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ZORUNLU ORGANLARIN BULUNMAMASI

A discussão sobre a publicação da Encuentro de la Cultura Cubana teve início em um Seminário realizado em 1994, ano de comemoração do cinqüentenário da Revista Orígenes – criada por José Lezama Lima em 1944 e editada até o ano de 1956. Esse seminário foi antecedido por uma reunião entre onze escritores cubanos, cinco da Ilha e seis do exílio, realizada em Estocolmo pelo Centro Internacional Olof Palme, cujo evento não se tem dados sobre seus participantes e discussões. Mas resultou no Seminário intitulado “La Isla Entera”, em homenagem ao poema de Dulce Maria Loynaz39. Esse evento reuniu escritores cubanos, residentes dentro e fora da Ilha, na Universidad Complutense de Madrid sob a coordenação do escritor exilado Jesús Díaz, com o propósito de editar uma revista em que fossem abordadas as diferentes reflexões sobre a realidade social, política e cultural cubana. A referida homenagem aconteceu em função da impossibilidade da escritora estar presente no evento e, por isto, contribuiu enviando seu poema que traduzia o sentimento dos escritores cubanos em superar a imagem que os dividiu entre os de “dentro” e os de “fora”. O poema simboliza o desejo do cubano em ver seu país sendo reconhecido por inteiro, sem recortá-lo ou dividi-lo, por isso o nome La Isla Entera, como também expressa o anseio do

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Dulce María Loynaz nasceu em Havana, em 1902. Formou-se em Direito atuando como advogada até 1961. Mas desde jovem vê seus poemas publicados no jornal cubano La Nación, Invierno de almas e Vesperal. É reconhecida internacionalmente com inúmeras de suas obras publicadas em inglês e francês e premiada por diversas vezes. Em 1993 recebeu o Premio de Literatura Miguel de Cervantes na Espanha. Autora de Poesias

escogidas, Bestiarium, Últimos días de una casa e Un verano en Tenerife, estes dois últimos preferidos por ela.

Aos 95 anos de idade, aparece pela última vez em público, 15 de abril de 1997, por ocasião da homenagem feita pela Embaixada Espanhola de frente a sua casa, em função de sua enfermidade, falecendo em 27 de abril deste mesmo ano.

sujeito por ser aceito em suas diferenças e contrastes sem o temor da separação, ou sem a angústia da ameaça em ser apartado de sua cultura. Segue abaixo o poema que ilustra o ato fundador da revista:

Si me quieres, quiéreme toda: No por zonas de luz o sombra. Quiéreme día;

Quiéreme noche...

¡Y madrugada en la ventana abierta! Si me quieres, no me recortes: Quiéreme toda…

O no me quieras. . 40

Dulce María Loynaz finaliza saudando o encontro realizado em Madrid: “Aqui va mi saludo a todos los escritores cubanos que van a unirse bajo el lema de Isla Entera.” 41

A iniciativa de Jesús Díaz para implementação do projeto da revista foi decisiva, pois aglutinou os setores do exílio cubano que se identificavam com o anseio de debater e narrar livremente a cultura de seu país numa perspectiva não reducionista. Devido a importância de Jesús Díaz naquele evento, momentos de sua trajetória de vida serão relatados adiante nesta dissertação.

Segundo dados da encuentro en la red, o evento contou com a presença de vários escritores cubanos, tais como: Gaston Baquero, Guillermo Rodríguez Rivera, Manuel Díaz Martinez, Rafael Alcides, Felipe Lázaro, José Prats Sariol, Alberto Lauro, Cleva Solís, Mario Parajon, Jorge Luis Arcos, Efraín Rodríguez Santana, Pablo Armando Fernández, César López, Orlando Rodríguez Sardiña, Heberto Padilla, Enrique Saínz, Pio E. Serrano, José Kozer, José Triana, Reina Maria Rodríguez, Nivaria Tejera, Bladimir Zamora e Leon de la Hoz. 42

A tabela abaixo apresenta a relação dos escritores cubanos que participaram do projeto inicial da publicação da revista. Alguns itens não foram possíveis de serem preenchidos pela ausência de dados, mas observa-se que dentre os vinte escritores cubanos fundadores da revista, doze se encontravam no exílio e oito residiam na Ilha. Interessante observar que a grande maioria dos escritores fez parte da geração que viveu o momento histórico da Revolução de 1959, colaborou com o processo revolucionário e, posteriormente, viu suas expectativas malogradas.

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LOYNAZ, Dulce María. Isla Entera. Revista Encuentro… Madrid.1997. Vol.4/5. p.7

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Ibidem.

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cubaencuentro.com. Encuentro en la Red. Diario independiente de asuntos cubanos. Financiación, totalitarismo y democracia. 2004.

