A vida de Jesús Díaz merece um destaque neste trabalho, pois sua atuação em trinta e dois anos após a Revolução dentro de Cuba como colaborador, mas também crítico do percurso revolucionário, e mais onze anos fora, em intensa atividade cultural, confere-lhe uma trajetória histórica que se confunde com a própria história do exílio cubano da década de 1990, em que dificilmente uma pode ser escrita sem a outra. Foi uma personalidade polêmica durante estes quarenta e três anos, tanto por forças “pró”, quanto “contra-revolucionárias”. Sua produção narrativa ganhou expressão no processo interno da Revolução, mesmo respaldando-a manteve uma textualidade controversa porque já apresentava elementos de reflexão ao dogmatismo oficial já nos seus primeiros anos. O exílio assume outra representação pela narrativa articulada por Jesús Díaz quando toma a frente da publicação da revista Encuentro de la Cultura Cubana. No início da década de 1990, em sua estadia definitiva em Madri, assumiu uma linha de ruptura à política oficial dentro de Cuba e de independência aos setores mais radicais anti-castristas, fora de Cuba.
As fontes consultadas para o relato da vida de Jesús Díaz foram extraídas da própria revista Encuentro de la Cultura Cubana. Boa parte do volume 25 em que lhe é atribuída homenagem póstuma, traz vários artigos com informações relevantes de sua história dentro e fora de Cuba. Outros volumes contêm artigos do próprio Jesús Díaz, que fornecem depoimentos de reflexão e de autobiografia quanto a sua relação com o governo. Ainda foram consultadas informações pela Internet que complementaram dados sobre sua participação na Revolução e produção de suas obras literárias.
A contribuição de Jesús Díaz residiu em transformar a dispersão dos intelectuais cubanos, exilados em diferentes países, numa convergência de espaço onde a cultura cubana materializasse seu encontro para debater, confrontar sua identidade num contato imprescindível com os cubanos de dentro da Ilha e recriá-la pela presença de sua extraterritorialidade. A publicação simboliza esse lugar, onde uma outra história de Cuba é vivenciada e escrita pela comunidade do exílio e da Ilha que se identificam por pensar de forma independente. E parte do exílio, como também dos cubanos de “dentro” ocupam essa territorialidade simbólica, que se aglutinam no território da escrita, onde o “não lugar” do exílio a que Rafael Rojas menciona se situa, entre outros, no lugar de encontro de uma outra
representação que a revista propõe. Como diz Julio Ortega 49 no volume dedicado a homenagear Jesús Díaz: “Esta revista se convirtió en la esfera pública de una república cubana del exilio.” 50
Desde sua participação no processo revolucionário até o ano de sua morte em 2002, Jesús Díaz foi controverso e alvo de ataques e críticas que Manuel Díaz Martinez pronunciou “... tanto peso le reventó la salud.” 51
Jesús Díaz nasceu em outubro de 1941 na cidade de Havana. Desde jovem, participou ativamente da luta estudantil contra a ditadura de Fulgêncio Batista e teve atuação como capitão na guerrilha iniciada em Sierra Maestra. Em 1961, participou da luta contra os “contra-revolucionários” na Sierra del Escambray (Las Villas). No ano seguinte, foi membro da seção América Latina do Instituto Cubano de Amizade aos Povos (ICAP) que instruía as milícias revolucionárias. Desde o triunfo da Revolução em 1959, foi incorporado à Escola de Filosofia e Letras da Universidade de Havana, sendo professor de filosofia de 1963 a 1971. 52 Entre 1965 e 1966, Jesús Díaz dirigiu o jornal Juventude Rebelde, órgão da União dos Jovens Comunistas (UJC), assumindo seu suplemento literário chamado El Caimán Barbudo, fundado por Raúl Rivero e, neste ínterim, sua vocação literária se despontou. Segundo Jesús Díaz, o objetivo de “El Caimán era crear un suplemento literario y una revista de ciencias sociales que le facilitaran a la revolución cubana a seguir un estilo propio, distinto y distante del soviético”. 53 Esta é uma afirmação recente, extraída de um artigo seu, publicado na Encuentro de la Cultura Cubana em 2000. Revela, após 34 anos de sua fundação, uma posição de quem, nos primórdios da Revolução, colaborou com sua construção, mas, desde então, um anseio era expresso de que seguisse um curso diferente do modelo soviético.
