3. ÖRGÜTSEL GÜVEN KAVRAMI
4.5 Örgütsel Bağlılık Modelleri
4.5.7 Becker’in yan bahis modeli
Este estudo apresenta uma investigação realizada com 283 servidores públicos federais, próximos à aposentadoria, sobre a intenção de continuar no trabalho remunerado além do tempo obrigatório de contribuição. O prolongamento do trabalho foi discutido a partir de dois constructos teóricos: o significado do trabalho e o significado da aposentadoria. Utilizamos a escala Older Worker´s Intention to Continue Working (OWICW) de Shacklock e Brunetto (2011), fundamentada no modelo teórico do significado do trabalho da equipe MOW (1987), como base para identificar variáveis relacionadas à intenção de trabalhadores mais velhos continuarem no trabalho remunerado. Ademais, expandimos essa investigação a fim de explorar a relação entre os significados atribuídos à aposentadoria e a intenção de continuar ou não trabalhando. Como meta adicional, também examinamos o impacto do incentivo financeiro (abono de permanência) para a decisão do adiamento da aposentadoria.
Os resultados de pesquisa revelam que a maioria dos participantes tem a intenção de continuar no trabalho remunerado além do período de contribuição obrigatória, constatando uma tendência de prolongamento da vida laboral. A regressão logística múltipla apontou que a autonomia pessoal, condições flexíveis de trabalho, a interação interpessoal no trabalho, e interesses fora do trabalho, são preditores dessa intenção e fazem parte das expectativas subjetivas dos trabalhadores com relação a situações futuras de trabalho.
Ainda vimos que, para a população estudada, a intenção de continuar trabalhando propende mais ao adiamento da aposentadoria e permanência na atual instituição do que
ao trabalho após a aposentadoria em outro lugar, tendo a maioria dos participantes já concretizado essa decisão. Portanto, os resultados da regressão logística múltipla demonstram que a autonomia pessoal, uma flexibilidade razoável, e o incentivo financeiro são preditores da decisão de adiamento da aposentadoria. Tais resultados estimulam a refletir que, embora o incentivo financeiro venha se mostrando como uma política eficaz, instiga a importante discussão que características específicas do trabalho devem ser possibilitadas para essa continuidade.
Ainda que tenhamos encontrado o impacto preditivo desses fatores relacionados ao trabalho, seu poder explicativo corresponde de 17 a 20% da variância da decisão de continuar trabalhando, indicando que outras variáveis não contempladas no modelo poderiam ter um papel igualmente influente ou complementar. Esse fato nos leva a considerar que a intenção de continuar no trabalho remunerado é multideterminada, devendo ser explorada a partir de modelos com múltiplos níveis de análise, considerando em estudos futuros, além de fatores do trabalho, outros relativos à organização, fatores pessoais, e relacionados à história da carreira profissional.
Na tentativa de ampliar o olhar sobre o adiamento da aposentadoria, exploramos ainda outras direções. Complementarmente, identificamos a existência de cinco padrões de significados da aposentadoria entre os respondentes, revelando outras representações formuladas e valoradas nos contextos sociais que têm se agregado ao conceito tradicional da aposentadoria, de saída do trabalho remunerado: nova etapa de vida, tempo de usufruir, ficar em casa ocioso, direito do trabalhador, e descanso merecido. A correspondência desse resultado com outros já apontados na literatura, inclusive em outros países, indica uma certa universalidade desses significados entre os trabalhadores do mundo ocidental. De conformidade com o objetivo proposto, averiguamos que as crenças transmitidas culturalmente sobre o significado e atratividade da aposentadoria
influenciam as preferências e intenções de aposentadoria. Os resultados revelam que a intenção de aposentar-se está significativamente vinculada a ideia de viver com mais qualidade usufruindo melhor o tempo; e, a decisão de adiar a aposentadoria está significativamente relacionada à representação da aposentadoria como ociosidade; à ausência de atividades que pareçam consistentes ou suficientes para substituir o trabalho, o que conduz a uma expectativa de difícil ajustamento à aposentadoria; e, a perspectiva de retorno a um ambiente doméstico não atrativo.