Tabela 1: Fundadores da Revista Encuentro de la Cultura Cubana

Fundadores Sexo Nasc. Morte Idade Origem Residência

ALBERTO LAURO M 1959 47 CUBA ESPANHA

CÉSAR LÓPEZ M 1.933 73 CUBA CUBA

EFRAÍN RODRIGUEZ SANTANA M 1953 53 CUBA CUBA

ENRIQUE SAÍNZ M 1.941 65 CUBA CUBA

FELIPE LÁZARO M 1948 58 CUBA ESTADOS UNIDOS GASTÓN BAQUERO M 1.918 1.997 79 CUBA ESPANHA GUILLERMO RODRÍGUEZ RIVERA M 1.943 63 CUBA CUBA HEBERTO PADILLA M 1.932 1.999 67 CUBA ESTADOS UNIDOS JESÚS DÍAZ M 1.941 2.002 61 CUBA ESPANHA JORGE LUIS ARCOS M 1956 50 CUBA CUBA JOSÉ KOZER M 1.940 65 CUBA ESTADOS UNIDOS JOSÉ PRATS SARIOL M 1.946 60 CUBA CUBA

JOSÉ TRIANA M 1.931 74 CUBA FRANÇA

MANUEL DIAZ MARTINEZ M 1.936 69 CUBA ESPANHA

MARIO PARAJÓN M 1929 77 CUBA ESPANHA

NIVARIA TEJERA F 1.933 72 CUBA FRANÇA LEÓN DE LA HOZ M 1.957 48 CUBA ESPANHA PÍO E. SERRANO M 1941 65 CUBA ESPANHA

RAFAEL ALCIDES M 1.933 72 CUBA CUBA

REINA MARIA RODRÍGUEZ F 1.952 53 CUBA CUBA

Fonte: cubaencuentro.com. Encuentro en la Red

Em 1995, a Asociación Encuentro de la Cultura Cubana foi criada como suporte legal para subvencionar o projeto de publicação da revista, o qual foi concluído no verão de 1996 com a edição de seu primeiro número. Jesús Díaz esteve à frente da publicação da revista, como diretor, até seu falecimento em maio de 2002 e, desde então, a direção se encontra sob a responsabilidade de Rafael Rojas e Manuel Díaz Martinez. Atualmente, a Encuentro de la Cultura Cubana está em seu quadragésimo volume correspondente ao período da Primavera de 2006, prosseguindo sua linha editorial que reafirma o propósito em reiterar o contato e o diálogo entre diferentes concepções acerca da cultura cubana.

Conforme dados do portal cubaencuentro.com, a Asociación Encuentro de la Cultura Cubana é uma organização sem fins lucrativos com sede em Madri e para receber contribuições dos Estados Unidos possui registro no Estado da Flórida. Sua direção é composta por Annabelle Rodríguez, presidente, Beatriz Bernal, vice-presidente e Pablo Díaz Espí, secretário, todos residem em Madri. O objetivo principal da Asociación encontra exposto no portal citado e afirma:

...contribuir al desarrollo de una cultura de la democracia, para que Cuba pueda transitar pacíficamente hacia una sociedad abierta, plural y respetuosa de los Derechos Humanos. Ello implica la necesidad de establecer relaciones fluidas entre los ciudadanos de la Isla y de la diáspora a través de la libre circulación de ideas e información.43

A Asociación Encuentro de la Cultura Cubana para implementar o objetivo assinalado, tem desenvolvido quatro projetos. O Diário Digital encuentro en la red; o portal cubaencuentro.com; a organização de Seminários, Conferências e oficinas de trabalho e, por fim, a publicação da Revista Encuentro de la Cultura Cubana.

O diário digital Encuentro en la Red oferece informações e análises diárias por meio da Internet, uma comunicação mais acessível aos cubanos da Ilha e de outras localidades.

O portal cubaencuentro.com constitui num centro de referência on line de documentação e informação que abre canais para formação de comunidades virtuais. Um dos seus objetivos é mapear os profissionais cubanos interessados em desenvolver projetos presenciais ou virtuais.

Os seminários, conferências e oficinas de trabalho correspondem a eventos que a Asociación promove para reunir profissionais cubanos e estrangeiros de diversas áreas para debater temas sobre cultura, economia e política cubana, ou ainda participa como convidada em eventos de outras instituições. Os trabalhos apresentados nestes eventos, em geral, são publicados na revista Encuentro de la Cultura Cubana.

A publicação da revista Encuentro de la Cultura Cubana, um dos projetos da Asociación, tem como finalidade constituir-se num espaço de comunicação entre os cubanos da Ilha e da diáspora para discutir seu passado, presente e futuro. Os dados de cubaencuentro.comunidad informam sobre a tiragem da revista e dos setores sociais que a recebem em Cuba e outros países:

Encuentro tiene una tirada de 4.500 ejemplares, de los que 2.000 se envían

gratuitamente a Cuba. Éstos se distribuyen principalmente entre académicos, estudiantes, investigadores, economistas, historiadores, sociólogos, escritores, artistas plásticos, de teatro, cineastas, medios eclesiásticos, funcionarios estatales, etc. Es decir, entre las capas de mayor formación cultural y política, las que se pueden considerar formadoras de opinión y probables protagonistas de una futura transición política del país.

