• Sonuç bulunamadı

BĠLMECELER

Belgede Erciş folkloru (sayfa 128-139)

Retomando a análise dos textos normatizadores de língua estrangeira, vimos que, recentemente, em 2012, a Secretaria de Estado de Educação (SEEDUC – RJ) disponibilizou o Currículo Mínimo de sua rede de ensino no qual seleciona itens que considera indispensáveis ao processo de ensino-aprendizagem. Esse documento traz à tona os conteúdos a ser trabalhados pelos professores em sala de aula, ano a ano, bimestre a bimestre. A título de exemplificação, segue o exemplo de planejamento para a 1ª série do Ensino Médio regular. Escolhemos o Ensino Médio pois segundo consta na LDB, cabe aos Estados a priorização na oferta desse ciclo de ensino. Além disso, como ressaltamos acima o trabalho a ser desenvolvido na última série do Ensino Fundamental (9º ano), julgamos coerente neste

76

momento verificar o que é proposto na rede estadual visando à continuidade dos estudos de língua estrangeira. Vejamos o que é sugerido ao professor como plano de trabalho:

Aqui, destacamos o que é prescrito para o 1º bimestre de trabalho na primeira série do Ensino Médio. Pelo que podemos apreciar, a proposta continua sendo embasada em utilização de estratégias para compreender um documento – perpassando desde a identificação do título até a compreensão de um ponto de vista – que tanto pode ser escrito quanto oral. Se comparada às recomendações da última série do Ensino Fundamental, podemos até pensar que a prescrição para a 1ª série do Ensino Médio seria uma repetição do trabalho anterior. No entanto, os tipos de texto que servirão como suporte ao trabalho podem ser mais elaborados e as questões feitas acerca do texto também podem ser mais complexas. Talvez seja positivo reforçar o que já fora trabalhado, fazendo uma revisão dos conteúdos. Além disso, o material confeccionado está em harmonia com os pressupostos teóricos trazidos nas Orientações Curriculares do Ensino Médio, reforçando o trabalho com as habilidades de leitura, prática escrita e comunicação oral dentro da perspectiva de letramento. A preocupação que se instaura é com o aluno que chega ao Ensino Médio sem nunca ter tido contato com aquela língua estrangeira que compõe agora sua grade curricular.

Reconhece-se o trabalho realizado na disciplina de leitura instrumental, em que o aluno é incitado a compreender textos em uma língua estrangeira que talvez nunca tenha estudado antes graças às técnicas de leitura a serem apresentadas pelo professor. Porém, há a necessidade de um trabalho lexical e gramatical simultaneamente, segundo teóricos que discutem esse assunto. Apesar de não ter sido citado no currículo mínimo, acreditamos não haver impedimento para que esse trabalho seja realizado, uma vez que na parte introdutória do documento afirma-se que sua elaboração foi baseada em outros textos (LDB, PCN, OCN) e, como comentamos anteriormente, as Orientações Curriculares Nacionais prescrevem que apesar de algumas habilidades serem priorizadas, outras podem ser acrescentadas e desenvolvidas em sala de aula. No entanto, levar o aluno a produzir notícias, apresentar um telejornal e até mesmo utilizar um suporte oral para compreender uma notícia seriam tarefas de extrema dificuldade para um débutant (iniciante). O professor se desdobraria em vários para conseguir executar tal tarefa, não só falando do trabalho árduo para o desenvolvimento da atividade como também para a obtenção de recursos para realização da mesma. Mas deixemos esse assunto para outra tese.

Queremos ainda acentuar que o Currículo Mínimo é apresentado como uma “ação norteadora que não soluciona todas as dificuldades da Educação Básica”13

, mas que visa a estabelecer ações importantes para a construção de uma escola de qualidade. O texto apresenta como finalidade orientar o ensino-aprendizagem de todas as disciplinas mas reconhece que o professor pode fazer as adaptações que julgar necessárias considerando-se a realidade de cada escola e de cada público, conforme o trecho a seguir:

Sua finalidade é orientar, de forma clara e objetiva, os itens que não podem faltar no processo de ensino-aprendizagem, em cada disciplina, ano de escolaridade e bimestre. Com isso, pode-se garantir uma essência básica comum a todos e que esteja alinhada com as atuais necessidades de ensino, identificadas não apenas nas legislações vigentes, Diretrizes e Parâmetros Curriculares Nacionais, mas também nas matrizes de referência dos principais exames nacionais e estaduais. Consideram- se também as compreensões e tendências atuais das teorias científicas de cada área de conhecimento e da Educação e, principalmente, as condições e necessidades reais encontradas pelos professores no exercício diário de suas funções. (Currículo Mínimo, 2012, p. 2)

13

78

A partir da leitura do texto introdutório do Currículo Mínimo, depreende-se que o documento se apresenta como orientador para as práticas docentes trazendo como proposta o estabelecimento de uma base comum a todas as escolas da rede estadual, porém reconhece que ajustes podem ser feitos pelo professor dadas as condições de trabalho de cada escola. Contrariamente ao que é apresentado pelo texto, na prática, essas orientações se transformam em obrigações. Bimestralmente, o professor da rede estadual tem como atribuição lançar as notas em um sistema informatizado da própria SEEDUC e preencher um formulário online no qual deve selecionar as competências/habilidades trabalhadas naquele período. Caso o professor não selecione todos os itens exibidos, uma mensagem é mostrada informando-lhe que este é um dos requisitos para que a escola em que atua seja considerada elegível e receba uma bonificação. Logo, todos os itens devem ser marcados, confirmando assim que o professor desenvolveu todas as competências/habilidades que foram designadas para aquela série.

Por essas e outras razões dissemos inúmeras vezes ao longo desta tese que o professor toma para si as “sugestões” como tarefas a serem realizadas. Neste caso específico, caso o professor não cumpra o que lhe fora demandado ele prejudica a escola, que não cumprirá com a meta traçada pela SEEDUC, e a si mesmo, que não receberá uma quantia em dinheiro como premiação. Questionamos, assim, até que ponto o documento serve como norteador da prática docente, uma vez que se for cumprido na íntegra poderá causar ônus tanto para a escola quanto para o profissional da educação.

Antes de passarmos para a próxima seção, gostaríamos apenas de ressaltar como a Língua Francesa vem sendo apresentada nesses documentos oficiais até o presente momento. Vimos nos PCNs, no capítulo concernente às Línguas Estrangeiras, que o ideal seria adequar a oferta da língua à necessidade do público alvo. Na parte voltada para as competências e habilidades a serem desenvolvidas, não há menção a uma língua específica. Logo, subentende-se que o trabalho sugerido pelos PCNs poderá ser realizado com qualquer língua estrangeira moderna.

O mesmo acontece nas Orientações Curriculares para a Rede Municipal. Em relação às Orientações Curriculares Nacionais para o Ensino Médio, publicado pelo MEC, o texto faz uma abordagem geral sobre possíveis meios de desenvolver um trabalho voltado, sobretudo para a compreensão de textos em línguas estrangeiras e no capítulo seguinte desenvolve questões ligadas apenas ao ensino de espanhol. No documento publicado pela rede estadual

em 2012, o Currículo Mínimo, as orientações estão voltadas para as línguas estrangeiras em geral. Entretanto, vale a pena relembrar que em 2006 foi publicado pela Secretaria de Estado de Educação um documento com orientações voltadas apenas para o ensino de inglês e espanhol intitulado Reorientação Curricular: Curso de atualização para professores regentes, confeccionado em parceria com o corpo docente da UFRJ. Insatisfeitos com essa situação, os professores de francês, através de sua Associação (APFERJ) e do Departamento de Cooperação e Ação Cultural (SCAC), elaboraram, no mesmo ano, um material com propostas pedagógicas voltadas para as diferentes séries. Porém, esse documento não se encontra disponível na página eletrônica da SEEDUC tampouco foi adicionado ao corpo do documento que havia sido elaborado para as outras duas línguas estrangeiras. Nossa indagação em relação a essa postura é a seguinte: Por que excluir os professores de francês da elaboração de um documento norteador do ensino na cidade do Rio de Janeiro? Qual o objetivo de emudecer essas vozes?

Na próxima seção comentaremos os documentos norteadores do ensino elaborados pelos próprios docentes com o objetivo de contemplar as particularidades e o público de cada escola.

Belgede Erciş folkloru (sayfa 128-139)