BEDELLERİ ÜZERİNDEN YAPILAN TEVKİFATIN YILLIK BEYANNAMEDE MAHSUP VEYA İADESİ
2. ZİRAİ KAZANÇ VE ZİRAİ ÜRÜN
O pesquisador David Herman, em sua revisão da narratologia enquanto teoria, método e disciplina13, sugere a adoção do termo no plural, narratologias (narratologies), para se referir ao heterogêneo campo de estudo das narrativas. De fato, desde sua emergência como ciência institucionalizada, em meados de 1960, a narratologia tem se constituído em teorias, métodos e modelos tão diversificados e caracterizados por perspectivas tão distintas que se torna difícil agrupá-los numa mesma categoria. Nesse sentido, como aponta Jan Meister (2014), seria mais adequado referir-se à narratologia como disciplina e não como teoria, visto que ela compreende uma multiplicidade de fundamentos e procedimentos de análise.
Na tentativa de organizar a pluralidade desses estudos, autores contemporâneos (HERMAN, 1997 e 1999; ALBER e FLUDERNIK, 2005; MEISTER, 2014) distinguem duas grandes fases da narratologia: a clássica e a pós-clássica. Tal classificação tem origem no artigo de Herman (1997), intitulado Scripts, Sequences, and Stories: Elements of a Postclassical Narratology, que sugere o termo post classical narratology para diferenciar as abordagens mais contemporâneas da narrativa daqueles estudos considerados por ele como clássicos – elaborados durante as primeiras décadas da pesquisa narratológica. O autor define a narratologia pós-clássica nos seguintes termos:
A narratologia pós-clássica (que não deve ser confundida com as teorias pós- estruturalistas da narrativa) contém a narratologia clássica como um dos seus “momentos”, contudo, é marcada pela profusão de novas metodologias e hipóteses de pesquisa: o resultado é uma série de novas perspectivas sobre as formas e funções da própria narrativa. (HERMAN, 1999, p. 2-3, tradução nossa)14
É sabido que a narratologia, enquanto campo de estudo academicamente reconhecido, organiza-se a partir da introdução da palavra francesa narratologie por Tzvetan Todorov, em 196915. O autor propõe o termo para distinguir o conjunto de estudos das estruturas e dos elementos narrativos, dentro do vasto domínio da teoria literária. Assim, a narratologia surge
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No livro Narratologies: New Perspectives on Narrative Analysis (1999), David Herman organiza uma coletânea de artigos escritos pelos principais pesquisadores da narrativa e apresenta uma eficiente revisão dos modelos e teorias até então desenvolvidos pela narratologia.
14 “Postclassical narratology (which should not be conflated with poststructuralist theories of narrative) contains classical narratology as one of its “moments” but is marked by a profusion of new methodologies and research hypotheses: the result is a host of new perspectives on the forms and functions of narrative itself” (HERMAN, David. Narratologies: New Perspectives on Narrative Analysis. Columbus: Ohio State University Press, 1999, p. 2-3).
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O autor introduz a ideia da narratologia enquanto disciplina em sua obra Grammaire du "Décaméron" (1969): “Cet ouvrage relève d’une science qui n’existe pas encore, disons la NARRATOLOGIE, la science du récit” (1969, p. 10).
historicamente ligada à tradição do formalismo russo e do estruturalismo francês, atualizando a ambição dessas correntes teóricas, na medida em que desenvolve uma ciência que permite a identificação da “literariedade” e da “narratividade” das obras, ou seja, o reconhecimento das propriedades características da narrativa literária. Mas é com Gérard Genette, particularmente a partir de seu livro Figures III (1972), que a narratologia se estabelece efetivamente como disciplina. Nessa obra, Genette desenvolve uma terminologia própria à análise formal da narrativa, que foi e ainda é amplamente empregada por diversos pesquisadores.
Segundo Herman (1999), a primeira fase da narratologia - compreendida entre meados de 1960 e início de 1980 e reconhecida como clássica - caracteriza-se por priorizar a identificação e a definição dos aspectos universais da narrativa, dedicando-se, para tanto, à análise das propriedades imanentes à obra literária. Assim, os estudos narrativos da primeira fase são marcados pelo paradigma imanentista, privilegiando a análise textual em detrimento da abordagem contextual.
