I- Çad Gölü Havzası Komisyonu Oluşturulması Süreci
2. Temel Faktör Olarak Pan-Afrikanizm
2.2. ÇGHK’nda Pan-Afrikanizm Önemi
Os resultados da análise lógica, realizada junto aos especialistas, revelaram, por um lado, a pertinência das hipóteses teóricas que fundamentaram a elaboração e a implantação do jogo. Por outro lado, evidenciaram fragilidades dos elementos objetivos que envolveram a elaboração do jogo, ou seja, dos elementos que o definiram como uma estratégia pedagógica desenvolvida para o alcance de objetivos específicos na formação em Enfermagem. A indicação de ajustes nas situações-problema (tanto nos conteúdos, quanto nas habilidades), na divisão dos cenários e na forma de apresentar a escolha do percurso formativo denotou que as finalidades educacionais atribuídas previamente ao jogo sustentaram-se em uma racionalidade cuja significação mostrou-se só parcialmente atinente à realidade desejada.
Essas fragilidades foram, direta e/ou indiretamente, observadas nos resultados da análise dos efeitos. Resultados como o limitado reconhecimento das áreas de atuação do enfermeiro e das habilidades explicitadas no PPP como essenciais à prática profissional e o aumento da persuasão como recurso educativo, por um lado, ratificaram a fragilidade dos elementos objetivos e, por outro, sugerem uma dificuldade de os alunos abstraírem as dimensões objetivas das metáforas propostas no jogo.
Esse conjunto de resultados – da análise lógica e da análise dos efeitos – indica as limitações do jogo em suscitar o aprendizado e a vivência sobre o que é a escolha do percurso formativo e sobre o que é ser enfermeiro. Pensar no que “é” remete à representação, à identidade; diz respeito a uma significação que busca produtos e resultados comuns aos alunos.
Buscar a representação, a identidade, o comum diz sobre a tentativa de reduzir a diversidade a um elemento uno; elemento esse da ordem da origem, do resultado, do produto.
Refere-se a uma busca pela generalidade que, por si só, é avessa à particularidade, à repetição
e à diferença. Isso porque “o critério da generalidade é o critério da troca, permitida pelo que
há de comum, ao passo que o critério da repetição é o da captura, daquilo que se deve ao
singular” (GALLINA, 2007, p. 126).
A generalidade é da ordem das leis, as quais determinam a semelhança entre os sujeitos a ela submetidos e a equivalência desses sujeitos aos termos que elas mesmas designam (DELEUZE, 1988). Sob essa perspectiva da generalidade, pode-se dizer que os produtos da análise lógica e da análise dos efeitos atuaram na ordem das leis; pautaram-se em modelos ordenados e configurados que, por si só, determinam a semelhança quista entre os sujeitos e os termos que definem as suas equivalências.
Isso significa que, ao avaliar quão próximas as situações do jogo estão da já definida realidade do enfermeiro (avaliação realizada na análise lógica), atribui-se a essa estratégia a força de lei, permitindo que ela expresse a semelhança a ser construída junto aos alunos – a semelhança do que é ser enfermeiro. Significa, também, que, ao avaliar o quê o jogo permitiu aprender, baseado em critérios definidos a priori (avaliação realizada na análise dos efeitos), ratifica-se, aqui, a ordem da lei, já que se buscou determinar a equivalência dos sujeitos aos critérios avaliativos previamente designados.
Entretanto, para além de produtos representativos, identitários e genéricos, pautados em modelos configurados e ordenados, o desejo aqui é que o jogo opere por diferença, por multiplicidade; ou seja, que o jogo opere pelo que vem primeiro, pelo que é o motor da criação. Para operar por multiplicidade, é necessário que o jogo seja despojado de qualquer
significação, “já que não se forma a não ser no processo de anulação dos referentes. Isso
porque a energia provém do processo de desmontagem dos modelos considerados
representativos e já formados” (PARAÍSO, 2010, p. 594).
Operar por multiplicidade, ver, sentir e registrar a diferença é, ainda, priorizar o “e”, em vez do “é”. Priorizar o “e” é perceber o que está no meio; é o entre-espaço do jogo; é aquilo que cresce entre o jogo e o jogador. São hastes de rizomas que brotam, crescem e se bifurcam. Remete àquilo que ainda está em vias de se formar; de um jogo que é realidade em potencial, não configurado e ordenado previamente (DELEUZE apud PARAÍSO, 2010).
Nessa direção, os resultados da análise da implantação denotaram que mesmo em modelo ordenado e configurado há vazamentos, escapes, linhas de fuga, distorções e variações. Aí surgem as diferenças, as ramificações, as irregularidades. Assim, além de produtos objetivos, relacionados, por exemplo, às limitações do jogo para favorecer a vivência da escolha do percurso – também destacadas pelos especialistas – e à codificação da atuação
do enfermeiro nos diferentes cenários, os resultados dessa análise evidenciaram linhas situadas fora dos contornos definidos. Essas linhas puderam ser percebidas quando, por exemplo, os alunos projetaram-se nas situações e nos personagens vivenciados no jogo, refletindo sobre experiências pessoais e reconhecendo características próprias. Essa projeção possibilita pensar em si, pensar na diferença em si, na diferença sem outro, sem uma referência de outro. Pensar nas experiências e nas características próprias de si significa, então, abandonar a identidade, movimentar o próprio pensamento; significa nunca fechar a si, mas está permanentemente aberto a novos acréscimos. Nesse sentido, observou-se que o jogo operou por diferença porque fez sentir, produziu sensações; possibilitou ver, sentir e viver a vida em sua proliferação.
Essas linhas, que não formam qualquer contorno previamente definido, potencializam
aqueles que vivenciaram o jogo; “são linhas que criam perceptos (novas maneiras de ver e
ouvir), afectos (novas maneiras de sentir) e, assim, aumentam a potência de agir” (PARAÍSO, 2010, p. 595).
Dizer sobre o quê o jogo possibilitou a quem o vivenciou significa, aqui, dizer sobre o quê os instrumentos de coleta de dados utilizados junto aos alunos foram capazes de capturar. Assim, perceber as Memórias de Jogo, utilizadas na análise da implantação, como ensejo para ver, sentir e registrar a diferença e as linhas traçadas para além dos contornos configurados é então abordá-las como meios de captura do “entre”; daquilo interposto aos momentos pré e pós evidenciados por meio do questionário, utilizado na análise dos efeitos. Nesse sentido, o “entre” foi aqui considerado uma perspectiva metodológica para se pensar esses dois instrumentos utilizados junto aos alunos, como apresentado no item que se segue.
6.4.2 Do questionário pré e pós às Memórias de Jogo: o entre como perspectiva