Uma presença literária e da cultura popular cubana no processo revolucionário, era sonhada por boa parte da intelectualidade cubana, latino-americana e a esquerda européia. Tratava-se de um momento em que as conquistas revolucionárias e a riqueza literária eram compreendidas como situações de um mesmo fenômeno. A concepção de que a Revolução proporcionava as condições áureas da produção literária e do desenvolvimento científico se reproduzia no meio social, sobretudo entre os intelectuais cubanos e estrangeiros. E, para
49
Julio Ortega nasceu em 1942 no Peru. É colaborador da Encuentro de la Cultura Cubana, autor do livro
“Relato de la Utopía” e professor de literatura latino-americana na Universidade de Brown, situada na cidade
de Providence, capital de Rhode Island (EUA)
50
ORTEGA, Julio. Concurrencias de Jesús Díaz. Revista Encuentro… Madrid. 2002. Vol. 25. p.26.
51
MARTÍNEZ, Manuel Díaz. Jesús. Revista Encuentro... Madrid. 2002. Vol. 25. p.8
52
GUIBLIN, Marc. Approche de l’oeuvre de Jesús Díaz (Cuba). Disponível em: perso.club-internet.fr/mguiblin/Díazcobert.htm. Université de Tours. França. 2003
53
ilustrar a presença dessa concepção no contexto dos anos 1960, o próprio suplemento El Caimán Barbudo 54
foi traduzido por Jesús Díaz como Cuba Revolucionária, ou seja, seus colaboradores pretendiam uma literatura engajada, voltada para o contexto revolucionário, porém diferenciado do modelo soviético. 55
Jesús Díaz e demais membros do El Caimán foram destituídos em 1967 pela direção da União da Juventude Comunista, que na época revisava os artigos desse suplemento e os acusava de “diversionismo ideológico” e “opiniones conflictivas”, como relata Jesús Díaz. São denominações características, do ponto de vista do governo, de divergências de cunho anti-revolucionário, que justificavam as represálias contra qualquer pensamento diferente da Revolução.
Contribuiu para este desfecho, a persistência de Jesús em publicar no suplemento El Caimán um artigo de Heberto Padilla, tecendo elogios ao livro Tres Tristes Tigres de Guillermo Cabrera Infante – um dos primeiros escritores cubanos de grande destaque internacional na literatura a romper com o castrismo – e, em contrapartida, criticava a novela Pasión de Urbino de Lisandro Otero, o então Ministro da Cultura do Estado Cubano. 56 Esse episódio tenha sido talvez o primeiro dos desacordos que Jesús Díaz viria enfrentar com o regime de Fidel Castro, pois criou um fato político ao divulgar uma literatura dissidente e tecer críticas à literatura engajada. 57
Aos 24 anos, Jesús Díaz, recebeu o Prêmio Casa de las Américas com a publicação de seu livro de contos Los años duros (1966). Neste livro, Jesús Díaz procurou estabelecer uma relação entre literatura e sua influência no campo da luta política, como ele
54
El Caimán Barbudo fez parte de uma das tentativas dos escritores cubanos, no início da Revolução, em apresentar um discurso inovador e distinto do realismo socialista. Surgiu logo após o fechamento pelo governo do editorial El Puente, em 1965, por propor um espaço aberto ao debate e às polêmicas. Mas, em 1967, o governo decretou a troca do conselho editorial, permanecendo a publicação até os dias de hoje com o mesmo nome, sob a direção oficial.
