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16. Sayıltılar

1.3. Annesi Çalışan Çocuklarla İlgili Çeşitli Sorun ve Yaklaşımlar

Para melhor avaliação da importância da construção de significados, subjetividade, identidade e diferença, impõem-se a análise da dimensão projetiva ou criadora da inteligência humana.

A narrativa que cada sujeito constrói de sua biografia permite a associação e a co- implicação gerativa de experiências e significados que podem se vincular de modo inovador pelo sujeito, sem considerar o espaço e o tempo e a configuração real que as integrou no passado. É na mobilidade da interação individual ou grupal de fragmentos de significados e de experiências próprias e alheias, atuais ou antigas, é que acontece a possibilidade de uma combinação infinita e o surgimento de novas e inesgotáveis configurações do real. Para Gómez, (2001, p. 245) isso “[...] é a criação, não o surgimento do nada, mas a emergência de novas combinações inéditas de idéias, sentimentos, estruturas, instituições, artefatos, interações, valores, etc.”

Desta forma, tem-se que a inteligência humana desenvolve e exerce a autodeterminação pela consideração a esta base inesgotável de combinações novas de fragmentos da cultura da humanidade. Dessa autodeterminação, o sujeito torna-se independente do ciclo fechado da dependência biológica de estímulos e respostas que satisfazem suas necessidades primárias porque se projeta para configurar uma nova realidade e, sem dúvida, projetar “[...] um singular e irreptível modo de ser individual que traduz a construção da subjetividade.” (GÓMEZ, 2001, p. 218)

Portanto, pode-se considerar como projeto individual de construção da subjetividade racional, quando cada sujeito, de forma voluntária, decide penetrar no âmbito dos intercâmbios contrastados de modo racional com as evidências universais por meio de suas argumentações livres e críticas, quando submete o que pensa frente aos outros indivíduos e grupos humanos. Isso significa que, cada indivíduo, ao assumir o seu projeto, deve construí-lo com independência, mas aceitando tolerantemente e humildemente a necessidade de contrastar, racionalmente, aquilo que é peculiar de seus significados construídos a partir da realidade individual e social de suas decisões e planos. Assim, cria um território de intercâmbio e comunicação que se regula no debate, na argumentação e no consenso, sem esquecer de deixar lugar a um espaço privado à crítica pessoal movido por todo o tipo de contribuições próprias e alheias.

Numa perspectiva importante à Educação – Pedagogia e Psicopedagogia -, como para inúmeras outras ciências, indica-se também uma análise de contexto. É preciso, pois,

considerar o microcontexto, o mesocontexto e o macrocontexto e, no chamado modelo ecológico de interpretações, lembrar os diferentes níveis ou esferas contextuais que formam uma rede de encaixes com o qual os influxos se interpenetram de forma viva e permanente

formando um sistema (Capra, 2002). Ou seja, não se pode entender nenhuma das variáveis

do resto das esferas contextuais separadamente. Isso mostra que é tão legítimo o fluxo do macrocontexto para o microcontexto como o processo inverso. Depois é preciso relativizar os dados frente ao contexto global. Isso ocorre de tal forma que é difícil se perceber quais são as variáveis do macrocontexto e quais são as variáveis do microcontexto uma vez que as barreiras citadas foram rompidas. E, ainda, que o mesocontexto, devido à facilidade de comunicação, permite ao sujeito participar de múltiplos contextos e, portanto, chegando a

ser tão constantes os intercâmbios e próximos aos indivíduos como os do seu núcleo

familiar.

Para Gómez (2001) existem três tipos de variáveis que estão sempre presentes em todo o contexto sociocultural quando configura o sistema de intercâmbios que provocam a aprendizagem e o desenvolvimento dos indivíduos, são elas: as variáveis situacionais, experienciais e comunicativas.

Sobre as variáveis situacionais identifica o clima físico e psicológico no qual acontecem os intercâmbios e constituem o contexto dinâmico pela complexidade e mudanças em que vive o sujeito de suas experiências.

Há de se distinguir “o clima de objetivos e expectativas” através da convergência e conflito entre estes componentes providos dos diferentes indivíduos e grupos do cenário vital. As manifestações de poder, através das distintas formas de definir os objetivos e as expectativas das situações que se analisa, formam também esta esfera.

Quanto às variáveis experienciais salientam-se os significados e os modos de atuação de indivíduos e grupos de determinados contextos. Gómez (2001, p. 247) explica: “Para compreender a significação real dos intercâmbios em cada situação, é imprescindível entender a trama de conceitos, teorias, estratégias, afetos e hábitos que cada um dos participantes acumulou em sua experiência histórica e que, agora, ativa nos intercâmbios atuais”.

Das variáveis comunicativas entende-se e considera-se que a metacomunicação na vida de todo grupo é tão importante como a própria comunicação, pois fala tanto acerca da importância do próprio processo de comunicação como da importância institucional de cada um dos participantes deste processo. Logo, pelos processos de metacomunicação, se

estabelece na vida do grupo regras latentes de intercâmbio e, ainda, de comportamento, o que constitui o nível interpessoal.

Em relação às mensagens que o indivíduo recebe como membro de um grupo, estas o orientam para configurar um comportamento de grupo desde que atenda às suas normas e pontuações de interpretação e ação. Isso refere ao que Tikunoff (1979)considera como nível grupal – é o que serve para formar a identidade do grupo e, neste espaço vital e coletivo, influencia o pensamento e comportamento daquele que se sente membro do mesmo. Há, pois, a necessidade de aprender os códigos de informação coletiva para se poder intercambiar.

O nível global da comunicação é básico para esta análise de contexto porque não se pode mais compreender os processos de intercâmbio nem de micro, nem de mesocontexto, sem considerar os influxos dos membros da comunidade humana que se comunicam via os poderosos meios tecnológicos de transferência da informação. Os meios de comunicação impõem, tanto os conteúdos, estratégias e ritos, como os esquemas individuais e grupais de comportamento e comunicação.

Gómez salienta e acata o modelo de Tikunoff ratificando que não se pode simplificar a riqueza do cenário sociocultural porque a realidade é complexa e, ao respeitar- se a complexidade na sua compreensão, o modelo de análise e interpretação deve ser complexo, permitindo a representação das múltiplas interações intervenientes.

Assim sendo, cabe um recorte específico, neste estudo, focado na estrutura semântica contextual pós-moderna para que se acrescente uma visão desta etapa de desenvolvimento cultural que se está vivendo, a qual coincide com a de Lipovetsky (1994) e que Gómez define como:

A consagração da propriedade privada, a obsessão pelo benefício particular, a primazia das leis de livre mercado, a legitimidade da competitividade particular a qualquer preço, a obsessão pela eficácia, a primazia pelas aparências, o gosto desmedido pelo efêmero e mutável são componentes ideológicos que, junto à defesa das democracias formais e da busca da liberdade, à onipresença dos meios de comunicação de massa e à possibilidade de superação das barreiras espaciais e temporais, à livre circulação da informação compõe os elementos da cultura pós-moderna. (2001, p. 249)

Para Gómez, o desenvolvimento das novas gerações move-se dentro de certos canais, pressionado por certas condições econômicas, tecnológicas e sociais bem diferentes

das que condicionaram o desenvolvimento das gerações precedentes a este marco social e cultural de luzes e sombras.