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DOP‹NGLE MÜCADELEDE DEVLETLER‹N ULUSAL ve ULUSLARARASI DÜZENLEMELER‹

Após 8 anos de governo FHC do PSDB, finalizado no ano de 2002, ocorreram as eleições que legitimaram a vitória a Luís Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT). O PT preservaria uma certa conexão com os movimentos sociais do país. Criou-se uma esperança de que o Governo Lula iria disciplinar as exigências neoliberais aos interesses nacionais. Infelizmente, nos primeiros meses ficou claro que em relação a essas mudanças, nada seria modificado.

Deu-se a continuidade ao PNE aprovado e a ideologia do PT dialogou com os setores econômicos e políticos da direita, aderindo ao neoliberalismo, mesmo que de forma diferente. Esse período do Governo Lula no poder foi de 2003 a 2006, período em que também fora analisado o projeto para a Educação brasileira e, principalmente, para a formação de professores, priorizando a Pedagogia. No que concerne à Educação, o Governo Lula apresentou o projeto “Uma Escola do Tamanho do Brasil”7.

Durante o primeiro mandato do governo do PT, o olhar foi direcionado para aqueles que não tiveram a oportunidade de estudar: os mais pobres. E quem seriam essas pessoas? Os que residem nas periferias das grandes e médias cidades brasileiras, os negros, os índios, os que moravam distante das instituições escolares, como os ribeirinhos da Amazônia etc.

Essa ideologia está bem clara e descrita no seu programa quando enuncia: “Pensar a educação como uma ação relevante na transformação da realidade econômica e social do povo brasileiro é pensar numa Escola do Tamanho do Brasil” (PT, 2002, p. 3).

Nessa perspectiva, os excluídos iriam reescrever uma nova história: a partir da sua realidade, escrevendo uma nova história de vida com possibilidades e oportunidades.

A ideia inicial desse projeto era rever a Educação Nacional e tentar melhorar para os brasileiros. Na introdução do projeto, o governo define a Educação em todas as etapas como um direito social básico, um fator

7 O programa do recém-eleito governo do PT chama-se: Uma Escola do Tamanho do Brasil. Esse programa apresenta um estudo sobre a realidade da época sobre a Educação nacional. Apresenta os vários aspectos e problemas da Educação brasileira e propõe mudanças para se reverter aquele quadro.

decisivo para interromper a dependência externa e propiciar um país emancipado, soberano e coparticipante entre si e com os outros países (PT, 2002).

Sobre a educação superior, o documento expressa o seguinte:

A educação superior é reconhecida por seu valor na formação acadêmica e ética de recursos humanos, nas atividades de pesquisa científica e tecnológica e no desenvolvimento cultural, econômico e social. As fortes demandas populares por acesso à educação superior situam-na hoje no horizonte dos direitos sociais básicos. As universidades públicas e os institutos de pesquisa - na qualidade de instituições complexas, que detêm a síntese da capacidade intelectual, científica e cultural – devem ser valorizados e integrados ao processo de desenvolvimento nacional, considerando sua importância na recuperação da capacidade de produção própria de ciência e tecnologia e seu papel crítico diante da sociedade. (PT, 2002, p. 4).

É observável que na citação anterior houve um destaque à Educação Superior, não só pela formação profissional, mas também pelo aspecto da ética e o desenvolvimento proporcionado por essa educação nos avanços sociais que ela propicia. Infelizmente, no Brasil, o acesso ao nível superior era bem restrito e tínhamos um índice muito baixo de pessoas com graduação. Valorizar a ciência e os seus benefícios, sejam a curto ou longo prazo, demonstra que esse governo tinha um olhar diferenciado para essa educação. Uma ciência que desenvolve o país, todavia, faz com que oportunize inserção social aos brasileiros, essa seria a máxima desse projeto.

Esse projeto também questiona o fato de a população mais carente ter somente o acesso a uma escola pública desprovida de um mínimo necessário para a aprendizagem e as piores universidades/faculdades privadas para formação profissional, enquanto a elite nacional continuava tendo acesso às melhores escolas e às vagas nas universidades públicas, consideradas as melhores do país. Nesse sentido, o projeto educativo do Governo Lula tinha três diretrizes: “democratização do acesso e garantia de permanência; qualidade social da educação; e implantação do regime de colaboração e democratização da gestão” (PT, 2002, p. 4).

