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Na pesquisa de 2011, o Gráfico 23 demonstra que 625 (56,6%) dos pesquisados responderam que são a favor do aborto e 412 (37,3%), contra. Na pesquisa de 1998 de G. Hackmann e J. Bastiani, responderam que são a favor do aborto 73,76 % e 19,42%, contra. Na pesquisa CERIS 2002, mostraram-se contra o aborto 56,7 % e 28,8 %, a favor. Então, a partir das três pesquisas, conclui-se que, de 1998 para 2002, houve uma diminuição dos entrevistados que são a favor do aborto e, de 2002 para 2011, houve um aumento das pessoas que são favoráveis a esta prática.

Tabela 23: Posição sobre aborto

A favor do aborto? Frequência Percentual

Sim 625 56,6

Não 412 37,3

Não respondeu 57 5,2

(Sim/Não) depende do caso 9 0,8

Anulou a resposta 1 0,1

Total 1104 100,0

Gráfico 23: Posição sobre aborto

A juventude hoje é muito sensível às questões sociais e, se não são bem orientadas, incorrem em danos morais para a família e o comportamento sexual. É do conhecimento de todos que há um incentivo ao uso da “camisinha”, ao invés de educar o jovem para relacionamentos maduros e afetivos. A Igreja Católica tem por doutrina ensinar a todos e

especialmente aos jovens o namoro cristão, com vistas ao matrimônio, como sacramento, bem como nas outras religiões.

Há uma enorme preocupação com os valores morais como um todo. A partir de condutas sexuais não recomendadas, surgem “problemas”, como, por exemplo, a gravidez “indesejada” e, consequentemente, recorre-se ao aborto como solução. Além disso, a realidade de hoje “protege” alguns casos, e o indivíduo está amparado pela lei.

Aborto (ab-ortus), etimologicamente, significa “mal nascido ou nascido antes do tempo”.106

O verbo latino aboriri, do qual deriva o substantivo abortus, significa também matar. No sentido real, é a expulsão do embrião ou do feto antes que possa viver fora do seio materno. Por isso, quem procura o aborto mata a vida.

Hoje os dados da ciência garantem que, em um tempo concreto, se configura o corpo humano e que, muito cedo, goza de algumas sensibilidades próprias da vida psíquica, e a conclusão é que abortar é matar um corpo humano com características muito precisas. A partir da fecundação, o óvulo tem um código genético diferenciado, de forma que, desde o primeiro momento, existe uma individualização do gameta. A ciência garante que o aborto provoca a morte de um indivíduo da espécie humana.107

O questionamento a respeito do começo da vida humana é difícil de ser decidido, pois existem muitas discussões acerca do tema, em função da falta de dados convincentes de quando se dá o início da vida humana ou da pessoa humana. A Igreja, nestes tempos de modernidade, toma uma posição e considera mais seguro o fato de a pessoa existir desde a fecundação (fusão dos gametas que dá origem ao zigoto), quando aparece um genótipo distinto do pai e da mãe. A vida humana começa desde a concepção, e este é um postulado admitido sem ser provado, ou seja, não se pode demonstrar que a realidade não seja assim. Com a fecundação, começa um processo que não somente comporta etapas, mas também, uma incontestável continuidade.108

A Constituição Pastoral Gaudium et Spes diz que:

106 FERNÁNDEZ, A. Compendio de teología moral, p. 436. 107 Ibid., p. 437.

Soluções que destroem a vida são lembradas pela Igreja que não pode haver verdadeira contradição entre as leis divinas sobre a transmissão da vida e o cultivo do autêntico amor conjugal. Deus, com efeito, que é o Senhor da vida, confiou aos homens o nobre encargo de preservar a vida para ser exercido de maneira condigna do homem. Por isso, a vida deve ser protegida com o máximo cuidado desde a concepção. Tanto quanto o aborto como o infanticídio são crimes nefandos.109