Outra iniciativa dos intelectuais cubanos, anterior ao El Caimán, em participar de modo diferenciado e crítico foi a publicação do suplemento Lunes de Revolución, quatro meses após a Revolução, que contava com a participação de intelectuais cubanos e estrangeiros. Lunes também sofreu a ação repressiva do governo em 1961 em nome do programa cultural nacional que, segundo o governo, deveria priorizar as necessidades do povo. O fechamento de Lunes de Revolución levou ao pronunciamento de Fidel Castro aos escritores cubanos, conhecido como Palabras a los intelectuales. Nesse discurso Fidel demarca a posição que os intelectuais cubanos devem assumir na sociedade (discurso mencionado na nota de rodapé da Introdução, p. 12, e citado no capítulo três desta dissertação, pp. 71-72).
55
DÍAZ, Jesús. El fin de otra ilusión. Revista Encuentro... vol. 16/17. Madrid. 2000. p.107
56
ROJAS, Rafael. In memorian. Jesús Díaz: el intelectual redimido. Disponível em: istor.cide.edu/archivos/num. 2002.
57
mesmo afirmou em seu artigo El lugar imposible: “Pretendíamos vincular la literatura a una vocación liberadora universal en el terreno político.” 58
Esse pronunciamento configura sua adesão literária e política à Revolução Cubana, que Gustavo Guerrero compreende como uma fase de “ilusión” de sua narrativa: “Los años duros fue el tributo literario de su temprana adhesión a la Revolución cubana: un libro en el cual los aciertos y los desaciertos traducen por igual la fe y las ilusiones del muchacho que lo escribió.” 59 E o próprio Jesúz Díaz faz uma autocrítica acerca deste livro, julgando-o “juvenil” e “prescindível” em um artigo do ano de 2000 na Encuentro de la Cultura Cubana. 60
Durante o período de 1967 a 1971, Jesús Díaz foi membro do conselho de redação da revista teórica Pensamento Crítico. Em 1967 ele foi convidado a participar do cinqüentenário da Revolução de Outubro em Moscou pela União de Escritores Soviéticos e, em 1968, tornou-se membro do Partido Comunista de Cuba. Colaborou com diferentes publicações culturais como Casa de las Américas, Bohemia, OCLAE (Cuba), La Rosa Blindada (Argentina), Partisans, Les Lettres Françaises (França).
Pensamento Crítico surgiu no Departamento de Filosofia da Universidade de Havana dirigida por Fernando Martínez juntamente com Jesús Díaz, Aurélio Alonso, Ugo Azcuy e José Bell Lara. A revista, nas palavras de Díaz:
consistia en contribuir a rescatar la riqueza original del marxismo para conectarla con sus desarrollos históricos y contemporáneos en Europa y también con las culturas cubana y latinoamericana, y utilizar el resultado como un arma “cargada de futuro. 61
Por ser uma publicação do departamento de Filosofia da Universidade de Havana, ela poderia possuir certa autonomia em suas produções, pois não estava vinculada a nenhuma instância direta do Partido Comunista Cubano. Entretanto, o que se veiculava era de que a Revolução deveria ter revistas representativas de seus ideais e subentendia-se que Pensamento Crítico seria sua porta-voz, porque era custeada pelo Estado por intermédio da Universidade. Mesmo mantida ou financiada pelo Estado e sob a inspeção de assessores soviéticos, a publicação buscou preservar sua autonomia durante os cinco anos de sua edição, conforme
58
DÍAZ, Jesús. El lugar imposible. Jesús Díaz: ilusión y desilusión. Gustavo Guerrero. Revista Encuentro… Madrid. 2002. Vol. 25. p.10
59
GUERERO, Gustavo. Jesús Díaz: ilusión y desilusión. Revista Encuentro… Madrid. 2002. Vol.25. p.13
60
DÍAZ, Jesús. El fin de otra ilusión. Revista Encuentro… Madrid. 2000. Vol. 16/17. p.106
61
aspiravam seus colaboradores. Mas Jesús Díaz declarou sentir-se envergonhado perante os intelectuais cubanos por avaliar essa geração como a “geração do silêncio”. Ele considerou que Pensamento Crítico poderia ter produzido análises mais diretas e críticas acerca da Revolução Cubana. Ainda assim, em 1971, o comitê central do Partido Comunista Cubano ordenou o fechamento não só da revista, mas também do Departamento de Filosofia, acusados novamente de “diversionismo ideológico”.