Essas diretrizes versam a Educação como um direito social adquirido. Vamos refletir sobre essas diretrizes!

A democratização do acesso e a garantia da permanência é a primeira diretriz desse documento. Para que possamos democratizar a educação nacional, é preciso decisão política e coragem para investir uma quantidade maios em verbas públicas, tendo um rigoroso controle social. Desta forma, provavelmente, há garantias de acesso e a permanências dos alunos nas instituições escolares.

Para efetivação dessa democratização, será preciso superar a bifurcação quantidade versus qualidade. “[...] Qualidade para poucos é privilégio, e educação é direito! [...]” (PT, 2002, p. 7).

Popularizar o acesso não tem o significado de construir novas escolas, mesmo sendo extremamente importante, somente com este fator não há garantias desse mesmo acesso, principalmente, na zona rural brasileira. Faz-se necessária uma expansão do atendimento e garantir a aplicação de todas as possibilidades que podiam ser ofertadas.

Esse acesso democrático só poderá ser concretizado através de um Sistema Nacional Articulado de Educação, tendo como parceiros o Estado e a Sociedade, que, conforme LIBÂNEO (2010, p. 210) deve ser, “de maneira organizada, autônoma, e permanente, possam, por meio de uma gestão democrática e participativa, atingir os objetivos propostos.

Se o PNE demonstrava preocupação em relação aos milhões de alunos que estavam fora da escola, se faz mais do que necessário realmente se democratizar esse acesso através de um sistema nacional. O acesso é o primeiro passo para que possamos avançar em direção à qualidade na educação. Contudo, faz-se necessário que, para além do trabalho coletivo, se cobre, junto ao governo vigente, Políticas Públicas eficientes.

A cooperação entre Estados e Municípios também foi considerada importante para que o sistema educativo pudesse ter efetivado e ampliado a rede. Uma das ideias do projeto é a criação de programas de renda mínima para as famílias desfavorecidas economicamente. Dessa forma, estava garantida a permanência dos filhos dessas famílias na escola, com a

intenção do debate para a expansão de outros programas com essa mesma iniciativa, chamando-o de políticas afirmativas. Essa diretriz sobre o acesso finaliza sinalizando que, para além do acesso e da democratização, no futuro, a escola seria de tempo integral, como prevê a LDB 9.394/96.

A segunda diretriz refere–se à qualidade social da Educação. No início dessa diretriz, é exposto o conceito de educação desse projeto, no qual se configura da seguinte forma:

A educação é um processo permanente de apropriação do conhecimento já produzido pela humanidade e de produção de novos conhecimentos, sendo a escola seu espaço privilegiado. Nela, deve o aluno, orientado pelos professores, aprender a ler, a escrever, a interpretar cientificamente os fenômenos da natureza e as relações humanas e a se relacionar criativa e responsavelmente com seu meio e com o mundo. (PT, 2002, p. 8).

Nenhuma novidade em relação ao processo de conhecimento humano através da Educação. Ainda se destaca quais seriam as habilidades primordiais que os alunos deveriam aprender, dando ênfase para a descoberta científica e as relações interpessoais e com o seu ambiente social; mas, educação não é somente o que foi descrito, é muito mais: trabalha a contradição, a reprodução, o questionamento, molda o pensamento e pode libertar ou aprisionar os alunos.

O processo educativo é complexo e complicado, por isso é importante uma boa formação crítica para se olhar para além da realidade posta no discurso oficial.

O texto continua focando na exclusão que a escola produz, dizendo que os seus efeitos são a evasão escolar e a repetência, a sugeri r que se repense essa estrutura seriada da escola. Já que todos têm a possibilidade de aprender, a instituição escolar deveria refletir sobre mudanças em seus tempos e espaços, refletindo qual seria o seu papel na sociedade e como melhorar o processo educativo. Para isso, precisa-se reorganizar.

Nessa perspectiva, deve-se trabalhar a interdisciplinaridade, planejar melhor coletivamente a ação dos professores, superar o processo de avaliação classificatória e somativa, optando por uma avaliação diagnóstica e

formativa; ponderar sobre o ritmo de aprendizagem dos estudantes e uma formação voltada para a cidadania, no qual promova um aceso a educação cidadã mais crítica e ética politicamente.

