SÖZEL SUNUMLAR
YİNELENMEYE MAHKÛM ÖZNE/LER: TAKMA GÖZ Elif ÖKSÜZ GÜNEŞ
Baltes e Baltes (1990) propõem uma teoria designada por seleção, otimização e compensação (teoria SOC), segundo a qual os ganhos e as perdas evolutivas são resultantes da interação entre os recursos da pessoa com os recursos do ambiente, num registo de interdependência. Interagem de forma sistémica estes três mecanismos na produção do desenvolvimento e do envelhecimento bem-sucedido.
O primeiro objetivo da teoria SOC é descrever o desenvolvimento em geral e estabelecer como os indivíduos podem lidar com as mudanças biológicas, psicológicas e
64 sociais que representam oportunidades e/ou restrições conforme os seus níveis de desenvolvimento.
O segundo objetivo da mesma teoria é a plasticidade comportamental que o indivíduo desenvolve, pois interessa saber como gerem os seus recursos internos e externos a essas três funções com o intuito de maximizar ganhos e minimizar perdas.
Pode-se definir seleção como sendo o planeamento de objetivos por parte dos idosos, face aos condicionamentos surgidos pelo envelhecimento.
Pode-se definir otimização como o processo de procura e rentabilização das condições necessárias.
Pode-se definir compensação como a aquisição de meios, atingíveis ou simbólicos, para alcançar os objetivos.
“Eu vim para o centro para não estar sozinha, se bem que agora é só deixar passar o tempo! Assim também posso fazer a vontade à minha filha e participar nas atividades…sabe fazer aqueles jogos... Assim também me ajudam na higiene.” (Sra.
C.). No entender do observador este relato revela uma falta de interesse por si próprio, um comprometimento da sua autoestima e uma extrema preocupação em agradar à filha. Até onde foi possível observar sabe-se que os clientes entram para o centro por “vontade própria” não atribuindo responsabilidade direta a familiares ou a outros elementos pelo seu ingresso. Fala-se em não atribuir “responsabilidade direta” no sentido em que o utente não é obrigado a ingressar na instituição, mas antes influenciado. Tal é provado através de alguns relatos de clientes quando dizem, por exemplo:
“Eu estou aqui porque os meus filhos disseram que é o melhor para mim. Eles disseram que aqui estou mais vigiada.” (Sra. L).
“Estou cá porque em casa passava muito tempo sozinha e não sei como acabei por cair. O meu filho disse-me que podia ter morrido. Ficou com muito medo de me perder e disse que estava fora de questão eu estar sozinha. Assim pelo menos de dia não estou sozinha.” (Sra. G).
“Cuidar do velho e zelar pelo seu bem – estar não significa superprotegê-lo...O velho não precisa de superproteção, mas, sim, de estimulação. Em geral, ele é capaz de fazer muitas coisas necessárias para si e para os outros e deve ser estimulado a isso”
(Zimerman, 2000, p.47/64).
Supostamente, as atividades são definidas segundo as necessidades físicas e psíquicas dos utentes. Estes não têm oportunidade de participar na planificação das
65 mesmas, mas têm o poder de decidir se querem participar ou não. Verificou-se que os utentes nem sempre estão motivados a participar nas atividades. Apenas participam uma vez que não têm outras alternativas. Ou melhor, a alternativa é ver televisão na sala, sujeitos ao programa televisivo que lhes é imposto.
“O que vão fazer hoje de tarde” (Observador) “Ainda não sabemos…quando ela (auxiliar) vier diz-nos. Seja o que for eu vou para ocupar a cabeça, também não há mais nada!” (Sra. C).
“Está aqui na sala a ver televisão, D. H? Não quer ir fazer a sua arvorezinha de natal com os docinhos?” (T1) “Não! Deixe-me mas é aqui sossegada que não estou a chatear ninguém” (Sra. H).
“D. I você agora não tem participado nas atividades…está chateada com os seus coleguinhas ou com a gente?” (T2) “Não…mas eles (outros utentes) fazem muito barulho…antes quero ficar aqui a rezar.” (Sra. I).
Relativamente a sugestões dos clientes, estas não são tidas em consideração. Os horários e normas são estabelecidos pela própria Instituição, porém, estes são facultados aos clientes aquando da admissão. Relativamente aos horários para refeições estes estão pré-estabelecidos pela organização, sendo puco ou nada flexíveis.
“Ó gente vamos indo para a mesa que já sabem que às 12:30h vem a sopa e às 13:30h é a minha hora de almoço…oupa, siga!” (T1)
É importante referir que os clientes podem decidir e escolher o que vestir de acordo com os seus gostos e vontades. Foi possível observar que existe uma diversidade de estilos de vestir entre os clientes, uns mais formais do que outros. Tal, leva a crer que não existe uma forma padronizada nem instituída de vestir.
Quanto ao vestuário não é dada a oportunidade ao utente de este escolher a roupa que quer vestir em determinado dia. Quando o utente chega à casa de banho para tomar banho, já lá está a sua roupa escolhida e preparada pela auxiliar que lhe dará o banho.
“Ó H. não está aí a minha camisa ao xadrez amarela? É queela é quentinha…” “Está lá dentro ser J. mas não fica bem nestas calças…agora fica assim como está e noutro dia vestimos aquela.” (Discurso entre um idoso e uma técnica).
“Não sabes o que a D. R. costuma vestir? É que vou dar-lhe banho e assim já preparava a roupa…” “Ó coitadinha ela veste qualquer coisa, porque ela já não tem noção…é do alzheimer…” (discurso entre duas técnicas).
66 No que respeita a saídas ao exterior estas são praticamente inexistentes quer pelo grau de dependência da maioria dos utentes quer pela desresponsabilização e prevenção, por parte da Instituição, de eventuais contratempos.
“Fogo a gente até podia ir lá fora dar uma voltinha…mas elas (técnicas) têm medo dos carros e assim. Aqui estamos mais guardados.” (Sr. Y).
“Ó F. eu vou num instante ao posto médico pedir umas receitas!” (utente para
técnica).
É importantíssimo para o bem-estar emocional e físico dos utentes terem oportunidade de fazer escolhas e tomar decisões. Se assim não for, limita-se a autonomia violando-se, o princípio do respeito pela pessoa idosa e sua autodeterminação.
“A direção e os colaboradores da instituição devem encorajar o idoso a ser responsável por si próprio e a executar ele mesmo todas as tarefas que deseje e de que seja capaz.”7