Logo após o fechamento do Departamento de Filosofia da Universidade de Havana e da revista Pensamento Crítico, Jesús Díaz integrou-se ao ICAIC (Instituto Cubano de Artes e Indústria Cinematográfica) como roteirista e diretor de filmes, num momento em que a censura se intensificou. Com o mesmo espírito problematizador da complexidade da sociedade cubana, presente em sua literatura, ele transpôs para a linguagem cinematográfica o retrato de situações conflituosas do contexto revolucionário, associado à tendência de burocratização do poder a partir de 1959, segundo Paulo Paranaguá 62 em seu artigo na Encuentro de la Cultura Cubana.
Como produtor, Jesús Díaz participou do filme Viva la República! (1972) de Pastor Vega, Ustedes tienen la palabra (1973) de Manuel Octavio Gómez. Seus primeiros curtas-metragem apareceram em 1975, com Cambiar la vida e, em 1976, Canción de Puerto Rico. Ele também investiu na produção de documentários como 55 hermanos (1978), que segundo Paranaguá “replantea la cuestión de la nacionalidad en nuevos términos, desvinculándola de la geografía y todavía más de los determinismos ideológicos” e filmou o documentário sobre a Nicarágua, En tierra de Sandino (1980). Em 1981, veio seu longa- metragem Polvo Rojo, evocando o problema da emigração desde os primeiros anos da Revolução. Lejania de 1985 discute o tema da nacionalidade cubana no processo da diáspora. Projetou, por fim, Alicia en el pueblo de Maravillas de Daniel Díaz Torres (1991), proibido em Cuba pela sua crítica direta à Fidel Castro e ao burocratismo. Para Paulo Paranaguá, Jesús Díaz juntamente com Tomás Gutiérrez Alea tiveram uma presença destacada e crítica no ICAIC, num contexto quase impossível de se manter uma produção cultural independente e, sobretudo, questionadora dentro de Cuba. A postura do diálogo e da reconciliação nos personagens de seus filmes traduzem o desejo de mudança do burocratismo da Revolução e uma nova relação entre Cuba e o exílio. 63
62
PARANAGUÁ, Paulo Antônio. Diálogo y contemporaneidad e el cine de Jesús Díaz. Revista Encuentro… Madrid. 2002. Vol.25. p.28-33. Paulo Antônio Paranagua é brasileiro e crítico de cinema, reside em Paris.
63
Contribuiu também no terreno da dramaturgia com a peça Unos hombres y otros escrita em 1966, no mesmo ano de Los años duros, recriando alguns elementos deste para a peça. E sinaliza por meio de seus personagens que as ações humanas devem estar acima das convicções ideológicas e políticas. Uma visão antecipadamente crítica para o que se configuraria mais tarde como necessária a uma realidade sustentada por discursos e símbolos ideologicamente inquestionáveis.
Durante vinte anos, paralelamente aos trabalhos junto ao ICAIC, dedicou-se com a mesma intensidade à literatura, narrando o cotidiano da sociedade cubana em suas novelas. A primeira Las iniciales de la tierra (1973), escrita ainda em Cuba e só publicada no ano de 1987 em Havana. Las palabras perdidas (1992) foi escrita já no exílio em Madri, La piel y la máscara (1996) escrita na Alemanha, Dime algo sobre Cuba (1998), Siberiana (2000) e Las quatro fugas de Manuel em 2002, sendo as três últimas escritas em Madri.
Em março de 1991, Jesús Díaz segue para Alemanha com sua família em função de uma bolsa adquirida pela Escola de Cinema de Berlim e logo se tornou professor da mesma instituição. Alguns fatores podem ter contribuído para o exílio de Jesús Díaz. Não há um pronunciamento declarado acerca de que condição específica o levou a esta opção. Ao longo desta trajetória literária e política buscou um veio que afirmasse a autonomia da identidade cultural cubana frente às inversões do processo revolucionário cubano que se impunham pelo marxismo soviético, reproduzido pelo castrismo.