Sobre a valorização dos profissionais da educação, destacaremos o que consideramos como mais importante: o documento enfatiza sobre a formação inicial continuada dos professores, salário decente, progressão funcional tendo como base os títulos e uma prática satisfatória. A avaliação docente estaria conectada com as políticas nacionais de formação, proporcionando, dessa forma, um desenvolvimento do sistema, a valorização profissional e um possível amor-próprio nos professores. O documento também apresenta as seguintes propostas complementares às que foram citadas anteriormente:

1. Incentivar a publicação de trabalhos, pesquisas, análises e descrição de experiências pedagógicas bem -sucedidas de autoria dos profissionais da educação básica.

2. Incentivar a criação de centros de formação permanente e aperfeiçoamento dos profissionais da educação, por Estado ou região, articulados com as universidades e os sistemas públicos de educação básica.

3. Implantar um programa de laboratórios de informática, bibliotecas e salas multimídia nas escolas públicas de ensino fundamental e médio.

4. Implantar, para os trabalhadores da educação, piso salarial nacional e progressão funcional fundada na titulação, na experiência e no desempenho aferido pelos compromissos apontados pelo projeto político pedagógico. (PT, 2002, p. 10).

Na referência citada está nitidamente claro uma valorização da ciência brasileira, iniciando pelo estímulo à difusão das pesquisas acadêmicas, principalmente, as que forem centradas nas experiências exitosas dos professores que atuam nas suas instituições escolares. Há uma sugestão a uma gênese de centros formadores, que também serão para aperfeiçoar, os professores em todo o país. Para que essa medida pudesse vir a ser concretizada, seria realizado um regime colaborativo entre os Estados e Municípios, com uma articulação entre as universidades e as escolas públicas.

Para que a Educação Básica também possa oportunizar o acesso ao conhecimento tecnológico, seria instituído um programa no qual todas as

escolas tivessem laboratórios de informática, bibliotecas e salas mu ltimídia. E, finalmente, sobre a tão dita frase valorização profissional docente, o documento versa que para que tal fato possa ocorrer, seria preciso um piso salarial nacional, uma promoção na carreira mediante comprovação de títulos, na prática do cotidiano escolar, tendo como base o que foi firmado no Projeto Político Pedagógico.

No tocante ao Regime de Colaboração e Gestão democrática8 esse documento argumenta que é preciso cumprir o que está na LDB 9.394/96, pois é fundamental se trabalhar em regime colaborativo, no caso, entre a União, os Estados e os Municípios. Através de uma proposta de Lei Complementar, isso poderia se tornar uma realidade entre essas esferas administrativas, proporcionando a criação de instâncias democráticas de articulação. Somente com o regime colaborativo entre essas esferas administrativas é que se poderia vislumbrar uma educação menos verticalizada e mais horizontalizada, uma educação realmente para todos , pela qual a inclusão de milhões de brasileiros seria algo possível.

As propostas acerca dessa temática que vão na lógica do documento são essas: instituir o Sistema Nacional de Educação; implantar um novo Conselho Nacional de Educação; criar um Fórum Nacional de Educação; garantir a autonomia político-pedagógica e de gestão financeira às instituições educacionais públicas; redefinir as competências do regime colaborativo; estimular a instalação de processos constituintes escolares para definição de planos nacional, estaduais e municipais de educação; estabelecer normas de aplicação dos recursos federais, estaduais e municipais; e instituir o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e Valorização do Magistério (PT, 2002).

Todas essas propostas eram bem interessantes e demonstravam que o novo governo tinha uma convicção de educação mais inclusiva, partindo das classes menos favorecidas economicamente, e ia ampliando a

8 De acordo com o programa do PT, a gestão democrática se daria através de lei complementar regulamentando a cooperação entre as esferas administrativas, regime de colaboração entre os sistemas de ensino e articulação entre as instâncias democráticas.

sua visão de educação atingindo o ensino superior, com a socialização desse saber.

