96 PERFORMANS BİLGİLERİ
BASIN VE YAYIN MÜDÜRLÜĞÜ
O esporte se manifesta como um fenômeno sociocultural presente em muitas sociedades de distintos lugares e períodos históricos. Civilizações pré-colombianas, Egípcias, Chinesa, Japonesa, Gregas, Romanas e sociedades feudais europeias usufruíam de atividades físicas/pré-esportiva com caraterística utilitárias, para o aperfeiçoamento militar e de combate, para cerimônias religiosas e de culto a Deuses e heróis e cerimônias populares e políticas. Muitas dessas práticas pré-esportivas com o tempo deixaram de existirem e outras continuaram em suas formas pura ou paulatinamente modificadas de acordo com os valores e costumes vigentes em determinados períodos. (BRACHT, 1997; TUBINO, 2010)
Somente com a chegada da Era Moderna, principalmente na Europa, o esporte adquiriu o caráter competitivo e de manifestação dotada de regulamentações e codificações responsáveis para o autocontrole e progresso do homem. O esporte é elevado a um dos princípios básicos da vivência humana. (TUBINO, 1987)
Na Inglaterra, entre os séculos XVIII e XIX, ocorre uma expressiva evolução social por consequência do desenvolvimento do capitalismo, do processo de industrialização e urbanização e da ascensão dos ideais burgueses. Nesse período, as práticas esportivas existentes foram codificadas em regras, competições, organizações sociais específicas denominadas, clubes. Eles foram criadas com a finalidade de promover e internalizar as modalidades esportivas na sociedade. Por outro lado, as práticas esportivas se destacam como expressões capazes de incutirem na sociedade valores e crenças da sociedade burguesa como
religiosidade, cavalheirismo, habilidades acadêmicas, boa conduta, honestidade, entre outros. (BRACHT, 1997; TUBINO 2010)
Atribui-se a duas personalidades a promoção e a evolução do esporte moderno: Thomas Arnold, pedagogo inglês e diretor de uma importante escola pública, a Rugby College, em 1828. Thomas incorpora os jogos físicos praticados pela, então, aristocracia e alta burguesia da época como método de educação e controle dos jovens ingleses e Pierre de Frédy, pedagogo francês conhecido como Barão de Coubertin que comandou, em 1894, um movimento aristocrático que criou o Comitê Olímpico Internacional (COI) e os Jogos Olímpicos da era moderna, em 1896. Essas personalidades tiveram grande importância para a promoção e evolução do esporte moderno. (TUBINO 2010)
O esporte moderno fundamentaria sua expressão na sociedade civil através da “instituição” do recorde, ou seja, na competição, no rendimento físico, na racionalização e na “cientifícação” do treinamento. Como preceito instrutivo no igualitarismo burguês, no amadorismo, no associativismo (clube) e a formulação escrita de regras, o esporte moderno não era entendido como uma manifestação de direito de todos, ele era visto como uma prática pertencente aos aptos anatomicamente e aos talentosos. (TUBINO, 2010)
O esporte era concebido, de uma maneira em geral, como culto voluntário e habitual do esforço muscular, de caráter competitivo e com funções relevantes para a sociedade como higiênica, educativa, hedonista, biológica, de promoção social e uma atividade lúdica de alcance psicossomático. (TUBINO, 1987)
Logo, na segunda metade do século XIX, o esporte passa a ser tratado de outra forma. Há o reconhecimento da atividade física e esportiva como manifestações importantes na formação e preservação do indivíduo biologicamente e socialmente. O esporte é concebido como uma atividade a que todos os indivíduos possam ter acesso, pois a sua práxis no cotidiano despertará significativas potencialidades e bem-estar. (BRACHT, 1997; TUBINO, 2010)
Floresceram diversos manifestos da sociedade civil a favor de preceitos em que o esporte fora considerado como direito de todos os cidadãos e que sua manifestação se desenvolva para além das premissas da competitividade e de rendimento; o esporte como instrumento para promover a educação, a cidadania, a saúde e a recreação dos indivíduos. (TUBINO, 2010)
Como exemplo disso tem-se, o manifesto mundial do esporte editado pelo Conseil International de l'Éducation Physique et Sportive (CIEPS) da UNESCO, em 1964; a Carta Europeia de Esporte para Todos, editado pelo Conselho da Europa, em 1966; o Manifesto da
Educação Física, através da Fédération Internationale d'Education Physique (FIEP), em 1968; e a Carta Internacional de Educação Física e Esporte da UNESCO, editado em 1978. (TUBINO, 1987)
Apesar de cada um desses manifestos terem suas especificidades em tratar do fenômeno esportivo de forma geral, essas manifestações apontavam para a preocupação da atividade esportiva como um direito de todos, do papel das autoridades públicas em lidar com a manifestação esportiva, do esporte como uma ação educativa nas escolas, através da Educação Física, e do esporte como recreação para os cidadãos. (TUBINO, 1987)
De todos esses manifestos, devemos destacar a Carta Europeia de Esporte para Todos que teve significativa difusão pelo mundo, inclusive no Brasil. Um movimento que teve a preocupação de promover o esporte na perspectiva da educação permanente e do desenvolvimento cultural. (CALVACANTI, 1984)
O esporte na contemporaneidade é considerado um instrumento de equilíbrio social, pois, se constitui das relações entre grupos sociais urbanos e até nacionais, contribuindo para a existência biológica, para combinações de trabalho e vida e para enriquecer a cultura humana. Também, o esporte reflete objetivos econômicos, ideológicos, políticos, culturais, científicos e sociais. (TUBINO, 2010)
Logo, o esporte é um instrumento para a preservação da saúde e para a promoção do lazer, oferecendo um conjunto de manifestações que agem para minimizar os sintomas negativos da sociedade atual, bem como, para a reaproximação do homem com a natureza. Os eventos esportivos se configuram em formidáveis entretenimentos levando os espectadores a identificação com os ídolos, um afloramento de emoções (sofrimento, stress, alegria, prazer e até violência) e uma difusão do consumo de um estilo de vida. Por outro lado, o esporte se configura em uma fonte de disseminação de valores extra esportivo na sociedade, virtudes sociais como convivência, coesão e identificação social, valorização do indivíduo etc. (TUBINO, 2010)