Um dos possíveis fatores de seu exílio foi o desgaste junto ao governo no momento da realização do Congresso da UNEAC (União Nacional dos Escritores e Artistas Cubanos) em 1988, do qual Jesús Díaz , que era membro do Partido Comunista Cubano neste período, se negou a participar do evento, que contaria com a presença de Fidel Castro. Segundo Elizabeth Burgos, Jesús Díaz enviou uma carta ao Partido, anterior ao Congresso da UNEAC, fazendo uma análise crítica à situação do país e a necessidade de mudanças, como não houve retorno de sua apreciação, ele considerou que não havia mais o que ser feito e evitou um possível confronto aberto com Fidel Castro, não comparecendo, portanto, ao evento. A não participação de Jesús Díaz nesse Congresso custou-lhe fortes críticas por parte do Ministério da Cultura, presidido por Armando Hart, porque a ausência de qualquer outro escritor poderia ser justificada, mas um membro do Partido e autor de Los años duros era inaceitável! 64
64
Outro fator relevante para sua decisão ao exílio foi a proibição do filme Alicia en el pueblo de Maravillas após sua estréia em 1991, o que possivelmente tenha lhe feito repensar sobre seu retorno a Cuba quando se encontrava na Alemanha. Essa viagem não tinha configurado ainda uma ruptura com o regime, pois era membro do PCC junto ao ICAIC. E, como membro do próprio Instituto de Cinema, ver sua produção sendo vetada, suscitou-lhe “o fim de outra ilusão”, como sugere o título de seu artigo, a um projeto cultural independente dentro de Cuba. Jesús Díaz permaneceu na Alemanha durante um ano e seguiu para Espanha, onde fixou seu exílio e publicou o artigo, Los anillos de la serpiente, em 12 de março de 1992 no jornal El País de Madri, assumindo sua ruptura definitiva. A decisão ocorreu num momento em que ele não vislumbrava mais uma mudança que surgisse de dentro da estrutura de poder em Cuba, dos contrapontos estabelecidos em seu interior, ou de um diálogo possível com o regime. 65
Em 1994, já estabelecido em Madri desde 1992, Jesús Díaz organizou o seminário La Isla Entera culminando dois anos depois no grande projeto de sua vida após a saída definitiva de Cuba, a publicação da revista Encuentro de la Cultura Cubana. Dirigiu a revista desde sua fundação em 1996 até o ano de seu falecimento em 2002, perfazendo seis anos de publicação, com 24 números editados. No vigésimo quinto volume foi-lhe dedicada uma homenagem especial, em razão de sua morte, trazendo considerações acerca de seu protagonismo na produção literária e política durante o período revolucionário em Cuba. E no exílio contribuiu para uma nova representação da cultura cubana, crítica aos dogmatismos políticos.
Do ponto de vista oficial, Jesús Díaz era visto como traidor e revisionista. Mas um outro extremo, considerava-o como agente secreto do regime de Fidel Castro, pois se acreditava que sua narrativa crítica, enquanto esteve dentro de Cuba, caracterizava a permissão de uma voz questionadora, e isto justificava, na concepção do exílio mais conservador, a propaganda oficial de um governo democrático. Mas entre uma e outra posição, o que, enfim, deve ser constatado é que, sua atuação como escritor, cineasta, diretor de teatro, ensaísta e crítico político veio gerar um fato histórico no contexto da sociedade cubana atual. Ela deu visibilidade internacional a uma outra representação da cultura cubana para os que residem dentro e fora de Cuba e a trouxe para um campo que possibilitasse seu encontro com outro paradigma de leitura e narrativa sobre Cuba. Contribuiu com uma nova maneira de pensar o processo político, suplantando a difícil construção maniqueísta de uma
65
Ibidem.
ordem racional, e traduzindo a teoria para um espaço político não de “negação”, mas de “negociação” – no sentido que Bhabha atribui a estes termos.