6. BÜYÜKŞEHİR BELEDİYESİNİN İLÇE BELEDİYELERİ ÜZERİNDEKİ DENETİM
6.5. Büyükşehir Belediyesinin İlçe Belediyeleri Üzerindeki İmar Denetimi
6.5.3. Büyükşehir Belediyesinin İmar Denetim Yetkisini Uygulama Aşamaları
Segundo HUSAIN o significado económico dos portos assenta não apenas no emprego e valor acrescentado, directamente gerado pelas actividades portuárias, mas também em resultados indirectos que podem providenciar um forte estímulo à economia regional (HUSAIN: 1981, p.224).
“Todos os portos, considerados individual ou colectivamente, evidenciam o papel determinante da função portuária no desenvolvimento económico nacional e regional, e a necessidade de manter e valorizar a posição competitiva de cada porto nos sistemas de transporte terrestre e marítimo do século XX.” (HOYLE e SMITH: 1998, p.
26).
Apesar de, em termos teóricos, as metodologias para a determinação dos impactes da actividade portuária não levantarem grandes contradições, o principal problema coloca-se na sua aplicação prática. A primeira dificuldade prende-se com a selecção e a identificação dos elementos a considerar na análise, de acordo com o seu grau de relação com a actividade portuária.
Neste contexto é possível destacar três grandes grupos de actividades:
1) Actividades directamente ligadas ao porto
São as actividades ligadas à recepção dos navios, à sua carga e descarga, à armazenagem e ao transporte; encontram-se, pois, de um modo geral, ligadas ao transporte marítimo.
2) Actividades indirectamente ligadas aos portos
São as actividades que se implantam no espaço portuário e também no seu exterior, mas que apresentam grande dependência do transporte marítimo de mercadorias ou da localização portuária para desenvolver a sua actividade, como é o caso das indústrias de construção e reparação naval.
3) Actividades induzidas pelo porto
São as actividades de carácter mais generalista, que servem de apoio ao porto e às actividades e trabalhadores associados ao seu funcionamento (seguradoras, transportes rodoviários, restauração, etc.).
Como se verifica, o impacto económico de um porto exerce-se mesmo nas actividades situadas fora do espaço portuário e sem ligação ao transporte marítimo. Apesar de a importância do porto decrescer com o aumento da distância no hinterland, o desenvolvimento das redes de transportes terrestres possibilitou que regiões mais extensas beneficiassem das vantagens resultantes da existência e funcionamento dos portos. Neste contexto destacam-se, por exemplo, as indústrias e outras actividades agrícolas ou comerciais localizadas no hinterland do porto e que beneficiam das facilidades de transporte e da diminuição dos custos do transporte marítimo nas suas operações de importação ou exportação.
Apesar da aparente facilidade que resulta da explicação teórica, a determinação dos impactes indirectos e induzidos da existência de um porto numa região apresenta algumas dificuldades, podendo destacar-se dois tipos de problemas: o primeiro diz respeito à impossibilidade de identificar todas as actividades relacionadas indirectamente com o porto ou que beneficiam economicamente com a sua existência; o segundo resulta da dificuldade de quantificar, no conjunto do rendimento total gerado por estas actividades, qual a parcela que é explicada pela existência do porto.
A tarefa de quantificação real da importância económica dos portos e do seu peso na economia regional ou urbana é, contudo, mais facilmente conseguida nos portos de média e pequena dimensão, onde se torna mais viável identificar e delimitar as diferentes actividades económicas ligadas directa e indirectamente ao porto e analisar seu contributo em termos de emprego e rendimentos.
A forma de organização dos sistemas portuários varia de país para país de acordo com as políticas e os modelos de gestão portuária adoptados, os quais são determinados por factores políticos, sociais, económicos e históricos. As diferentes abordagens traduzem-se em diferenças na concepção, na organização e o desenvolvimento dos sistemas portuários (organização interna, funções a desempenhar, relações de complementaridade e concorrência entre portos, papel a desempenhar pelos poderes públicos e pela iniciativa privada, etc…).
De acordo com HENRIQUES (1993, p.26) "Tradicionalmente, duas teses
sobressaíram na definição das políticas portuárias e na arrumação das estruturas que compõem cada sistema portuário, o que equivale a diferentes conceitos de porto"
(HENRIQUES: 1993, p.26). Esta ideia é também defendida por POLLOCK (1981, p.38) que distingue, em termos gerais, dois tipos de abordagem: uma de natureza micro- económica e outra de natureza macro-económica.
Na primeira, os portos são vistos como empresas, em termos da sua própria viabilidade económica e financeira, o que constitui uma preocupação primária. Esta filosofia corresponde à abordagem tradicional das políticas portuárias de países como o Reino Unido, a Irlanda ou a Dinamarca.
Trata-se de uma interpretação do porto numa perspectiva microeconómica, identificando-o como o espaço físico onde os navios são carregados e descarregados. A função essencial é a de transporte, pelo que os seus defensores apontam, como condições essenciais, a existência de bons acessos ao navio, o nível tecnológico dos equipamentos de carga e descarga e as condições de acessibilidade no hinterland portuário.
Uma outra abordagem à política portuária e ao papel a desempenhar pelos portos pode ser encontrada nos países onde estes se encontram sob a jurisdição de autoridades regionais ou municipais. “Nestes casos, o interesse é focado na totalidade
dos benefícios, directos e indirectos, resultantes da existência do porto, incluindo a geração de emprego, rendimentos, impostos e desenvolvimento económico em geral."
