto de vista mais intelectual, relacionam-no com a aprendizagem da Matemática (quatro alunos), com a possibilidade de obter sucesso e de ser o próprio aluno a decidir como quer jogar (quadro 14). Infere-se que as diferenças evidenciadas nas opiniões ente os alunos do 1º Ciclo e os alunos do 2º Ciclo tenham a ver com o seu nível de maturidade e a utilização permanente do jogo de xadrez como recurso nas aulas de Matemática.
Quadro 14: Resultados da questão “Para mim o xadrez é”. Dados recolhidos no final da intervenção da Prática de Ensino Supervisionada.
No que concerne à questão “Considero que o jogo de xadrez aumentou e/ou melhorou”, esta foi alvo de alteração do 1º para o 2º Ciclo. Assim, foram acrescentadas as seguintes opções: atividades propostas nas aulas de Matemática, relação com os colegas e ocupação de tempos livres. Tanto no 1º Ciclo, como no 2º ciclo, os alunos referem que o jogo de xadrez aumentou a concentração, a motivação e o desempenho. No caso do 2º ciclo, a maioria dos alunos ainda assinalou que o jogo de xadrez melhorou as atividades propostas na área curricular da Matemática. Ainda há um grupo de alunos que assinalou que o jogo
1º Ciclo 2º ciclo
Categorias alunos Nº de Exemplos Categorias alunos Nº de Exemplos
Concentração 6 “O xadrez ajuda-me a concentrar” ; “ É onde me concentro”. Concentração 10
“Ajuda-me a pensar”; “O xadrez ajuda-me a concentrar.” Diversão 10 “ Quando aprendo com o xadrez fico mais interessado porque me divirto” Recurso didático- pedagógico/rel ação com a matemática 4 “Uma maneira de aprender a matemática.”; “É um jogo que ensina Matemática”; “É a matemática em jogo.” Relaxar 4 “É muito divertido, relaxa- me, acalma-me, alivia-me de todos os maus momentos e tira-me o nervosismo”
Relaxar 1 “ Um jogo onde posso relaxar”;
Felicidade 2 “Jogar com os meus amigos
faz-me feliz” Sucesso 1
“Um jogo onde ganho sempre”; Momento de silêncio 1 “É um momento de silêncio”. Liberdade 1 “É um jogo onde eu decido o que quero jogar”. Momento de aprendizagem 2 “ É um momento de aprendizagem ”
Agradável 2 “É agradável”; “ O meu jogo preferido”;
Agradável 1 “Para esquecer os maus momentos e coisas familiares”
de xadrez tem ocupado os seus tempos livres (gráfico 6), o que, de certa forma, indica que este jogo está a constituir-se uma ocupação saudável dos tempos livres.
Gráfico 6: Resposta à questão “O jogo do xadrez aumentou e/ou melhorou”. Dados recolhidos no final das intervenções da Prática de Ensino Supervisionada
No que concerne à questão “Consideras possível aprender Matemática, utilizando o jogo de xadrez?”, verifica-se uma alteração das opiniões dos alunos, tanto no 1º como no 2º Ciclos, comparativamente ao diagnóstico inicial (gráfico 7).
Gráfico 7: Resposta à questão “Consideras possível aprender Matemática, utilizando o jogo de xadrez?” 0 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20
O jogo de xadrez aumentou e/ou melhorou
1º Ciclo 2º Ciclo 0 5 10 15 20 25
1º Ciclo 2º Ciclo 1º Ciclo 2º Ciclo
Consideras possível aprender Matemática, utilizando o
jogo de xadrez?
Sim Não Não sei Antes da intervenção Após intervenção
Conforme se pode constatar, após a intervenção, todos os alunos consideraram possível aprender Matemática, utilizando o jogo de xadrez. No entanto, ainda estão muito centrados no jogo em si mesmo e raramente o referem como um recurso ou material pedagógico- didático, como se verifica nas respostas à questão “Como sentes que o jogo de xadrez mudou as tuas aulas de Matemática?”.