Genette, que adota o termo de Todorov, diferencia dois grandes ramos da narratologia da primeira fase (1983, p. 12): o primeiro trata das formas de expressão da narrativa, ramo ao qual Genette se filia e denomina de narratologia modal ou expressiva; o segundo ocupa-se da história contada, isto é, dos elementos que compõem seu conteúdo (personagens, ações, eventos), ramo esse denominado narratologia temática, que tem como principal representante Algirdas Julien Greimas. Ambos os ramos caracterizam-se pela busca de propriedades estruturais universais, seja no âmbito da história narrada, seja no discurso que organiza a história.
Com a revisão dos princípios estruturalistas, a narratologia clássica passa a sofrer críticas quanto à sua abordagem imanentista, limitada à análise do texto. Influenciados pelas novas perspectivas científicas introduzidas pelo pós-estruturalismo, os estudiosos da narratologia passam a visitar outros campos do conhecimento (como a antropologia, a psicanálise, os estudos culturais e as ciências cognitivas), estendendo suas abordagens à análise dos contextos de produção e recepção das obras. Além da produção literária, outros objetos são incorporados às pesquisas, como filmes, programas de televisão, histórias em quadrinhos, videogames, entre outros.
Assim, em meados de 1980, inicia-se a narratologia de segunda fase, denominada por Herman como pós-clássica. Segundo o autor, tal fase caracteriza-se por uma narratologia mais abrangente, que soma à análise imanentista a abordagem pragmática da narrativa, incluindo o estudo de seus aspectos contextuais, cognitivos, culturais e ideológicos, além de compreender abordagens interdisciplinares, trans, inter e plurimidiáticas do fenômeno narrativo.
Jan Alber e Monika Fludernik (2010) ainda distinguem dois movimentos internos na narratologia pós-clássica. De acordo com os autores, o primeiro movimento busca refinar e reelaborar termos, teorias e métodos da narratologia clássica, retomando suas questões originais e aplicando-as a novos objetos de análise e a novos contextos. O segundo propõe o desenvolvimento de pesquisas narratológicas que vão além das questões levantadas na primeira fase, na tentativa de erigir novos postulados em consonância com as preocupações atuais da narratologia.
Apesar das críticas dirigidas à narratologia clássica, a narratologia pós-clássica não pretende romper completamente com os estudos da primeira fase. Ao contrário, a revisão de métodos, teorias e terminologia clássicas consiste em adaptações e complementos, e não necessariamente em rejeição absoluta do que foi revisado. Nesse sentido, narratólogos contemporâneos têm adotado perspectivas que incluem aspectos das duas fases, como é o caso dos pesquisadores Luc Herman e Bart Vervaeck. Esses autores afirmam que a “combinação da sistematização clássica e do relativismo pós-moderno parece ser, hoje, a melhor abordagem narratológica” (2005, p. 118, tradução nossa)16.
Observamos que a perspectiva híbrida – que combina a análise imanentista com a investigação de outros aspectos envolvidos na produção e na recepção de obras – tem se convertido na abordagem mais pertinente para os estudos contemporâneos da narrativa audiovisual. É que hoje a ficção cinematográfica e televisual relaciona-se a outros dilemas, como profundas mudanças nos processos de produção, distribuição e recepção de filmes e programas de televisão, além de outras transformações rumo à complexificação e à expansão das narrativas. Enfim, a narratologia do audiovisual depara-se hoje com velhas e novas questões estruturais, contextuais e pragmáticas, sendo cada vez mais difícil analisá-las de forma isolada, dada a interdependência em que estão envolvidas.
Temos ainda que essa hibridação está em consonância com os propósitos desta tese, visto que nos interessa tanto as abordagens imanentistas, dedicadas à compreensão dos engendramentos internos da narrativa, quanto aquelas pragmáticas, direcionadas aos contextos de produção e, principalmente, de recepção. Portanto, nas próximas páginas faremos uma breve revisão de algumas perspectivas teóricas e metodológicas mais representativas da
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“A combination of classical systematization and postmodern relativization appears to be the best [narratological] approach right now”. HERMAN, Luc; VERVAECK, Bart. Handbook of narrative analysis. University of Nebraska Press, 2005, p. 118.
narratologia literária e audiovisual, sejam elas de inspiração imanentista ou pragmática. Nosso intuito é identificar aquelas que poderão nos auxiliar na concretização de nossos objetivos.