Esse projeto para a Educação do PT intitulado “Uma Escola do Tamanho do Brasil”, sobre o qual estamos discorrendo, foi o documento diretriz para a educação brasileira e apresenta algumas recomendações para a Educação Básica, modalidades educativas e educação superior. Apresentaremos, sinteticamente, as informações sobre todas as fases da Educação Básica, Ensino Superior e o Financiamento da Educação, segundo essa diretriz.

Em relação à Educação Básica, ela compreende as seguintes etapas: Educação Infantil, Ensino Fundamental (I e II) e Ensino Médio. Quem garante que essas fases da Educação sejam definidas em todo o país é a LDB 9.394/96, salientando que é muito importante cada período da Educação Básica para a formação dos estudantes. Segundo essa proposta do Governo Lula, a EI é responsável pelo cuidar e educar das crianças, nas diversas características humanas, considerando essa fase como propícia para o crescimento humano e a formação para a cidadania. Essas são as propostas para a EI:

1. Estabelecer uma política de financiamento que considere: a) a necessária expansão progressiva do atendimento;

b) um valor custo-aluno-qualidade para a creche e para a pré- escola;

c) a necessidade de superar as desigualdades regionais d) uma ação integrada da União, Estados e municípios;

2. Fazer valer, s padrões de qualidade estabelecidos para o funcionamento de instituições públicas e privadas.

3. Estabelecer, por meio de censo escolar, um sistema de informação sobre as demandas da sociedade.

4. Promover ações para assegurar, em colaboração com Estados, municípios e empresas, o acesso a creches para todos os filhos de mães trabalhadoras.

5. Criar mecanismos para que, em todas as faculdades de educação seja oferecida a habilitação em educação infantil.

6. Criar a Câmara da Infância e da Adolescência com o objetivo de estabelecer uma política integrada para a infância e a juventude. (PT, p. 14, 2002).

Essas foram as propostas para a EI, visando melhorar o acesso, a permanência e a aprendizagem dos alunos nesse momento educativo. No

tocante à formação em Pedagogia, o item 5 destaca que seriam criados procedimentos para que todas as Faculdades de Educação, pudesse oferecer uma “habilitação” em EI. Como esse documento foi redigido em 2002, algumas faculdades no país ainda tinham essa habilitação. Depois da implantação das Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Pedagogia, as habilitações foram extintas e criadas algumas disciplinas específicas, como é o caso da EI.

É importante pensar que, se a Pedagogia forma o profissional para a EI e o EF I, então, nessa época, havia uma carência de formação desses profissionais para poderem atuar na primeira etapa da Educação Básica. Sem o devido conhecimento, e a diferenciação entre o cuidar e o educar, o profissional que está em uma creche ou pré-escola poderia acabar mais cuidando do que educando.

O EF deve ser articulado com as outras fases da Educação Básica. Segundo o documento, 8 anos são insatisfatórios como garantia de ingresso ao conhecimento e para formar para a cidadania (PT, 2002).

Assim como na EI, o texto também cita o acesso como uma forma de universalizar o EF, garantindo, dessa forma, a permanência e a continuação dos estudos para o EM. O fracasso escolar precisa ser extinto, para que possa se tornar uma realidade, serão fundamentais as Políticas Públicas de continuidade dos estudantes nas instituições escolares.

Contudo, esses fatores só ocorrerão, na prática, se os sistemas de ensino fossem direcionados à priorização dos PPPs que têm uma abordagem mais inclusiva, compromissados com a aprendizagem e com o êxito escolar. As principais propostas para a elaboração do PPP que as escolas deveriam adotar, segundo esse projeto de governo, que consta no documento são essas:

1. Todos podem aprender: esse é o desafio que uma escola de qualidade deve assumir.

2. Os alunos devem ser considerados como sujeitos de direitos. 3. O projeto político-pedagógico das escolas deve ser elaborado,

implementado e avaliado com a participação efetiva da comunidade escolar.

4. O grande desafio da escola é fazer aprender, utilizando métodos científicos e recursos pedagógicos que, reconhecendo as

diferenças existentes entre os alunos, garantam a todos o acesso à educação de qualidade.

5. O currículo deve ser implementado de forma interdisciplinar e contextualizada, e o trabalho docente deve ser coletivo.