(POLLOCK: 1981, p.38)
Nesta política, o porto é considerado como um pólo de desenvolvimento, através da sua capacidade de atracção de indústrias e outras actividades ligadas à função marítimo-portuária. "A política portuária, neste caso, dá grande ênfase a uma
estratégia que vise a localização de actividades industriais principais e subsidiárias e serviços na área portuária, bem como todas as que acrescentem valor à mercadoria. "
(HENRIQUES: 1993, p.27). Esta é a última abordagem adoptada nos maiores portos de águas profundas e nos pólos industriais portuários da Bélgica, França, ex-RFA, Holanda12 e EUA. (POLLOCK: 1981, p.39).
12 O grande desenvolvimento do porto de Roterdão, depois da II Guerra Mundial, é um dos exemplos mais notáveis desta perspectiva.
De acordo com esta perspectiva, os portos são encarados como uma componente da infraestrutura ao serviço de toda a economia da região (HUSAIN: 1981, p.224-225), logo, o seu desenvolvimento, a exemplo do que se verifica em relação às outras infraestruturas regionais, compete às entidades públicas, as quais participam, em maior ou menor grau, na administração do porto13.
Existe, contudo uma clara definição entre o papel que cabe aos poderes públicos e aos agentes privados: as entidades regionais, através das suas políticas de desenvolvimento, visam a manutenção da posição competitiva do porto – por meio de investimentos de capital, da manutenção dos canais de navegação, das ajudas à navegação, da construção das docas, dos cais e dos terraplenos portuários – e o incentivo ao desenvolvimento das actividades que contribuem para o crescimento económico regional; os agentes privados participam na exploração do porto, numa lógica de mercado livre, na qual as empresas competem pelo espaço e negócios e são responsáveis financeiramente pelas "super-estruturas"; esta competição entre operadores privados é encarada como um encorajamento para a eficiência e a manutenção da competitividade do porto.
O desenvolvimento portuário é geralmente abordado do ponto de vista das políticas dos diferentes governos nacionais, dos investimentos, da organização dos transportes marítimos e das decisões dos armadores, esquecendo-se, regra geral, os interesses e as expectativas legítimas das comunidades das regiões onde se localiza o porto. Para PINDER (1981, p.181), “(…) não se pode compreender o desenvolvimento e a
expansão económica dos portos apenas à luz das teorias económicas, sendo necessário analisar a atitude da comunidade, que pode representar um factor limitativo no crescimento portuário.”. O autor vai mesmo mais longe, ao afirmar que as teorias
de desenvolvimento económico deviam ser adaptadas para terem em conta o papel da opinião pública. “Esta modificação poderia consistir na inclusão do conceito de “limite
de tolerância” de uma dada comunidade, cuja influência varia no tempo e no espaço”
(PINDER:1981, p.181).
13 HUSAIN (1981, p.224-225) refere que em países como a Alemanha e na Holanda os interesses regionais são assegurados através da participação da região (Lander) nas maiores companhias (holdings que funcionam como companhias privadas e sem financiamentos públicos).
Este “limite de tolerância” está associado a uma cultura de maior participação cívica das comunidades na vida colectiva, associado a uma maior consciência ambiental, e encontra-se bem patente na oposição das comunidades locais a projectos de desenvolvimento de infraestruturas portuárias, motivados por problemáticas ambientais e pelo combate à poluição.
De acordo com TAKEL (1981, p.47), quanto mais complexas se tornam as sociedades, maior é o número de actividades que têm de ser asseguradas, maior a competição pelo espaço para diferentes actividades da comunidade (trabalho, lazer, educação, comércio e indústria) e mais provável será o recurso à aplicação de standards, particularmente de standards mínimos.
Na ausência de limites de disponibilidade de espaço, assim como de outros factores encorajando um movimento de concentração mais do que a dispersão, esta competição não constituirá um problema tão significativo no processo de planeamento, análises do uso do solo e de custo-beneficio.
Por outro lado, o reconhecimento da importância dos portos e da navegação marítima justificou, para muitas comunidades e em algumas situações, que grupos de cidadãos se colocassem do lado do porto, defendendo a sua manutenção ou o desenvolvimento das suas infraestruturas.
Em Portugal, é possível identificar, na última década, estes dois tipos de atitude das comunidades face a projectos concretos de desenvolvimento portuário: a oposição, manifestada pela população de Setúbal e por grupos ambientalistas à constituição de um aterro nas margens do rio Sado para a implantação de um grande terminal de contentores no porto de Setúbal; a constituição, em meados da década de 90, de um associação cívica para defender a permanência e a operacionalidade do porto de Lisboa, contra algumas opções da Administração Portuária; em causa estava o Plano de Ordenamento da Zona Ribeirinha de Lisboa (POZOR) mandado elaborar pela Administração Portuária e que perspectivava a redução da actividade portuária e a urbanização de uma parte importante dos espaços portuários.
Noutro exemplo, que adiante retomaremos, ao longo do desenvolvimento do porto do Funchal é possível identificarem-se fases de maior ou menor intervenção por parte das
comunidades, assistindo-se, por vezes, a inflamadas discussões políticas e a tomadas de posição por parte da sociedade civil. Importará analisar e perceber de que forma estas atitudes e os movimentos que se lhe seguiram conduziram a alterações na política portuária e influenciaram o desenvolvimento do porto.