C. Yıllık Ücretli İzin Hakkının Hukuki Niteliği
II. YILLIK ÜCRETLİ İZİN HAKKININ HUKUKİ DAYANAKLARI
Ao analisar os relatórios produzidos por funcionários da Diretoria Geral da Instrução Pública, é perceptível a preocupação desses em destacar esta modalidade de
ensino das demais escolas primárias paulistas, como pode ser verificado na citação abaixo:
Os grupos escolares continuam a preencher, a contento geral, os fins a que se destinam. É prova indiscutível deste asserto o aumento sempre constante da matrícula nesses estabelecimentos de ensino, assim como o empenho de todas as localidades em possuir tais instituições. (Anuário do Ensino do Estado de São Paulo, 1914, p.10)
Mas, apesar de constantemente destacar a eficiência dessa modalidade escolar, de ser, reconhecidamente, um modelo no que se referia à instrução primária da época, não significava dizer que estava isenta de problemas, pois os funcionários da Diretoria Geral da Instrução Pública não deixavam de apontar problemas quanto ao funcionamento dessas escolas, problemas que precisavam ser corrigidos.
O primeiro e mais recorrente dizia respeito à necessidade de ampliação do curso preliminar de quatro para seis anos; o segundo referia-se ao desdobramento do período de aulas. Esses problemas, segundo os inspetores escolares, dificultavam um melhor aproveitamento do ensino nessas escolas.
João Chrysostomo considerava que o principal escopo da escola primária era o combater ao analfabetismo, e, para ele, esse fim jamais seria atingido se o ensino não estivesse organizado de forma completa e integral. Por isso, ele era contundente ao argumentar que: “o analfabetismo impera sempre onde a escola apenas pode ensinar a ler, escrever e contar; ele domina soberano, onde a ausência da instrução integral não prepara os alunos para o bom desempenho dos seus deveres sociais”. (Anuário do Ensino do Estado de São Paulo, 1911/1912, p.14).
Por essa defesa, compreende-se que a integralização do ensino primário era considerada, pelo então Diretor Geral da Instrução Pública uma necessidade. Para ele, o curso preliminar deveria ser ampliado para seis anos. Isso significava, portanto, tendo em vista que o curso já havia sido reduzido para quatro anos, o acréscimo de dois anos.
Mas, não bastava apenas ampliar o tempo do curso, fazia-se necessário também a aplicação racional de bons métodos, para que a transmissão do ensino pudesse adquirir
virtude educativa, capaz de promover o desenvolvimento da inteligência e da vontade de fortalecer o caráter da criança. Para tanto, argumentava o então Diretor Geral da Instrução Pública, os quatro anos se mostravam insuficientes para transmitir conhecimentos e preparar o cidadão para enfrentar as dificuldades da vida prática.
E, para dar suporte à defesa do curso primário de seis anos, João Chrysostomo baseava-se no modelo norte-americano, como pode ser constatado na seguinte afirmativa: “uma vez que vivemos a imitar a América do Norte, emitimo-la no que é bom, dilatando o curso primário, criando jardins da infância, escolas de anormais”. (Anuário do Ensino do Estado de São Paulo, 1911/1912, p.41)
O segundo problema apontado pelos inspetores escolares, que estaria impedindo o bom desenvolvimento do ensino preliminar nos grupos escolares, referia-se ao desdobramento do ensino em dois períodos. De acordo com eles, o funcionamento dos grupos em dois períodos, das 8:00 às 12:00 horas para a seção masculina e das 12:30 às 4:30 para a feminina, reduzia o tempo de permanência dos alunos nos grupos escolares de cinco horas diárias para apenas quatro. Nesse sentido, retirava-se uma hora por dia desse curso, o que, no final dos quatro anos, corresponderia exatamente há um ano escolar, ou seja, o curso primário estaria reduzido a três anos.
Contra esse desdobramento, argumentava-se que ele seria responsável por um sério problema à alimentação das crianças que cursavam no turno da manhã, como se verifica a seguir:
Uma experiência já bastante suficiente nos tem demonstrado que os alunos desse período são prejudicados em sua saúde, por motivo da irregularidade de alimentação a que ficam sujeitos, devidos não há duvida, à imprevisão dos próprios pais, pois que, si alguns, aliás mui raros, procuram harmonizar os interesses escolares de seus filhos com os que dizem respeito à alimentação dos mesmos, a maioria, seja por ignorância, seja, por desídia, descura completamente de tão importante assunto.