Com efeito, a maioria dos alunos referiu que o jogo de xadrez contribuiu para melhorar a atenção das aulas e constituiu-se um elemento motivador: “estive com mais atenção nas aulas, porque só quero jogar”, “aprendemos e jogamos ao mesmo tempo”. Apenas dois alunos identificaram o jogo como um recurso pedagógico-didático que serviu para concretização dos conteúdos da Matemática (quadro 15). Refira-se, ainda, um aluno que considerou que o jogo de xadrez veio mudar a dinâmica da aula, com a realização de atividades em pé (quadro 15). Esta questão foi apenas colocada ao 2º Ciclo do Ensino Básico.
Quadro 15: Respostas à questão “Como sentes que o jogo de xadrez mudou as tuas aulas de matemática?”. Dados recolhidos no final das intervenções da Prática de Ensino Supervisionada.
No que diz respeito à opinião dos alunos relativamente à possibilidade de aprender outros conteúdos, utilizando o jogo de xadrez, verifica-se que houve um aumento de alunos a considerar essa possibilidade (gráfico 8). No caso do 2º Ciclo, esta alteração de opinião é evidente, dado que, antes da intervenção, apenas quatro alunos viam alguma possibilidade de utilização. Pensa-se que esta alteração na opinião dos alunos se deva à utilização permanente do jogo de xadrez nas aulas relacionadas com a Matemática.
Categorias Nº de alunos Exemplos
Atenção 13 “O jogo ajudou-me a estar mais atento.”; “Estive com mais atenção nas aulas, porque só quero jogar.”
Concretização dos
conteúdos 2 “Com o jogo, experimentamos as matérias de Matemática”; “Aprendemos Matemática, utilizando o jogo de xadrez”
Diversão 3 “Aprendemos e jogamos ao mesmo tempo”; “ As aulas foram mais divertidas.”; “Jogamos xadrez”
Movimentar-se pela
Gráfico 8: Resposta à questão “Consideras possível usar o jogo de xadrez para aprenderes os conteúdos das diferentes disciplinas?”
A questão “Assinala com x as disciplinas em que gostarias, ou pensas que poderia ser útil, usar o jogo de xadrez na escola” foi apenas colocada ao 2º Ciclo, dado que a utilização do jogo de xadrez se deu somente nas aulas de Matemática (gráfico 9). Os alunos alteraram a sua opinião, relativamente ao diagnóstico inicial, na medida em que veem a possibilidade de utilizar o xadrez no contexto das outras disciplinas. A Matemática continua a ser a disciplina que mais relaciona com o xadrez. A Aula + e o Apoio ao Estudo foram assinalados pelos alunos, certamente pela influência de se ter jogado xadrez nessas áreas. No caso das disciplinas de História e Geografia de Portugal e Ciências Naturais, os alunos não vislumbraram relação nenhuma com o jogo de xadrez (gráfico 9).
Gráfico 9: Disciplinas em que usar o jogo de xadrez pode ser útil, do ponto de vista dos alunos 0
5 10 15 20
1º Ciclo 2º Ciclo 1º Ciclo 2º Ciclo
Consideras possível usar o jogo de xadrez para
aprenderes os conteúdos das diferentes disciplinas?
Sim Não Não sei
Antes da intervenção Após intervenção
0 2 4 6 8 10 12 14 16 18 Português História e Geografia de Portugal Matemática Ciências Naturais Educação Visual e tecnológica Educação para a cidadania Educação Física Apoio ao Estudo Aula + de matemática Educação Musical
Disciplinas em que pensas ser útil, usar o jogo de xadrez
Em jeito de conclusão, considera-se que as atividades realizadas cumpriram e superaram os objetivos iniciais definidos para esta intervenção: os alunos aprenderam a jogar xadrez, as atividades despertaram o gosto pela Matemática, aproximaram os alunos da escola e encorajaram-nos a superar as suas dificuldades, através do envolvimento ativo nas atividades. Verificou-se, ainda, que apesar das atividades serem diferentes, no 1º e 2º Ciclos do Ensino Básico e de terem objetivos pedagógicos diferentes, há um certo consenso na opinião dos alunos, nomeadamente, a preferência pela atividade de jogar, a opinião que têm do jogo e os benefícios que o jogo de xadrez lhes proporcionou.