6. A avaliação dos alunos deve ser contínua e formativa. (PT, 2002, p. 15-16).

Não há no texto sobre a EF algo relativo à formação de professores para essa etapa da Educação Básica, nem para os graduados em Pedagogia nem para os outros licenciados. As propostas descritas na citação só versam sobre a elaboração do PPP das escolas. Só existe uma única proposta para essa fase da Educação que se refere ao Bolsa Escola, vinculado ao Programa Nacional de Renda Mínima. De acordo com o texto do documento, o Bolsa Escola deveria ser implementado junto ao PPP, e seu principal objetivo seria garantir a permanência dos estudantes na escola.

No que se refere ao EM, há uma exposição de dados sobre esse último período da educação primeira. Dentre os inúmeros problemas do EM, são destacados dois em especial: a formação continuada de professores ; e a falta de docentes em áreas específicas, como Física, Química e Matemática. Há uma crítica em relação à formação universitária, não há uma política de estímulo para as licenciaturas, como também muitas escolas não possuíam laboratórios, bibliotecas ou condições físicas necessárias. As proposições para o EM foram as seguintes:

1. Universalizar gradativamente o ensino médio para todos os detentores de certificação do ensino fundamental.

2. Garantir um ensino médio unitário, democrático e de qualidade, para um efetivo domínio das bases científicas, por meio de uma articulação entre governo federal e governos estaduais. (PT, 2002, p. 17).

Na segunda proposta, ela se subdivide em cinco ações que iriam garantir esse EM unitário, democrático e de qualidade. O ponto B está descrito dessa forma: “formar profissionais de educação competentes e atualizados, e no número necessário” (PT, 2002, p. 17).

Essa formação de professores preza pela competência, tendência neoliberal já incutida na educação pelo Governo FHC. Difícil é saber como se configura uma formação competente sendo que a universidade dialoga pouco

com a escola, principalmente, nessa etapa final de escolarização. Ser um professor atualizado também significa ser competente, mais uma exigência neoliberal que faz com que o professor esteja em constante formação, embora, em muitos casos, não apresente os resultados obtidos pelas avaliações.

Em relação ao quantitativo de professores nas escolas, nesse caso do EM os cursos de licenciaturas estavam e ainda estão sofrendo com a falta de professores em áreas específicas, como Matemática, Física e Química (PT, 2002).

É preciso que se repense a formação de professores para a educação formal, para as instituições escolares. Sem essa reflexão, aliada a outros aspectos que precisam ser repensados, em pouquíssimo tempo o país ficará sem docentes.

Na ES o país tinha um dos indicadores mais baixos da América Latina em relação ao número de alunos matriculados. Na divisão desses alunos, para a época, 1/3 estavam em universidades públicas e 2/3 estavam em universidades privadas. As Instituições de Ensino Superior (IES) no ano 2000 representavam cerca de 85% (oitenta e cinco por cento), tiveram um acréscimo, depois de 8 anos, de 51% (cinquenta e um por cento). Nesse mesmo intervalo de tempo, as matrículas aumentaram 62% (sessenta e dois por cento), e nas IES privadas esse aumento foi duas vezes mais do que nas IES estaduais, e três vezes mais do que nas IES federais. Os cortes no orçamento do Governo FHC reduziram o financiamento para as IES, chegando a 0,61% do PIB em 2000. Em 1994 o valor investido nas universidades federais era de 0,91%, uma perda de 33% (PT, 2002).

Entretanto o EM aumentou 200% (duzentos por cento) na década de 1990, e o ES não acompanhou esse crescimento. Em relação aos graduados, 500.000 já possuíam esse título. Isso acarretaria um aumento dos graduados com interesse na pós-graduação, pois, segundo o documento, para os próximos quatro anos, o crescimento de matrículas para os mestrandos e doutorandos aumentaria em 100% (cem por cento). Para solucionar essa problemática de oferta e procura por vagas, destacamos as

principais medidas para solucionar essa situação do ensino superior no Brasil:

1. Ampliar, em quatro anos, as vagas no ensino superior

2. Ampliar a oferta de ensino público universitário, de modo a projetar, no médio prazo, uma proporção de no mínimo 40% do total de vagas

3. Promover o aumento anual do número de mestres e de doutores formados no sistema nacional de pós-graduação em pelo menos 5%

5. Estabelecer e implantar medidas que visem diminuir a desigualdade de oferta de cursos