Não é raro, por isso, verem-se as crianças, que freqüentam o período escolar da manhã, passarem mais da metade do dia sem se alimentar, ou se alimentando apenas de um lanche insuficiente e, as mais das vezes, mal. (Anuário do Ensino do Estado de São Paulo, 1911/1912, p.15)
Segundo os inspetores escolares, o horário do curso se mostrava incompatível com o regime alimentar das crianças, num período da vida em que o organismo, mais do que em qualquer outra época, requer uma nutrição apropriada. Assim, para minimizar as graves conseqüências que tal hábito poderia originar, não havendo a possibilidade de contornar o desdobramento de horários, propunham distribuir aos alunos, no início da recreação, um copo-de-leite.
Contraditoriamente, a proposta de aumento do curso preliminar, os inspetores escolares propunham, com a finalidade reduzir os efeitos do desdobramento do período escolar, a redução do período de aulas pela manhã para apenas três horas, começando às 8:00 da manhã e encerrando-se às 10:30 ou 11:00. Esse período deveria ser freqüentado por meninos e meninas do 1º e 2º anos, em classes separadas, proporcionando às crianças de 1º e 2º anos almoçar ainda a boa hora com a própria família.
Além disso, havia a preocupação com o método empregado, pois os inspetores escolares defendiam, para essas turmas, que os programas de ensino fossem mais simples, tendo como finalidade mais educar do que instruir, mais desenvolver as faculdades intelectuais e criar reflexos morais do que ministrar ensino das noções científicas.
Nesse sentido, deveria ser preconizada nas classes elementares: a fisiologia e a higiene, condenando-se o longo período sedentário que constrange o desenvolvimento físico; a psicologia, mostrando a impossibilidade de conseguir demorada atenção de crianças, cuja característica é a mobilidade; a pedagogia, preconizando a ordem do ensino do simples para o composto, do conhecido para o desconhecido, do concreto para o abstrato.
Ainda dentro dessa proposta, o período da tarde seria de quatro horas, com programa bem mais vasto, freqüentado por alunos mais velhos, para os quais o ensino deveria ser mais complexo, com maior importância à parte instrutiva do que à educativa, e as aulas deveriam começar a 12:00 horas. (Anuário do Ensino do Estado de São Paulo, 1911/1912)
Na análise das condições dos grupos escolares, os inspetores destacavam a importância do diretor para esse tipo de estabelecimento, porque ele poderia realizar uma fiscalização e orientação diárias, deveres esses que não poderiam fugir ao diretor
consciencioso, cuja presença se fazia tão importante que chegava a ser reclamada a cada instante pelas necessidades administrativas ou disciplinares e pelas conveniências técnicas.
Assim, para o bom funcionamento de um grupo escolar, fazia-se necessário a presença de um diretor cônscio de seu papel.
Para o Inspetor Escolar, João F. Pinto e Silva, qualquer imperfeição no desenvolvimento do ensino dessas escolas seria de inteira responsabilidade do diretor, pois o seu dever era guiar os professores a quem falta à orientação.
Para tal fim, porém, torna-se necessário que o diretor alie, a um preparo profissional à prova de qualquer dúvida, um especial estudo de psicologia infantil experimental aplicada ao ensino.
Além disso, não lhe devem faltar conhecimentos práticos de organização escolar, quer no que se refere à parte disciplinar, quer quanto à parte administrativa.
Sem esses predicados não pode um diretor de grupos desempenhar seu cargo, sem graves prejuízos para o ensino. (Anuário do Ensino do Estado de São Paulo, 1910/1911, pp. 48-49)
Por conta da importância fundamental do diretor dos grupos escolares, para o inspetor, João F. Pinto e Silva a melhor maneira de ocupar esse cargo seria mediante concurso público, no qual os candidatos se manifestariam aptos para tal cargo.
Embora não tenha sido possível encontrar declarações de outros inspetores escolares acerca da necessidade de concurso público para a nomeação para esse cargo, percebe-se que eles são categoricamente concordes a respeito da importância de escolher bem esse profissional. Por conta disso, defendia-se que o cargo de diretor de grupo escolar deveria ser exercido por professores com largo tirocínio no magistério, com competência e elevadas qualidades morais reconhecidas. Escolhidos os diretores sob esse critério, com exclusão de quaisquer considerações de outra ordem, os grupos escolares continuariam a prestar bons serviços educativos.
Desse modo, apesar de os inspetores escolares reconhecerem que os grupos escolares eram referências da instrução primária da época, não deixavam de indicar os
problemas que afligiam essa modalidade escolar e que, segundo esses funcionários, dificultavam um melhor resultado do ensino desenvolvido nessas escolas.