Na pesquisa com os alunos em 2011, 62,1% responderam que pertencem à religião Católica, ou seja, mais de a metade são da religião Católica; 56,6% são favoráveis ao aborto, isto é, mais da metade. Com as considerações feitas acima, compreende-se que vivemos em um momento, no qual os pesquisados não vivem a orientação da própria religião que dizem pertencer. Além disso, mesmo que os respondentes pertençam a outras religiões, não estão promovendo a vida, dando a entender que a mesma é relativa (Cap. I) e secularizada, em que a sacralidade da vida troca o seu valor por outro de importância material, econômica, sem compromisso com ela mesma, que é um bem maior.

O catecismo jovem da Igreja Católica (YouCat) deixa bem claro que:

Os direitos inalienáveis da pessoa devem ser reconhecidos e respeitados pela sociedade civil e pela autoridade política. Os direitos do homem não dependem nem dos indivíduos, nem dos pais, e também não representam uma concessão da sociedade e do Estado: pertencem à natureza humana e são inerentes à pessoa em razão do ato criador do qual esta se origina. Entre estes direitos fundamentais é preciso citar à vida e à integridade física de todo ser humano, desde a concepção até a morte.110

O catecismo jovem da Igreja Católica coloca:

a esta missão, destrói ele próprio os alicerces do Estado de direito. Só Deus é o Senhor da vida e da morte. Nem sequer a “minha” vida me pertence. Cada criança tem direito à vida desde a sua concepção. Desde o início, o nascituro é uma pessoa própria, cujo círculo de direitos ninguém deve violentar, nem o Estado, nem o médico, nem mesmo a mãe. A posição da Igreja não é carente de misericórdia; aliás, ela pretende alertar para os danos que são causados à criança morta, aos pais e a toda a sociedade, e que nunca mais poderão ser reparados. Proteger a vida inocente pertence às mais nobres tarefas do Estado; se ele se furtar a esta missão, destrói ele próprio os alicerces do Estado de direito.111

109 CV II, GS 51.

110 CEC 2227. 111 YOUCAT 383.

“Que fizeste! Ouço o sangue do teu irmão, do solo clamar para mim!” (Gn 4,10). Diz o Papa João Paulo II “Quem atenta contra a vida do homem, de algum modo, atenta contra o próprio Deus.” João Paulo II, EV 9. Para que o homem moderno hoje tome consciência da gravidade da atitude em favor do aborto, ou seja, sendo ele um atentado contra a vida, não se pode, em uma consciência coletiva, entender que deixa de ser um crime para passar para um direito pessoal e reconhecer-se dono da vida e, além disso, amparado legalmente e com o consentimento e ajuda do profissional da saúde que deve promover a vida e não, a morte.

Importante ressaltar, ainda, que se trata de um ser indefeso e que está sendo atentado contra os valores da própria família. Alguns dos pesquisados disseram que seriam a favor do aborto, em parte, quando se trata de estupro. Mesmo nos casos de violência, a vida humana é inviolável e nem nestes casos nos é permitido tirá-la. Sabe-se que, muitas vezes, a mulher sofre individualmente nestes casos e outros tantos em que o parceiro não assume a sua responsabilidade. Existem situações também de pobreza, em que as pessoas preferem se “livrar” do embrião antes que este venha a dar despesas econômicas à mulher e à sua família. Em qualquer caso, a vida é inviolável, “quem atenta contra a vida do homem, de algum modo, atenta contra a vida do próprio Deus”. (EV, 9) Não existe nenhuma justificativa para se eliminar o embrião humano. Mesmo com os debates ou as pseudos justificativas não se admite a morte do embrião, e ao mesmo deve ter garantida a sua vida na sua totalidade, na unidade corporal e espiritual. “Antes mesmo de te modelar no ventre materno, eu te conheci; antes mesmo que saísse do seio, eu te consagrei. Eu te constituí profeta das nações” (Jr 1, 5).