Nos detendo especificamente na população estudada, alguns resultados destacados a respeito das diferenças encontradas entre os cargos podem gerar subsídios e contribuir para políticas de gestão de pessoas mais específicas dentro do serviço público federal. Ainda que a amostra dessa pesquisa não tenha sido aleatória, atende ao critério de proporcionalidade caracterizando os servidores desta instituição. A decisão do adiamento nos leva a considerar a importância de ações específicas voltadas para a saúde do trabalhador mais velho, principalmente pela opção de prolongar a vida de trabalho, algumas vezes em situações desgastantes ou insalubres.
A intenção ou não de manter-se trabalhando remete não só ao significado do trabalho e aos significados da aposentadoria compartilhados pelos trabalhadores, mas também à relação existente entre as principais esferas da vida, o trabalho, o tempo livre, a família, e os papéis que se espera vivenciar nesses espaços. Ademais, os significados e expectativas da aposentadoria revelados enfatizam a importância de ações voltadas para o equilíbrio entre o trabalho e a vida pessoal, como sugerem Stepansky e França (2009).
É notória a dificuldade de alguns trabalhadores em encontrar outras áreas de interesse que não seja o trabalho, o que reforça a importância dos programas de orientação à aposentadoria. Além disso, os resultados desta pesquisa corroboram a literatura quanto à associação entre o planejamento de atividades para a aposentadoria e o nível de
confiança conduzindo a um fácil ajustamento nesse período. Paralelamente, questões concernentes ao significado do trabalho e aspectos atrativos do trabalho que influenciam o prolongamento da vida laboral precisam ser considerados e compreendidos nas ações do programa. O trabalho tem há muito tempo ocupado um lugar que preenche muitas necessidades, não devendo o apego ao trabalho ser, por si só, um objeto de crítica.
Esse estudo apresenta algumas limitações, dentre as quais queremos ressaltar três. Em primeiro lugar, quanto à sua generalização. Por incidir apenas sobre servidores de uma universidade seus resultados se aplicam a uma população específica, em um determinado espaço de tempo. A amostra de sujeitos não foi representativa, o que não permite generalizações para populações mais amplas. Uma segunda limitação se refere ao pequeno número de respondentes preferindo trabalhar após a aposentadoria, o que não permitiu investigar fatores preditores para a continuidade do trabalho nesta direção.
Em terceiro lugar, por se tratar de uma pesquisa de levantamento descritiva e transversal, verificando opiniões, pode estar expressando uma visão que não necessariamente será a realidade prática acerca das preferências de trabalho e aposentadoria, daqui a alguns anos. Um estudo de seguimento poderia trazer mais esclarecimentos a esse respeito. Principalmente, no que se refere ao planejamento de aposentar-se próximo da compulsória. No entanto, o fato de que a maioria dos respondentes já decidiram pelo adiamento revestem nossas conclusões sobre esse tópico de maior validade.
Em resposta às transformações sociais e demográficas, é crescente o interesse de investigar maneiras eficientes de incentivar e aumentar a participação de trabalhadores mais velhos no mercado de trabalho. Questões éticas e práticas da implicação de pesquisas voltadas para a compreensão desse assunto precisam ser consideradas. A descoberta de aspectos negativos que contribuem para a continuidade laboral não deve
ser utilizada enquanto aspectos a serem reforçados, e da mesma forma, a descoberta de aspectos positivos que conduzem à aposentadoria não deve ser utilizada como aspectos a serem inibidos. O direito à aposentadoria é fruto de anos de lutas trabalhistas e ainda não é um direito de todos.
Esta pesquisa se insere nesse cenário buscando ampliar o diálogo a partir de dados oriundos do contexto brasileiro. A validação brasileira da escala OWICW, e as semelhanças e diferenças nos resultados encontrados entre os dois países, nos permite avaliar com mais propriedade que modelos aderem à nossa realidade. Retornando a alguns pontos já discutidos na literatura, este estudo nos permite avançar um pouco mais, apontando que contribui para o prolongamento da vida laboral dos trabalhadores mais velhos um trabalho que permite a autonomia pessoal, oportunize a interação interpessoal, ofereça uma flexibilidade razoável, e esteja atrelado a outros interesses fora do trabalho. Esses são os valores que podem tornar o trabalho atrativo, interessante, e gratificante nessa etapa de vida.
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