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Çocuğun Malvarlığının Korunması

2. VELAYET HAKKININ ALANI

2.2. Çocuğun Malvarlığının Korunması

Trata-se de princípio processual geral de caráter infraconstitucional que tem como diretriz a atividade de julgamento tanto no processo comum quanto no processo administrativo. É uma decorrência do princípio do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório, do direito de petição perante os Poderes Públicos e da segurança jurídica nas relações, na medida em que impede o julgamento extra, ultra ou citra petita.

A matriz infraconstitucional desse princípio processual está inserta no art. 128 do Código de Processo Civil, verbis:

O juiz só decidirá a lide nos limites em que foi proposta, sendo-lhe defeso conhecer de questões não suscitadas, a cujo respeito a lei exige inicia- tiva da parte.

188 SALLABERRY, F. Anotações sobre o processo administrativo tributário paulista. Sinafresp,

Em outras palavras, os julgadores, uma vez instaurada a lide, devem restringir-se ao exame da matéria segundo os limites subjetivos e objetivos constantes no processo. A impugnação administrativa desempenha uma função subjetiva, uma vez que objetiva a proteção de direitos dos contribuintes. Isso se denota no texto constitucional da sim- ples leitura do inciso XXXIV, alínea a, do artigo 5°, segundo o qual:

são a todos assegurados, independentemente do pagamento de taxas: a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direito ou contra ilegalidade ou abuso de Poder. (g.n.)

Ou seja, em nosso ordenamento jurídico a impugnação administrativa não é vis- ta como garantia da legalidade ou da Administração, mas garantia do contribuinte, em face do poder da Administração. Essa opinião é compartilhada por Alberto XAVIER e Mary Elbe Gomes Queiroz MAIA.

Apregoa o mestre luso-brasileiro, com a eloqüência costumeira, que:

“É certo que o direito de petição – fundamento constitucional do processo administrativo – foi constitucionalmente reconhecido para a defesa dos di- reitos dos particulares. Mas isso não significa que os direitos subjetivos em si mesmo sejam objeto do processo, mas simplesmente que a revisão da legalidade dos atos administrativos foi concebida para servir a função sub- jetiva de instrumento de defesa dos particulares e não para o desempenho da função objetiva de defesa da legalidade da Administração.”189

De forma sempre contundente, a professora Mary Elbe Gomes Queiroz MAIA admite a possibilidade de julgados extra ou ultra petita, desde que favoráveis ao contri- buinte. São seus os dizeres:

“Na hipótese, não poderá prevalecer nem mesmo a argumentação da preclusão nem o ferimento da certeza do direito e da segurança jurídica, pois incabível se querer prevalecer direito subjetivo do particular, contra ele mesmo, quando a Administração decide rever o ato de lançamento de ofício ou em sede do contencioso, com vistas a sua anulação. Não há, assim, como se alegar qualquer afronta de direito. (...) Sob tal argu- 189 XAVIER, A. Do lançamento teoria geral... cit., p. 329.

mento justifica-se, portanto, o direito de que as autoridades julgadoras (de primeira e segunda instância) possam acolher pedidos não formula- dos ou matérias não prequestionadas, para decidirem extra ou ultra petita, mas que visem restabelecer a verdade material contida nos fatos no sentido de anular lançamento ilegítimo, que se encontre maculado de vício ou seja ilegal.”190

Dessa sorte, está configurado em nosso sistema jurídico que é vedado, no contencioso administrativo fiscal, o julgamento extra ou ultra petita em desfavor do con- tribuinte impugnante. E isso decorre porque tal medida configuraria violação expressa a uma série de princípios constitucionais garantidores do direito de petição do particular, do amplo contraditório e devido processo legal.

Nada obsta, todavia, o julgamento fora do pedido do impugnante ou além do seu pedido, quando o julgador administrativo, dentro de seu mister e como ato de controle de legalidade inerente às suas funções, deparar com ato administrativo de lançamento vici- ado em alguns elementos essenciais, quer nos elementos do ato-fato quer nos do ato- norma administrativo do auto de infração. Assim, independentemente da impugnação específica de determinado ponto ou do prequestionamento da matéria, não haverá ile- galidade na anulação ex-officio do ato administrativo de lançamento.

Antonio da Silva CABRAL, após discorrer sobre o conceito semântico de “lide”, segundo o pensar de Carnelutti (conflito de interesses qualificado pela pretensão de um dos interessados e pela resistência do outro), e o conceito de “controvérsia” trazido por Calamandrei e Liebman, verificou que o Direito Processual brasileiro teria aderido ao termo “lide”, conforme se infere da redação do art. 128 do CPC supra transcrito. Essa concepção, segundo críticos e adeptos do termo “controvérsia”, pecaria em termos se- mânticos, pois teria conteúdo mais sociológico do que jurídico, uma vez que essa defini- ção se referiria a interesses contrariados, tal qual os existentes fora do processo. Nes- ses termos, entende que o legislador brasileiro, inteligentemente, optou pelo conceito abrangente de lide e não pelo conceito restritivo de “controvérsia”.

Daí porque, na sua visão, não há que se falar em lide no processo administrativo, tampouco em controvérsia. São suas as palavras:

“Já em processo fiscal, a pretensão do Estado se confunde com a lei, de tal sorte que o julgador não se aterá propriamente ao que disse o impugnante, mas o que disse a lei. Daí certas decisões irem ‘extra petita’, baseadas na célebre contestação geral a que aludem certos acórdãos, para que se dê maior valor ao princípio da legalidade. Não há lide, no sentido carnelutiano da palavra, mas fase litigiosa, pois o que visa o processo fiscal, na verdade, é saber se a obrigação é devida ou não.”191