Los 2.500 ejemplares restantes cubren pedidos de bibliotecas, universidades, instituciones culturales y centros de investigación, principalmente en Europa, Estados Unidos y América Latina, así como de los lectores cubanos

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de la diáspora y otros especialistas o interesados en cualquiera de los múltiples aspectos de la realidad y la cultura de Cuba.44

O projeto da revista, segundo dados do volume 25 em sua Introducción, materializou-se com o apoio da Agência Espanhola de Cooperação Internacional do Ministério De Assuntos Exteriores (AECI) e Fundação Ortega y Gasset, inicialmente. E as adesões foram se ampliando com a participação da Fundação Pablo Iglesias do PSOE (Partido Socialista Operário Espanhol), Centro Internacional Olof Palm (Suécia), National Endowment for Democracy (NED-Estados Unidos), Partido Social Democrata Sueco, Fundação Caja Madri, Fundação Ford, Direção Geral do Livro do Ministério de Educação e Cultura da Espanha, Junta de Andalucía, Instituto Open Society (EUA), Fundação ICO (Espanha) e União Européia. Outras instituições internacionais também patrocinam a publicação da revista: Casa de América, Universidade Complutense de Madri, Sociedade Geral de Autores da Espanha (SGAE), Círculo de Belas Artes de Madri, Centro de Cultura Contemporânea (Barcelona), Centro Juan Carlos da Universidade de Nova York, Revista Letras Livres, Palácio Nacional de Belas Artes (México), Centro Cultural Espanhol e o Teatro Tower (Miami) e a Casa de Cólon, em Las Palmas de Gran Canária, onde a Encuentro de la Cultura Cubana realiza seminários e conferências. 45

Cabe ressaltar que esta lista de patrocinadores das mais variadas instituições e de diversos países demonstra o suporte financeiro recebido pela revista, o que lhe permite a envergadura de sua publicação com qualidade estética na apresentação, na regularidade da entrega de seus volumes (com periodicidade de três em três meses), e na produção textual. Sem essa subvenção, talvez a revista não se sustentasse, pois conta com 50% dos recursos oriundos de suas assinaturas, tendo em vista que quase a metade da tiragem da publicação é distribuída gratuitamente em Cuba. O valor da assinatura anual é de 26 euros para Espanha, 40 para o restante da Europa e Ásia, 62 para América, Ásia e Oceania. Não há dados sobre a distribuição de assinaturas em outros países. Pelas cartas dos leitores percebe-se a sua presença em diversos países, o que não significa que todos eles sejam assinantes. Muitos leitores a conseguem por meio de amigos, conforme veremos no quarto capítulo.

Outro aspecto a ser analisado sobre esse apoio é se há uma suposta dependência intelectual de sua produção às entidades financiadoras. Para o governo de Fidel Castro isto é motivo suficiente para caracterizar a revista como mais uma articulação dissidente forjada

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Portalcubaencuentro.com

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pelos interesses da CIA, via Fundação Ford e a NED. E, do ponto de vista da revista, isto não tem significado seu condicionamento a alguma forma de dependência ideológica. As contribuições são recebidas resguardando a autonomia de sua textualidade. A variedade de subvenções é fator indicativo de uma ajuda plural no sentido econômico, de difícil vínculo ideológico e político a um ou outro órgão financiador internacional em especial.

O volume 28/29 apresenta um dossier intitulado Un ejercicio de infamia em que analisa essa questão do financiamento criticado pelas autoridades cubanas como publicação colaboradora da CIA. A posição dos colaboradores é de afirmar a independência da revista pela própria heterogeneidade das fontes, conforme expõe o dossier:

Esa diversidad, por si misma, haría imposible ‘obedecer’ ningún dictado de nuestros patrocinadores. Y, por supuesto, ninguna de estas instituciones jamás se habría atrevido a insinuar siquiera la menor sugerencia sobre nuestra línea editorial, hecho inconcebible en el mundo democrático.46

Associada à crítica sobre o financiamento está a questão em que se vincula crítica política a um suporte partidário. É importante ressaltar a visão editorial quanto à discussão sobre o vínculo partidário da revista. Conforme é anunciado, a Encuentro de la Cultura Cubana não se propõe a ser alternativa de poder em Cuba. Ela não está vinculada a nenhum partido político, mas atua sobre perspectivas de mudança, de transição política, por meio do debate intelectual e do diálogo. O mesmo dossier reitera:

Dos de los principios fundacionales de Encuentro de la cultura cubana, fueron su independencia y su apertura a todas las voces, tendencias y geografías, conciliando en un solo espacio de diálogo las hasta entonces antitéticas nociones de “nosotros” y “ellos”, “adentro” y “afuera”.47

Na apresentação do primeiro volume diz-se que: “Encuentro de la cultura cubana no representa ni está vinculada en modo alguno a ningún partido u organización política de Cuba o del exilio.” 48 Fundamentalmente o que deve ser salientado é que, até o presente momento, a revista não tem se constituído em veículo de difusão e representação de um pensamento político-partidário em especial. Ela está vinculada à Asociación Encuentro de la Cultura Cubana com sede em Madri, como já foi mencionado.

46

Dossier: Financiación, totalitarismo y democracia. Un ejercicio de infamia. Revista Encuentro… Madrid. Primavera/Verano de 2003. Vol.28/29. p. 249.

47

Ibidem. p. 249

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